sexta-feira, julho 04, 2008

Gabarito da Prova


Segue o gabarito da prova integrada como eu prometi. H é História, P é Português e L é Literatura. Se tiverem dúvidas em alguma questão, usem os comentários deste post para tirá-las, OK?

segunda-feira, junho 30, 2008

Respostas da V.I.


Por que a colonização inglesa foi tão diversificada? Explique as diferenças entre as colônias.

– A colonização da América Inglesa foi tardia e movida por ações patrocinada por interesses privados. A ocupação das colônias se deu de forma diferenciada. No norte, o modelo foi de povoamento, com predomínio da mão-de-obra familiar, a pequena propriedade e o cultivo – por causa do clima – de produtos semelhantes aos cultivados na Europa. Os colonos do norte eram em sua maioria puritanos e vieram fugindo das perseguições religiosas com o objetivo de fundar uma nova nação. As colônias do Sul também foram ocupadas em sua maioria por colonos que buscavam um novo lar – como os huguenotes franceses – mas o clima favorável possibilitou o estabelecimento da plantation, primeiro do tabaco, depois do algodão. As colônias do centro seguiram principalmente o modelo do norte, mas com maior diversidade e tolerância religiosa. A Inglaterra não submeteu as suas colônias aos rigores do pacto colonial (*não por falta de interesse, mas por falta de possibilidades*), e as colônias se autogovernavam (*self-government*).

Como funcionava o sistema de Encomienda? Qual o seu objetivo?

– Nas colônias espanholas, particulares (encomienderos) recebiam da Coroa lotes de nativos para trabalhar vitaliciamente nas lavouras e nas minas. O objetivo da encomienda, de acordo com seus idealizadores, era promover a evangelização dos índios, porém muitos senhores os maltratavam e não providenciavam a sua cristianização. Por conta disso, o sistema foi duramente criticado por alguns membros da Igreja.

Diferencie colônia de povoamento de colônia de exploração. Se o Brasil fosse colonizado por outra nação moderna o modelo implantado aqui seria diferente? Justifique.

– A colonização da América foi marcada por dois modelos, as colônias de povoamento e de exploração. As colônias de exploração eram marcadas pela plantation, isto é, por terem condições favoráveis, nelas foi implantada a grande lavoura com mão-de-obra escrava voltada para a exportação. Muitos dos colonos que iam para essas colônias tinham o objetivo de fazer fortuna e voltar para a Europa. As colônias de povoamento foram estabelecidas em regiões de clima semelhante ao da Europa e nelas predominaram a pequena propriedade familiar, a policultura e o trabalho livre. Muitos dos que se estabeleceram nestas colônias tinham como objetivo construir uma nova nação, pois eram perseguidos em seus países de origem. Se o Brasil tivesse sido colonizado por outra nação, muito provavelmente o modelo seria o mesmo, pois a colônia apresentava as condições ideais para o estabelecimento da plantation e todas as nações que tiveram colônias tropicais e subtropicais usaram do mesmo modelo.

Explique por que a Holanda foi a última nação a entrar na empreitada colonial. Por que Portugal foi a grande vítima dos ataques holandeses?

– Quando o movimento das grandes navegações começou a Holanda ainda era um território dependente do Sacro Império que na época era governado pelo monarca espanhol, Carlos V. Quando a Holanda entrou em guerra pela sua independência, levou a guerra para o mar, e como as coroas de Portugal e Espanha estavam unidas na chamada União Ibérica, os portugueses foram tratados como inimigos pela Holanda. As colônias portuguesas eram mais vulneráveis por serem litorâneas e Portugal perdeu territórios para a Holanda.

Por que a França questionou a partilha da América entre Portugal e Espanha?

Explique por que a França iniciou tardiamente a sua colonização na América.
– O rei francês Francisco I não considerou justo o tratado feito entre Portugal e Espanha com o apoio do papa dividindo o mundo conhecido de então e disse que desconhecia o “testamento de Adão” que servira de base para o acordo. Por conta disso, a França proclamou que estaria se guiando pelo princípio de utis possidetis, ou seja, a terra pertence a quem a ocupou. Mesmo assim, a França não priorizou as colonizações, pois estava enfraquecida por várias guerras e sempre mais ocupada com as questões européias.

