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sábado, abril 15, 2023

O significado do termo "Eminência Parda"

Aprender coisas novas é fascinante. Eu não sabia a origem do termo "eminência parda", ainda que o significado, sim. Eminência parda é alguém poderoso, capaz de tomar decisões-chave ou conselheiro que opera "nos bastidores" ou em uma capacidade não pública ou não oficial. Não tem necessariamente um cargo importante, mas tem muito poder DE VERDADE. E quem ocupa esse tipo de posição não sai por aí anunciando, porque não deve, nem precisa.

sexta-feira, março 01, 2019

Luz Ultra-Violeta ajuda a revelar as cores das esculturas gregas e romanas antigas


Nós nos acostumamos a imaginar Grécia e Roma como espaços dominados pelos branco, no máximo cinzento, do mármore, no entanto, pesquisas dos últimos vinte, ou pouco mais, anos, revelaram que o mundo clássico deveria ser multicolorido. O arqueólogo alemão Vinzenz Brinkmann dedica a vida a estudar as cores das esculturas clássicas.  Segundo ele, "Todas as estátuas gregas e romanas de mármores que foram destruídas pela guerra (ataque persa à Acrópole de Atenas) ou erupção vulcânica (Pompeia, Herculano) têm conservados muitos traços de cores e ornamentos registrados pelos escavadores e ainda visíveis a olho nu" .  


Os  indícios da cor nas esculturas já tinham sido identificados no século XVIII, segundo o arqueólogo, mas, especialmente no século XX, optou-se por ignorar isso.  Se os cientistas não comentavam, ou pouco falavam, o tema acabou ausente de livros didáticos e a ideia de antiguidade clássica cor de mármore se perpetuou na ficção (*cinema, quadrinhos, TV, games etc.*).


O uso do ultra-violeta revelou a presença de cores vivas e quentes como vermelho, amarelo, laranja, além do azul, do verde, entre outras.  Uma das primeiras exposições confrontando a versão descolorida e a que deveria ser a original, ocorreu em 2007, em Atenas.  Parece ainda surpreendente comparar a escultura sem cor e a colorida, mas é um exercício interessante.  Quantas coisas ainda não sabemos? Quanto precisamos investigar e descobrir?  


terça-feira, outubro 17, 2017

A PEI no Governo João Goulart


Em nossa aula sobre o governo Jânio Quadros, comentando que talvez o aspecto mais relevante desse curto governo tenha sido a PEI, Política Externa Independente.  Pois bem, mas ela continuou no governo Goulart?  Como não sei se comentei em todas as turmas sobre isso, segue o trecho do verbete do site da Fundação Getúlio Vargas discutindo a questão:

"A despeito da fidelidade aos princípios gerais da chamada Política Externa Independente - ampliação dos mercados externos, busca da paz por meio da coexistência pacífica e do desarmamento, emancipação completa dos territórios não-autônomos etc. – houve diferenças importantes na sua condução e implementação ao longo dos governos Jânio Quadros (1961) e João Goulart (1961-64). De fato, a Política Externa Independente pode ser dividida em duas fases, correspondendo cada uma delas ao período de gestão de Quadros e Goulart: a primeira, cuja marca principal foi a busca pela preservação da paz, aproveitando-se do poder de barganha decorrente da possibilidade do país optar por uma postura neutralista; e a segunda, em que se dissocia da Guerra Fria como elemento definidor central e se destaca pela ênfase na questão do desenvolvimento. Em outras palavras, a disputa Leste-Oeste cede lugar ao conflito Norte-Sul como eixo condutor principal da política externa.

Neste sentido, falar da Política Externa Independente como sendo uma unidade ao longo dos governos Jânio e Jango seria um equívoco. Diferentemente da gestão que lhe antecede, durante o período Jango a independência não era mais pensada em termos neutralistas, ou seja vis à vis a disputa Leste-Oeste, mas sim vis à vis a capacidade de atuação autônoma do país, por meio da ampliação de seus recursos econômicos, políticos e sociais, enfim ao seu nível de desenvolvimento.

No que se refere ao processo de descolonização africana, o período Jango registra um retrocesso na defesa do fim do colonialismo, quando a delegação brasileira nas Nações Unidas reitera a amizade do país a Portugal em detrimento das aspirações angolanas. Com relação a Cuba, cuja importância político-estratégica para os Estados Unidos encapsulara os rumos do governo Castro na lógica da Guerra Fria, o Brasil optou por ancorar sua posição em princípios mais permanentes da diplomacia brasileira. Assim, lançou-se numa linha de defesa da manutenção de Cuba no sistema interamericano, baseada em princípios tradicionais da diplomacia brasileira - o direito à auto-determinação e o princípio da não-intervenção - em vez de ceder às pressões dos Estados Unidos."

Para quem se interessar, é só dar uma olhada no verbete completo. Aliás, o site da FGV é farto de material de qualidade para a consulta de vocês.

segunda-feira, março 04, 2013

Militares e o Direito de Voto na América Latina



Estava dando aula agorinha e fui interpelada por um aluno colombiano sobre o direito de voto dos militares.  Estava explicando a Constituição de 1934 e que ela teria dado direito de voto aos sargentos, antes proibidos de votar.  Pois bem, nunca tinha lido nada sobre o assunto, não tinha informações sobre a questão e fui pesquisar.  É realmente estranho que existam países que, em nome de uma suposta neutralidade, neguem a um grupo tão grande de homens e mulheres o exercício pleno da cidadania.  No Brasil, a questão sempre esteve muito mais atrelada ao status: oficiais e alunos de escolas superiores militares votavam; praças, não.  Os sargentos ganharam direito de voto antes de marinheiros, soldados, cabos e taifeiros.  Só mesmo em 1988, o voto passou a ser direito de todos os militares.

