sexta-feira, junho 04, 2010

Conselho para escolher carreira


Sempre leio os textos do Contardo Calligaris e repasso para as minhas listas de discussão, este, especialmente, não poderia deixar de mandar. Seria bom se meus alunos e alunas pudessem ler, também. :) Saiu na Folha de São Paulo, só para assinantes.


CONTARDO CALLIGARIS

Conselho para escolher carreira

A ESCOLA pública italiana impunha uma aula semanal de religião (católica, claro). Na terceira série, aprendi que, para me tornar sacerdote, seria imprescindível que eu tivesse "a vocação" (com o artigo definido). Em princípio, essa condição facilitava as coisas: afinal, ou eu era chamado por Deus ou não era. No entanto, Deus não chama a gente por carta registrada.

Era possível, eu pensava, que ele se manifestasse por sinais misteriosos, que eu não entenderia, ou pior, que eu evitaria entender - talvez porque preferisse perseguir ambições mais mundanas ou porque meus pais não gostassem da ideia de ter um filho padre. Seja como for, se eu recebesse, mas não escutasse a chamada, não estaria apenas fazendo pouco caso da vontade divina: eu estaria fugindo de meu destino, seria culpado de desperdiçar minha vida.

Na quarta e quinta séries, foi a vez de o Estado se preocupar com nossas vocações. Naquela época, era necessário escolher muito cedo entre o clássico, o científico e os cursos técnicos que levavam diretamente para o trabalho, sem dar acesso para as faculdades.

Tratava-se, portanto, de saber se tínhamos jeito para as humanas ou para as exatas e, em cada caso, qual era o tamanho do nosso jeito. Uma casa caiu, sepultando seus moradores; seu primeiro pensamento é "se Deus existe, por que ele permite tamanho sofrimento?"; pois bem, as humanas são sua vocação.

Restava verificar, com outros testes, se você tinha pano suficiente para ser professor de filosofia ou se era melhor que você se contentasse em ser repetidor no primário. De fato, a orientação profissional precoce eternizava a divisão social (nunca vi um aluno de classe média-alta ser encaminhado para cursos técnicos). Mas a intenção era nobre: descobrir qual era a semente escondida em cada um de nós. Detectando o embrião de nossas aptidões e disposições, poderíamos agir de maneira que a vida realizasse plenamente o nosso potencial.

A partir dos anos 60, em grande parte graças à influência da psicologia de Alfred Adler, ficou claro que, na hora de escolher uma carreira, os talentos e as predisposições são tão importantes quanto os sonhos, os devaneios, as paixões e as imagens idealizadas de tal ou tal outra profissão que encontramos, por exemplo, nas ficções que nos marcam. O medo de não escutar a chamada divina foi substituído pelo medo de não entender direito nosso próprio desejo - pois seríamos competentes, "realizados" e felizes só se nossa profissão for uma extensão de nossas paixões íntimas. Nesse caso, o trabalho seria leve e divertido, como um hobby. Em suma, a semente que estaria em nós e que deveria vingar se tornou mais complexa. Mas a ideia de que existe uma semente que é preciso descobrir continuou valendo e preocupando pais e filhos.

Uma leitora, Cecília, me escreve sobre as inquietudes da filha, Luana, 16, na hora de escolher uma carreira que esteja "em consonância com a personalidade, o temperamento, o querer" de Luana e também "com o mercado do trabalho".

Uma sugestão para Luana. Entendo que a escolha de um vestibular, de uma faculdade e, em última instância, de uma profissão, pareça um ato definitivo, mas não é nada disso. Você pode mudar de faculdade e de carreira; pode cursar um ano de direito, escolher passar para ciências sociais, decidir que o que você realmente quer é biologia e, quem sabe, cursar medicina aos 35 anos. Menos óbvio e mais importante é entender que essas mudanças não seriam a prova de fracasso algum.

Se você mudar de faculdade ou carreira, não será porque você se enganou na tentativa de descobrir qual era a semente que você carregava consigo. Aliás, esqueça a ideia da semente. Ser jovem não é ser semente; é ser, antes de mais nada, uma narrativa aberta. Imagine que você é o começo de uma história: havia uma moça de 16 anos que gostava dos Beatles e dos Rolling Stones e, um belo dia, ela saiu para fazer sua inscrição no vestibular... Continue. E lembre-se de que uma boa história tem reviravoltas e surpresas.

Em poucas palavras, em vez de tentar descobrir a famosa semente, invente sua vida.

ccalligari@uol.com.br

terça-feira, maio 25, 2010

Governo japonês seleciona brasileiros para estudar no Japão


Segue notinha que saiu no site IPC Digital:
Governo japonês seleciona brasileiros para estudar no Japão

Todos os anos aproximadamente 40 brasileiros vão estudar no Japão com bolsas concedidas pelo governo japonês. A seleção para os cursos de 2011 já começaram. O Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia (MEXT) do país está oferecendo vagas a estudantes do Brasil, de qualquer área, que queiram estudar nas universidades e escolas técnicas japonesas. As seleções acontecem até o final de maio e durante o mês de junho. Atualmente, existem 300 bolsistas brasileiros no país.