Como funcionava o comércio Triangular? Por que ele contrariava o Pacto Colonial?

– O comércio triangular tinha como ponto de partida as colônias inglesas do centro e do norte, possibilitando a troca de produtos temperados por bens manufaturados ou matéria-prima para a produção de rum que era trocado na África por escravos. Na sua modalidade mais conhecida, o comércio triangular, as colônias inglesas do norte e do centro vendiam produtos temperados e compravam melaço da América Central, este produto era transformado em rum que era trocado por escravos, e estes últimos eram vendidos nas Antilhas. Todas essas atividades eram feitas sem a anuência da metrópole e evidenciam como era frouxo o pacto colonial imposto pela Inglaterra.

sábado, junho 14, 2008

2º BIMESTRE: Inácio de Loyola e a Companhia de Jesus

Inácio de Loyola (1491-1556), o fundador da Companhia de Jesus, espanhol de nascimento, fora pajem, tesoureiro-mor do rei Fernando, o Católico (1506-1517), depois gentil-homem na corte do vice-rei de Navarra. Ferido na batalha de Pamplona, em maio de 1521, é socorrido pelos franceses, seus vencedores, e reconduzido ao castelo de Loyola. Aí ocorre sua primeira experiência espiritual, com visões, conflitos íntimos muito fortes e chamados de Deus, os quais aparecem em seus sonhos.

Estando uma noite desperto, viu claramente uma imagem de Nossa Senhora com o santo Menino Jesus, com cuja visão, por espaço notável, recebeu consolação muito extraordinária, e ficou com tanto asco da vida passada, e especialmente de coisas da carne, que lhe parecia terem-lhe saído do ânimo todas as espécies que antes nele tinha pintadas. (Inácio de Loyola,'Relato do peregrino'. Apud Karl Rahner, op. cit., p. 53.)

Convertido, põe-se a andar como peregrino e mendigo. Começa a fazer pregações e, em Salamanca, acaba sendo chamado pela Inquisição, e ojuiz o proíbe de tratar de assuntos teológicos antes de ter concluído os estudos. Vai para Paris (1528) e lá permanece estudando e buscando agregar a si companheiros dispostos a adotar seu modo de vida: pobreza evangélica, trabalho de catequese com os pobres, ideal de missão, disciplina rígida.

Em abril de 1538, Inácio e mais nove companheiros são recebidos pelo papa Paulo III, que os submete a um exame público de doutrina, em que eles são aprovados. O papa lhes concede a faculdade de pregar e confessar no mundo inteiro e sem recorrer aos bispos locais. Em novembro do mesmo ano, o grupo resolve pôr-se à disposição da vontade do papa, vigário de Cristo:
[...] nos oferecemos ao Pontífice Supremo, enquanto senhor da messe* universal de Cristo, e, neste oferecimento, significamos-lhe que estávamos prontos a tudo o que resolvesse fazer de nós em Cristo.[...] Por que motivos nos ligamos com tal compromisso à vontade do Pontífice? É por sabermos que ele conhece melhor do que ninguém o que convém ao cristianismo universal. (Fabro, carta a Diogo de Gouvea, 23 de novembro de 1538. Apud André Ravier S. J., Santo Inácio funda a Companhia de Jesus, p. 24.)

A Companhia de Jesus

Inácio e seus companheiros se envolvem em inúmeras atividades em Roma, especialmente com a instrução e com a catequese, e logo começam a ser solicitados a outras missões: Carlos V os quer para as índias espanholas; D.João III deseja enviá-los às índias portuguesas; os bispos e príncipes do norte da Itália os solicitam a seus domínios; o arcebispo de Sena os quer para a reforma de um mosteiro; o cardeal de Parma e Placência necessita deles para efetuar uma reforma nos costumes destas cidades...

