segunda-feira, março 05, 2007

Engenharia egípcia foi além das pirâmides


Para quem tem o History Channel. Provavelmente, vai repetir em outro horário e dias. O anúncio está na Folha de São Paulo.

Engenharia egípcia foi além das pirâmides
RICARDO BONALUME NETO
DA REPORTAGEM LOCAL

Naturalmente, as pirâmides têm destaque em um documentário sobre a engenharia no Egito Antigo. Mas a habilidade dos engenheiros dessa civilização era bem ampla. Os caras eram versáteis. Canais de irrigação, fortalezas, obeliscos, represas; os antigos egípcios foram pioneiros em quase todas as obras monumentais da história humana.
O método era basicamente o da tentativa e erro -não havia ciência por trás da coisa- e erros também aconteciam. A civilização foi construída em torno da natureza e da técnica. O rio Nilo e suas inundações facilitavam a agricultura, e o engenho humano aperfeiçoava o processo, criando canais e represas.
Uma delas não deu certo; ainda hoje vêem-se os restos da represa e o buraco por onde estouraram as águas.
A evolução do projeto das pirâmides é outro aspecto fascinante. Os túmulos dos reis (os faraós) começaram como simples amontoados de terra, passaram a pirâmides com terraços, até chegarem à forma perfeita com seus quatro lados iguais. No processo, algumas caíram, outras ficaram tortas.
Menos conhecidas são as fortalezas que os egípcios fizeram na sua fronteira com a região da Núbia. Com fossos em torno e muralhas escalonadas, só na Idade Média européia que se veria algo semelhante. Os caras eram bons.

CONSTRUINDO UM IMPÉRIO
Quando: hoje, às 21h
Onde: History Channel

terça-feira, fevereiro 27, 2007

TEXTO COMPLEMENTAR: OS HITITAS


Até o final do século XIX, os hititas não existiam na geopolítica da Antigüidade, no máximo, poderiam ter sido uma pequena tribo da Palestina. As únicas citações a eles estavam no Velho Testamento (filhos de Hete, Heteus) e somente com as escavações arqueológicas puseram fim aos 2000 anos de esquecimento da primeira grande potência Indo-Européia. Eles eram indo-europeus e foram os primeiros a conseguir trabalhar com o ferro.

Eram também mestres no uso carros de guerra, levando terror aos seus inimigos. Seu rei Mursili I saqueou a cidade de Babilônia por volta de 1595 a.C. Só que os hititas não ficaram na Mesopotâmia, ocupando a Anatólia, na atual Turquia. Tomaram Hattusas - atual Borgazköy - a capital de um povo chamado hatti, o nome permaneceu ligado aos conquistadores.

Império dos Hititas foi uma grande potência e seu oponente principal era o Egito. Ambas as nações disputavam as mesmas áreas de influência: Síria, Fenícia, Palestina, Mesopotâmia. A derrocada dos Mitanni, também conhecidos como Hurritas, que haviam sido mais poderosos que os Hititas em outras épocas; o governo do faraó-herege, Akenaton com as complicações sucessórias que se seguiram no Egito; e o talento político-militar do Rei Supilliuma, deu aos hititas a possibilidade de expandir suas fronteiras e afirmarem seu poder.

Apesar de sofrerem influência da cultura da Mesopotâmia, os hititas adaptaram a escrita cuneiforme à sua língua indo-européia, também absorveram deuses dos panteões vizinhos unindo-os aos seus próprios. Os reis hititas tinham seu poder assentado muito mais na competência militar do que no direito divino.
Na legislação hitita as penas de morte eram reduzidas e quase sempre substituídas por indenizações. Construíram uma das primeiras bibliotecas e eram tolerantes (**pensem em gente como os assírios**) com os povos conquistados. Seus reis tinham seu poder assentado muito mais na competência militar do que no direito divino. Quanto às mulheres, estavam em condições muito melhores do que a da média dos povos da região e a grande rainha tinha grande poder de decisão, mesmo em assuntos militares. Muito do que se sabe dos hititas hoje vem dos Anais de Mursili II que mandou escrever os feitos de seu pai, o Rei Supilliuma, e os seus.