Encontrei um artigo dizendo que os militares peruanos haviam recuperado o direito de voto em 2005, depois de mais de um século.  E que a nação se juntava ao grupo de países latino americanos que permitiam o voto aos militares: Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, México, Nicarágua, Uruguai, Paraguai e Venezuela.  A lista dos países nos quais o direito de voto era interditado aos membros das forças armadas poderia ter mudado.  Enfim, Colômbia, Guatemala, Honduras e República Dominicana continuam negando o voto aos militares.  O Equador concedeu o direito de voto em caráter facultativo em 2008.

sábado, dezembro 01, 2012

As Mulheres Negras e os Direitos Civis nos EUA



Desde o fim da Reconstrução Radical (1865-1877) vigoraram no Sul dos Estados Unidos as chamadas Leis Jim Crow (1876-1965), que legitimavam a Segregação Racial com base na premissa (*falsa*) "Separados, mas Iguais". Qualquer pessoa que tenha assistido mesmo o filme mediano Histórias Cruzadas, entende o que estou dizendo. Pois bem, Rosa Parks foi presa em 1 Dezembro de 1955, porque não quis se levantar para que um homem branco pudesse sentar. Hoje é dia de lembrá-la. Sua coragem, seu orgulho, foi o estopim para que outros negros e negras se mobilizassem nos EUA para que as leis racistas-segregacionistas fossem derrubadas. O sistema de transporte público de Montgomery, Alabama, sofreu boicote por 381 dias, até que as autoridades cederam a aboliram o sistema que estabelecia que negros sentavam no fundo do ônibus, brancos na frente e se o ônibus enchesse, a cada branco que entrasse, um negro ou negra deveria ceder o lugar.  Rosa Parks não foi a primeira mulher, nem a primeira pessoa, a se rebelar contra a segregação nos transportes públicos em algum Estado do Sul, antes dela, pelo menos três mulheres ganharam notoriedade por fazer o mesmo: Irene Morgan (1946), Sarah Louise Keys (1955), e Claudette Colvin (1955).


 Irene Morgan era secretária, e se recusou a levantar na cidade de Middlesex County, Virginia. Não somente isso, ela entrou em luta corporal com o xerife e outra autoridade masculina para não deixar o veículo. Foi presa, seu caso se arrastou na justiça, e foi parar na Suprema Corte. Imaginem o risco que essa mulher correu, e, claro, o mal exemplo, já que não somente se rebelou, mas partiu para a luta corporal... Sarah Keys (siga o link) era militar, das primeiras a se graduar na academia militar, das primeiras militares negas a cursar Direito com verba do Exército, e estava voltando para uma licença em sua cidade natal, Washington, Carolina do Norte. Ela tomou o ônibus em Fort Dix, New Jersey, seguiu até Washington D.C., onde embarcou em um ônibus sulista. Sentou-se na quinta fileira. Quando houve troca de motorista na pequena  Roanoke Rapids , o condutor exigiu que ela fosse para o fundo do ônibus e cedesse o lugar para um fuzileiro branco. Ela se recusou. Foi presa. O caso foi parar na seuprema Corte. Já Claudette Colvin, uma adolescente de 15 anos, voltando da escola. Colvin foi a primeira mulher em Montgomery a resistir às leis segregacionistas em ônibus, nove meses antes de Parks, mas por ser uma menina, que poderia ser taxada de "rebelde", não foi considerada como um símbolo adequado ao movimento de direitos civis.  Na verdade, e isso não diminui Rosa Parks, mas mostra o quanto uma imagem mais conservadora, todas as outras eram jovens, Parks já tinham 43 anos, por exemplo, se presta melhor como propaganda em uma sociedade igualmente conservadora... Hoje não é dia de lembrar somente de Rosa Parks, mas de todas essas outras mulheres e ressaltar que a luta por direitos iguais não acabou. 


sábado, fevereiro 25, 2012

80 Anos de Voto Feminino no Brasil



Ontem, 24 de fevereiro, comemorou-se os 80 anos da concessão do direito de voto às mulheres no Brasil. Dentro do código eleitoral provisório ficou estabelecido que poderiam votar todas as mulheres alfabetizadas e maiores de 21 anos. As diferenças entre o voto feminino e masculino existiam. O voto das mulheres era facultativo, enquanto o dos homens era obrigatório. E a diferença mais gritante – e que foi retirada do texto definitivo – é que mulheres casada só poderiam votar com a autorização por escrito do marido, afinal, ele tinha autoridade sobre ela. No entanto, para que uma mulher fosse eleitora, ela precisava ser remunerada e, claro, provar. Percebem que, apesar do avanço, a maioria das mulheres continuavam ainda excluídas do direito ao voto?

Ainda assim, não pensem, no entanto, que o direito de voto foi um "presente" dos homens, assim, um mimo. Foi fruto de muitas lutas e demandas. Não vou abrir o leque para o mundo, mas só para ficarmos no Brasil, a discussão já existia na época da primeira constituição republicana em 1891. Aliás, oficialmente, as mulheres foram excluídas do direito ao voto nesse momento, já que a Constituição do Império não estabelecia restrições de sexo ou relativas à alfabetização. O critério era ser livre e ter a renda exigida para votar em 1ª instância. Agora, nunca li de mulher que tenha tentado votar, ou, se alguma votou, a informação não foi desenterrada ainda. Como historiadora a minha regra é "nunca diga nunca".

A demanda pelo direito ao voto foi crescendo com a articulação de diversas mulheres, feministas, ou não, mas que demandavam uma cidadania plena. Voto é sinônimo de cidadania, privar as mulheres dele é tira-lhes o direito de participar das decisões, de serem agentes políticos plenos. Como na República Velha havia grande autonomia dos Estados da Federação, em 1927, o Rio Grande do Norte concedeu o direito de voto às mulheres e houve a eleição de primeira prefeita do Brasil, Alzira Soriano de Souza. No entanto, apesar dos protestos das mulheres, que foram para as ruas, seus votos terminaram sendo anulados.