O grupo apresenta sinais de separação definitiva, o que preocupa os companheiros. Eles deliberam longamente e apresentam em setembro de 1539 um documento ao papa Paulo III, intitulado Prima Societatis Jesu Instituti Summa, propondo a criação de uma ordem, a Companhia de Jesus. Um ano depois, em 27 de setembro de 1540, o papa Paulo III assina a bula Regimini militantis ecclesiae e funda oficialmente a Companhia de Jesus. Duas são as possibilidades de explicação para a designação "Companhia de Jesus":

Ao verem que não havia entre eles chefe nem superior, exceto Jesus Cristo, a quem queriam servir com exclusão de qualquer outro, pareceu-lhes bom tomar o nome daquele que tinham como chefe e chamar-se Companhia de Jesus. (Polanco, Summarium Hispanicum, 1547. Apud André Ravier S. J., op. cit., p. 21.)

O espírito militar de Inácio de Loyola e a ideia de uma ordem militante e missionária, que necessitava de uma organização semelhante a um exército, também explicam a escolha dessa designação:

Saibam todos os companheiros e se recordem, não só nos primeiros tempos de sua profissão, mas todos os dias de sua vida, que esta Companhia inteira e cada um de seus membros combatem por Deus sob a fiel obediência a nosso Santíssimo Padre Paulo III e a seus sucessores.[...] (Prima Societatis Jesu Instituti Summa, 1539. Apud André Ravier S. J., op. cit., p. 101.)

Uma intensa atividade missioneira e militante e uma formação intelectual muito sólida foram duas das características dos padres da Companhia de Jesus, seguindo, inúmeras vezes, orientação expressa por Inácio de Loyola e registrada nos documentos de fundação da Companhia:

Todo aquele que pretender alistar-se sob a bandeira da cruz, na nossa Companhia, que desejamos se assinale com o nome de Jesus, para combater por Deus e servir somente ao Senhor e ao Romano Pontífice, seu Vigário na terra, depois do voto solene de perpétua castidade persuada-se que é membro da Companhia. Esta foi instituída principalmente para o aperfeiçoamento das almas na vida e na doutrina cristãs, epara a propagação da fé, por meio de pregações públicas, do ministério da palavra de Deus, dos Exercícios Espirituais e obras de caridade e, nomeadamente pela formação cristã das crianças e dos rudes, bem como por meio de Confissões,buscando principalmente a consolação espiritual dos fiéis cristãos. [...] (Fórmula do Instituto da Companhia de Jesus, aprovada por Paulo III, 1539. Apud Karl Rahner, op. cit., p. 78.)

2º BIMESTRE: A Contra-Reforma e o Concílio de Trento

No final do ano de 1535, o papa Paulo III constituiu um grupo de conselheiros para estudar a grave questão da reforma doutrinal e espiritual da Igreja Católica. Esse grupo produziu um documento editado pela primeira vez em 1538, no qual se fazia uma avaliação muito severa da situação da Igreja. O documento atacava em primeiro lugar o emprego abusivo dos bens da Igreja pelo papa, que podia vender "benefícios", dispondo livremente do que era considerado seu. Na sequência, constatava-se a ignorância e a imoralidade do clero, especialmente em Roma.
O Concilio de Trento
Após muitas hesitações e desentendimentos entre o papa, bispos, reis e imperadores sobre o local de realização e quem participaria, abriu-se a 13 de dezembro de 1545 o Décimo Nono Concílio Ecumênico da Igreja Cristã, na cidade de Trento. Paulo III, com 80 anos, ficou em Roma e presidia o concílio a distância.

O Concílio de Trento teve uma existência longa e tumultuada: foi interrompido diversas vezes devido a guerras, desen tendimentos, uma peste que grassou na região e reduzido número de participantes. Iniciou sob o pontificado de Paulo III, continuou sob Júlio III (quando os protestantes também puderam participar), não se reuniu nenhuma vez durante o pontificado de Paulo IV, voltou a reunir-se e terminou a 4 de dezembro de 1563 com o papa Pio IV. Tomou deliberações que mexeram na estrutura do clero e governaram a Igreja durante séculos.
O Sagrado Concílio de Trento, juridicamente reunido pelo Espírito Santo [...], exorta os bispos e todas as pessoas da Igreja aqui reunidas a celebrar o concílio universal, que pretende louvar sempre a Deus, oferecer-lhe sacrifícios, glórias e preces, e a realizar o sacrifício da missa pelo menos aos domingos: naquele dia Deus criou o mundo, ressuscitou os mortos e manifestou o Espírito Santo em seus discípulos [...]

