terça-feira, julho 31, 2007

ROMA 3: IMPÉRIO


Séculos I e II d.C.

** O Império Romano se inicia em 27 a.C. e chega ao seu fim em dois momentos diferentes. No Ocidente, em 476 d.C., com as invasões das tribos bárbaras germânicas. No Oriente, em 1453 d.C., quando os turcos conquistam Constantinopla, a capital do Império Bizantino do qual falaremos mais tarde. Dividimos a história do Império Romano (27 a.C.-476 d.C.) em duas fases: Alto Império (27 a.C. até o século II d.C.) e Baixo Império (século III ao V d.C.).

** O Primeiro Imperador: Otávio, sobrinho de César, após derrotar Marco Antônio, assume o governo de toda a Roma Antiga. Otávio coloca fim a República, diminuindo drasticamente os poderes do Senado e criando, para a sua segurança, a Guarda Pretoriana, formada por 9.000 soldados, com a grande função de proteger a pessoa do Imperador. A partir daquele momento, todos deveriam prestar lealdade ao Imperador. Além desse título, Otávio adotou os títulos de Augusto (divino) e Príncipe (primeiro dos cidadãos), além de assumir para si vários cargos: pontífice máximo, censor, cônsul, tribuno, etc.

** Reformas de Augusto:

>> Aumento da autonomia administrativa das cidades e províncias e sua divisão entre: senatorias e imperiais. As províncias imperiais eram as de fronteira e os governantes eram nomeados diretamente pelo imperador que também reforçou a presença do exército no limes do Império.

>> Classificação da população pela renda, assim, foram criadas três “ordens”: a Senatorial, a Eqüestre e a Inferior. Diluiu-se as tensões entre patrícios e plebeus, cujos membros mais ricos passaram a formar a nobilitas (nobreza) e a população passou a ser discriminada entre ricos e pobres. Somente os mais ricos poderiam chegar ao Senado.

>> Centralização dos gastos públicos como forma de reprimir a corrupção.

>> Designação de funcionários de confiança para cobrar os impostos nas províncias.

>> Reorganização dos correios: um Império tem que ter um sistema de comunicação rápido e confiável.

>> Agravamento de penas e repressão de práticas que atentassem contra a moral e os bons costumes. Otávio também vai reprimir os excessos de luxo da sua corte.

>> Revigoração das rotas comerciais e a criação da esquadra imperial, responsável por proteger os navios que traziam os grãos que abasteciam a Itália.

>> Construção de obras de infra-estrutura: aquedutos, pontes, termas, mercados, etc.

>> Apoio às artes, através do patrocínio de artistas, filósofos e escritores. Essa prática, comum até hoje, chama-se Mecenato e é feita pelo Estado, grandes empresas ou mesmo indivíduos ricos. Esse termo vem de Mecenas, nome de um amigo de Otávio.

** Século de Ouro: É assim que ficou conhecido o longo período que cobre o longo governo de Otávio Augusto e de seu sucessor, Tibério César. Foi nessa época que se consolidaram as bases do Império Romano e se iniciou a chamada Pax Romana.

** Pax Romana: Período que cobre o século I e II, marcado pela relativa estabilidade política, pela expansão máxima das fronteiras de Roma graças à ausência de inimigos poderosos, e a sensação de paz e tranqüilidade que reforçava a idéia de que os romanos eram os senhores do mundo. Essa estabilidade favoreceu e muito a expansão do Cristianismo que se valia da estabilidade romana e da cultura helenística para se espalhar pela malha urbana do Mediterrâneo, o mare nostrum romano.

** Governantes do Século I: Uma característica dos imperadores que sucederam Tibério César (Dinastia Júlio-Claudiana), foi o final trágico de seus governos. Um dos agentes das deposições e assassinatos que marcariam a história de Roma seria a Guarda Pretoriana, criada exatamente para proteger os imperadores. Calígula, conhecido entre outras coisas por transformar seu cavalo em senador, teve governo curto. Cláudio, seu tio e sucessor, foi um governante competente e em seu governo foram conquistadas a Bretanha, província que corresponde aproximadamente a atual Inglaterra, e a Mauritânia, No Norte da África. Seu governo terminou com sua morte envenenado por sua esposa Agripina, depois que essa garantiu a indicação de seu filho Nero para o trono Imperial. O jovem Nero ao assumir o governo mostrou-se competente e bem orientado por seu preceptor, o filósofo Sêneca. Estimulou as artes e as ciências. Com o tempo, entretanto, afastou-se de seu mentor e cometeu vários excessos entre eles o possível assassinato de seu meio-irmão Britânico, assassinato da esposa Otávia e da mãe Agripina. Além disso, foi no seu governo que aconteceu o grande incêndio de Roma. Até hoje, o imperador, que mandou remodelar a cidade e transformá-la na mais esplendorosa capital de então, é suspeito de ter ordenado o incêndio e depois culpado os cristãos. Essa foi a primeira grande perseguição aos adeptos dessa religião. Nero terminou seu governo Sendo condenado pelo senado e abandonado pela Guarda Pretoriana. Sabendo que seria preso, torturado e executado, optou pelo suicídio.