Com a Constituição de 1934 o voto feminino passou a ser obrigatório para todas as mulheres que exercessem profissão pública e remunerada, mas algumas restrições persistiram. Para se ter uma idéia, a exigência de que fossem remuneradas só foi abolida definitivamente em 1965. Imagino que a coisa não fosse cobrada, mas continuava na lei, assim como outras restrições à plena cidadania das mulheres persistem até hoje. Não pense que seus direitos caíram do céu. Não desdenhe da luta de tantas mulheres (e homens, também) de gerações passadas. Há quem reclame do voto obrigatório, e é legítimo discutir sobre esta questão, mas não pense que o direito de voto foi algo que sempre existiu, que as mulheres foram sempre convidadas ou intimadas a participar, muitos desejam até hoje nos privar desse direito. Para terminar, cito a minha orientadora (querida), a prof.ª Tânia Navarro-Swain:
Em tese, [o direito ao voto] representa a não discriminação do feminino no processo político, pois as mulheres podem não apenas votar, como serem votadas. Representa igualmente levar em conta as reivindicações das mulheres no quadro socioeconômico do País e sua intervenção na elaboração de políticas públicas específicas e globais.
Espero que o texto seja útil para algumas reflexões. Eu queria ter terminado ontem, mas a internet estava tão ruim que eu não conseguia navegar nas páginas.

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Coleção de quadrinhos achada em sótão é leiloada por US$ 3,5 milhões



Há quem não dê valor à livros e revistas velhas, pois bem, um americano que começou a fazer sua coleção de quadrinhos nos anos 1930 - boom dos comics de supers associado aos efeitos da grande depressão - e deixou um verdadeiro tesouro depois de morrer. Sua família só descobriu o que possuía 17 anos depois. E, bem, a primeira revista do Batman custou míseros 10 centavos e foi vendida por mais de 500 mil dólares. O número 1 do Super Homem valeu muito menos... Segue a notícia, se quiser mais completa em inglês, clique aqui.

Coleção de quadrinhos achada em sótão é leiloada por US$ 3,5 milhões

Edição com a estréia de Batman, que custou 10 centavos em 1939, arrecadou mais de US$ 500 mil.

Da BBC

Uma coleção de histórias em quadrinhos que haviam sido encontradas em um porão arrecadou US$ 3,5 milhões em um leilão emNova York na quarta-feira (23). Os 345 gibis foram comprados nos anos 1930 por Bill Wright, do Estado americano de Virgínia, quando ele era garoto. Wright morreu sem nunca ter dito à família que possuía os gibis.

As histórias em quadrinho passaram 17 anos no porão da casa de Wright, na cidade de Martinsville, sem nunca terem saído do lugar. No ano passado, elas foram descobertas durante uma faxina no local por um dos seus parentes, que colocou tudo à venda.

Uma cópia da edição de número 27 do gibi Detective Comics, que foi comprada por Wright por dez centavos em 1939, arrecadou o maior valor no leilão de quarta-feira: US$ 523 mil, ou quase R$ 900 mil. A edição é famosa por ser a primeira aparição do herói Batman. Outro gibi - o número um da Action Comics, de 1938 - foi vendido por US$ 299 mil (mais de R$ 510 mil). O quadrinho é o primeiro com o Super-homem.

'Este episódio já conquistou um lugar na história das grandes coleções de quadrinhos', disse Lon Allen, que é diretor da Heritage Auctions, a empresa que leiloou os gibis. Segundo ele, a 'incrível' coleção é uma prova de que Wright tinha um dom para comprar os gibis mais valiosos. Especialistas afirmam que outro fator que valorizou a coleção é o fato de ela ter sido montada quando o dono ainda era garoto.

terça-feira, janeiro 17, 2012

Com 3.000 anos, tumba de cantora é descoberta no Egito



Este blog não morreu... Está paradinho, mas continua funcionando. E, bem, essa noticia do túmulo da da cantora,o único túmulo de mulher sem ligações com a realeza descoberto no Vale dos Reis, merece abrir 2012. Muito provavelmente, essa mulher tem uma história muito interessante, resta saber se, um dia, conseguiremos saber parte dela. Segue a notícia:

Com 3.000 anos, tumba de cantora é descoberta no Egito

Segundo arqueólogos, essa é a única do Vale dos Reis pertencente a uma mulher sem ligação com famílias reais
DA ASSOCIATED PRESS

Arqueólogos egípcios e suíços encontraram uma tumba de mais ou menos 3.000 anos que pertencia a uma cantora. A descoberta foi feita no Vale dos Reis, no Egito. Essa é a única tumba de uma mulher sem parentesco com as famílias reais achada na região, segundo Mansour Boraiq, do ministério das Antiguidades. O Vale dos Reis, em Luxor, é uma importante atração turística. Foi lá que, em 1922, arqueólogos acharam a máscara funerária dourada de Tutancâmon, que governou a região até 1323 a.C.

Segundo Boraiq, o caixão da cantora está surpreendentemente intacto. Quando ele for aberto, nesta semana, os cientistas devem achar uma múmia e uma máscara moldada sobre seu rosto, feita com camadas de tecido e gesso. O nome da cantora, Nehmes Bastet, quer dizer que ela era "protegida" pela divindade felina Bastet.

A tumba foi achada por acaso, segundo Elena Pauline-Grothe, diretora de escavações no Vale dos Reis pela Universidade de Basileia. "Não estávamos procurando novas tumbas. Essa estava perto de outra descoberta há cem anos." As inscrições achadas no local indicaram que a mulher era cantora no templo de Karnak, um dos mais famosos da era dos faraós.

quinta-feira, outubro 20, 2011

Arqueólogos encontram o Ateliê mais antigo do mundo



Essa notícia está circulando faz vários dias e a Isto É trouxe um texto bem completo sobre a descoberta. Posto somente uma parte, quem qusier continuar lendo, visite a página da revista.
A maquiagem e as roupas coloridas remontam a uma época quase tão antiga quanto a do surgimento do próprio homem moderno. Muito antes da pintura nos olhos de Cleópatra, no Antigo Egito, o uso de minerais para colorir e proteger a pele, ou mesmo as roupas, era comum entre nossos ancestrais. Um novo estudo conclui que esse costume é bem anterior ao que imaginávamos. Arqueólogos descobriram uma espécie de ateliê na caverna Blombos, na África do Sul, onde, há 100 mil anos, humanos preparavam tintas à base de minerais. As evidências anteriores mais antigas eram de, pelo menos, 50 mil anos depois. O estudo foi divulgado na semana passada pela prestigiada revista científica “Science”.