A história dos Hititas é dividida em quatro períodos: Antigo Reino (c. 1680-1500 a.C.), Reino Intermediário (c. 1500-1400 a.C.), Novo Reino (c. 1400-1193 a.C.) que é quando acontece a nossa história, e Período das Cidades-Estado (c. 1193-710 a.C.) quando os hititas já estão enfraquecidos. Recomendo essa página brasileira que tem um artigo legal sobre os hititas e suas leis que depende em boa parte do material em língua inglesa da Enciclopédia Encarta.

Falando em poder feminino, a grande rainha dos hititas tinha o título de Tawananna. Ela geralmente era a esposa do rei, mas, caso este morresse, mantinha o seu título. Uma nova Tawananna só era estabelecida quando a anterior morria. A Tawananna tinha assento no conselho de Estado e podia intervir mesmo em questões militares.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

1º BIMESTRE: EGITO

- LOCALIZAÇÃO: Situada no Nordeste da África, no vale do Rio Nilo, na “terra de Cam”,[1] no Egito desenvolveu-se uma rica civilização cuja economia se baseava na servidão coletiva e na agricultura irrigada. O Egito era cercado de desertos e, durante muito tempo, esteve praticamente isolado das outras grandes civilizações de sua época. Toda a sociedade, a religião e a economia giravam em torno do Rio Nilo que com suas cheias regulares era a fonte de toda a vida do Egito, daí a frase do historiador grego Heródoto: “O Egito é uma dádiva [presente] do Nilo.”.

- SOCIEDADE: O topo da sociedade egípcia era ocupado pelo faraó, visto como um deus na terra. Abaixo deste estavam os sacerdotes cujo poder se baseava na extrema importância da religião para a sociedade. Em alguns momentos, os sacerdotes chegaram a rivalizar em poder com o próprio faraó. A seguir vinham os nomarcas (nobres). Os escribas também tinham grande importância dentro da sociedade egípcia, pois dominavam as formas complexas de escrita e cálculo, quanto mais cuidada a sua educação, mais altos eram os seus postos no governo. Menos importantes no início da história egípcia, os militares foram ganhando maior destaque principalmente no Novo Império. Em seguida vinham comerciantes, artesãos e todo tipo de trabalhadores especializados. O grupo social mais extenso, ocupando quase a base da pirâmide era o dos felás (camponeses), estes faziam praticamente toda a sorte de trabalho e garantiam o funcionamento do Estado Egípcio. Viviam sob o regime de servidão coletiva que os obrigava a entregar ao faraó e/ou aos grandes templos parte de sua produção, além, de terem a obrigação de trabalhar em obras públicas ou servir o exército caso fosse necessário. Por último vinham os escravos usados nas minas e em trabalhos domésticos principalmente. Por serem oriundos das guerras, na maioria dos casos, variaram muito em número no decorrer da história egípcia.

- DIVIDINDO A HISTÓRIA DO EGITO: Lembro vocês que toda periodização é artificialmente criada para facilitar o nosso estudo, são os historiadores que escolhem certos marcos para determinar o fim de uma época e o início de outra. Tendo isso em mente dividiremos a História do Egito Antigo em: Pré-Dinástica, Antigo Império, Médio Império e Novo Império. [1]

***PERÍODO PRÉ-DINÁSTICO: A agricultura começa a ser praticada às margens do Nilo por volta de 5 mil a.C., vários grupos se tornam sedentários e as aldeias começam a se formar. Com o passar do tempo, as aldeias começam a se unir em pequenos reinos chamados de nomos, cada um deles com um governante, o nomarca que era geralmente o chefe de um clã, isto é, grande família, cada uma delas com seu animal símbolo (totem) e seus deuses protetores. Esses vários pequenos reinos terminaram por se unir em dois estados principais o Baixo Egito e o Alto Egito. Por volta de 3.200 a.C., Menés, faraó (termo dado aos reis do Egito) do Alto Egito (Terra do Sul), irá unificar o território. O Egito se estabelece desde então como uma Monarquia Teocrática, sendo o faraó visto como um deus-vivo. Os primeiros faraós do Egito estavam associados à figura do deus Hórus, o falcão, filho do deus Osíris (cujo mito se liga à fertilidade do Nilo) e da deusa Ísis. Neste período os egípcios começaram a desenvolver sua escrita e seu calendário solar.