** Os “Bons Imperadores”: Depois das agitações que se seguiram à morte de Nero, a estabilidade veio através de novos imperadores que tinham obtido prestígio graças à seu desempenho militar. Primeiro a Dinastia dos Flávios (69-96 d.C.), com Vespasiano, que construiu o Coliseu e Tito que reprimiu a revolta dos judeus e promoveu a Diáspora e Domiciano. Após a morte de Domiciano, assumiu a Dinastia dos Antoninos (96-192 d.C.), conhecida como a dos “bons imperadores”. Esses imperadores, alguns deles nascidos fora da Itália em províncias da península Ibérica ou Norte da África, fizeram governos competentes e garantindo a segurança política, o desenvolvimento econômico e convivência entre os diversos grupos sociais. Foi durante o século II que o Império chegou ao máximo de sua expansão com a conquista, durante o governo de Trajano, da Dácia (Romênia) e da Mesopotâmia. Dentre os imperadores do período, um dos mais significativos foi Marco Aurélio, chamado de o imperador filósofo. Foi dele a decisão de permitir que os bárbaros pudessem se estabelecer nas fronteiras do Império e também, quando necessário, ingressar no exército. Tal medida não foi vista com bons olhos, e já no governo de Marco Aurélio começaram a aparecer os primeiros problemas que iriam marcar o século III. O filho de Marco Aurélio, Cômodo, foi o último dos Antoninos, mas o título de “bom imperador” não lhe caía bem e terminou sendo assassinado por um gladiador.

** OS Bárbaros: Eram considerados bárbaros pelos romanos todos aqueles que não tinham cultura greco-romana e não falavam latim. Assim, poderiam ser bárbaros tanto os judeus quanto os árabes ou as tribos da Europa. No entanto, sempre que utilizarmos este termo daqui para adiante estaremos nos referindo aos Germanos, tribos seminômades que estavam se deslocando rumo à Europa e foram barradas nas fronteiras de Roma. Algumas delas permaneceram ali por muito tempo e se romanizaram, outras recém-chegadas desconheciam os costumes romanos. A relação dos romanos com as tribos variava, mas muitos bárbaros passaram a participar do exército e da política do Império e os casamentos se tornaram cada vez mais freqüentes. A chegada dos hunos (lembram que séculos atrás eles estavam perturbando os chineses?) vai aterrorizar os germanos e provocar sua entrada violenta em territórios romano.

Séculos III a V d.C.


** CRISE DO SÉCULO III: O fim da Dinastia dos Antoninos foi marcado pela anarquia militar e o fim da Pax Romana. Os novos governantes, a Dinastia dos Severos (193-235 d.C.), não conseguiram garantir a estabilidade do governo, e a guerra civil se tornou constante. Era comum o assassinato de Imperadores e outros governantes. A insegurança, gerou a crise no comércio e no abastecimento. Os camponeses, constantemente convocados para serviço militar, esvaziavam o campo e reforçavam a crise agrícola, a fome e a inflação. O fim da expansão diminuiu o número de escravos e agravou a crise de mão-de-obra. A concessão de cidadania para todos os habitantes livres do Império, em 212 d.C., ajudou a diminuir o prestígio do Exército que admitia cada vez mais bárbaros. Os funcionários públicos aterrorizavam a população, aumentavam os impostos e a corrupção era uma constante.

** REFORMAS DE DIOCLECIANO: a crise do Império começou a ser revertida com as reformas de Diocleciano (284-305 d.C.) que reorganizou a estrutura do Império. Entre as reformas deste imperador podemos ressaltar:

>> A divisão do Império em quatro regiões administrativas (Tetrarquia): duas governadas por césares e duas por augustos.

>> Para conter a alta dos preços, instituiu a Lei do Máximo que limitava preços e salários. Tal medida terminou por gerar ágio e o desaparecimento de mercadorias.

>> Transformou alguns camponeses em colonos, o que os impedia de abandonar as suas terras.

