quinta-feira, junho 04, 2009

Ex-ativistas ainda esperam que a verdade virá à tona



Vinte anos atrás, eu tinha 13 anos e assisti eletrizada pela TV, como em uma novela, o protesto dos estudantes e o que vazou das imagens do massacre da Praça da Paz Celestial. Sei que não chorei, mas lembro de ter ficado muito emocionada e impressionada. Hoje, em nome dos interesses econômicos, todos os abusos cometidos contra os direitos humanos na China são esquecidos. A classe média - uma das mais numerosas do mundo - consome freneticamente e se esquecem dos mortos e desaparecidos. Será que o rapaz que parou os tanques ainda está vivo? O que foi feito dele. Aqui, na página da UOL, há imagens da manifestação e do massacre. Segue uma matéria sobre a questão. É preciso não esquecer nunca.

Ex-ativistas ainda esperam que a verdade virá à tona

Andreas Lorenz
Em Pequim


Duas décadas após o massacre na Praça Tiananmen em Pequim, o evento permanece um tabu na China. Os ex-ativistas pró-democracia estão espalhados por todo o mundo e esperam que a verdade sobre o que aconteceu naquele fatídico 4 de junho venha algum dia à tona.

Quando o sangue foi lavado do asfalto e as esperanças de uma China mais livre e justa se dissiparam, Han Dongfang montou em sua bicicleta e deixou a cidade. Era 4 de junho de 1989, o domingo em que o Partido Comunista chinês removeu os manifestantes da Praça Tiananmen de Pequim e, segundo os números oficiais, atirou contra 319 deles. Outras fontes citam até 3 mil mortos.

O eletricista ferroviário de 25 anos tinha se dedicado a uma missão especial. "Eu queria percorrer o país e falar com operários e produtores rurais", diz Han. Cerca de um mês antes, seus amigos anunciaram, na Praça Tiananmen, que o tinham escolhido como porta-voz de seu sindicato independente.

Dez dias depois, em algum lugar na província de Hebei, ele viu sua foto na televisão - como um "agitador e contrarrevolucionário", sendo procurado pelas autoridades. Han ficou chocado, mas se recordou da promessa que fez aos líderes do Sindicato Autônomo dos Trabalhadores de Pequim antes de ser nomeado seu líder. "Se chegar minha hora de ir para a prisão, eu não vou esperar que me peguem, mas vou me entregar." Han montou em sua bicicleta e voltou para Pequim, onde se apresentou na sede da polícia - e foi enviado para a prisão pelos 22 meses seguintes.

Por quase sete semanas na primavera chinesa de 1989, estudantes ocuparam a Praça Tiananmen, onde fizeram manifestações em prol de suas próprias organizações independentes e contra autoridades corruptas do partido. O que começou como um movimento de protesto inofensivo se transformou em uma revolta contra as pessoas no poder - até que os membros idosos do partido que cercavam o patriarca do Partido Comunista, Deng Xiaoping, lembraram de algo que o ex-líder chinês Mao Tsé-tung escreveu: "O poder político vem do cano de uma arma". O secretário-geral do Partido Comunista, Zhao Ziyang, um homem que poderia ter sido o Gorbachev da China e que se opunha fortemente ao uso de força militar, foi primeiro repreendido e depois colocado sob prisão domiciliar.

'Ímpeto para reforma'

Os protestos "não eram uma ameaça ao nosso sistema político", disse Zhao antes de sua morte em 2005, após passar 16 anos sob prisão domiciliar. Ele até mesmo acreditava que os protestos foram úteis, e que podem ter dado à China um "ímpeto para reforma, até mesmo mudança política".

O livro de memórias de Zhao, intitulado "Prisioneiro do Estado", gravado secretamente em 30 fitas e contrabandeado para fora do país, foi publicado postumamente nos Estados Unidos e Hong Kong. Ele oferece um raro vislumbre do funcionamento interno do Partido Comunista da China. Zhao estava em sua casa, não distante da Praça Tiananmen, quando se desenrolou o banho de sangue. Ele escreveu: "Na noite de 3 de junho, enquanto estava sentado no pátio com minha família, eu ouvi fogo pesado. Uma tragédia que chocaria o mundo não foi impedida e agora estava acontecendo".