Leia a reportagem completa aqui.

domingo, abril 25, 2010

Relembrando o Genocídio dos Armênios



Hoje os armênios lembram os 95 anos do genocídio promovido pelos turcos otomanos que mataram centenas de milhares de pessoas. O Jerusalem Post reproduz a fala de Barack Obama, presidente dos EUA, que classifica o acontecimento como “uma das piores atrocidades do século XX”. Historiadores estimam que cerca de um milhão e meio de armênios foram mortos. A Turquia até hoje nega que o massacre seja um genocídio e aponta que ele foi fruto da guerra civil que abalava a região e de outros conflitos. O genocídio deu origem à diáspora dos armênios. O presidente armênio Serge Sarkisian, em um pronunciamento à nação, qualificou o genocídio como “sem precedentes na sua abrangência, monstruosidade e na gravidade de suas conseqüências”. Em Paris, e a França abriga uma das maiores comunidades de armênios da diáspora, uma cerimônia contando com mais de 1000 pessoas foi dirigida pelo cantor Charles Aznavour, que é embaixador permanente da Armênia junto à UNESCO.

O massacre iniciou no dia 24 de abril de 1915 com o assassinato de cerca de 800 intelectuais armênios. As autoridades otomanas expulsaram os armênios de suas casas e promoveram um massacre generalizado. Segundo estudiosos, trata-se do primeiro genocídio do século XX. O governo da Turquia além de negar o massacre ameaça com sanções diplomáticas os países que pretendem reconhecer o massacre dos armênios como genocídio. O último governo advertido foi o dos EUA, pois há uma resolução tramitando no Congresso Americano com o objetivo de reconhecer o genocídio e contando com o apoio do presidente Obama, o que despertou protestos do governo turco. No último mês, o Governo Sueco aprovou uma resolução semelhante por margem apertada de votos. Segundo o Jerusalem Post, oc países que reconhecem o genocídio são Uruguai, Chile, Argentina, Rússia, Canadá, Líbano, Bélgica, Grécia, Itália, o Vaticano, a Grécia, a Suíça, a Eslováquia, a Holanda, a Polônia, a Lituânia e Chipre. O Brasil não reconhece o genocídio.

Turquia e Armênia não mantém boas relações diplomáticas, tanto por conta do não reconhecimento do genocídio, que para o governo turco se baseia somente em “recordações subjetivas e não em fatos concretos” (*os armênios acusam os turcos de apagarem as evidências*), quanto por causa do apoio dos armênio aos separatistas da região Nagorno-Karabakh. A fronteira dos países está fechada desde 1993. A região pertencia à ex-URSS e passou a ser foco de conflitos entre Armênia e Azerbaijão, com a intromissão dos turcos. Há grande população armênia na região e a intervenção do país teve como justificativa a onda de violência contra este grupo. A República do Nagorno-Karabakh não tem reconhecimento internacional.

EUA abre inscrições para programa Jovens Embaixadores na próxima semana



Leia as instruções e se inscreva, porque vale a pena. Página do programa e para a inscrição, clique aqui.
A embaixada dos Estados Unidos vai abrir as inscrições para o programa Jovens Embaixadores na próxima segunda-feira, dia 26. Em sua 9ª edição, o programa leva aos EUA, durante três semanas e com todas as despesas pagas, 35 estudantes brasileiros e dois professores da rede pública de ensino.

Durante o lançamento oficial da edição 2011 do Jovens Embaixadores, o embaixador Thomas Shannon também vai anunciar os nomes dos jovens embaixadores das últimas edições que ganharam bolsas de estudo para cursos de verão em universidades americanas.

As inscrições podem ser feitas na página dos Jovens Embaixadores no Facebook. O link estará disponível a partir do dia 26 de abril.

O intercâmbio foi criado no Brasil em 2002 e hoje já é replicado em outros 16 países. Desde que foi lançado, 212 jovens brasileiros já foram beneficiados.

Os jovens que querem participar do programa devem:

- ter entre 15 e 18 anos de idade
- estudar na rede pública de ensino
- ter excelente desempenho escolar
- possuir engajamento em atividades de responsabilidade social e de voluntariado há pelo menos 1 ano
- ter boa fluência oral em inglês
- ter iniciativa e sejam comunicativos
- demonstrar flexibilidade e facilidade para adaptar-se a realidades e culturas diferentes
- manter bom relacionamento em casa, na escola e na comunidade
- pertencer à camada sócio-econômica menos favorecida