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terça-feira, agosto 08, 2023

Filhos da Guerra (Europa Europa, 1990): Cena da Frenologia (vídeo)

Houve um tempo em que a Frenologia foi considerada uma ciência e a medição de saliências no crânio para prever características mentais poderia definir o futuro de uma pessoa, ou, no caso da Alemanha Nazista, se uma pessoa vivia ou morria.  Esta cena mostra o protagonista do filme Os Filhos da Guerra, um menino judeu tomado por ariano e lutando para sobreviver ao horror da 2ª Guerra,

quinta-feira, março 21, 2019

Espártaco (2004): Recomendação de Filme


O nosso livro recomenda como filme para suporte do conteúdo Espártaco de 1960.  Trata-se de um clássico do cinema, um grande filme em sua época e ainda muito interessante, porém, ele se afasta bastante tanto do romance original, que lhe deu origem, e da própria História romana, mas dialoga muito mais com questões de seu tempo, como o Macartismo.[1] Esse é um dos motivos pelos quais considero o filme de 2004, uma produção para TV, um filme mais interessante para ajudar na compreensão da revolta de escravos liderado por Espártaco. Estava montando um post sobre o filme Espártaco de 2004 e acabei o encontrando on line e com boa qualidade.  Está dublado em português e pode ser assistido aqui:

segunda-feira, setembro 10, 2018

Filmes Sobre Guerra Fria, Macarthismo, Corrida Espacial e Direitos Civis


Os filmes a seguir são os propostos para a 1ª AP do Terceiro Trimestre.  Você pode escolher outro filme, desde que justifique-se com seu professor, ou professora.

- Espionagem, Contra-Espionagem e Guerra

O 3º Homem (The Third Man, Inglaterra, 1949)

Sinopse: Após a 2ª Guerra Mundial, chega em Viena Holly Martins (Joseph Cotten), escritor americano de 6ª categoria. Holly estava em crise e sem dinheiro, mas seu velho amigo de escola Harry Lime (Orson Welles) lhe prometera um trabalho. Holly tenta encontrar Harry e então fica sabendo que ele foi atropelado e teve morte instantânea. Intrigado, o escritor decide fazer sua própria investigação sobre o misterioso passado do amigo e descobrir o que de fato aconteceu.


Intriga Internacional (North by Northwest, EUA, 1959)

Sinopse: Confundido com um agente secreto, de uma hora para outra o publicitário Roger Tornhill (Cary Grant) se vê envolvido numa complicada trama de espionagem, sendo acusado inclusive de assassinato. Enquanto tenta provar sua inocência, é perseguido tanto pela polícia como por agentes criminosos. O filme comprova toda a habilidade de Hitchcock para mesclar suspense e aventura


Dr. Fantástico (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, EUA, 1964)

Sinopse: As possíveis conseqüências caso um anticomunista e louco general americano (Sterling Heyden) desse a ordem de bombardear a União Soviética com o objetivo de ficar livre dos "vermelhos", sem se dar conta de que este ato seria provavelmente o início da Terceira Guerra Mundial.


Limite de Segurança (Fail-Safe, EUA, 1964)

Sinopse: Uma falha técnica nos computadores passa uma ordem à bombardeiros norte-americanos para que bombardeiem Moscou. Os pilotos não podem voltar atrás, uma vez que o "limite de segurança" foi acionado. Então o presidente dos EUA (Henry Fonda) procura os meios necessários para impedir tal ato, o que pode ser uma tarefa impossível.


Jogos de Guerra (War Games, EUA, 1983)

Sinopse: Um jovem aficionado por informática (Matthew Broderick), conecta seu micro acidentalmente ao sistema de defesa americano, controlado por um computador ultrassofisticado. O acidente provoca um estado de alerta, que pode acabar causando a Terceira Guerra Mundial.


Ponte dos Espiões (Bridge of Spies, EUA, 2015)

Sinopse: Em plena Guerra Fria, o advogado especializado em seguros James Donovan (Tom Hanks) aceita uma tarefa muito diferente do seu trabalho habitual: defender Rudolf Abel (Mark Rylance), um espião soviético capturado pelos americanos. Mesmo sem ter experiência nesta área legal, Donovan torna-se uma peça central.


Sob o Domínio do Mal (The Mandchurian Candidate, EUA, 1962)

Sinopse: Raymond Shaw (Laurence Harvey) é um militar americano que, ao retornar da Guerra da Coréia, recebe as mais altas homenagens pelos seus atos de heroísmo. Mas em seu pelotão há incerteza de como tais atos de bravura foram cometidos e quando Bennett Marco (Frank Sinatra), seu oficial comandante e outro soldado começam a ter freqüentes pesadelos relacionados com a Coréia, eles chegam à conclusão de que todo o pelotão foi submetido à uma lavagem cerebral e que o "herói" era na verdade um soldado, que tinha sido programado como assassino sem sentimento de culpa ou lembrança do seu crime (dois soldados mortos do seu batalhão na verdade tinham sido mortos pelo "herói", quando a ordem de matar foi dada a ele), tendo se tornado apenas uma peça controlada pelos inimigos. Após seu retorno ao serviço, Raymond se deixa ser excessivamente protegido por sua mãe (Angela Lansbury) e pelo marido dela, o senador John Iselin (James Gregory), que é anticomunista. Raymond vai trabalhar como jornalista, mas quando seu controlador o contata através de um código, ele se torna um robô sem nenhum sentimento de culpa ou lembrança do seu crime, e sua primeira vítima é o editor de uma coluna liberal. Raymond agora está casado e recebe ordem de matar sua esposa e seu sogro, um senador liberal. Mas quando a lavagem cerebral deixa de atuar em Bennett, ele consegue determinar como Raymond é controlado e passa a buscar os autores de todo o plano.

“O longa-metragem fala de conspiração internacional, assassinato, comunismo, macarthismo e intriga política em uma época em que tais questões eram consideradas bastante delicadas. Deve-se enfatizar também que, em 1962, a Guerra Fria estava longe de ter um fim. Sob o Domínio do Mal foi proibido em diversos países que faziam parte da chamada Cortina de Ferro, como Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Romênia e Bulgária e até mesmo de alguns países considerados neutros, como Finlândia e Suécia. Na maioria desses países, o filme só foi lançado em 1993, após o colapso da União Soviética.” (Cinema em Cena


13 dias que Abalaram o Mundo (Thirteen-Days, EUA, 2000)

Sinopse: Com a tagline “Você nunca vai acreditar quão perto chegamos” esse filme relata os treze dias que se passaram em 1962 desde o momento que o presidente John F. Kennedy (Bruce Greenwood) foi avisado de que bombas estavam sendo levadas até Cuba até o fim da crise.  Em outubro daquele ano, fotos de vigilância dos EUA perceberam que uma base de lançamento de mísseis estava sendo montada na ilha, que havia acabado de passar por uma revolução socialista. Ao mesmo tempo, os navios soviéticos com as armas que poderiam aniquilar os norte-americanos se aproximavam de Cuba. O filme mostra os acontecimentos da época e as possibilidades consideradas pelo presidente Kennedy que, com uma simples ordem, poderia abrir fogo contra a União Soviética e começar uma nova guerra mundial.