A pesquisa, liderada pelo arqueólogo Christopher Henshilwood, da Universidade do Witwatersrand, em Johanesburgo, é baseada em artefatos encontrados em 2008 na caverna, localizada a cerca de 300 quilômetros da Cidade do Cabo. No local foram achados dois conjuntos de ferramentas de ossos, pedras e conchas. Além desses objetos, os arqueólogos encontraram vestígios de carvão e ocre – um tipo de terra ou pedra que contém óxidos vermelhos ou amarelos ou hidróxidos de ferro (que dão aspecto de ferrugem ao mineral).

Cientistas conseguem reconstruir DNA da doença



A peste negra, que matou mais de 50 milhões de europeus entre 1347 e 1351, é a grande referência para os que temem uma nova pandemia. No entanto, estudo publicado na revista “Nature” mostra que a devastadora bactéria medieval difere muito pouco das que circulam hoje no mundo – o que leva os cientistas a acreditar que as causas da tragédia residem mais em fatores socioambientais do que nas características genéticas da patologia. Essa conclusão só foi possível porque, coletando resíduos de sangue de quatro ossadas, os pesquisadores conseguiram reconstruir todo o genoma da peste. É a primeira vez que uma enfermidade antiga tem seu DNA inteiramente desvendado.

Fonte: Revista Isto É

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Pesquisadores colocarão toda a obra de Chiquinha Gonzaga em um site



Essa notícia veio do site do Correio Braziliense e é uma boa notícia para os estudiosos da música popular brasileira e para os admiradores de Chiquinha Gonzaga.

Pesquisadores colocarão toda a obra de Chiquinha Gonzaga em um site

Pianistas Wandrei Braga e Alexandre Dias, pesquisadores da compositora Chiquinha Gonzaga. Autores e diretores veem a chance de emplacar novidades musicais em suas produções.

Wandrei Braga é rigoroso. Para ele, da extensa obra de Chiquinha Gonzaga, algo em torno de 2 mil composições, o grande público só conhece quatro: a valsa Lua branca, a marcha rancho Abre alas, a polca Atraente e o tango brasileiro Corta jaca, depois transformado em choro. A preferida do pesquisador e pianista, porém, é a nada notória Balada romântica, que faz parte do repertório da opereta A corte na roça.

A musicista e pianeira, considerada um dos pilares da identidade musical brasileira, possibilitou a Wandrei, designer paulista residente em Brasília há 11 anos, e a Alexandre Dias, professor de piano brasiliense, serem selecionados no edital nacional 2010 do programa Natura Musical, na categoria fomento à musica, entre mais de 800 inscritos. Eles concorreram com o Acervo Digital Chiquinha Gonzaga, que vai disponibilizar em um site músicas e partituras pouco conhecidas da primeira maestrina brasileira.

"Diferentemente de sua história biográfica - apresentada em livro escrito por Edinha Diniz e contada na minissérie escrita por Lauro César Muniz e Marcílio Moraes -, mais de 95% da obra de Chiquinha Gonzaga ainda se encontram desconhecidos e inacessíveis, deixando uma lacuna misteriosa nesta parte da história sobre o nascimento da identidade musical brasileira", afirma Wandrei.

Fã de Chiquinha, o pesquisador buscou aprofundar seu conhecimento sobre a artista em 1999, ao ter a atenção despertada pela exibição da minissérie da TV Globo. "Até então, eu conhecia muito pouco sobre Chiquinha. Imediatamente pensei em criar um site, no qual pudesse, a partir de pesquisa, informar às pessoas sobre a importância dela para a música brasileira", conta.

Nessa tarefa, Wandrei teve o apoio de Alexandre Dias, a quem conheceu num recital da pianista Maria Teresa Madeira, no Clube do Choro de Brasília. "O site ChiquinhaGonzaga.com faz parte dessa história. Há mais de 11 anos no ar, divulga informações sobre a maestrina e coleciona admiradores e parceiros pelo Brasil e pelo mundo", comemora.

Inspiração

A ideia do acervo tem menos tempo. Em 2009, a pianista pioneira Neusa França, encantada com o repertório pouco conhecido da compositora, organizou na Embaixada de Portugal um recital chamado Saudades de Chiquinha Gonzaga, com a participação de 20 pianistas, entre eles Wandrei e Alexandre. De certa forma, esse recital foi fonte de inspiração para que os parceiros dessem início à concretização de um sonho: a elaboração e a articulação de um projeto para recuperar a obra de Chiquinha.

Consequência dessa história, o Acervo Digital Chiquinha Gonzaga foi aprovado pelo Natura Musical 2010, entre 860 projetos apresentados. "Para essa conquista, tiveram importância fundamental a parceria do Instituto Moreira Salles (mantenedor do acervo de Chiquinha Gonzaga), a biógrafa Edinha Diniz, o portal Musica Brasilis (realizador de projeto semelhante com a obra de Ernesto Nazareth) e a Escola Portátil de Música (especializada no ensino de choro)", ressalta Wandrei.

Além de Wandrei Braga (coordenador, pesquisador, designer) e Alexandre Dias (coordenador, pesquisador e revisor), fazem parte da equipe responsável pelo projeto do acervo, a gerente Ana Carolina Pereira (Integrar Produções Culturais e Eventos), a designer Cíntia Coelho e o músico especialista em digitação musical Douglas Passoni. O lançamento está previsto para outubro, com a apresentação de recitais de piano em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e oficinas musicais na Escola Portátil, no Rio, dedicadas à obra da homenageada, sob a coordenação dos músicos Maurício Carrilho e Luciana Rabello, diretores da entidade.

Três perguntas - Wandrei Braga

A minissérie exibida na tevê foi fiel à história de Chiquinha Gonzaga?
O que os autores da minissérie fizeram não foi um documentário e sim uma história romanceada. De qualquer forma, ela foi importante para a popularização do legado da maestrina.