O que aconteceu na Praça Tiananmen foi marcado a ferro na memória coletiva do mundo, completa com imagens inesquecíveis do acerto de contas brutal de Pequim com os críticos indefesos do regime. Quando os tanques entraram na cidade vindos do oeste, os manifestantes já estavam exaustos pelo calor e por uma greve de fome. Algumas poucas mangueiras de incêndio bastariam para expulsá-los da praça.

A China se tornou um país diferente desde então. O Partido Comunista concedeu aos chineses liberdades pessoais e econômicas antes desconhecidas. Mas um tabu ainda paira sobre a data de 4 de junho. Ninguém foi responsabilizado pelo massacre. Os livros oficiais de história às vezes mencionam a data, mas quando o fazem é ligada a um "incidente". Muitos jovens nem mesmo sabem o que aconteceu no coração de Pequim em 1989, porque tanto seus pais quanto seus professores não dizem nada a respeito do massacre.

Ativistas de direitos humanos em Hong Kong estimam que cerca de 30 pessoas permanecem na prisão como "líderes" e "arruaceiros". Das pessoas-chave restantes espalhadas pelo mundo, muitas se recolheram na vida privada e algumas se tornaram religiosas.

Casas de chá e oficinas

O eletricista ferroviário Han Dongfang, que atualmente mora em Hong Kong, contraiu tuberculose na prisão e perdeu um pulmão. Ele posteriormente foi autorizado a viajar para os Estados Unidos para tratamento, após líderes sindicais americanos terem se unido em seu apoio. Ele não está mais disposto a falar sobre seu tempo na prisão. "Aquele capítulo da minha vida acabou", ele diz.

Han, um homem com traços delicados e vestido de forma casual mas elegante, fala bem inglês. Ele está sentado em um escritório na Jervois Street, em Sheung Wan, um bairro agitado de casas de chá, oficinas e lojas estreitas. Impedido de voltar para Pequim, Han trabalha para seu país em Hong Kong. Seu "China Labour Bulletin" informa as condições nas fábricas, em canteiros de obras e nas minas na República Popular. Ele apresenta um programa da Rádio Ásia Livre, fala ao telefone com membros de sindicato na China sobre seus direitos e assegura representação legal.

O ex-revolucionário se tornou um homem dedicado a pequenos passos. "Não há sentido em tentar voar quando não se tem asas", ele diz. Ele abandonou a idéia de estabelecer um sindicato independente na China. "Meu sonho é um sistema que permita a negociação entre aos trabalhadores e empregadores. Sindicatos independentes então se desenvolveriam automaticamente."

O sacrifício dos estudantes valeu a pena? "Em 1989, eu nunca ouvi falar de greves", diz Han. "Elas são comuns hoje. Foi o início e temos que continuar."

Wu'er Kaixi, 41 anos, também fez parte do movimento de protesto de 1989. Um membro da minoria uigur, ele estava estudando para se tornar professor na época. Após a morte do popular ex-líder do partido, Hu Yaobang, em meados de abril de 1989, Wu'er e outros estudantes formaram a União Autônoma dos Estudantes de Pequim.

Um mês atrasado

Foi um passo extraordinariamente ousado na época. Após uma greve de fome, e ainda usando as roupas hospitalares, ele apareceu no Grande Salão do Povo, onde o primeiro-ministro Li Peng estava se encontrando com os estudantes enfurecidos. Quando o primeiro-ministro pediu desculpas pelo atraso, Wu'er o interrompeu rudemente, dizendo: "O senhor não está apenas cinco minutos atrasado, está um mês inteiro". Ele agora vive em Taiwan, onde ele e sua esposa taiwanesa têm dois filhos. Wu'er, que agora tem um passaporte taiwanês, engordou e agora corta o cabelo mais curto.

Mesmo 20 anos depois, o Partido Comunista ainda o pune por ter humilhado um alta autoridade diante de câmeras ao vivo. Os pais de Wu'er não são autorizados a deixar a China. Eles nunca viram seus netos, exceto em fotos, e a única comunicação com eles é um telefonema ocasional pela Internet. O próprio Wu'er, apesar de ter frequentado uma universidade americana, nunca realmente conseguiu se estabelecer profissionalmente, apesar de agora trabalhar para uma empresa de investimentos americana.

'Nós queremos a verdade'

Pouco antes do avanço das tropas em 4 de junho, diz Wu'er, um dos filho de Deng Xiaoping enviou para ele uma mensagem para alertar que os protestos terminariam em derramamento de sangue. "Eu perguntei a ele: 'O que você pode nos oferecer se nos retirarmos da Praça Tiananmen?'" Ele não obteve resposta.