O Caso Bedford (The Bedford Incident, 1965)

Sinopse: Conta a história de uma embarcação da marinha americana, cuja missão de patrulhamento de rotina acaba num tenso conflito com um submarino russo. Erik Finlander (Richard Widmark), o comandante maníaco do navio, conduz sua tripulação até o limite da exaustão psicológica, o que causa uma crescente revolta em Ben Muceford (Sidney Poitier), experiente jornalista que acompanha a missão.


O Espião Que Sabia Demais (Tinker Tailor Soldier Spy, Inglaterra/França/Alemanha, 2011)

Sinopse: Passado em 1973, em plena Guerra Fria, o longa gira em torno de George Smiley (Gary Oldman), um veterano da divisão de elite do serviço secreto inglês conhecida como Circo. Após a morte de seu ex-chefe e de alguns fracassos em missões internacionais, ele é chamado para desvendar um mistério sobre a identidade do agente duplo que, durante anos, trabalhou também para os soviéticos. Todos à sua volta são suspeitos, mas, como bons espiões que são, foram treinados para dissimular e trabalhar em condições de extrema tensão.


O Espião que veio do Frio (The Spy Who Came in from the Cold, Inglaterra, 1965)

Sinopse: Em plena era da Guerra Fria, o espião britânico Alec Leamas (Richard Burton) é enviado à Alemanha Oriental para servir como agente duplo. Mas à medida que vão surgindo informações, o espião começa perceber que seus companheiros estão desconfiando de seu trabalho. Adaptação do romance escrito por John Le Carré.


Jogos de Poder (Charlie Wilson's War, EUA, 2007)

O drama traz os bastidores da Guerra do Afeganistão, uma das “guerras quentes” do período. No congresso americano, o político Charlie Wilson (Tom Hanks) luta para angariar fundos para os rebeldes afegãos, que lutavam contra o governo marxista do país. A guerra foi um dos grandes exemplos do paradigma da época: EUA e URSS não se enfrentaram diretamente, mas era claro que os soviéticos apoiavam o governo afegão e que os americanos financiavam os insurgentes.


Mistério no Parque Gorki (Gorky Park, EUA, 1983)

Sinopse: Um investigador da polícia de Moscou (William Hurt) precisa solucionar um triplo assassinato que aconteceu no Parque Gorky. Ele suspeita que ninguém quer que o caso seja realmente solucionado, além de começar a perceber que é algum tipo de conspiração internacional que envolve a alta sociedade de Moscou e seus governantes.


Caçada ao Outubro Vermelho (The Hunt for Red October, EUA, 1990)

Sinopse: O ano é 1984. O alto comando soviético acredita na possibilidade de deserção quando o capitão Markus Ramius (Sean Connery), o comandante do Outubro Vermelho, o mais moderno submarino russo, desobedece ordens superiores e navega em direção à América. Diante deste quadro outros submarinos soviéticos recebem ordem de afundar o Outubro Vermelho e os americanos decidem fazer o mesmo, pois temem um ataque contra seu território. Até que Jack Ryan (Alec Baldwin), um agente da CIA que admira Markus Ramius, tenta impedir que soviéticos e americanos dêem prosseguimento a este ataque.


- Macarthismo, Guerra Fria e Questão Cultural

Boa noite e boa sorte (Good Night, and Good Luck, EUA, 2005)

Sinopse: No começo da década de 1950 a ameaça do comunismo nos Estados Unidos gerou uma onda de paranoia entre os cidadãos comuns. Um senador norte-americano se aproveitou disso e criou uma doutrina conhecida como macarthismo (por conta de seu nome, Joseph McCarthy), que estimulava qualquer pessoa a denunciar comportamentos tidos como suspeitos. Durante esse período, que foi uma verdadeira “caça às bruxas” moderna, muitos artistas, jornalistas e qualquer um que tivesse condutas “questionáveis” foram perseguidos.  O filme, dirigido e estrelado por George Clooney, mostra bem a atmosfera de medo e delações premiadas que existia na época. O repórter Murrow e o produtor Fred Friendly decidem se opor às práticas do Macarthismo e acabam sofrendo consequências.


Ave, César! (Heil, Cesar!, EUA, 2016)

Sinopse: Situada em 1950, o filme acompanha um único dia de um assistente de estúdio que se vê cheio de problemas para solucionar. Quando estão prestes a lançar o maior sucesso de todos os tempos, o grande astro do estúdio é sequestrado. Agora, todos se mobilizam para que o desaparecimento de Baird Whitlock (George Clooney) não vaze na imprensa.  O filme aborda a situação delicada da indústria cinematográfica durante o Macarthismo.


O Sorriso de Monalisa (Mona Lisa Smile, EUA, 2003)

Sinopse: Na tradicional Faculdade Feminina Wellesley, em 1953, onde as melhores e mais brilhantes jovens mulheres dos Estados Unidos recebem uma dispendiosa educação para se transformarem em cultas esposas e mães responsáveis. Até que a professora de história da arte Katherine Watson (Julia Roberts), vem da Califórnia para dar aulas na renomada instituição.  A professora irá tentar abrir a mente de suas alunas para um pensamento liberal, enfrentando a administração da escola e as próprias garotas. O maior desafio para essa professora será fazer com que suas alunas assumam sua identidade cultural como ser social e histórico em um dos momentos mais conservadores da história recente norte-americana.


Direito de Amar (A Single Man, EUA, 2009)

Sinopse: George (Colin Firth) é um professor de inglês, que repentinamente perde seu companheiro de 16 anos. Sentindo-se perdido e sem conseguir levar adiante sua vida, ele resolve se matar. Para tanto passa a planejar cada passo do suicídio, mas neste processo alguns pequenos momentos lhe mostram que a vida ainda pode valer a pena.  Os acontecimentos da vida privada do professor acontecem simultaneamente ao momento mais tenso da Guerra Fria, a Crise dos Mísseis de Cuba, e expõe, também, os efeitos do Macarthismo na sociedade norte-americana.


- Corrida Espacial 

Os Eleitos - Onde o Futuro Começa (The Right Stuff, EUA, 1983)

Sinopse: Ao tomar posse em 1960, John Kennedy promete que, no prazo de dez anos, um americano estará pisando na Lua. O filme é uma adaptação para o cinema do livro homônimo de Tom Wolfe de 1979 sobre os pilotos de testes que foram envolvidos na pesquisa aeronáutica de alta velocidade e cadencia na vida e na Edwards Air Force Base, bem como aqueles que foram selecionados para serem astronautas (Scott Carpenter, Gordon Cooper, John Glenn, Virgil Grissom, Walter Schirra, Alan Shepard e Donald Slayton) e motoristas de tratores mecânicos do Projeto Mercury, a primeira tentativa de voo espacial tripulado dos Estados Unidos.


Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures, EUA, 2017)

Sinopse: 1961. Em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética disputam a supremacia na corrida espacial ao mesmo tempo em que a sociedade norte-americana lida com uma profunda cisão racial, entre brancos e negros. Tal situação é refletida também na NASA, onde um grupo de funcionárias negras é obrigada a trabalhar a parte. É lá que estão Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), grandes amigas que, além de provar sua competência dia após dia, precisam lidar com o preconceito arraigado para que consigam ascender na hierarquia da NASA.