Qual é a avaliação que você faz da biografia de Chiquinha, escrita por Edinha Diniz? É um documento histórico valioso, pois além de contar a história de Chiquinha, contextualiza, com riqueza de detalhes, a época em que ela viveu.

Há algo a destacar no projeto do acervo?
Posso citar a história de um broche que Chiquinha aparece usando em fotos. Esse broche, que ganhou de amigos, se perdeu, mas com Edinha (Diniz), saí à procura do enfeite e o descobrimos. Ele havia sido vendido pela filha da folclorista Marisa Lira, primeira biógrafa da maestrina, ao Museu da República (antigo Palácio do Catete), no Rio de Janeiro.

sábado, outubro 16, 2010

Com higiene precária, navios não eram para narizes delicados



A travessia para o Brasil era precária e suja. Bem, isso todo mundo que lê sobre História das Navegações já sabia, mas não custa nada, como sempre, recordar. A matéria saiu na Folha de São Paulo.

Isolado e imundo

Hábito de jogar excrementos pela janela e ausência de médicos faziam do Brasil Colônia grande foco de epidemias, mostra novo livro

RICARDO MIOTO
DE SÃO PAULO

Não raro, no Rio de Janeiro, em Salvador ou em qualquer outro núcleo urbano brasileiro colonial, um pedestre era "abatido" por excrementos humanos voadores enquanto seguia pela rua. Não havia esgoto, e o hábito era jogar o resíduo pela janela mesmo. As ruas, claro, não ficavam exatamente limpas, e se tornavam bastante insalubres. Não tendo o país nenhuma faculdade de medicina, doenças contagiosas chegavam e ficavam sem enfrentar grande resistência.

Mesmo em 1799, já muito perto do fim da colônia e da chegada da família real portuguesa em fuga para o Brasil, o país, com cerca de 3 milhões de habitantes, não tinha mais de 12 médicos formados -todos importados. Em Portugal (como no resto da Europa) também existia o hábito pouco higiênico de defenestrar fezes humanas, mas por lá, pelo menos, a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra já formava gente desde 1290 -outros países europeus também já tinham escolas médicas.
No caso brasileiro, a única solução era improvisar.

"No Brasil Colônia, então, formou-se uma pequena multidão de curandeiros, benzedeiras e rezadores que tentavam suprir a absoluta carência de profissionais habilitados", diz Cristina Gurgel, médica da PUC de Campinas que é especialista em história da saúde. Ela está lançando o livro "Doenças e curas: o Brasil nos primeiros séculos", pela editora Contexto. Nele, ela lista doenças que se propagavam com facilidade na época, como varíola, hanseníase, malária e sarampo, além de constantes disenterias. Por isso, a expectativa de vida dificilmente passava dos 30 anos. Crianças também eram vítimas fáceis: no século 17, por exemplo, apenas uma em cada três crianças nascidas no Nordeste conseguia sobreviver. Até existiam alguns hospitais, como as Santas Casas, mas eles eram mantidos muito mais pelos religiosos do que por médicos.

CURA PELA PÓLVORA

Mesmo quando o paciente tinha sorte e principalmente dinheiro para conseguir assistência profissional, sua situação não era das melhores - os médicos também não sabiam muito bem o que estavam fazendo. O médico português João Ferreira Rosa, por exemplo, chegou ao Recife em 1690 e, do alto do seu reconhecimento como um dos poucos profissionais de saúde no país, recomendou, entre outras coisas, a expulsão das prostitutas -elas ofendiam a Deus, que poderia querer se vingar.

Os remédios daquela época, aliás, frequentemente envolviam ingredientes como fumo, fezes de cavalo, aguardente e, está documentado, pólvora - imagine o alvoroço que isso tudo não causava no organismo do vivente, acabando por fazer muito mais mal do que bem. Ou seja, mesmo com a chegada da Corte ao país em 1808 e a criação de duas faculdades de medicina por aqui (uma em Salvador e outra no Rio), a saúde pública no país não melhorou muito. A própria expectativa de vida só viria a subir significativamente no século 20 - ontem, em termos históricos.

Com higiene precária, navios não eram para narizes delicados

DE SÃO PAULO

Se a saúde das pessoas em terra já era ruim, nos navios dos séculos 16 e 17 ela era ainda mais assustadora. Esse era um dos motivos do isolamento do Brasil durante o período colonial: atravessar o Atlântico era uma aventura que poucos tinham coragem de encarar. Por um lado, ao menos os excrementos humanos eram atirados ao mar e não na rua. Mas tanto a água quanto a comida, guardadas por meses em porões úmidos e sujos, eram invariavelmente ruins e contaminadas. Além disso, a higiene a bordo era precária. "Não por acaso, dizia-se que as viagens marítimas não eram para donos de narizes delicados", afirma Cristina Gurgel.

Não existia estrutura para que os viajantes tomassem banho - e não se sabe se eles estavam muito preocupados com isso, de qualquer forma. O padrão era usar a mesma roupa durante todo o percurso, que durava meses. "Quando possível, todos se perfumavam e incensavam o ambiente, na tentativa de controlar o mau cheiro emanado dos corpos e da sujeira", diz Gurgel. Surgiam, assim, pragas de piolhos, percevejos e pulgas. Pratos, copos e talheres não eram lavados. Doenças como varíola, difteria, escarlatina e tuberculose se propagavam sem controle.

Não bastassem os problemas de saúde que se espalhavam pelos navios, com frequência a comida acabava. E, mesmo antes disso acontecer, ela era bastante regulada: a ração diária de alimentos secos de um tripulante em uma expedição como as de Vasco da Gama ou de Cabral era de meros 400 gramas ao dia. Em casos extremos, até os ratos que infestavam as embarcações viravam comida.