Nós os exortamos ainda a jejuar pelo menos cada sexta-feira, em memória da paixão de Nosso Senhor, e a dar esmolas aos pobres; e que na catedral todos os domingos celebre-se a missa do Espírito Santo com ladainhas e outras orações compostas para esse uso [...]

E que enquanto o serviço da missa se faça, não se converse, não se fale nada: mas que se a assista com espírito de oração.

Os bispos devem ser irrepreensíveis, sábios, castos e bons dirigentes de seus bispados; o concílio pede que cada um seja sóbrio em sua mesa e coma pouca carne. É também preciso que se acostumem a não falar de assuntos ociosos durante as refeições: o concílio ordena leituras santas e que cada um instrua seus empregados a não semearem a discórdia, não beberem e não serem imorais, cobiçosos, arrogantes ou blasfe-madores. Que logo abandonem os vícios e sigam as virtudes; que nas roupas e no vestuário e em todos os atos eles sejam honestos, como convém a um ministro de Deus.

Na concessão de indulgências o concílio decreta que todo lucro criminoso daí proveniente será inteiramente abolido, como fonte de abuso grave entre o povo cristão; e quanto a outras desordens originadas da superstição, da ignorância,da irreverência ou de qualquer causa que seja, o concílio impõe a cada bispo o dever de denunciar tais abusos desde que existam em sua própria diocese.
(Resoluções do Concílio de Trento, 1563. Apud José Jobson de Andrade Arruda, História moderna e contemporânea, p. 45.)
O Concílio de Trento reforçou o poder do papa, criou o Index, relação de livros proibidos à leitura dos cristãos, eliminou a comunhão de ambos os tipos (pão e vinho), mantendo apenas a comunhão do pão. Obrigou também os bispos a residirem em suas sedes, conservou os sete sacramentos, reforçou o Tribunal do Santo Ofício (Inquisição), afirmou que somente a Igreja podia interpretar a Escritura e fixou regras para a formação e a vida dos padres (seminários) e dos regulares (clausura). Ao contrário dos protestantes, que defendiam uma cerimônia simplificada, salientou a importância da missa como sacrifício que renova o de Cristo, devendo ela ser realizada segundo ritual estabelecido pela Igreja:
Como a natureza humana não pode elevar-se facilmente às coisas divinas sem uma ajuda exterior dos sentidos, a Igreja, em sua bondade, instituiu diversos ritos: certas palavras da missa serão pronunciadas em voz baixa, outras em voz alta. A Igreja prevê cerimônias apropriadas, bênçãos, luzes, incenso, vestimentas e muitas outras coisas que procedem da disciplina e da tradição apostólicas. Por esses sinais visíveis da religião e da piedade, enquanto se recordam da majestade de tão grande sacrifício, os espíritos dos fiéis se elevam à contemplação das realidades celestiais ocultas neste sacrifício. (Resoluções do Concílio de Trento, 1563. Apud Miguel Artola, op. cit., p. 296-7.)
No debate sobre a salvação do homem, as posições se dividiam: enquanto uns afirmavam o livre-arbítrio, ou seja, que as boas obras feitas pelo homem o conduzem à salvação, outros defendiam que a salvação era obra unicamente da graça do Senhor, concedida segundo sua estrita vontade. Os teólogos rejeitavam Erasmo porque concedia demasiado ao homem, e Lutero porque lhe recusava tudo:
I — Se alguém disser que o homem se pode justificar para com Deus por suas próprias obras, [...] ou pela doutrina da lei, sem a divina graça adquirida por Jesus Cristo, seja excomungado.

IV — Se alguém disser que o livre-arbítrio do homem, movido e excitado por Deus, nada coopera [...] para alcançar a graça da justificação, dizendo que o homem é como um ser inanimado ou sujeito passivo, seja excomungado.