- Direitos Civis, Luta contra o Racismo

O Mordomo da Casa Branca (The Butler, EUA, 2013)

Sinopse: 1926, Macon, Estados Unidos. O jovem Eugene Allen vê seu pai ser morto sem piedade por Thomas Westfall (Alex Pettyfer), após estuprar a mãe do garoto. Percebendo o desespero do jovem e a gravidade do ato do filho, Annabeth Westfall (Vanessa Redgrave) decide transformá-lo em um criado de casa, ensinando-lhe boas maneiras e como servir os convidados.  Eugene (Forest Whitaker) cresce e passa a trabalhar em um hotel ao deixar a fazenda onde cresceu. Sua vida dá uma grande guinada quando tem a oportunidade de trabalhar na Casa Branca, servindo o presidente do país, políticos e convidados que vão ao local. Entretanto, as exigências do trabalho causam problemas com Gloria (Oprah Winfrey), a esposa de Eugene, e também com seu filho Louis (David Oyelowo), que não aceita a passividade do pai diante dos maus tratos recebidos pelos negros nos Estados Unidos.


Malcolm X (Malcolm X, EUA, 1992)

Sinopse: Biografia do famoso líder afro-americano (Denzel Washington) que teve o pai, um pastor, assassinado pela Klu Klux Klan e sua mãe internada por insanidade. Ele foi um malandro de rua e enquanto esteve preso descobriu o islamismo. Malcolm faz sua conversão religiosa como um discípulo messiânico de Elijah Mohammed (Al Freeman Jr.). Ele se torna um fervoroso orador do movimento e se casa com Betty Shabazz (Angela Bassett). Malcolm X ora uma doutrina de ódio contra o homem branco até que, anos mais tarde, quando fez uma peregrinação à Meca abranda suas convicções. Foi nesta época que se converteu ao original islamismo e se tornou um "Sunni Muslim", mudando o nome para El-Hajj Malik Al-Shabazz, mas o esforço de quebrar o rígido dogma da Nação Islã teve trágicos resultados.


Selma - Uma luta pela igualdade (Selma, EUA, 2014)

Sinopse: Cinebiografia do pastor protestante e ativista social Martin Luther King, Jr (David Oyelowo), que acompanha as históricas marchas realizadas por ele e manifestantes pacifistas em 1965, entre a cidade de Selma, no interior do Alabama, até a capital do estado, Montgomery, em busca de direitos eleitorais iguais para a comunidade afro-americana.


Histórias Cruzadas (The Helper, EUA, 2012)

Sinopse: Jackson, pequena cidade no estado do Mississipi, anos 1960. Skeeter (Emma Stone) é uma garota da sociedade que retorna determinada a se tornar escritora. Ela começa a entrevistar as mulheres negras da cidade, que deixaram suas vidas para trabalhar na criação dos filhos da elite branca, da qual a própria Skeeter faz parte. Aibileen Clark (Viola Davis), a emprega da melhor amiga de Skeeter, é a primeira a conceder uma entrevista, o que desagrada a sociedade como um todo. Apesar das críticas, Skeeter e Aibileen continuam trabalhando juntas e, aos poucos, conseguem novas adesões.


Mississípi em Chamas (Burning Mississipi, EUA, 1988)

Sinopse: Mississipi, 1964. Rupert Anderson (Gene Hackman) e Alan Ward (Willem Dafoe) são dois agentes do FBI que estão investigando a morte de três militantes dos direitos civis que tinham saído de Nova York para participar do chamado “Verão da Liberdade”, alistando eleitores negros do Sul para que pudessem exercer o seu direito de votar. As vítimas foram assassinadas em uma pequena cidade onde a segregação divide a população em brancos e pretos e a violência contra os negros é uma tônica constante.


Assassinato no Mississípi (Murder in Mississippi, EUA, 1990)

Sinopse: Em 1964, membros da Ku Klux Klan assassinaram três ativistas dos direitos civis que haviam viajado para o Sul para incentivar o registro de eleitores afro-americanos, no chamado “Verão da Liberdade”. Examina as últimas três semanas na vida dos ativistas mortos.


Ali (Ali, EUA, 2002)

Sinopse: Cassius Clay (Will Smith) era um grande lutador nos ringues de boxe e uma pessoa inteligente fora deles, onde impressionava pelo seu fácil palavreado. Ele logo se tornou uma das principais personalidades do esporte mundial nos anos 60, principalmente após se converter ao islamismo, trocar seu nome para Muhammad Ali e se recusar a lutar na Guerra do Vietnã.


Um Grito de Liberdade (Cry Freedom, Inglaterra/EUA/Itália/África do Sul, 1987)

Sinopse: Donald Woods (Kevin Kline) é editor chefe no jornal liberal Daily Dispatch na África do Sul. Ele tem escrito diversas críticas sobre a visão de Steve Biko (Denzel Washington) – militante negro que lutou contra o apartheid. Mas depois de conhecer Biko pessoalmente, ele muda de opinião. Eles passam a se encontram diversas vezes e isso significa que Woods e sua família começam a receber uma atenção especial da polícia. Quando Biko morre na prisão, Woods escreve uma biografia do militante. Porém, a única forma de ter seu livro publicado é saindo do país.


- Biografia

Che (Che, Espanha/França/EUA, Duas partes, 2008)

Sinopse: 26 de novembro de 1956. Fidel Castro (Demián Bichir) viaja do México para Cuba com oito rebeldes, entre eles Ernesto “Che” Guevara (Benicio Del Toro) e seu irmão Raul (Rodrigo Santoro). Guevara era um médico argentino, que tinha por objetivo ajudar Castro a derrubar o governo de Fulgêncio Batista. Ao chegar ele logo se integra à guerrilha, participando da luta armada mas também cuidando dos doentes. Aos poucos ele ganha o respeito de seus companheiros, torna-se um dos líderes da revolução que está por vir.  Parte 1: O Argentino.  Parte 2: Guerrilha.


O Último Rei da Escócia (The Last King of Scotland, EUA/Inglaterra, 2006)

Sinopse: Nicholas Garrigan (James McAvoy) é um elegante médico escocês, que deixou recentemente a faculdade. Ele parte para Uganda em busca de aventura, romance e alegria, por poder ajudar um país que precisa muito de suas habilidades médicas. Logo após sua chegada Nicholas é levado ao local de um acidente bizarro, onde o líder recém-empossado do país Idi Amin (Forest Whitaker), atropelou uma vaca com seu Maserati. Nicholas consegue dominar a situação, o que impressiona Amin. Obcecado com a cultura e a história da Escócia, Amin se afeiçoa a Nicholas e lhe oferece a oportunidade de ser seu médico particular. Ele aceita a oferta, o que faz com que passe a frequentar o círculo interno de um dos mais terríveis ditadores da África.


- Guerra do Vietnã, Pacifismo, Contracultura 

Hair (Hair, EUA, 1979)

Sinopse: Claude (John Savage), um jovem do Oklahoma que foi recrutado para a guerra do Vietnã, é "adotado" em Nova York por um grupo de hippies comandados por Berger (Treat Williams), que como seus amigos tem conceitos nada convencionais sobre o comportamento social e tenta convencê-lo dos absurdos da atual sociedade. Lá Claude também se apaixona por Sheila (Beverly D'Angelo), uma jovem proveniente de uma rica família.  Usando a música e a questão da Guerra do Vietnã, o filme discute várias questões como contracultura, racismo, direitos das mulheres, pacifismo etc. 