"A gente tem uma visão bastante romanceada das navegações. Pensamos "que lindo, que heróis, que viagem ao desconhecido!" Não era bem assim", diz Gurgel. "Morria tanta gente que surgiram até as lendas dos navios fantasmas, em que tanta gente foi morrendo que não sobrou ninguém." Mesmo em viagens que tiveram sucesso, muita gente morreu. Na de Vasco da Gama às Índias, morreram 120 de um total de 160 marujos, por exemplo. Gurgel ressalta, porém, que isso não era exclusividade dos portugueses. Navios britânicos ou holandeses, por exemplo, tinham situação parecida. (RM)

sábado, setembro 11, 2010

Hollywood Bate as Aulas de História



Não acho que a pesquisa seja surpresa para a maioria dos professores de História, só acho que 108 alunos é muito pouco para afirmar categoricamente algo do gênero. Também seria interessante fazer uma pesquisa assim em vários países. Será que os filmes são mais fortes como referência somente nos EUA? Agora fiquei curiosa... ^_^ Segue a materiazinha traduzida da revista espanhola Historia Y Vida (nº499/p.13)

Hollywood Bate as Aulas de História

Não importa se é correto ou não o que se vê nos filmes históricos, os estudantes registram como verdadeiro mesmo quando tinham lido em seus livros escolares ou quando tenham escutado de seus professores o contrário. Esse é o resultado de uma pesquisa realizada na Universidade de Washington em St. Louis. Em seu experimento com 108 alunos, quando a informação dos filmes contradizia a dos livros, quase a metade dos jovens recordava unicamente os dados incorretos das películas. Em algumas ocasiões, inclusive, atribuíam aos livros as informações que vinham dos filmes.

P.S.: A matéria original, em inglês, pode ser encontrada aqui: Students Recall More Hollywood than History. Talvez, eu traduza depois. Aqui tem uma matéria de um site brasileiro sobre a pesquisa, também.

domingo, agosto 01, 2010

Praça em Sergipe é o mais novo patrimônio mundial da humanidade



Minha família é originalmente de São Crtistóvão, em Sergipe. Quer dizer, pelo menos o lado paterno da família, já que o materno durante muito tempo foi bóia-fria e migrou por vários estados. De qualquer forma, é muito bom ver o conjunto arquitetônico de São Cristóvão incluído entre os patrimônios da humanidade. Espero que isos traga mais turismo, dinheiro para a cidade e conscientização por parte dos moradores. Quando estive lá em 1994 havia um grande rancor por aprte da população que via o tombamento como um engessamento da cidade, sem compreender que ali estaria a fonte de recursos da cidade. Não sei se o sentimento mudou, havia inclusive pixações na praça que agora foi tombada (*"Patrimônio histórico, morte da cidade!"*), espero que, sim. Segue a matéria do Correio Braziliense.


Praça em Sergipe é o mais novo patrimônio mundial da humanidade

Agência Brasil

Brasília - A Praça de São Francisco, em São Cristóvão (SE), foi incluída hoje (1/8) na lista de patrimônios mundiais da humanidade. Esse é o 18º bem brasileiro a fazer parte da lista, elaborada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A decisão foi tomada durante reunião do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, em Brasília.

São Cristóvão é a antiga capital de Sergipe e a quarta cidade mais antiga do Brasil. A praça, construída entre os séculos 16 e 17, teve influência espanhola e portuguesa. É composta pela Igreja e pelo Convento de São Francisco, pela Capela da Ordem Terceira, hoje Museu de Arte Sacra, pela Santa Casa, pela Igreja de Misericórdia, pelo Palácio Provincial e pelo casario antigo. A cidade de São Cristóvão é tombada como patrimônio material pelo Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico e Nacional (Iphan).

O Comitê do Patrimônio Mundial, responsável pela escolha, reúne representantes de 21 países, eleitos pelos Estados partes por quatro anos. A cada ano, o comitê acrescenta novos sítios à lista. A praça foi o único local brasileiro a concorrer.

Durante o evento foram incluídos outros patrimônios mundiais na lista. Entre eles, o Atol de Bikini, nas Ilhas Marshall. O lugar, que fica no Oceano Pacífico e é conhecido por sua grande riqueza ambiental e geológica, foi alvo de 67 testes nucleares depois da Segunda Guerra Mundial, incluindo a explosão de uma bomba de hidrogênio em 1952.

Veja os bens brasileiros que fazem parte da lista de patrimônios mundiais.

Patrimônio Mundial Natural

1 - Parque Nacional do Iguaçu (PR)
2 - Costa do Descobrimento (BA e ES)
3 - Reservas da Mata Atlântica (SP e PR)
4 - Complexo de áreas protegidas do Pantanal Matogrossense (MT e MS)
5 - Áreas protegidas do Cerrado: Chapada dos Veadeiros e Parque Nacional das Emas (GO)
6 - Ilhas Atlânticas Brasileiras – Reservas de Fernando de Noronha e Atol das Rocas (PE/RN)
7 - Complexo de Áreas Protegidas da Amazônia Central

Patrimônio Mundial Cultural

1 - Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Ouro Preto (MG)
2 - Centro Histórico de Olinda (PE)
3 - As Missões Jesuíticas Guarani, ruínas de São Miguel das Missões (RS)
4 - Santuário do Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas do Campo (MG)
5 - Centro Histórico de Salvador (BA)
6 - Plano Piloto de Brasília (DF)
7 - Parque Nacional da Serra da Capivara (PI)
8 - Centro Histórico de São Luís (MA)
9 - Centro Histórico de Diamantina (MG)
10 - Centro Histórico da Cidade de Goiás (GO)

quarta-feira, julho 28, 2010

Do Sudário à barba de Maomé, os objetos mais adorados do mundo



Essa matéria do Jornal o Dia fala dos objetos (*relíquias*) mais venerados do mundo. Vale pela curiosidade. Atenção para quantas igrejas (*e até mesquita*) têm a cabeça de São João Batista. Isso me lembra uma cena do livro (*não está no filme*) O Nome da Rosa, de Humberto Eco, na qual Adso, o noviço, estava fascinado pelas relíquias do mosteiro beneditino. Seu mestre, William de Baskerville, diz que aquelas relíquias não eram nada, pois relíquia realmente santa tinha uma catedral na Alemanha, o crânio de João Batista aos 12 anos de idade. Adso dá glórias e pulinhos, até que a ficha cai “Mas, mestre, João Batista morreu com mais de 30 anos!”. E o mestre responde: “Para você ver o tamanho do milagre, Adso!”. ^_^

Do Sudário à barba de Maomé, os objetos mais adorados do mundo

Revista ‘Time’ elaborou lista das 10 relíquias mais famosas de todas as religiões. Veracidade das peças é discutida

Rio - Cristão não, há grande chance de você já ter ouvido falar do Santo Sudário, pedaço de tecido mantido no Vaticano que teria envolvido o corpo de Jesus após a crucificação. É menos provável, entretanto, que saiba da existência do dente de Buda, da barba de Maomé ou do sangue de São Januário. Tudo isto faz parte da lista das 10 relíquias religiosas mais famosas, divulgada pela revista ‘Time’.