V — Se alguém disser que o livre-arbítrio do homem está perdido e extinto depois do pecado de Adão, ou que ele é um simples nome sem objeto, ou que ele é uma ficção introduzida pelo Demônio na Igreja, seja excomungado.
(Resoluções do Concílio de Trento, 1563. Apud Miguel Artola, op. cit., p. 296-7.)
O documento final terminou proclamando o livre-arbítrio, mas estabeleceu duas fases sucessivas na operação da graça:
Se a vontade humana, tocada pela misericórdia preveni-ente, faz um esforço para executar a vontade de Deus, então Deus lhe concede a verdadeira Graça, e, se o homem responde favoravelmente por suas boas obras, então ele a merece para a vida eterna. A Graça é necessária, mas não prejudica o livre-arbítrio, não é constrangedora. (Resoluções do Concílio de Trento, 1563. Apud Miguel Artola, op. cit.,p. 294-6.)

Trabalha como se tudo dependesse de ti; reza como se tudo dependesse de Deus. (Ditado popular da época. Apud Karl Rahner, Inácio de Loyola, p. 77.)
Ao longo de todo o concílio teve grande influência nas discussões teológicas um grupo de padres de sólida formação cultural, grande disciplina e intensa atividade militante, pertencente à recém-formada Companhia de Jesus — os jesuítas —, braço direito do papa.

2º BIMESTRE: Henrique VIII e a Igreja Anglicana

Em 1521, o rei inglês Henrique VIII publicou um livro em que atacava as idéias de Lutero, recebendo do papa, por isso, o título de Defensor Fidei. Mas as relações da Coroa com a Igreja se complicaram a partir de 1527, quando Henrique VIII começou a dar os primeiros passos no sentido de conseguir a anulação de seu casamento com Catarina de Aragão. Catarina era princesa espanhola, filha de Fernão e Isabel, os reis católicos. Tinha vindo à Inglaterra em 1501, e havia se casado com o irmão mais velho de Henrique, que deveria ser o futuro rei. Artur e Catarina tinham 16 anos de idade. Artur morreu poucos meses depois, e seu pai, o rei Henrique VII, temendo que Catarina voltasse à Espanha levando de volta os 200 000 ducados que tinha trazido como dote, casou-a com o filho mais novo, Henrique, que seria depois o rei Henrique VIII. Henrique tinha 12 anos, e Catarina 18.

Inúmeras vezes a rainha engravidou, mas deu à luz natimortos ou crianças que morreram nas primeiras semanas de vida. A única exceção foi a filha Maria, nascida em 1516, que se tornaria a futura rainha Maria Tudor. Desejando um herdei¬ro masculino para o trono, Henrique VIII pediu ao papa a anulação de seu casamento com Catarina. O poder papal concedia tais separações e já havia precedentes. Mas o papa Clemente VII, fortemente pressionado pelo imperador Carlos V (Espanha e Sacro Império), iniciou uma série de manobras adiando ao máximo a decisão.

Ao mesmo tempo, as críticas à Igreja cresciam cada vez mais: chamavam-se os padres de "classe vadia", e os comerciantes pediam ao rei que diminuísse o poder e as rendas da Igreja.