- Fim da Guerra Fria, Colapso do Bloco Soviético

Adeus, Lênin (Good Bye, Lenin!, Alemanha, 2003)

Sinopse: A história conta a vida de uma mulher (Katrin Saß), fervorosa militante comunista, que entrou em coma antes do fim da Guerra Fria e só acordou meses depois. Seu filho (Daniel Brühl) recebe o aviso do médico: a mãe não pode passar por muitas emoções. A queda do muro de Berlim e o fim do regime soviético certamente seriam fortes emoções e o rapaz agora tem de esconder da mãe que sua amada “Alemanha Oriental” não mais existia.  Adeus, Lênin mostra de forma sutil e perspicaz detalhes de como era essa divisão entre as Alemanhas e como a política do período alterava o dia a dia das pessoas comuns na Europa.


- Ficção Científica, Fantasia, História Alternativa

A Hora Final (On the Beach, EUA, 1959)

Sinopse: Em 1964 alguém, em algum lugar, apertou o botão e começou Terceira Guerra Mundial. A Austrália sobreviveu à guerra, temporariamente. A radiação está vindo e o fim é inevitável. Um submarino americano sob o comando do capitão Dwight Towers (Gregory Peck) encontra na Austrália um lugar onde sua tripulação pode provisoriamente viver, mas o tempo é curto e para Dwight não resta quase nada, pois já perdeu sua mulher e filhos no Holocausto. Dentro deste contexto o capitão Towers conhece Moira Davidson (Ava Gardner) e ambos se apaixonam.


Watchmen – O Filme (Watchmen, EUA, 2009)

Sinopse: Em 1977 foi aprovada pelo congresso norte-americano a Lei Keene, que proibia as atividades de mascarados no combate ao crime. Isto fez com que vários super-heróis deixassem a carreira, como o Coruja (Patrick Wilson) e Espectral (Malin Akerman). Outros, como o Comediante (Jeffrey Dean Morgan) e o Dr. Manhattan (Billy Crudup), passaram a trabalhar para o governo. Dois anos antes da implementação desta lei Adrian Veidt (Matthew Goode) decidiu revelar sua identidade como Ozymandias, dedicando-se a partir de então na construção de um império econômico. Em 1985 o mundo vive o clima da Guerra Fria, no qual um ataque nuclear pode acontecer a qualquer momento, vindo dos Estados Unidos ou da União Soviética. Neste clima de tensão política Edward Blake, o Comediante, é assassinado. Em seu funeral comparecem, em momentos diversos, seus antigos companheiros. Entre eles está Rorschach (Jackie Earle Haley), que acredita que sua morte seja o indício da existência de um assassino de mascarados.


X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class, EUA, 2011)

Sinopse: No início dos anos 1960, durante o auge da Guerra Fria, um mutante chamado Charles Xavier (James McAvoy) conhece um colega mutante chamado Erik Lehnsherr (Michael Fassbender). Apesar de suas origens muito diferentes - Charles cresceu com uma família rica, enquanto Erik perdeu seus pais em Auschwitz - os dois se tornam amigos íntimos. Enquanto o mundo está à beira de uma guerra nuclear, Charles e Erik, com outros mutantes, unem forças para salvar a humanidade.  Mas seria essa aliança duradoura?


A Forma da Água (The Shape of Water, EUA, 2017)

Sinopse: Década de 1960. Em meio aos grandes conflitos políticos e transformações sociais dos Estados Unidos da Guerra Fria, a muda Elisa (Sally Hawkins), zeladora em um laboratório experimental secreto do governo, se afeiçoa a uma criatura fantástica mantida presa e maltratada no local. Para executar um arriscado e apaixonado resgate ela recorre ao melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e à colega de turno Zelda (Octavia Spencer).

quinta-feira, abril 12, 2018

A Revolução Mexicana no Cinema


A Revolução Mexicana foi um episódio da história que passou a fazer parte do imaginário ocidental e, como tal, foi visitada pelo cinema várias vezes.  O primeiro filme, Pátria (EUA), data de 1917. Pancho Villa fez 37 aparições no cinema, Zapata foi interpretado 11 vezes.  Viva Villa! (EUA) foi indicado ao Oscar de melhor filme em 1934.  

¡Que viva México!, de Sergei Eisenstein, o olhar soviético sobre a Revolução, foi  filmado entre 1930-32, e lançado somente em 1979.  Viva Zapata! (1952), com Marlon Brando,  recebeu vários prêmios. 


Muitos faroestes americanos e italianos têm a Revolução como pano de fundo, caso de foi Meu Ódio Será Sua Herança (1969).  Outros destaques são:  Como Água para Chocolate (1992, Mex/EUA), Gringo Velho (1989), E Estrelando Pancho Villa (2003).

Não tenho conhecimentos sobre o que o cinema e a TV mexicana produziram sobre o tema, no entanto, este artigo (em espanhol) traz alguma sugestões de filmes mexicanos sobre a Revolução.  Interessante é que o cinema mexicano parece se preocupar muito mais em retratar a participação das soldaderas, mostrando como as mulheres pegaram em armas pelos ideais da Revolução.


Outra sugestão de leitura é o artigo do Opera Mundi sobre o cinema e a Revolução Mexicana.


quarta-feira, março 07, 2018

Cinema História & Literatura: Guerra de Canudos


Dia 08 de março, 13h30, será exibido o filme Guerra dos Canudos.  Todos/as os/as alunos/as do terceiro ano estão convidados.  O aulão e discussão do filme com História, Literatura e Geografia será feito no dia 09, sexta-feira.



Diretor: Sérgio Rezende


Elenco: José Wilker, Cláudia Abreu, Paulo Betti, Marieta Severo, Selton Mello, José de Abreu, Roberto Bomtempo, Tuca Andrada, Tonico Pereira, Dody Só.

"Em 1893, Antônio Conselheiro (José Wilker) e seus seguidores começam a tornar um simples movimento em algo grande demais para a República, que acabara de ser proclamada e decidira por enviar vários destacamentos militares para destruí-los. Os seguidores de Antônio Conselheiro apenas defendiam seus lares, mas a nova ordem não podia aceitar que humildes moradores do sertão da Bahia desafiassem a República. Assim, em 1897, esforços são reunidos para destruir os sertanejos. Estes fatos são vistos pela ótica de uma família com opiniões conflitantes sobre Conselheiro." (Adoro Cinema)


Caso você não possa estar presente, pode assistir o filme on line aqui.

sábado, outubro 21, 2017

Documentário: Militares da Democracia: os militares que disseram NÃO


Para quem quiser assistir, segue o link no Youtube do documentário Militares da Democracia: os militares que disseram NÃO.  Lançado em 2014, ele passa em revista a situação dos militares que se opuseram ao Golpe Civil-Militar de 1964, ou foram identificados de alguma forma como traidores, ou comunistas.  


Direção: Silvio Tendler 
Lançamento: 01 de abril de 2014
Duração: 100 minutos
Sinopse: Eles lutaram pela Constituição, pela legalidade e contra o golpe de 1964, mas a sociedade brasileira pouco ou nada sabe a respeito dos oficiais que, até hoje, ainda buscam justiça e reconhecimento na história do país. Militares da Democracia resgata, através de depoimentos e registros de arquivos, as memórias repudiadas, sufocadas e despercebidas dos militares perseguidos, cassados, torturados e mortos, por defenderem a ordem constitucional e uma sociedade livre e democrática.
Fonte: Filmow

terça-feira, março 21, 2017

A Revolução Russa no Cinema e na TV


A Revolução Russa inspira paixões e discordâncias, a filmografia sobre este evento se concentra ou nos dramas coletivos, ou nos sofrimento e trajetória dos indivíduos da nobreza ou da burguesia que perderam status e poder durante o turbilhão político. A disponibilidade de títulos, no entanto, não é muito grande.  Seguem algumas sugestões:

O Encouraçado Potemkin (Броненосец Потёмкин), 1925, Sergei Eisenstein.