Todavia, ele tentou convencer seus colegas a deixarem a praça, mas sem sucesso. Após o massacre, Wu'er fugiu para o sul, onde uma rede de dissidentes e empresários conseguiu levá-lo para Hong Kong. De lá, ele viajou para os Estados Unidos.

Wu'er planejava se encontrar com ex-ativistas em Washington às vésperas do 20º aniversário do massacre da Praça Tiananmen nesta semana. Ele nunca abandonou seu sonho de promover reformas políticas na China: Ele disse: "Não é possível viver no exílio sem esperança".

Enquanto isso, em Pequim, a ex-professora de filosofia Ding Zilin tenta manter viva a memória do massacre. Apesar de seu cabelo grisalho, ela se move com agilidade e elegância. A professora de 72 anos é a mais proeminente das "mães de Tiananmen". Mesmo hoje, ela luta para conter as lágrimas quando fala sobre os eventos.

'Viveu como um homem de verdade'

Ding, que vive no noroeste da capital chinesa, ainda é autorizada a receber visitantes, mas nem sempre é autorizada a deixar seu apartamento. Ela parece exausta e preocupada com seu marido, que está doente. "Em 26 de outubro do ano passado, a polícia realizou uma batida repentina em nosso apartamento. Depois daquilo meu marido teve um ataque cardíaco e ficou em coma por dois dias." Uma pintura a óleo de seu filho, Jiang Jielian, está pendurada na parede. Ele era um estudante de 17 anos quando morreu. Uma foto o mostra segurando uma placa nas mãos que diz: "Vocês cairão e nós permaneceremos". Uma urna de madeira contendo suas cinzas se encontra sob a foto. O pai gravou na urna: "Neste breves 17 anos, você viveu como um homem de verdade".

Na noite de 3 de junho, Jiang Jielian e alguns poucos amigos foram de bicicleta até a Praça Tiananmen. Diplomatas, jornalistas, policiais e professores já tinham se juntado ao movimento estudantil àquela altura, que não mais podia ser caracterizado como uma rebelião de jovens encrenqueiros, como o Partido Comunista continua insistindo até hoje.

Ding ainda era um membro dedicado do partido àquela altura. Mas em 4 de junho, quando as autoridades do partido se recusaram a divulgar os nomes das vítimas e as circunstâncias de suas mortes, ela e seu marido deram as costas ao Partido Comunista. "Nós queremos a verdade. Nós queremos indenização. Nós queremos que os responsáveis sejam julgados", ela diz. Ela publicou três livros, documentou meticulosamente as vidas das muitas vítimas e, juntamente com outras mães, apresentou repetidas petições à liderança do partido.

"O papel da China se tornou mais forte no mundo nos últimos anos", diz Din. Infelizmente, ela acrescenta, o governo agora deve dar menos atenção às críticas do exterior, especialmente desde que a campanha de educação patriótica teve início em 1989 e agora está dando frutos. Os estudantes de hoje, diz Ding, declaram sua solidariedade ao Partido Comunista quando, como aconteceu recentemente durante os Jogos Olímpicos, as críticas estrangeiras se tornam particularmente fortes. Ela está decepcionada com a nova geração. "Eles só se preocupam consigo mesmos e são materialistas. Eles boicotam bens japoneses, mas fazem fila diante do consulado americano para obtenção de vistos para a América."

Agentes da inteligência ficam espreitando diante de seu prédio. Um deles, que grava em vídeo os visitantes, é jovem e tem uma leve semelhança com o filho de Ding. Ele bem que poderia ter sido um daqueles que estavam protestando na Praça Tiananmen há 20 anos.

Tradução: George El Khouri Andolfato

domingo, maio 31, 2009

Morre aos 97 anos a última sobrevivente do Titanic



O Jornal O Dia do Rio acabou de noticiar. Vira-se mais uma página dessa história dramática, pois a última sobrevivente do Titanic se foi. Mas tão jovem que era, não tinha nenhuma recordação da tragédia. Segue a notinha:

Morre aos 97 anos a última sobrevivente do Titanic


Hampshire (Inglaterra) - A última sobrevivente do naufrágio do transatlântico Titanic, Millvina Dean, morreu neste domingo em um asilo de Hampshire, no sudeste da Inglaterra, aos 97 anos. Ela tinha apenas 9 semanas de vida quando o navio afundou, depois de se chocar contra um iceberg, no dia 15 de abril de 1912, e era a mais jovem passageira a bordo.