>> Instituiu o culto a pessoa do Imperador que passou a ser chamado de Dominus (senhor). Como os cristãos se recusaram a cultuar o Imperador, acabaram sendo duramente perseguidos.

>> Além disso, instituiu a obrigatoriedade do latim para as províncias do oriente, reforçou o culto aos deuses e tradições romanas e tirou a autonomia das cidades.

Apesar dos esforços de Diocleciano, as fronteiras do Império continuaram vulneráveis, os ataques eram constantes. A desvalorização da moeda e a inflação fez com que em muitos lugares a economia retrocedesse a economia de trocas. Diocleciano terminou renunciando em 305 d.C.

§ O IMPÉRIO SE TORNA CRISTÃO: No ano de 312, Constantino se tornou imperador. Entre as medidas mais importantes do seu governo podemos ressaltar: O Édito de Milão, de 313, que deu liberdade de culto aos cristãos; a aproximação entre o Estado Romano e a Igreja Cristã expressa no Concílio de Nicéia, de 325, quando se definiram as bases da Igreja com intervenção direta do imperador; a Lei do Colonato que obrigou definitivamente os camponeses a estarem presos à terra sob a proteção de um latifundiário; e a transferência da capital de Roma para Constantinopla (antiga Bizâncio), o que demonstrou o quanto o Oriente era mais importante do que o Ocidente dentro do quadro de interesses do Estado.

** A SEPARAÇÃO DE ORIENTE E OCIDENTE: Coube ao imperador Teodósio II (297-395) transformar o Cristianismo em religião oficial do Império (Édito de Tessalônica), abolindo todas as festas pagãs, entre elas as Olimpíadas (391 d.C.). Este imperador também dividiu o império entre seus dois filhos: o Império do Ocidente, com capital em Roma e governado por Honório; e o Império do Oriente, com capital em Constantinopla, e governado por Arcádio. A partir de então, o império do Ocidente estava com os dias contados e foi conquistado por Odroaco, rei dos hérulos, em 476, já o Império do Oriente ainda teria mais 1000 anos de história.

** POR QUE ROMA CHEGOU AO FIM? Não existe uma causa para o fim do Império Romano do Ocidente, mas podemos apontar alguns fatores que juntos colaboraram para o seu fim:

>> As disputas de poder que enfraqueceram o Estado.

>> A crise do Exército que representava a base do poder do imperador e antes do século III era motivo de orgulho para os romanos. Com a entrada dos bárbaros, as crises de hierarquia, a anarquia e a falta de patriotismo se tornaram uma constante.

>> A decadência econômica, fruto entre outras coisas da insegurança, desvalorização da moeda, ruralização do Ocidente e crise de mão-de-obra. Roma dependia dos escravos e sua escassez, contribuiu para o decréscimo da agricultura. O colonato foi uma forma de tentar reverter o problema.

>> As invasões bárbaras que se tornaram um grande problema para o Império do Ocidente, fragilizado pelas lutas políticas.

>> As mudanças provocadas pelo cristianismo na sociedade romana, atingindo às crenças, o militarismo, a moral, etc.

ROMA 2: REPÚBLICA


EXPANSÃO TERRITORIAL
(Séc. VI-III a.C.)

>>A República Romana durou de 509 até 27 a.C., mas para efeito de organização vamos dividir o período em duas partes: a expansão territorial e a Crise do modelo republicano.

>>República vem da expressão latina res publica que quer dizer “coisa do povo”. Não devemos acreditar, no entanto, que todos os habitantes da República Romana fossem considerados como parte do “povo”, pois este era identificado principalmente com aos soldados de Roma e com um grupo social que vai lutar para manter o seu poder, os patrícios.

>> ORGANIZAÇÃO POLÍTICA: Durante a República a organização do governo e das magistraturas romanas vão mudar bastante e praticamente só o Senado permanece. Para melhor compreensão, preste atenção no modelo básico que segue:

# Dois cônsules: Eleitos anualmente e poderiam ser reeleitos uma só vez. No início, ambos eram patrícios, com o tempo os plebeus obtiveram o direito de eleger um dos cônsules. Em caso de guerra ou grande crise poderia ser eleito um ditador que governaria com plenos poderes por seis meses.

# Senado: Muito poderoso durante boa parte da República, era composto por 300 membros; no início todos ainda eram patrícios, depois foram aceitos os plebeus. Havia hierarquia entre os senadores, alguns somente votavam e não tinham direito a voto ou a certos postos.