A Greve (Стачка),1925, Sergei Eisenstein.


Outubro (Октябрь), 1927, Sergei Eisenstein.


Rasputin (Rasputin), 1996, diretor: Uli Edel.



Nicolau e Alexandra (Nicholas and Alexandra), 1971, diretor: Franklin J. Schaffner.



O Almirante (Адмиралъ), 2008, diretor: Andrei Kravchuk.



Doutor Jivago (Doctor Zhivago), 1965, diretor: David Lean.



Doutor Jivago (Doctor Zhivago), 2002, diretor: Giacomo Campiotti.



Reds (Reds), 1981, diretor: Warren Beatty




A Revolução dos Bichos (Animal Farm), 1999, diretor: John Stephenson.



sexta-feira, março 18, 2016

Filmes e Seriados sobre a I Guerra Mundial - Sugestões


A Primeira Guerra Mundial foi abordada pelo cinema e pela TV inúmeras vezes.  Alguns filmes foram baseados nos relatos dos soldados, outros, em obras da literatura.  Americanos, britânicos, franceses, alemães, todos falaram da guerra. Seguem algumas sugestões:


Glória Feita de Sangue (Paths of Glory), 1957, diretor: Stanley Kubrick.



Juventudes Roubadas (Testament of the Youth), 2015, diretor: James Kent.



Feliz Natal (Joyeux Noël), 2005, diretor: Christian Carion.



Nada de Novo no Front (All Quiet on the Western Front), 1979, diretor: Delbert Mann.



Flyboys (Flyboys), 2006, diretor: Tony Bill.



Barão Vermelho (Der rote Baron), 2010, diretor: Nikolai Müllerschön.



Crepúsculo das Águias (The Blue Max), 1966, diretor: John Guillermin.



Cavalo de Guerra (War Horse), 2012, diretor: Steven Spielberg.



Gallipoli (Gallipoli), 1981, diretor: Peter Weir.



A Batalha de Passchendaele (Passchendaele), 2008, diretor: Paul Gross.


O Último Batalhão (The Lost Battalion), 2001, diretor: Russell Mulcahy.



O Olhar da Morte (Deathwatch), 2002, diretor: Michael J. Bassett



A França (La France), 2007, diretor: Serge Bozon.



Parade's End, 2012, BBC, diretora: Susanna White.



Birdsong, 2012, BBC, diretor: Philip Martin.



Downton Abbey, 2011, ITV, segunda temporada, diversos diretores.

terça-feira, fevereiro 23, 2016

Assistir Canudos on line


Para quem não pode estar presente à exibição do filme Canudos no auditório, é possível assistir ao filme na internet, há  programas que possibilitam baixá-lo direto do Youtube (Atube, Free Youtube Downloader, entre outros).  Para quem quiser, basta clicar no player abaixo ou se dirigir direto ao Youtube:

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Cinema e História: A Guerra de Canudos


Quarta-feira, 17 de fevereiro, o filme A Guerra de Canudos (1997) será exibido para os alunos e alunas do Terceiro Ano, às 13h30, no auditório.  O filme faz parte das atividades de História e Literatura Brasileira e faremos um debate sobre o filme.  Todos estão convidados!  Segue a sinopse e os dados técnicos: 



Diretor: Sérgio Rezende
Elenco: José Wilker, Cláudia Abreu, Paulo Betti, Marieta Severo, Selton Mello, José de Abreu, Roberto Bomtempo, Tuca Andrada, Tonico Pereira, Dody Só.

"Em 1893, Antônio Conselheiro (José Wilker) e seus seguidores começam a tornar um simples movimento em algo grande demais para a República, que acabara de ser proclamada e decidira por enviar vários destacamentos militares para destruí-los. Os seguidores de Antônio Conselheiro apenas defendiam seus lares, mas a nova ordem não podia aceitar que humildes moradores do sertão da Bahia desafiassem a República. Assim, em 1897, esforços são reunidos para destruir os sertanejos. Estes fatos são vistos pela ótica de uma família com opiniões conflitantes sobre Conselheiro." (Adoro Cinema)

domingo, março 04, 2012

Cinema & História: A Dama de Ferro



Hoje à tarde finalmente consegui assistir A Dama de Ferro. Apesar de já ter o filme no meu HD, fui ao cinema acreditando que poderia, sim, ser um bom filme. Enfim, se eu tivesse que resumir em uma palavra The Iron Lady seria engodo. Antes que alguém se espante, afinal, Meryl Streep levou o Oscar, explico que são coisas diferentes. O desempenho da atriz, assim como o de Jim Broadbent, que faz o marido da Primeira-Ministra, é soberbo, mas o filme deixa muito, muito, muito a desejar. Tentarei explicar de forma bem econômica: não se deixe enganar pelo trailer, pois você não vai ver um filme sobre Thatcher, a Dama de Ferro, mas sobre as reminiscências de uma velhinha solitária e perdendo a sanidade. Gato por lebre, acredite. No entanto, vou tentar observar o filme por vários ângulos, afinal, não considero a película de todo ruim.

Margaret Thatcher merece um lugar na História, afinal, conseguiu ser a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra em um país ocidental (foi precedida por Golda Meir em Israel e Indira Gandhi na Índia) e o político a permanecer por mais tempo nessa função durante o século XX, governando de 1979 até 1990. Ela foi tão icônica, que há uma anedota inglesa sobre o menininho que perguntou ao professor de História se homens podiam ser primeira-ministra. Vejam bem, que até a eleição de Dilma, muita gente dizia que uma mulher jamais seria eleita para o cargo ou que teríamos que esperar umas boas décadas. Thatcher é, portanto, uma personagem muito importante quando se pensa em mulheres ocupando o comando de nações. Antes que alguém fale que a Inglaterra tem e teve rainhas, vale lembrar que, até a recente lei que acaba com a primazia masculina, rainhas na Inglaterra eram um acidente, elas estão lá porque, por azar, nenhum menino nasceu antes ou depois delas. Triste, não é?

Só que a mesma Thatcher se comportou como qualquer outro político conservador, ou até mais ainda, porque talvez tenha ajudado a redefinir as políticas do partido, atacando sindicatos, cortando direitos sociais, favorecendo a concentração de renda, reprimindo violentamente os irlandeses, privatizando a economia inglesa, mostrando desprezo pelos milhares de desempregados. Aliás, quando ministra da educação, ela cortou o leite das criancinhas. Para que, não é? Precisamos economizar. Thatcher junto com Ronald Reagan são os maiores responsáveis pela imposição das políticas neoliberais. Os frutos estão seno colhidos agora. Há melhor momento para se fazer um filme sobre Thatcher? Se o filme fosse abordar essas questões seriamente, mas não foi bem o caso.