O desastre causou a morte de 1.517 pessoas, principalmente porque não havia botes salva-vidas suficientes. Entre as vítimas, estava o pai de Millvina Dean, Bertram. Sua mãe e irmã também sobreviveram e voltaram para Southampton, o porto de partida do navio, onde Dean passou a maior parte de sua vida.

sexta-feira, maio 29, 2009

Que países possuem armas nucleares, além da Coréia do Norte?



Signatários do Tratado Sobre a Não-Proliferação de Armas Nucleares se comprometem a não desenvolver energia nuclear para fins militares

Paula Sato (novaescola@atleitor.com.br)

O Tratado Sobre a Não-Proliferação de Armas Nucleares surgiu em 1970, em plena Guerra Fria, mas só foi ratificado em 2002. Assinaram o acordo 188 países, entre os que já possuíam armas nucleares antes de 1967 (Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, China e França) e os que ainda não possuem essa tecnologia. Os cinco signatários que são potências nucleares fazem parte do Conselho de Segurança da ONU e, segundo o acordo, se comprometem a não utilizar e nem transferir armas nucleares para outros países ou ajudá-los a adquiri-las. Paulo Edgar de Almeida Resende, Coordenador do Núcleo de Análise de Conjuntura Internacional da PUC-SP, explica que os países que não detêm armas nucleares também possuem o mesmo compromisso. "Quando uma nação faz parte do tratado, tem que excluir qualquer tipo de desenvolvimento de energia nuclear para fins militares. Para que fique claro que não há nenhum direcionamento bélico, o país tem que se abrir para uma fiscalização", diz. O responsável pela inspeção é a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que deve ter acesso a todas as informações sobre os programas nucleares dos signatários do tratado.

O que preocupa a comunidade internacional no momento é que quatro países que também são claramente detentores de armas nucleares não fazem parte do acordo: Índia, Paquistão, Israel e Coréia do Norte. O país asiático se retirou do tratado em 2003 depois de desentendimentos com os Estados Unidos. Desde 1994, a Coréia do Norte havia desativado todo seu programa nuclear, inclusive para a produção de energia elétrica, em troca do envio de petróleo por outros países. Porém, no fim de 2002, os Estados Unidos acusaram o país de sustentar um programa nuclear secreto, cortando a ajuda energética. Com isso, a Coréia do Norte saiu do tratado e reativou suas usinas. Desde então, a comunidade internacional especula se o movimento havia sido apenas uma barganha do governo para voltar a receber ajuda internacional ou se o país estava mesmo engajado em produzir armas nucleares.

Nesta semana, a manchete dos jornais do mundo inteiro foram os exercícios militares da Coréia do Norte, que disparou mísseis balísticos em direção do mar do Japão e fez um teste subterrâneo com uma arma nuclear da mesma magnitude da bomba de Hiroshima (veja a localização dos disparos logo abaixo, no Google Earth). Seria isso um indício de que a Coréia poderia tentar atacar o Japão? Paulo Resende acredita que não, "na verdade, o perigo não é o de que a Coréia do Norte use as armas, mas que ele entre no mercado negro e venda a tecnologia para países do Oriente Médio ou da África". O professor explica que, apesar das tensões na região, o poderio militar japonês é muito superior ao norte-coreano e o país não se arriscaria em uma guerra. "Uma das hipóteses é que a Coréia do Norte queria se mostrar como uma potência nuclear para obrigar os Estados Unidos a colocar um fim à Guerra da Coréia, que formalmente nunca terminou. Também pode ser uma forma de ter um trunfo em relação à Coréia do Sul, que hoje está se tornando uma potência econômica", afirma o professor.

Matéria da Revista Nova Escola on line.

sábado, maio 23, 2009

Japonesas são as que mais vivem no Mundo, diz a OMS



Esta semana foram liberados os dados sobre expectativa de vida no mundo. As mulheres japonesas são as que apresentam maior longevidade com 86 anos, já os homens, vivem mais em San Marino, atingindo 81 anos, segundo o Japan Times.

Sierra Leoa tem a pior expectativa de vida para os homens, com 39 anos, enquanto o Afeganistão é ruim para ambos os sexos, com 41 anos para homens e 42 para mulheres. O normal no mundo hoje é que as mulheres tenham expectativa de vida maior, ainda que isso não aconteça em um punhado de países por aí. Não consegui abrir o relatório da OMS, pois bugou tudo aqui, daí, só achei dados até 2006. Eu tinha os do ano passado, mas perdi.