Com 4,3m, o Sudário é mantido desde o século 16 na Catedral de Turim, Itália. Em seguida na lista, vem o sangue de São Januário, de Nápoles, Itália, decapitado no século 4. Segundo fiéis, várias vezes por ano a substância, mantida numa ampola, torna-se líquida. Também na Itália, em Roma, são mantidas as correntes que teriam aprisionado São Pedro em Jerusalém.

A primeira relíquia não-cristã na lista é a barba de Maomé, que fica no palácio do Museu de Topkapi, Turquia. Apesar de o profeta ter proibido a adoração de outros seres fora Deus, a relíquia é visitada por milhares de pessoas todo ano. O mesmo museu mantém uma pegada daquele que, para os muçulmanos, escreveu a palavra de Deus no Alcorão.

O budismo também tem uma relíquia na lista: o canino esquerdo do líder Buda. O dente está num templo no Sri Lanka. Outra relíquia é a Cruz da Videira, maior símbolo da Igreja Ortodoxa da Geórgia e que teria sido presenteada a uma pregadora do país pela própria Virgem Maria. Por falar na mãe de Jesus, há ainda o Cinto Sagrado de Maria, numa Igreja na Itália, e a Túnica da Virgem Abençoada, na Catedral de Chatres, na França. Esta teria aparecido intacta após incêndio. Talvez a relíquia mais estranha, porém, seja a cabeça de São João Batista. Quatro instituições dizem estar com ela, retirada do corpo do santo após pedido da princesa Salomé, filha de Herodes Filipe. Parece muita cabeça para pouco santo...

Mistério da cabeça de São João Batista

Muitas das relíquias têm a veracidade discutida. Por ser respeitado por várias denominações cristãs e pelos muçulmanos, o paradeiro da cabeça de São João Batista é, de longe, o que levanta mais controvérsia. Reivindicam estar com ela a Mesquita de Umayyad, em Damasco; a Igreja de São Silvestre, em Roma; o Museu Residenz, na Alemanha; e a Catedral de Notre Dame de Amiens, na França. O Museu de Topkapi, na Turquia, diz ter o braço do santo e parte da cabeça. Um monastério ortodoxo também afirma ter a mesma relíquia e outro, na Sérvia, sua mão direita, a que teria batizado Jesus.


Também há pesquisadores que duvidam, por exemplo, tanto da pegada de Maomé como dos supostos fios de sua barba. Já o tal dente de Buda pode nem ser humano. Especialistas em odontologia já o questionaram, dizendo que, pelas suas características, é mais provável que tenha pertencido a um animal.

Israel tem inscrição que pode vir do código de Hamurábi



Matéria da Folha de São Paulo.

Israel tem inscrição que pode vir do código de Hamurábi

DE SÃO PAULO
Há décadas que os estudiosos do texto bíblico apontam semelhanças entre as leis de Moisés e o código legal do rei babilônio Hamurábi. Agora, arqueólogos israelenses acharam um possível "elo perdido" entre as duas legislações: um fragmento cujo texto lembra o código de Hamurábi, com 3.700 anos. Os cacos de escrita cuneiforme (originária do atual Iraque, mas empregada numa ampla área do Oriente Médio na época) vêm de Hazor, no norte de Israel. Segundo pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém, responsáveis pelo estudo dos fragmentos, o texto provavelmente é uma lei envolvendo danos corporais a um escravo. Entre as palavras já decifradas estão "senhor", "escravo" e "dente". Na época, a região era dividida em cidades-Estado, anteriores à formação do reino de Israel, de cujos habitantes os judeus modernos descendem, em grande parte.

sábado, junho 19, 2010

Evento celebra o primeiro carro produzido no Brasil



Triste que este automóvel já nasceu condenado, porque foi o Governo JK que fez a opção pela indústria automobilística estrangeira com a chegada da s grandes montadoras no Brasil. Enfim, mas a Romi-Isetta é um clássico e precisa ser lembrada. A matéria que segue estava no Jornal O Dia.


Evento celebra a pioneira

Fabricante da Romi-Isetta, a Romi faz 80 anos e reúne coleção dos primeiros carros totalmente nacionais

POR LUIZ ALMEIDA

Rio - Um clássico entre os automóveis brasileiros, a Romi-Isetta receberá homenagens neste sábado, quando será realizado o Encontro Nacional de Romi-Isettas. O evento acontecerá em Santa Bárbara d'Oeste, São Paulo, como parte das comemorações dos 80 anos das Indústrias Romi, fabricante do modelinho.

Primeiro carro a ser fabricado no Brasil, produzido entre os anos de 1956 e 1959 — as peças tiveram produção estendida até 1961 —, a Romi-Isetta tinha como base o Iso Isetta, projeto dos italianos Ermenegildo Preti e Pierluigi Raggi. De dimensões compactas, a Romi-Isetta era dono de um desenho único, criado pelo designer italiano Giovanni Michelotti. Por aqui, foi oficialmente lançado no dia 5 de setembro de 1956 — na Itália chegou ao mercado três anos antes.