***ANTIGO IMPÉRIO: A capital do Egito era a cidade de Mênfis. Graças à centralização política foi possível mobilizar grandes contingentes de mão-de-obra, assim, foram feitas grandes obras de irrigação e construídas a pirâmides de Sacarah, em degraus, e as de Quéfren, Quéops e Miquerinos, em Gizé. A centralização política possibilitou também melhorias nas defesas contra povos nômades que atavam e pilhavam as aldeias. O Egito, no entanto, não era uma nação belicosa e sequer mantinha um exército permanente, cuidava de sua defesa e, no máximo, fazia expedições punitivas. Foram feitas incursões em busca de cobre no Sinai e outros produtos raros ou exóticos na Líbia e na Núbia. A partir de aproximadamente 2.300 a.C., o poder central começa a se enfraquecer enquanto os antigos nomarcas expandem seu poder local, além disso, o Egito convive também com o perigo das invasões. Esse estado de coisas conduz ao esfacelamento do Estado Egípcio.

***MÉDIO IMPÉRIO: Após quase dois séculos de descentralização política, os príncipes de Tebas conseguem reunificar o Egito, mudando a capital para sua cidade. Foi um período de expansão territorial rumo à Núbia, à Líbia e à Península do Sinai. Nesse período também os egípcios começam a manter intensas relações comerciais principalmente com os fenícios, sírios (que nada tem a ver com os assírios) e cretenses. Foram construídos grandes templos e túmulos nesse período, além da expansão das obras de irrigação, ampliando ainda mais as áreas agrícolas. Por volta de 1750 a.C., o Egito foi invadido pelos Hicsos. Chamados de reis pastores, os hiscsos pertenciam ao grupo dos semitas, usavam carros de guerra e cavalos, desconhecidos até então pelos egípcios, arcos compostos e armamento de bronze. Militarmente mais poderosos, conquistaram boa parte do território. Acredita-se que tenha sido por volta dessa época que os hebreus se estabeleceram no Egito.

***NOVO IMPÉRIO: Seu início está ligado ao movimento de resistência dos Príncipes de Tebas contra os invasores. A luta se prolongou por vários anos até que os hicsos foram expulsos e/ou escravizados. Povos que tinham se estabelecido sob a proteção dos hicsos no Egito, como os hebreus, também acabaram sofrendo retaliações. O faraó que marca o início desse período é Amósis I. [3] A partir desse momento, o exército passa a ser permanente, a nobreza se militariza, e o faraó passa a ser um líder guerreiro. O Egito se torna então uma potência expansionista e serão anexadas ou submetidas à tributação as regiões da Núbia, Palestina, Etiópia, Síria e Fenícia. Seus grandes adversários serão os hititas. Durante o Novo Império haverá a construção dos Templos de Luxor e Karnac. O comércio também será reavivado.
Durante esse período, mesmo com a ênfase militarista, houve a presença de mulheres no poder, como a faraó Hatshepsut[4] e a importante Rainha Nefertiti. Esta última era esposa do faraó Amenófeles IV que tentou implantar o monoteísmo no Egito, nesse processo o faraó, agora chamado de Akenaton, o faraó-herege, destituiu os sacerdotes impondo a adoração a um só deus, Aton, e transferiu a capital de Tebas para Amarna, promovendo também uma revolução nas artes como pintura e escultura. Nefertiti, que não era a esposa principal, governava ao seu lado, tendo sido representada ostentando símbolos de poder restritos ao faraó.
Em Amarna foram encontradas várias cartas que mostram aliados dos egípcios pedindo ajuda. O faraó parecia mais concentrado em sua reforma político-religiosa e os hititas e outros adversários avançaram sobre as áreas de influência egípcias. Morto Akenaton, os sacerdotes de Amon e a nobreza se apressaram em desfazer as obras do antigo faraó, restaurando o politeísmo, abandonando Amarna, retornando a capital para Tebas, e riscando o nome de Akenaton e Nefertiti dos anais do Egito. Em seu lugar passou a reinar seu filho, Tutancamon, que morreu bem jovem, provavelmente assassinado.[5] A instabilidade provocada pelo monoteísmo de Akenaton foi superada com dificuldade pelos faraós seguintes e a XVIIIª Dinastia terminou pouco tempo depois.
O poder dos faraós atingiu novo apogeu com a XIXª Dinastia, Ramsés I, Seti e, principalmente, Ramsés II, faraó expansionista, que submeteu vários povos, chegou ao equilíbrio militar com os hititas e construiu grandes obras arquitetônicas. Depois da morte de Ramsés, o Egito entra em um período de enfraquecimento, com poucos momentos de reação (Renascimento Saíta) sendo sucessivamente conquistado por vários povos (assírios, persas, gregos, romanos, etc) e perdendo a sua autonomia política.