A Dama de Ferro tem como foco principal a senil ex-primeira-ministra da Inglaterra. As memórias da sua trajetória política são fragmentadas e pontuadas com alucinações nas quais ela imagina que seu marido, Denis Thatcher (Jim Broadbent), ainda está vivo. Tudo que vemos do tempo de Thatcher adolescente, postulante à carreira política, mãe, ministra da educação, primeira-ministra é flashback. E tudo, como já pontuei, muito fragmentado. Quando a gente começava a gostar e, caramba, ame ou odeie Thatcher, ela foi impressionante e interpretada por Meryl Streep... a cena era cortada e voltávamos para a velhinha debilitada, sua solidão, sua saudade do marido, etc., etc. Assim, um balde d'água fria. Os trailers de A Dama de Ferro fazem parte do engodo. Eu cheguei em casa e fui assistir todas as versões que encontrei. Procure a Thatcher idosa. Ela aparece muito rapidamente, nunca vemos uma cena dela. Parece até "pegadinha do malandro".

Se eu tivesse ido ao cinema ver um filme sobre a solidão da velhice, sobre a incapacidade da nossa sociedade atual em valorizar o passado, sobre a dificuldade em se perder alguém que se ama, OK. Só que o trailer e as críticas me venderam que era um filme sobre A Dama de Ferro. Mesmo a entrevista com a Meryl Streep, que coloquei aqui no blog, não deixou claro que o fio condutor seria a mulher senil. Sabia da cena de Thatcher comprando leite, mas acreditava que essa faceta da personagem, que, aliás, ainda está muito viva, seria detalhe. Só que não é. Como representação da velhice, da angustia do esquecimento e da saudade, o filme é bom. No entanto, o filme é sobre Margaret Thatcher e a todo instante somos levados a esquecer disso... Só que paguei ingresso para ver a política aguerrida e insensível para com as questões sociais. Cadê? Vendo o filme, entendi perfeitamente porque não foi indicado para Melhor Filme, Roteiro ou Direção (*OK, a diretora é mulher, provavelmente ficaria de fora mesmo...*) . Simplesmente, não merecia.

Como a longa trajetória política de Thatcher como primeira-ministra é detalhe, algumas questões não são tocadas, como a aliança com Ronald Reagan (*Ah! Mas eles aparecem dançando!*), o fim da Guerra Fria (*mas é dito que a primeira-ministra quer acabar com ela!*) e a questão irlandesa. Por que eles estavam fazendo atentados mesmo? Por que tentaram matar a Primeira-Ministra e seu marido fofo? O filme não explica. Parecem omissões propositais, especialmente, o caso Reagan. De resto, a trajetória política e mesmo a vida de Thatcher é mostrada como memória fragmentada. Sabemos que desde cedo ela se interessa por política, que seu pai era atuante em sua cidade, que ele a incentivava, enquanto sua mãe a puxava para a cozinha. Sabemos que ela era pobre, que teve que se esforçar para conseguir ir para Oxford. Mas o que ela estudou mesmo? Daí, pulamos para o início de sua carreira política e seu encontro com o marido. E vamos de salto em salto. Opção? Sim, mas quem saiu perdendo foi o filme. O destaque maior desses saltos são as cenas de arquivo mostrando as manifestações, os embates entre manifestantes e a polícia, e a violência da repressão.

O desempenho de Meryl Streep como Thatcher foi soberbo. Algumas cenas, são fantásticas, mas o mérito é dela, não do roteiro ou da direção. Eu não lembrava bem da forma como Thatcher falava. Achei a entonação de Streep bem irritante, menos, depois que ela passa a ser treinada para se candidatar à chefia do partido conservador, mas era exatamente assim que Thatcher falava. Olhem só esse vídeo. Streep deu o seu máximo para conseguir dar vida à Margaret Thatcher e à velhinha inventada para o filme. Sim, inventada, porque Streep diz que Thatcher e seus familiares não colaboraram com o filme e que essa parte dependeu muito da sua interpretação. Streep interpreta Thatcher adulta e idosa, e a maquiagem só serviu para acentuar seu desempenho. Já a Thatcher jovem foi muito bem interpretada por Alexandra Roach. Mas além de Streep, quem arrasou foi Jim Broadbent, ele merecia ser indicado como coadjuvante.

Antes do fim resta tocar em uma questão importante. Há quem esteja querendo vender Thatcher como um modelo para as mulheres. Outros se preocupam com a suposta tentativa do filme em fazer dela um ícone feminista. Thatcher é importante para as mulheres, aliás, escrevi isso lá no início do texto. Ela abriu caminho e é tão simbólica como Obama nos EUA, ou Dilma aqui. Isso quer dizer que ela era feminista? Não. E o filme não a vende assim. Aliás, há uma cena em que Thatcher idosa mostra desprezo pela fala de uma mulher que diz que ela foi inspiradora para as mulheres e para ela. Thatcher no filme estava interessada em vencer e chegar o mais longe possível, afinal, ela tinha sido estimulada desde cedo pelo pai. Ela não questiona os papéis das mulheres, ela os despreza, ela prefere os homens. Prestem atenção na questão das xícaras. É algo fundamental para se entender o caráter dela. Thatcher não estava pensando em mudar o lugar que as mulheres – a maioria delas, pelo menos – ocupavam na sociedade, ela simplesmente não queria ocupá-lo. Vencer, dependeu dela mesma. É isso que o filme vende. Aliás, ela é a self made woman, no máximo, ela dá algum crédito ao pai, de resto, ela chegou lá por seus esforços.

Agora, como o filme foi feito pro mulheres, a diretora (Phyllida Lloyd) e a roteirista (Abi Morgan) não deixam de discutir questões de gênero. Adolescente, Thatcher é puxada pela mãe para as prendas domésticas. Candidata a primeira vez, ela é tratada com complacência e desprezo porque reúne três estigmas, é mulher, é jovem, e tem origem nas classes trabalhadoras. Depois, no Parlamento, ela é sempre mostrada como única entre homens e a sala das deputadas é minúscula e tem uma tábua de passar ocupando boa parte do espaço. E para achar um banheiro? Como Ministra, é acusada de histérica, afinal, ela é mulher, é a acusação machista mais fácil. Quando no caso das Malvinas, ela diz ao Embaixador Americano que esteve em guerra sua vida inteira. Sim, mesmo quando uma mulher na política, ou um gay, ou outra minoria qualquer, levam à sério seu papel, mesmo quando não levantam bandeiras sociais, eles sofrem. Sofrem somente por estarem lá. E eu não tenho dúvidas que Thatcher levava seu papel á sério, ainda que eu não concorde com a forma como ela conduzia a sua política. Agora, cortaram uma cena que aparece no trailer, quando Thatcher à frente de um bandão de chefes de Estado – todos homens – diz "Gentlemen, let's join the ladies!". Sim, porque ela, Thatcher, podia ser mulher, mas não era uma das "ladies", ela era única, pois tinha invadido o "clube do bolinha". Essa cena precisava estar no filme para fazer par com a outra, lá do início do filme, quando a jovem candidata Thatcher é obrigada a "se juntar às damas", enquanto os homens conversam coisas sérias, ou seja, política e economia. :)