# Duas Assembléias: A Centuriata era convocada pelo Cônsul e composta pelos representantes das classes romanas.[1] Já a Assembléia Tribunícia era composta pelos representantes das tribos de Roma. Em ambas os patrícios e os mais ricos eram maioria.

# As Demais Magistraturas: Pretores – cuidavam da justiça; Censores – zelavam pela moral e os bons costumes, faziam o recenseamento de acordo com a renda e reprimiam a corrupção dos funcionários públicos; Questores – responsáveis pela arrecadação de impostos (não confundir com os publicanos [2]); Edis – responsáveis pelo abastecimento de víveres da cidade e por fiscalizar e zelar saneamento e segurança da cidade; Tribunos da Plebe – poderiam vetar, salvo em governo ditatorial, as leis que fossem contra os interesses dos plebeus.

>> ORGANIZAÇÃO SOCIAL: Mantive-se a mesma da época da Monarquia, mas com a criação da divisão pela renda (censitária) um novo grupo social se formou, os Eqüestres (Cavaleiros). Antes um dos segmentos do exército romano, o mais rico porque cavalos eram caros, passou a abrigar aqueles que se dedicavam ao comércio e aos empréstimos de dinheiro, eram ricos, poderiam ser patrícios, plebeus ou cidadãos de fora de Roma, seu poder e número foi aumentando conforme Roma se expandia, eram chamados também de Homens Novos. Terminaram por conseguir direito a elegerem senadores.

***Nesse período, graças a expansão territorial e às guerras, o número de escravos aumentou muito. O escravo poderia ser qualquer pessoa, independente da origem, da profissão, do sexo ou da cor da pele; poderia ter nascido escravo ou ter sido capturado na guerra ou mesmo seqüestrado. Em Roma, os escravos se tornaram tão baratos que com o tempo passaram a substituir os trabalhadores livres. Estes acabavam perdendo seus empregos, se endividando e, se camponeses, tendo que vender suas terras. Muitos soldados plebeus ao voltarem das guerras também caiam na miséria. Como o número de desocupados aumentou muito, principalmente na cidade de Roma, criou-se a chamada Política do Pão e Circo que consistia na distribuição de alimentos e de diversão gratuita, pelo Estado e por patrícios ricos, de forma que os miseráveis pudessem ficar satisfeitos e não promovessem agitações sociais.

>>A QUESTÃO JURÍDICA: Durante a República os plebeus vão lutar muito para conseguirem igualdade jurídica em relação aos patrícios. Os meios utilizados foram muitos: negociação, agitações populares, ameaça de abandonar a cidade. Mesmo não conseguindo igualdade plena, as condições dos plebeus vão melhorar muito, principalmente dos plebeus ricos. Vamos pontuar somente algumas leis, as outras estão no seu livro texto (p.157-158). O primeiro grande ganho dos plebeus, já no século VI, foi o direito de elegerem o Tribuno da Plebe; a Lei de Agrária (486 a.C.) dava aos plebeus direito de acesso às terras públicas; Lei das Doze Tábuas (454 a.C.), primeira código de leis escritas de Roma, negava aos plebeus o direito de se casarem com os patrícios, mas deixava claros os seus direitos e deveres; as Rogações Lícinias (367 a.C.) concederam o direito dos plebeus de elegerem um cônsul e acabou com a escravidão por dívidas; a Lei Canuléia (345 a.C.) concedeu aos plebeus o direito de se casarem com os patrícios, suspendendo a decisão anterior.

>>A EXPANSÃO TERRITORIAL: Foi durante a República que se constituiu boa parte do território romano. Guerras constantes marcavam a vida dos cidadãos e mesmo os plebeus tiveram que se juntar ao exército, tornando-se rapidamente a maior parte do seu efetivo.

# Conquista da Itália (509-265 a.C.): Nos primeiros séculos da República, Roma se dedicou a conquista da Península Itálica. Em guerras sucessivas, aliando-se e se envolvendo em conflitos locais, foi anexando muitos territórios. As disputas entre os principais estados da Magna Grécia – Siracusa e Tarento – deram aos romanos a oportunidade de anexar também aquela região politicamente fragmentada. A última região a ser anexada foi o Reino de Épiro, cujas tropas chegaram a derrotar os romanos. Uma aliança com os Cartagineses, entretanto, garantiu a vitória e a posse de toda a Península Itálica que se concretizou em 265 a.C.