- RELIGIÃO: Todo o cotidiano dos egípcios girava em torno da religião e da perspectiva da vida após morte. Para obtê-la era fundamental seguir as orientações do Livro dos Mortos e ser mumificado preservando o corpo para o retorno da alma. A religião dos egípcios era politeísta e antropozoomórfica, isto é, os deuses tinham forma de seres humanos e animais, tais como cabeça de falcão e corpo de homem. Durante o curto período de monoteísmo foi escrito o Hino ao Sol, poema que é considerado obra-prima da literatura egípcia antiga.

- ARTES E CIÊNCIA: Dentre as áreas em que os egípcios se destacaram podemos citar a arquitetura, escultura, medicina, matemática, astronomia e música.

- ESCRITA: A escrita egípcia mais conhecida é a hieroglífica, era usada em templos e monumentos, mas os egípcios também desenvolveram outras formas de escrita mais simplificada como a hierática, simplificada e usada em textos oficiais por escribas e sacerdotes, e a demótica, que quer dizer popular, para facilitar a comunicação. Os especialistas em escrita, os escribas, eram tremendamente valorizados e tinham espaço garantido na sociedade. A escrita egípcia começou a ser decifrada no século XIX, graças à descoberta da chamada Pedra de Rosetta.

- CONDIÇÃO FEMININA: Dentre todos os povos da Antigüidade Oriental, foi no Egito que as mulheres obtiveram uma situação mais eqüitativa em relação aos homens. Podiam governar, gerir seus bens, serem sacerdotisas, manter a guarda dos filhos em caso de divórcio e se ocupar de praticamente todas as profissões. Foram camponesas, escribas, sacerdotisas, médicas, rainhas-faraó, governadoras de província e até líderes militares.

[1] Outro nome do Egito. A região foi ocupada no terceiro milênio antes de Cristo pelos chamados povos camitas, ou kemitas, ou ainda hamitas. Tendo pele morena ou escura, eles trouxeram sua língua e cultura para a região. Idiomas do tronco camita ainda são falados na África atual.

[2] Outros livros incluem períodos posteriores como o chamado Renascimento Saíta, o Baixo Império e o Período Ptolomaico.

[3] Ahotep, mãe de Amósis e que tinha perdido o marido e o filho mais velho, governou o Reino do Sul e liderou a resistência até que ele crescesse, assumisse os exércitos e atacasse o Norte. Ela morreu com mais de 80 anos e foi honrada por seu filho com um belíssimo túmulo e insígnias de chefe militar. É o único caso conhecido de mulher que tenha recebido tal honra.

[4] Hatshepsut foi a quinta governante da XVIIIª dinastia e era filha de Tutmés I, general que se tornará faraó. Com a morte de seu pai foi casada com seu irmão Tutmés II, filho de uma esposa secundária. Morto Tutmés II assumiu o trono como regente de seu enteado, Tutmés III, que era filho de seu irmão-marido com uma esposa secundária. Posteriormente Hatshepsut usurpou o trono sendo um dos mais importantes faraós do período.

[5] Sua jovem esposa-irmã, Ankesenamon, chegou mesmo a pedir ajuda aos grandes rivais do Egito, os hititas, pois não desejava casar com o assassino do marido. A carta foi encontrada na capital do reino Hitita, Hattusas, mas o príncipe enviado para casar com a viúva do faraó nunca chegou ao seu destino, sendo assassinado.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

1º BIMESTRE: PRÉ-HISTÓRIA


· Não pretendo fazer um resumo deste assunto, mas pontuar algumas questões importantes. Aconselho todos que LEIAM O CAPÍTULO DO LIVRO, sem se prenderem às periodizações geológicas nem à nomenclatura dos ancestrais do homem. Nos basta entender o processo evolutivo (*Lembrem que estamos estudando cientificamente a questão*) e que o Homo sapiens sapiens é muito recente na Terra, mesmo que seus ancestrais tenham uma longa História anterior.