Clássico da indústria automotiva brasileira e mundial, a Romi-Isetta era dono de algumas características marcantes. Porta frontal única, motor transversal instalado no entre-eixos e capacidade para apenas duas pessoas. Outras curiosas características eram a coluna de direção — entre os pedais de freio e de embreagem — e a alavanca de câmbio — posicionada à esquerda, com as quatro marchas em posição inversa da usual.

No início da produção, a Romi-Isetta era equipado com motor de 198 cilindradas e 9,5 cv de potência, que foi substituído pelo propulsor BMW de 298 cilindradas e 13 cv de potência. Bastante leve — pesava 360 kg —, o modelo chegava à máxima de 90 km/h e era capaz de fazer até 25 km/l.

Apesar do apelo da economia de combustível, a vida da Romi-Isetta foi curtíssima. O motivo foi a aprovação, em fevereiro de 1957, pelo GEIA — Grupo Executivo da Indústria Automobilística —, do decreto que concedia incentivos fiscais para empresas que produzissem carros para quatro ou mais passageiros e com pelo menos duas portas. Sem incentivos, a Romi-Isetta ficou caro e teve a produção oficialmente finalizada em 1961.

Réplica resgata o velho sonho

Pensando em comprar uma Romi-Isetta zero quilômetro? Impossível? Pois, o empresário Américo Salomão garante que é possível. Afinal, há três anos ele produz, em Mairinque, São Paulo, réplicas do saudoso dois lugares, que se tornou um clássico da indústria automotiva mundial.

A produção das réplicas, aliás, começou meio por acaso. Quando restaurava sua Romi-Isetta ano 1959, Américo Salomão ouviu o irmão confessar que gostaria também de ter uma, mas que os altos preços cobrados numa original — entre R$ 70 mil e R$ 100 mil — impediam de realizar tal sonho. "Resolvi, durante a restauração, fazer uma réplica. Algumas pessoas ficaram sabendo e vimos que dava para fabricá-las", conta o empresário.

A produção foi oficialmente lançada em 2009 e, segundo Américo, as réplicas mantêm quase todas as características originais do modelo. Como não é mais possível encontrar determinadas peças, a solução foi a fabricação própria. Dobradiças das portas e lanternas traseiras, por exemplo, são feitas pelo próprio empresário, assim como os aros dos farois e alavanca do câmbio. "É um modelo muito específico, não dá para adaptar de outros carros", revela Américo Salomão.

Com produção artesanal, a carroceria das réplicas é feita em fibra de vidro com reforço interno com tubulação em aço. O chassi é tubular e, assim como as originais Romi-Isetta, o teto solar é feito em tecido, as janelas em acrílico e o para-brisa em vidro.

Já a suspensão dianteira é independente — os amortecedores são de motocicleta com molas helicoidais externas —, enquanto a traseira é Pro-Link. O motor é de quadriciclo, produzido pela chinesa Lifan, com 300 cilindradas e 30 cv de potência máxima. "Apenas a suspensão e o motor não têm as características originais, assim como os freios a disco nas quatro rodas e o câmbio de cinco marchas ou CVT", destaca Américo Salomão.

O empresário ressalta que as réplicas podem ser personalizadas. Pode-se escolher a cor, tipo de pintura, tecido do banco e rodas —www.replicadeisetta.com.br. "Os preços variam conforme a configuração, entre R$ 25 mil e R$ 40 mil", informa Américo Salomão.

domingo, abril 25, 2010

Relembrando o Genocídio dos Armênios



Hoje os armênios lembram os 95 anos do genocídio promovido pelos turcos otomanos que mataram centenas de milhares de pessoas. O Jerusalem Post reproduz a fala de Barack Obama, presidente dos EUA, que classifica o acontecimento como “uma das piores atrocidades do século XX”. Historiadores estimam que cerca de um milhão e meio de armênios foram mortos. A Turquia até hoje nega que o massacre seja um genocídio e aponta que ele foi fruto da guerra civil que abalava a região e de outros conflitos. O genocídio deu origem à diáspora dos armênios. O presidente armênio Serge Sarkisian, em um pronunciamento à nação, qualificou o genocídio como “sem precedentes na sua abrangência, monstruosidade e na gravidade de suas conseqüências”. Em Paris, e a França abriga uma das maiores comunidades de armênios da diáspora, uma cerimônia contando com mais de 1000 pessoas foi dirigida pelo cantor Charles Aznavour, que é embaixador permanente da Armênia junto à UNESCO.

O massacre iniciou no dia 24 de abril de 1915 com o assassinato de cerca de 800 intelectuais armênios. As autoridades otomanas expulsaram os armênios de suas casas e promoveram um massacre generalizado. Segundo estudiosos, trata-se do primeiro genocídio do século XX. O governo da Turquia além de negar o massacre ameaça com sanções diplomáticas os países que pretendem reconhecer o massacre dos armênios como genocídio. O último governo advertido foi o dos EUA, pois há uma resolução tramitando no Congresso Americano com o objetivo de reconhecer o genocídio e contando com o apoio do presidente Obama, o que despertou protestos do governo turco. No último mês, o Governo Sueco aprovou uma resolução semelhante por margem apertada de votos. Segundo o Jerusalem Post, oc países que reconhecem o genocídio são Uruguai, Chile, Argentina, Rússia, Canadá, Líbano, Bélgica, Grécia, Itália, o Vaticano, a Grécia, a Suíça, a Eslováquia, a Holanda, a Polônia, a Lituânia e Chipre. O Brasil não reconhece o genocídio.

Turquia e Armênia não mantém boas relações diplomáticas, tanto por conta do não reconhecimento do genocídio, que para o governo turco se baseia somente em “recordações subjetivas e não em fatos concretos” (*os armênios acusam os turcos de apagarem as evidências*), quanto por causa do apoio dos armênio aos separatistas da região Nagorno-Karabakh. A fronteira dos países está fechada desde 1993. A região pertencia à ex-URSS e passou a ser foco de conflitos entre Armênia e Azerbaijão, com a intromissão dos turcos. Há grande população armênia na região e a intervenção do país teve como justificativa a onda de violência contra este grupo. A República do Nagorno-Karabakh não tem reconhecimento internacional.