# As Três Guerras Púnicas [3] (264-241; 218-201; 149-146 a.C.): Cartago, antiga colônia dos fenícios, era uma potência comercial com muitos territórios e sérios interesses na Península Itálica. Sua aliança com os romanos visou eliminar um adversário comercial, mas terminou precipitando o confronto com os romanos. A primeira guerra entre Roma e Cartago teve como objetivo definir o controle sobre a Península Itálica. Roma queria que Cartago se retirasse das grandes ilhas (Sicília, Sardenha, Córsega) e terminou prevalecendo sobre a rival com a ajuda da recém incorporada marinha das cidades da Magna Grécia. Ambos os Estados saíram prejudicados, mas Cartago perdeu as ilhas e ainda teve que pagar pesada indenização. A segunda guerra tinha como pivô o controle sobre a Península Ibérica. Os cartagineses tinham colônias e áreas de influência naquela região, que interessava ao imperialismo romano, e a usaram como ponte para conduzir um imenso exército até a Europa.[4] Liderados por Aníbal, os cartagineses obtiveram várias vitórias – sendo Canas a mais expressiva, cruzaram os Alpes e chegaram às portas de Roma. A falta de reforços cartagineses – o conselho da cidade achava que os romanos já estavam suficientemente assustados – entretanto, frustrou os planos de Aníbal e os romanos tiveram como se reorganizar e atacar Cartago em seu território. Aníbal foi em defesa da sua cidade mas terminou sendo derrotado na batalha de Zama. Cartago teve que entregar sua poderosa esquadra, pagar imensa indenização e aceitar uma cláusula de somente fazer guerra com a permissão de Roma. Aníbal se exilou na Ásia Menor. A terceira guerra tinha como objetivo estrangular o comércio cartaginês de uma vez por todas. Cartago se recuperara parcialmente das guerras anteriores e voltara a ser ativa no comércio. Os romanos então, estimularam o reino vizinho de Cartago, a Numídia, a atacar os cartagineses. Sem obter a permissão romana, propositalmente retardada, os cartagineses reagiram. Roma então interveio, ordenando o abandono da cidade e a fundação de uma outra capital no interior, o que seria a morte para uma talassocracia como Cartago. Os cartagineses resistiram e os romanos promoveram um bloqueio naval que impedia a cidade de receber víveres e reforços. A fome e a peste mataram boa parte da população e os que sobraram foram escravizados. Aníbal, perseguido, se suicidou. O local onde ficava a orgulhosa cidade foi considerado maldito e salgado.

# Conquista da Grécia: Roma fortalecida não teve dificuldades em incorporar a Macedônia e a Grécia que em 189 a.C. se tornaram províncias romanas.

>>O GANHO DAS CONQUISTAS: Como a incorporação de tantos territórios Roma mudou muito. De cidade pequena, pobre, austera se tornou centro do mundo e senhora do Mediterrâneo, chamado pelos romanos de Mare Nostrum (nosso mar). Entre as mudanças ocorridas na sociedade, na economia e na cultura romana, podemos citar:

# A influência cultural: Roma incorporou vários aspectos das culturas dos povos conquistados. Isso trouxe avanços tecnológicos e o contato com a filosofia helenística, mas também o gosto pelo luxo e pelos prazeres que começaram a mudar a vida “simples” dos romanos.

# A escravidão se torna base da economia: Roma recebia escravos de todas as partes do seu território por um preço muito barato. Isso vai fazer com que se deixe de empregar a mão-de-obra livre.

# Declínio da agricultura: Muitos agricultores eram convocados para o exército e tiveram que abandonar suas terras arruinando às pequenas propriedades. Além disso, era mais barato trazer alimentos das províncias, principalmente com o enriquecimento de Roma. Os pequenos agricultores sem escravos não tinham chance de vender seus produtos, mais caros que os importados. Tal situação acelerou a formação dos latifúndios e o acúmulo de terras nas mãos de poucos.

# Acúmulo de riquezas, corrupção e guerra civil: O enriquecimento de Roma e o fluxo constante de riquezas aumentaram a cobiça dos governantes e a corrupção se tornou algo comum. Além disso, as disputas políticas e as tensões sociais entre patrícios e plebeus puseram em crise as estruturas da República.



DA CRISE NASCE O IMPÉRIO
(SÉCULO II até o ano 27 a.C.)

>>O século II a.C. foi marcado por inúmeras crises políticas e conflitos sociais que debilitaram a estrutura de governo da República. Plebeus desejavam mais espaço político e igualdade jurídica, patrícios resistiam para manter seus interesses, miseráveis nas cidades serviam de massa para as insurreições, escravos se revoltavam. Enfim, Roma era poderosa mas ao mesmo tempo frágil.