. Você não precisa decorar datas, mas tem a obrigação de saber, por exemplo, que seres humanos e dinossauros não conviveram ou que Australopithecus não pintaram em cavernas e que esses vestígios já são do Homo sapiens. Também é preciso ter em mente, que os fóssei mais antigos de nossos ancestrais foram encontrados na África, por isso mesmo, as teorias científicas apontam para uma origem da espécie humana neste continente. Se fósseis mais antigos forem encontrados em outros lugar, as teorias serão repensadas.

· Lembre-se também que o próprio termo Pré-História é hoje questionado (*apesar de ser usado em todos os livros didáticos*) porque quando foi criado visava reforçar a idéia de que só existe História a partir do momento que a escrita foi criada. Ora, existem povos até hoje que não têm escrita, mas fazem História e podemos inclusive estudar a trajetória desses povos. Sabemos também que existem vários tipos de fontes e todas elas nos permitem tentar reconstruir o passado. Outro argumento possível é o de que não existe nenhum período da vivência do ser humano na Terra que não seja histórico, porque a História é uma ciência humana que tem em nossa espécie o seu principal ator. Mas já que a opção de nosso livro é usar essa divisão e como não temos outra para utilizar em substituição, vá lá, ficaremos com o termo Pré-História e dividiremos o período em Paleolítico, Neolítico e Idade dos Metais.

· Sobre o Paleolítico peço a todos que lembrem da domesticação do fogo. Sim, nada de falar em "descoberta", porque descobrir um incêndio em uma floresta causado por um raio não deu aos nossos ancestrais o domínio do fogo, a capacidade de produzi-lo e mantê-lo. Isso foi fruto do trabalho! Da inventividade humana! Assim, consideramos como fundamental para a melhoria das condições de vida das primeiras comunidades o controle da produção e manutenção do fogo. Fora isso, não se esqueçam que este é o período mais longo da História da Humanidade e foi nele que desenvolvemos a linguagem, ocupamos praticamente toda o planeta, começamos a navegar, etc.

· Sobre o Neolítico é importante lembrar de duas coisas: agricultura e sedentarização. Ora, durante todo o Paleolítico (*e até hoje para alguns povos*) os seres humanos viveram em pequenas comunidades, nômades, dependendo da coleta e da caça e com a possibilidade da fome sempre presente. Aprender a agricultura foi, portanto uma revolução. Essa inovação permitiu que as sociedades se tornassem sedentárias, as comunidades pudessem ficar cada vez maiores, e colocou na vida do homem primitivo pela primeira vez aquilo que chamamos de excedentes, isto é, a economia começa a deixar de ser obrigatoriamente de subsistência. Essa sobra de alimentos permitiu que as comunidades pudessem se comer melhor, armazenar e trocar. Com as trocas estava criado também o comércio.

· Sobre a Idade dos Metais convém lembrar que ela se divide em dois períodos principais, a do bronze e a do ferro. O bronze não é um metal, mas a junção de dois metais, o cobre e o estanho. Metais mais fáceis de derreter foram usados primeiros, misturados por acidente ou intencionalmente, deram origem ao bronze. Muitos povos do Oriente conseguiram trabalhar com metais e usar o bronze. Já o ferro, exigiu um aprimoramento técnico. Não foram povos sedentários, que criaram a escrita e tinham cidades aqueles que primeiro dominaram o uso do ferro, mas, sim, tribos nômades, pastoras e guerreiras. Os primeiros a usar o ferro para a guerra e agricultura foram os povos indo-europeus, provavelmente os hititas. Usar o ferro dava superioridade militar. O que eu quero dizer é que muitos povos continuaram na Idade do Bronze e isso nada tem a ver com escrita ou formas complexas de vida social. A Idade do Ferro e do Bronze vão ter durações diferentes nas várias regiões do globo.