O filme, claro, cumpre a Bechdel Rule. Há várias mulheres personagens, com nomes, e que conversam entre si e não é para falar de algum homem. Isso é importante, porque, como pontuei, Thatcher tem como seus grandes parceiros em tela homens, seu marido e os políticos. Ainda assim, a diretora e a roteirista cuidaram de colocar outras mulheres em cena. O destaque para a filha de Thatcher e a governanta. Enfim, se você quiser ver um filme melancólico sobre a velhice sem se importar que a velhinha é Thatcher, esse filme é para você. Se é fã de Meryl Streep, que conseguiu levar o Oscar dessa vez, não pode deixar de assistir. Agora, se quiser saber sobre os anos que antecederam a subida de Thatcher ao poder, sua política e seus desdobramentos, melhor pegar Billy Elliot, Ou Tudo ou Nada, ou ainda Em Nome do Pai. E, claro, a miséria do neoliberalismo está aí para quem quiser ver nos jornais. O importante, no entanto, é tentar separar a antipatia (*ou simpatia*) em relação à personagem Margaret Thatcher, da percepção geral do filme. Infelizmente, pelo que observei, muita gente não está conseguindo fazer isso.
P.S.: As legendas estavam horríveis. Um dos piores trabalhos de tradução/adaptação dos últimos tempos. Para quem não entendia inglês, houve muita informação perdida. Como é possível oferecer um serviço tão ruim aos consumidores?

sexta-feira, outubro 15, 2010

Falando de Cinema no Dia dos Professores


Há três filmes de que sempre lembro no dia dos professores. Não, não... Não é nem Sociedade dos Poetas Mortos, um filme que eu adoro, mas que é filme para aluno, não para professor. Chorei muito com ele na adolescência, hoje, já não consigo.. Afinal, o que acontece depois que os sujeitos sobem na mesa? Eles rompem? Eles se submetem? O professor é somente uma ferramenta, não é o centro da coisa, o centro são os alunos. Também não é o excelente, Ao Mestre com Carinho, porque é quase o mesmo, só que com garotos e garotas pobres (*e um Sidney Poitier lindo*). Eu quero lembrar hoje de filmes que me falam como professora: O Clube do Imperador, A Primavera de uma Solteirona e o depressivo Nunca Te Amei.


O primeiro, O Clube do Imperador (The Emperor’s Club), tem como professor, e de História, ou de História da Civilização Ocidental, como é bem colocado, o excelente Kevin Kline. As aulas dele são decoreba pura, definitivamente, não é o tipo de aula de História que te daria aprovação em um curso de prática de ensino de História... não na UFRJ quando eu me formei. Claro, mas ele é o sujeito que diz para os alunos que se eles não fizerem diferença no mundo que graça tem viver? “Grande ambição e conquista sem contribuição é algo sem significado. Qual será a sua contribuição? Como a História lembrará de vocês?” E ele tinha uma placa com uma inscrição na entrada da sala sobre um rei poderoso, mas hoje esquecido. O problema desse sujeito é que ele coloca na cabeça, como tantos de nós, e aí está a mensagem para os professores, de que ele está na sala de aula para salvar gente. Escolhe um garoto problema, mas em quem ele vê potencial, coloca na cabeça que o rapaz é um incompreendido, e mesmo quando ao pai do rapaz, um senador do mal, joga na cara dele que a função do professor não é “educar”, mas ensinar História, ele não se dá por vencido. E chega a burlar as regras para ajudar o seu aluno que parece responder ao esforço dele. PARECE! Prejudica incusive outro aluno, só que bonzinho, esforçado, mas tímido e sem brilho, porque, bem, ele não precisa de ajuda, ele já é um cara legal. OK! Mas eis que "a casa cai" e ele descobre que você só ajuda alguém, especialmente um adolescente ou um adulto, se ele também quiser ser ajudado. A decepção do professor é enorme, mas, ainda bem, o filme não termina ali. Temos um salto de quase vinte anos... Ah, assista o filme! ^_^

Infelizmente, a nossa formação profissional ainda está carregada daquele peso de sacerdócio: o professor ou professora é o salvador. E não importa se em escola de elite ou de periferia, você está lá para SALVAR seus alunos da sociedade, dos pais, ou deles mesmos! Isso te dá uma aura de herói ou santo, ajuda a esquecer o péssimo salário, o desrespeito, porque você tem uma missão. E na ânsia de salvar, pode fazer como a personagem de Kevin Kline, escolher o problemático que quer continuar assim, tratá-lo somente como vítima da sociedade e deixar de investir, sim, no bom aluno sem graça, tímido, talvez não tão brilhante. Pense em Morita e Takemoto de Honey & Clover e você vai entender. Eu aprendi uma lição com o Clube do Imperador e chorei pra caramba. Eu gosto mais dele do que de Sociedade dos Poetas Mortos. Muito mais mesmo!


O segundo filme, A Primavera de uma Solteirona (The Prime of Miss Jean Brodie), protagonizado pela magnífica Dame Maggie Smith, mais conhecida dos jovens por fazer outra professora Minerva McGonagall de Harry Potter. Ela levou o Oscar por este filme que se passa em Edimburgo, Escócia, em 1936. Miss Jean Brodie é uma professora de História cheia de vida, cheia de idéias, moderna, apaixonada por sua profissão, feminista e simpatizante do facismo. A diretora quer se livrar dela, mas Miss Brodie sempre escapa com tiradas fenomenais, suas frases ao longo do filme (*o livro eu ainda não terminei de ler*). são uma delícia. A única coisa que a diretora pode fazer é colocá-la dando aula para as meninas menores, assim, ela não poderia influenciar as adolescentes, essas, sim, criaturas susceptíveis. Eis o grande engano cometido até hoje, dar aula para crianças é algo muito sério, mas há quem ache que é um trabalho menor, que qualquer um pode fazer. Miss Brodie sabe disso que não é assim, ela exerce fascínio sobre as meninas e seleciona todos os anos um grupo de alunas que serão o créme-de-la-créme. E o que as meninas precisam fazer para serem escolhidas? A rigor nada, porque Miss Brodie é capaz de lhes enxergar a alma. E quem não é escolhida, bem, é porque ela não quis! A comparação entre Jean Brodie e Deus para o Calvinismo é perfeita! Muriel Spark, a autora, como ex-calvinista, entendia bem a coisa. Miss Brodie é terrível e, ao mesmo tempo fantástica, ela consegue enredar as meninas que se sentem felizes, conversa com elas como se fossem adultas, mas tenta manobrar as suas vidas. E, claro, vem a tragédia, pois uma das meninas morre, e Miss Brodie perde tudo, suas meninas, e seu emprego.

Eu não consigo não gostar dela, mas há tantos professores assim por aí, que usam do seu lugar para exercer influencia sobre os alunos e alunas. Eu tive um professor monarquista – só para ilustrar como minha vida é cheia de situações inusitadas, citar professor de esquerda é fácil, eu tive a minha cota de fascistas, também, sabe? – que em 1991 conseguiu convencer um monte de alunos da turma de que o Regime Monárquico era o mais perfeito, o ideal, e que a República só tinha trazido danos ao Brasil. Depois da proclamação da República seguimos com a família real para a Europa no exílio. Como ele era um sujeito com um discurso bem articulado, convenceu muita gente. Na 5ª série tive uma professora de Matemática que defendeu Hitler e o Holocausto em sala de aula, no 1º ano, minha professora de História, que era negra, era apaixonada por Mussolini. As duas, no entanto, não eram lá muito amadas por nós, daí, acho que o estrago foi muito pequeno. Eu nunca tive uma Miss Brodie como professora no ginásio, mas acho que se tivesse, cairia sob seu encanto, sem dúvida.