>> OS IRMÃOS GRACO: Tibério e Caio Graco foram figuras emblemáticas da luta por melhores condições para a plebe empobrecida. Não se deve pensar que eles queriam mudar as estruturas de Roma, mas, sim, que tinham visão de que os conflitos sociais ameaçavam a estabilidade da República. Tibério, eleito tribuno da plebe em 133 a.C., propôs que se fizesse uma reforma agrária indenizando os donos das terras desapropriadas, que se reduzisse o tempo de serviço militar, e que se contratassem os desempregados para trabalhar em obras públicas, como estradas. O Senado temeroso de que as reformas prejudicassem os patrícios, não deu condições para que Tibério levasse adiante o seu projeto. O tribuno foi morto em um comício quando buscava a reeleição. O irmão de Tibério, Caio, se elegeu tribuno dez anos depois com o apoio dos eqüestres. Tinha como objetivo levar adiante o projeto de seu irmão e propôs que se criassem novas colônias e que se desenvolvessem atividades comerciais em benefício dos plebeus, também queria que se vendesse trigo a baixos preços a população urbana pobre. Caio não conseguiu o apoio do Senado que o acusou de sacrilégio, pois queria estabelecer uma colônia plebéia onde havia sido Cartago. O tribuno, em desgraça, teve que se suicidar e seus aliados foram reprimidos.

>> AS LUTAS ENTRE OPTIMATES E POPULARES: Essas duas facções políticas discordavam em seus objetivos e provocaram sérias agitações em Roma. Os optimates ("aristocratas", "os melhores") acreditavam que somente aqueles que vinham de família com tradição política poderiam ser eleitos aos cargos públicos e defendiam o aumento do poder do Senado. Os populares defendiam que o maior poder fosse dado às assembléias do povo e aos tribunos que eram eleitos por ela. Júlio César apoiava as idéias dos populares e Pompeu dos optimates.

>>MARIO E SILA: Dois generais que marcaram a política romana seus governos representaram mais um passo no desmonte das estruturas de governo republicanas. Mario era um plebeu enriquecido que tinha feito carreira no exército. Vitorioso no Norte da África, conseguiu se eleger graças aos votos do exército de maioria plebéia. Como Cônsul Mario promoveu a profissionalização do Exército Romano: profissionalizou o exército criando o soldo, admitiu pela primeira vez os proletários, abriu para todos a possibilidade de fazer carreira militar, concedeu aos soldados direito nos ganhos de uma guerra e direito a lotes de terra quando se aposentassem. Muito popular, Mario foi reeleito seis vezes, o que era contra as leis de Roma. É então que se projeta no panorama político romano um outro general, Sila. De família patrícia empobrecida, e bem mais ao gosto do Senado, ele também era um herói militar, afinal, tinha subjugado as cidades da Península Itálica (91 a.C.).[5] Sila se elege cônsul e obtém do Senado um comando que Mario aspirava, o resultado do embate político-militar entre os dois é a derrota e exílio do plebeu. Único senhor de Roma (ditador) e com o apoio do Senado ele persegue os partidários de Mario, criando uma lista de proscritos que contavam com cerca de cem senadores e 2500 cavaleiros. Sila permanece no posto de 88 até 80 a.C. quando se retira do governo. Durante seu governo os plebeus foram prejudicados em seus direitos.

>>O PRIMEIRO TRIUNVIRATO: Depois de uma longa ditadura, são eleitos dois cônsules, Pompeu e Crasso, ambos generais. Aliás, o governo de generais foi comum nesse período final da República. Crasso era plebeu, talvez o homem mais rico de Roma, um general vitorioso e respeitado, pois havia derrotado Espartacus e sua rebelião de escravos que por quase três anos (73-71 a.C.) questionou o modelo escravista e impôs terror aos romanos. Para conferir maior credibilidade e estabilidade ao governo, um outro general que havia submetido as Gálias, Júlio César foi convocado a compor o governo. Estava formado o Triunvirato (60 a.C.). Após o assassinato de Crasso, Pompeu e César se enfrentam pelo poder. Júlio César sai vitorioso e se torna único cônsul em 48 a.C.