· Dou por encerrada essa parte, até porque só pretendia enfatizar alguns pontos que considero mais importantes. De novo digo que é FUNDAMENTAL ler o livro e estudar as suas anotações.


VOCABULÁRIO:

NÔMADE: Aquele que não tem residência fixa, que muda de lugar de tempos em tempos. Geralmente caçador, coletor. Vai sempre atrás da caça, muda-se de lugar quando faltam recursos.
SEDENTÁRIO: Aquele que tem residência fixa, geralmente porque pretica agricultura ou tem uma fonte certa de sustento.
SEMI-NÔMADE: Que não pode se sedentarizar em virtude de alguma atividade, por exemplo, as tribos pastoras sempre precisam migrar em busca de pastagens ou regiões de clima mais ameno.

1º BIMESTRE: INTRODUÇÃO À HISTÓRIA


· Não é nosso objetivo aqui fazer um resumo, mas somente algumas observações. Aconselho todos os alunos a lerem o livro e suas anotações de aula.

1. Antes de tudo não temos, pelo menos eu como professora não tenho, a pretensão de definir o que é História. Podemos criar uma definição provisória, assim como provisório e incompleto sempre vai ser o nosso conhecimento à respeito do (s) passado (s). Dito, para aqueles que não vivem sem definições, podemos dizer que a "História é uma ciência que tenta reconstruir o passado da humanidade e compreender o seu presente com base em fontes diversas".

2. Entramos aí em outro ponto importante: as fontes, isto é, a matéria-prima do historiador. Até o início do século XX (e na cabeça de muita gente até hoje), fonte seria igual a documento escrito (documento mesmo, em sua maioria oficiais) e só haveria História se houvesse escrita. Hoje essa idéia, foi praticamente superada pelo menos entre os historiadores. Por isso mesmo, consideramos quaisquer vestígios deixados pelos seres humanos (e seus ancestrais) como fontes. Podemos assim dividir as fontes em três grupos principais: escritas (cartas, tratados, bilhetes, testamentos, etc.), materiais (monumentos, objetos, pinturas, etc.) e orais (entrevistas, mitos, lendas, etc.). Todos os tipos de fonte são importantes para nós.

3. Outro ponto a ser enfatizado é que o historiador ou historiadora não é neutro. Ele ou ela está inserido em seu tempo, por isso mesmo, sua escolha de objeto de estudo, o recorte que vai fazer na história e as perguntas que vai fazer às suas fontes vão ser influenciadas pela sua história de vida, pelo momento em que está vivendo.

4. Nosso livro tenta reconstruir aquilo que seria a História da Civilização Ocidental, não toda a História. Foi a escolha dos autores, foi a escolha da instituição (no caso o Exército). Essa não é a única forma de se fazer História nem a única História possível de ser estudada.

5. Da mesma forma, as divisões temporais que utilizaremos (Pré-História, História Antiga, História Medieval, História Moderna e História Contemporânea) são divisões didáticas que só são válidas para a nossa Sociedade Ocidental, isto é., Europa e América a partir da Conquista. Não pensem que os Chineses, os Árabes, os Indianos, os Aborígines Australianos seguem essa periodização. Existem povos até hoje que vivem no que seria um nível de cultura pré-histórica (sem escrita, Estado, caçador, coletor, etc.) ou que nunca se tornaram sedentários. Por isso mesmo, o ideal seria repensar esta forma de periodização e buscar, mesmo no Ensino Fundamental e Médio, novas maneiras de se dividir a História sem desprezar as contribuições de outros povos e suas especificidades.

6. Por fim, devemos ressaltar que o tempo é fundamental para a História, mas a maneira como os seres humanos percebem o tempo e como o organizam culturalmente varia muito. Alguns povos usam calendários lunares até hoje, outros como nós usamos calendários solares. Existem ainda povos que contam o tempo em ciclos. Outros usam vários calendários simultaneamente. Entender a forma como as diversas culturas percebem o tempo ajudaria muito a entender a sua visão de mundo.


- Acredito ter atingido meus objetivos aqui. Meus comentários entretanto não dispensam ninguém da leitura do livro e da sua própria reflexão. Portanto, mãos à obra!