Em novembro de 1529, reuniu-se uma nova seção do Parlamento inglês. Os grupos mais influentes (nobres na Câmara Alta e mercadores na Câmara dos Comuns) concorda-vam com dois pontos: redução da riqueza e do poder eclesiásticos e apoio ao rei em sua campanha em prol de um herdeiro masculino ao trono. Foram aprovadas algumas leis que impediam que o clero tivesse direito de cobrar taxas obituárias e taxas sobre a homologação de testamentos. Em 1531, Henrique VIII exigiu ser reconhecido pela Igreja como Protetor e único chefe supremo da Igreja e do clero da Inglaterra. Com isso, cessaria o voto de obediência da Igreja inglesa ao papa. Após muitas discussões, a Igreja concedeu ao rei o título de Protetor e único chefe supremo da Igreja e do clero da Inglaterra, enquanto permitir a lei de Cristo. Em 1532, reuniu-se um sínodo dos bispos ingleses, e ficou claro que a maioria deles estava ao lado do rei e contra o papa:
Possa ser do agrado de Vossa Graça mandar cessar essas injustas exigências que nos faz a Igreja de Roma. [...] E, no caso que o Papa queira instaurar um processo contra este reino para obter as anatas, possa agradar a Vossa Majestade ordenar no presente parlamento que se retire da Igreja de Roma a obediência de Vossa Majestade e do Povo. (Carta do sínodo dos bispos ingleses ao rei Henrique VIII, 1532. Apud Will Durant, op. cit., p. 460.)
Com essa garantia dada pelos bispos e cardeais ingleses, em 15 de janeiro de 1533 Henrique VIII casou-se com Ana Bolena, que já estava grávida de quatro meses. A cúpula da Igreja da Inglaterra reconheceu o divórcio do rei com Catarina de Aragão, sendo coroada rainha da Inglaterra Ana Bolena, em maio de 1533. Emjulho do mesmo ano, o papa Clemente VII declarou nulo o novo casamento, ilegítima a sua descendência e excomungou o rei. Em novembro de 1534, o Parlamento votou os Estatutos de Supremacia, nos quais se reafirmava a soberania do rei sobre a Igreja e o Estado na Inglaterra. Batizava-se a nova Igreja nacional com o nome de Ecclesia Anglicana (Igreja Anglicana) e davam-se ao rei todos os poderes sobre moral, organizações, credo e reforma eclesiástica, pode¬res que anteriormente cabiam à Igreja:
O Rei é o chefe supremo da Igreja da Inglaterra [...]. Nesta qualidade, o Rei tem todo poder de examinar, reprimir, corrigir tais erros, heresias, abusos, ofensas e irregularidades que sejam ou possam ser reformados legalmente por autoridade espiritual, a fim de conservar a paz, a unidade e a tranquilidade do Reino, não obstante todos os usos, costumes e leis estrangeiras, toda autoridade estrangeira [...]. (Ato de Supremacia, 1534. Apud Rubim S. L. Aquino, História das sociedades modernas às sociedades atuais, p.85.)
As Perseguições eligiosas
Em julho de 1535, as perseguições movidas por Henrique VIII contra os religiosos que não aceitavam a nova situação atingiram Thomas More, antigo conselheiro do rei e autor do livro Utopia, que perdeu a cabeça no cadafalso.

Da mesma forma que na Alemanha, na Inglaterra a Refor¬ma havia nascido nas cidades e encontrou resistências para se implantar nos campos, especialmente a partir do momento em que a Coroa começou a extinguir os mosteiros e entregá-los nas mãos de nobres e burgueses. Os monges dos mosteiros aliaram-se aos camponeses e, entre 1535 e 1538, inúmeras regiões da Inglaterra e da Escócia foram agitadas por rebeliões camponesas, duramente reprimidas pelo rei:
Nossa vontade é que, antes de recolherdes nossas bandeiras novamente, façais uma execução tão terrível de um bom número de habitantes de cada cidade, vila e aldeia que participaram dessa ofensa, que elas possam ser um espetáculo horroroso para todos os demais que, daqui em diante, quise-rem agir de modo semelhante [...] Como todas essas revoltas surgiram por solicitação e traiçoeiras conspirações de monges e cónegos daquelas regiões, desejamos que vós, nesses lugares que conspiraram e opuseram resistência, mandeis, sem piedade e formalidades, deter sem mais demora ou cerimônia todos os monges e cónegos que, de qualquer modo, forem culpados. (Ordens de Henrique VIII aos comandantes militares, 1537. Apud Will Durant, op. cit., p. 447.)
Por volta de 1540, todos os mosteiros e propriedades rurais da Igreja haviam passado para as mãos do rei, que os deu de presente a inúmeras famflias da aristocracia e da burguesia. Assim sendo, esses grupos se tornaram defensores ferrenhos da nova religião e inimigos da volta do catolicismo e da obediência ao papa.

A Igreja Anglicana conservou a estrutura e os dogmas da Igreja Católica, com pequenas alterações. Não foi feita uma reforma profunda nos costumes do clero, que passou a ser visto pela população como um aliado da Coroa, o que facilitou o surgimento e a disseminação de uma série de religiões puritanas e protestantes, normalmente perseguidas pelos reis ingleses seguintes.