>>REFORMAS DE CÉSAR: Ao assumir o governo sozinho, Júlio César vai levar adiante uma série de reformas: redução da autoridade do Senado; adoção do calendário solar egípcio; codificação das leis e aumento das penas para os crimes comuns; concessão de cidadania aos habitantes da Gália e da Península Ibérica; doação de terras aos soldados; cancelamento do direito de cobrar impostos dos publicanus; fortalecimento da moeda romana; fim dos privilégios dos habitantes da Itália; determinação de que para cada escravo empregado em grandes propriedades deveria ser contratado um cidadão livre. César caiu em desgraça com o Senado e alguns o viam como alguém que pretendia por fim à República e se tornar rei, por isso terminou sendo assassinado em 44 a.C. O Senado não contava que a população se revoltaria e acabou tendo que recuar e os conspiradores foram afastados do governo.

>>O SEGUNDO TRIUNVIRATO: Iniciado em 42 a.C. era composto por Lépido – general de César – governava o Norte da África, Marco Antônio – braço direito de César – ficou com o Oriente, e Otávio – sobrinho-neto e herdeiro de Júlio César – governava o Ocidente. A Itália seria área neutra. Pressionado por Otávio, o Senado destituiu Lépido e o sobrinho de César se tornou o único governante do ocidente. Marco Antônio fez uma aliança com Cleópatra, Rainha do Egito, e tentou separar a parte Oriental, e mais rica, do resto da República. Otávio e Marco Aurélio se enfrentaram e o primeiro ganhou. Marco Aurélio e Cleópatra se suicidaram, e Otávio se tornou o único senhor de Roma, agora com o título de imperador.


[1] Durante a República Romana conviveram duas formas de divisão da sociedade, a tradicional e a com base nas "classes proprietárias", cada uma das 5 classes correspondia a uma parte do exército e era dividida em centúrias. Os Eqüestres, assim como os Senadores eram "supra classim", ou seja, estavam acima das demais por causa de sua riqueza, já os proletários eram "infra classim" porque por não terem armas nem nada de seu estavam abaixo de todos por causa da pobreza.
[2] Eram cobradores de impostos. Adiantavam à Roma a quantia de um ano ou mais de impostos de uma região e ganhavam o direito de cobrá-los a mais do resto da população do local. Normalmente eram odiados.
[3] Os romanos chamavam puni que queria dizer fenício.
[4] O exército, de acordo com as fontes romanas, tinha 60 mil homens e 37 elefantes.
[5] Roma concedeu a cidadania romana aos revoltosos como forma de demonstrar a sua boa vontade, já que os habitantes da Península argumentavam que não havia vantagem em fazer parte da República.

3º BIMESTRE: ROMA 1


MONARQUIA
(753-509 a.C.)

>> COMENTÁRIOS GERAIS: A monarquia foi o primeiro período da história de Roma e sobre ele não temos muitas informações escritas para além dos mitos que tentam contar a organização nos primórdios de Roma, sua relação com os sabinos, a guerra com Alba Longa, a conquista dos etruscos e a libertação. De concreto podemos afirmar que o período foi marcado pela dominação etrusca e a luta pela independência que resultou na mudança para a monarquia.

>> OS ETRUSCOS: Os etruscos eram um povo avançado que vivia na região onde hoje é a Toscana, chamada na época de Etrúria. Sua origem ainda é nebulosa mas acredita-se que tenham vindo da Ásia Menor. Viviam em cidades-estado independentes e sua escrita utilizava caracteres gregos. Mantinham ativo comércio com o sul da península (Magna Grécia) e o Norte da África (Cartago). Sua religião era antropomórfica e adaptava as divindades gregas para a sua realidade (Zeus-Júpiter, Atena-Minerva, Ares-Marte, Hera-Juno, etc). Parece que as mulheres etruscas tinham grande participação na vida pública e grande liberdade. Durante o domínio etrusco Roma sofreu forte influência cultural e foram os invasores os responsáveis pelas primeiras obras de infra-estrutura (drenagem de pântanos, rede de esgotos), além do Capitólio e do Circo Máximo. Durante o século VI os etruscos se viram ameaçados por vários invasores (gauleses, gregos, fenícios, etc) e tiveram que relaxar o domínio sobre Roma que acabou por vencê-los. Muitas famílias nobres etruscas passaram a integrar a nobreza de Roma.

>> ORGANIZAÇÃO POLÍTICA: Durante a Monarquia as leis romanas ainda não eram escritas e havia três instâncias de poder estabelecidas pelas tradições e costumes romanos.

**REI: Eleito vitaliciamente, era líder político e militar. Não podia deixar o cargo para seus descentes, ou seja, a monarquia romana não era de caráter hereditário.