O relatório aponta para um aumento significativo da expectativa de vida no mundo desde 1990, seja por causa do fim de algumas guerras, seja por conta das iniciativas na área de saúde. Agora dados meio assustadores, na Eritréia, por exemplo, a expectativa de vida para os homens saltou de 33 anos para 61, e a das mulheres de 12 anos para 65. Está certo isso aqui? Na Libéria, pulou de 29 para 54 para os homens, e de 13 anos para 58 para as mulheres. Eu me espanto da expectativa de vida ser tão baixa para as mulheres. Angola, Bangladesh, Maldivas, Níger e Timor Leste também aumentaram a expectativa de vida em mais ou menos 10 anos, tanto para homens quanto para mulheres.

As piores expectativas de vida para as mulheres estão na Suazilândia (37 anos), depois das de Zâmbia e Serra Leoa (40). Já para os homens estão em Serra Leoa (37 anos), Suazilândia (38), Angola (39) e Zâmbia (40). Os destaques negativos ficam para o Zimbabwe, onde a expectativa de vida para as mulheres caiu em 19 anos desde 1990 e hoje está em 44 anos. Já os homens viviam 57 em 1990, a média hoje é 45. Em Lesoto, a expectative d evida caiu em 16 anos para ambos os sexos, com homens vivendo 43 anos e mulheres 47 anos em média. Em Botswana, Congo, Kenya, África do Sul e Zâmbia também houve queda na expectativa de vida.


Na Rússia, a expectativa de vida caiu desde o fim da URSS, os homens agora vivem em média 60 anos, enquanto antes viviam 64. Já as mulheres, viviam 74 anos em média, agora vivem 73. E está perdendo para o Brasil. As mulheres brasileiras hoje têm expectativa de vida de 75 anos, e os homens, de 68 anos. No mundo inteiro, segundo o relatório, as mulheres vivem, em média, quatro anos a mais que os homens. A expectativa de vida delas é de 68 anos, e a deles, de 64 anos.

sábado, maio 16, 2009

Morre mulher trocada por embaixador na ditadura


Guta (6ª da esq. para dir., de pé) e 12 homens do grupo de presos políticos trocados por ElbrickGuta (6ª da esq. para dir., de pé) e 12 homens do grupo de presos políticos trocados por Elbrick

Maria Augusta Ribeiro era a única mulher na foto histórica dos presos políticos trocados pelo embaixador americano seqüestrado, Charles Burke Elbrick, em 1969. Segue a matéria da Folha de São Paulo.


Morre mulher trocada por embaixador na ditadura

Maria Augusta Ribeiro havia sofrido um acidente de carro

DA SUCURSAL DO RIO

Única mulher, cercada por 12 homens, em uma foto célebre dos anos da ditadura militar (1964-85), a ouvidora-geral da Petrobras, Maria Augusta Carneiro Ribeiro, morreu ontem no Rio aos 62 anos.

Guta, como era conhecida, estava em estado grave de saúde desde 25 de abril, quando sofreu acidente de carro em Búzios (RJ). Ela morreu de falência múltipla dos órgãos. Deixa três filhos. Seu velório será hoje das 9h às 15h, no cemitério São João Batista.

Ela foi um dos 15 presos políticos banidos em troca da libertação do embaixador dos Estados Unidos Charles Burke Elbrick, sequestrado em setembro de 1969 por duas organizações guerrilheiras. Dois libertados não aparecem na fotografia feita no aeroporto do Galeão porque embarcaram depois no avião, rumo ao México.

Entre os participantes do sequestro estavam o hoje ministro Franklin Martins e o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ). Junto com Guta, saíram 14 homens. O ex-ministro José Dirceu integrava o grupo.

Estudante de direito, Guta militava na Dissidência Comunista da Guanabara, que depois virou Movimento Revolucionário 8 de Outubro. Participou de ações armadas. Foi presa em maio de 1969 e torturada. Na volta do exílio, foi pioneira do PT. Marcou a vida se dedicando a ações sociais. Na Petrobras, ela coordenou o voluntariado.

"Desde menina, ela tem uma enorme fé no gênero humano", escreveu o jornalista Elio Gaspari em 2003. "Embora com armas diferentes, continuo fazendo a mesma coisa, lutando por um Brasil melhor", disse Guta à "Isto É" em 2005.