**SENADO: Principal órgão de governo, era composto exclusivamente por patrícios. Era uma assembléia de chefes de clãs, “os velhos”, e tinha as seguintes funções: exercer as funções reais enquanto novo monarca não fosse eleito, debater as propostas do rei e acatá-las caso não contradissessem as leis já existentes (a última palavra era do Senado), controlar o poder real, e fazer a lista tríplice de candidatos à monarca.

**ASSEMBLÉIA CURIATA: Era constituída pelos cidadãos, maioria de patrícios, em idade militar. Tinha como funções: impedir a aprovação de projetos que contradissessem as leis da cidade, determinar as concessões de perdão, e eleger o rei a partir da lista tríplice enviada pelo Senado.

>>ORGANIZAÇÃO SOCIAL: A sociedade romana era patriarcal e o chefe de família tinha direito de vida e morte sobre os membros da sua casa (esposa, filhos, agregados, escravos). Toda família venerava seus ancestrais e era fortalecida por ritos religiosos comuns. A religião também servia para reforçar o elo entre os habitantes da cidade. Além disso era estruturada em grupos sociais distintos:

- Os patrícios acreditavam-se descendentes dos fundadores da cidade e por força da sua riqueza e tradição militar dominavam a política e eram donos das melhores terras. Roma começou a se estruturar desde cedo, portanto, como uma plutocracia, isto é, um regime governado pelos mais ricos que nessa época eram os patrícios. Veneravam seus ancestrais e faziam o possível para que os plebeus não pudessem ter esse direito à memória que ajudava a manter a união entre os membros da família, do clã e do grupo social.

- Os clientes viviam sob a proteção dos patrícios. Poderiam ser parentes empobrecidos, plebeus, libertos ou estrangeiros. - Os plebeus eram a maioria dos habitantes de Roma e se dedicavam às mais diferentes funções (comércio, agricultura, artesanato, etc.). Poderiam ser de origem estrangeira, ou não. Aliás, isso pouco interessava aos patrícios que faziam o possível para que os plebeus não pudessem ter participação expressiva na política.

- Os escravos eram em pequeno número nessa época, podiam ter origem estrangeira ou serem indivíduos que perderam a liberdade por causa das dívidas.

3º BIMESTRE: ROMA – ORIGENS


>>A Península Itálica era uma área com grande fluxo de povos desde antes da fundação de Roma. Gauleses, gregos, fenícios, povos do Norte da África, todos ajudaram a formar a população dessa região da Europa.

>> Dentre os povos da região destacamos os sabinos e os latinos, povos que compuseram a base da população romana.

>>A cidade de Roma tem duas origens, uma mítica-lendária e outra histórica. Independente de qual das versões agrade mais, a localização da cidade é a mesma: fundada na região do Lácio, às margens do Rio Tibre, no sopé do monte Palatino, na região das sete colinas.

>>Pela origem lendária, Roma teria sido fundada por Rômulo em 25 de abril de 753 a.C. De acordo com os mitos, Rômulo e seu irmão Remo seriam filhos do deus Marte e de uma princesa Réia Sílvia da cidade de Alba Longa[1] que foram atirados nas águas do Tibre pelo tio-avô Amúlio que havia usurpado o trono. Amamentados por uma loba,[2] foram encontrados por um pastor que os criou. Depois de crescidos, se vingam do tio e recolocam seu avô no trono. Por inveja, entretanto, Remo provoca a ira do irmão e é morto por ele.[3]

>> Descartada a lenda, podemos afirmar que a cidade de Roma iniciou sua formação entre os séculos X e VIII a.C., quando sabinos e latinos coligados (Liga dos Sete Montes) vão unir várias aldeias e se concentrarem em volta do forte construído no monte Palatino. Não há portanto uma data de nascimento para Roma, mas, sim, um longo processo que levou as pequenas aldeias de pastores a se tornarem o maior império da Antigüidade.

>> A história da Civilização Romana se divide em três partes:

** Monarquia – do século VIII até o século IV (509) a.C.
** República – do século IV (509) a.C. até 27 a.C.
** Império – de 27 a.C.

[1] Alba Longa, por seu turno, teria sido fundada por Ascânio, filho de um dos heróis da Guerra de Tróia, Enéias que fugiu quando a cidade foi incendiada, carregando seu filho nos braços e o velho pai nas costas. Três gerações, o necessário para se ter uma identidade. Enéias era filho da deusa Vênus (Afrodite) e, pelas lendas, os romanos descendem desta deusa e do deus Marte.
[2] Ou uma prostituta, já que lupa se refere tanto ao animal quanto às meretrizes.
[3]Ver p. 153 do livro texto.