O último professor do dia é Nunca te Amei (The Browning Version) protagonizado por Albert Finney no papel do professor de grego e latim para a 5ª série Andrew Crocker-Harris. Nunca te Amei se passa em uma escola de elite tradicional, como os dois anteriores, na qual os meninos para estudarem ciências precisam vencer um ano de estudos clássicos. Os meninos odeiam o professor que é gentilmente chamado de “Hitler da 5ª série”. E ele é desagradável, os próprios colegas fingem que gostam dele, e a esposa o trai com o divertido professor de ciências, o adorável Mathew Modine. Tudo vai em tom muito depressivo até que Crocker-Harris descobre que será aposentado compulsoriamente, provavelmente sem direito à pensão, e substituído por um professor mais jovem, pois a escola vai reformar o currículo e tirar os clássicos para introduzir línguas modernas. É o fim de sua carreira e o desprezo que demonstram por ele é enorme. O professor tem uma última missão, dar a recuperação para um garoto, o tal Browning do título original, que parece ser, pasmem, o único aluno que gosta dele. E o menino gosta mesmo, admira a inteligência do professor, consegue até achar interessantes as aulas de recuperação em grego e escreve uma versão tipo Cavaleiros do Zodíaco para a peça Agamenon (*é o trabalho de recuperação*) que deixa o sisudo professor deslumbrado.


Só que o menino descobre que a mulher de Crocker-Harris o trai com o professor de ciências, que é o ídolo de todos. E a mulher do professor, que andava espantada com o bom humor do marido graças ao menino, descobre que ele descobriu. Daí, ela envenena o professor contra o aluno. E a depressão retorna. O discurso final, não encontrei o trailer no Youtube, mostra o professor jogando no ventilador toda a sua frustração, a dor de ter sido desprezado pelos colegas, mas pedindo perdão aos alunos, porque ele toma consciência de que ele nunca amou as aulas que deu, então, como os alunos poderiam amar? Como achar graça? Como estudar? Ser professor tinha sido um peso em sua vida e um estrago para gerações de meninos. É um belo e triste filme. Mas quanta gente está causando estrago na sala de aula? É infeliz e leva sua infelicidade para a vida de tantos meninos e meninas por aí, e tudo porque "professor sempre vai ter emprego" ou "qualquer um pode ser professor". Crocker-Harris é o professor que a gente não deseja ser. É isso, Nunca te Amei, a versão que assisti, não saiu ainda em DVD no Brasil, mas vale a pena.

Se ainda sobrar um espaço, peguem a epopéia da professora mais determinada de todos os tempos, O Milagre de Anne Sullivan (The Miracle Worker). Aqui, a professora é a heroína, a “fazedora de milagres” que trouxe para o mundo uma menina cega e surda, a jovem Hellen Keller. Este saiu recentemente em DVD no Brasil. Mas aviso logo que ser Anne Sullivan é para muito poucos. Com certeza, eu não conseguiria fazer o que ela fez. Ah, sim! E se você odeia seus professores e a escola, a sugestão é o libertador IF. Sucesso de público quando eu estava no 1º ano. Foi surpresa descobrir que mesmo sendo um filme alternativo e passando tarde da noite, muitos de meus colegas asssitiram. Mas, é isso! Feliz Dia das Professoras e dos Professores para vocês! Quem puder, contribua para o nosso Shoujocast especial.

sábado, setembro 11, 2010

Hypatia de Alexandria: Inimiga Pública



Desde que li a primeira vez sobre Hypatia de Alexandria fui tomada de grande fascinação por ela. Daria um ótimo filme... Daí, o anúncio do filme Ágora, ainda inédito no Brasil, me fez ficar atenta a tudo que aparecia sobre ela. Pois bem, eu já assisti o filme, não acredito que ele será lançado em cinema por aqui, e pretendo fazer uma resenha. Mas comprei o nº499 da revista espanhola Historia Y Vida e havia um perfil curto sobre Hypatia. A revista chega com meses de atraso no Brasil, então, deve ter sido da época do lançamento na Espanha. Achei que valia a pena traduzir e colocar no blog. Pretendo passar para os meus alunos e alunas da faculdade na semana que vem. Segue o texto traduzido:

Inimiga Pública

Hipatia, resgatada pelo cinema por Amenábar, pecou por ser pouco convencional em tempos ultraortodoxos

Nicolás Brihuega, Historiador

Tanto por sua formação intelectual quanto por sua trágica morte, Hypatia de Alexandria é provavelmente a mais célebre de todas as mulheres que dedicaram a sua vida à ciência na Antigüidade. Dela possuímos dados suficientes para traçar uma biografia fidedigna. Ainda se desconhece a data exata de seu nascimento (são possíveis os anos de 350, 370 ou 375 d.C.), a de sua morte não representa dúvidas: foi assassinada no ano de 415. A Alexandria de sua época era uma cidade cosmopolita como nenhuma outra, um formigueiro de religiões competia para ganhar adeptos. De todas elas, a cristã, como religião oficial do Império Romano, perseguia o objetivo de eliminar os outros cultos. O paganismo, junto com as heresias que se afastavam do credo oficial, era o grande inimigo a bater.

Com este pano de fundo tão desfavorável para os cultos tradicionais, Hypatia exerceu o cargo de diretora da Biblioteca, instituição pagã por excelência. E o fez graças a sua formação cultural modelar. Seu pai, o filósofo e matemático Téon, se preocupou, contra o que era o padrão daqueles tempos, que sua educação fosse de primeira linha. Baseou sua preparação em um profundo conhecimento da filosofia, da astronomia e das matemáticas.

O modo de vida realmente original de uma mulher como Hypatia não passava despercebido a ninguém, provocando muita suspeita, em especial entre as autoridades da Igreja. Hypatia não era uma pessoa a quem interessavam os bens materiais. Se vestia humildemente, se alimentava de forma espartana e se cobria com o tribón, o manto tradicional dos filósofos. Sua fama ultrapassava fronteiras. Atenas, a antiga capital da filosofia, lhe concedeu a coroa de louros, uma distinção honorífica que era entregue aos intelectuais de maior prestígio e aos seus cidadãos prediletos.

No ano de 390, o bispo Teófilo (inimigo declarado do paganismo) ordenou a destruição dos templos gregos, inclusive a maravilhosa Biblioteca, com todo o seu conteúdo de livros “ímpios”. Se havia alguém que despertava o ódio doentio do bispo, esta era Hypatia. Ninguém como ela conhecia e explicava a Aritmética de Diofanto, um tratado sobre equações de primeiro e segundo grau. Seus conhecimentos de astronomia foram fundamentais para a invenção do astrolábio plano, empregado para medir a posição das estrelas, os objetos celestes e o sol, além de calcular o tempo e o signo ascendente do zodíaco.

O sucessor de Teófilo no episcopado alexandrino não seria mais tolerante. Se tratava de seu sobrinho Cirilo. O novo bispo desejava que a cidade fosse plenamente cristã e não teve dúvidas em se rodear de uma brutal guarda pretoriana, os Parabolani, jovens fanáticos que, sob as ordens de Cirilo, organizavam razias contra os adversários políticos ou religiosos.

Convertida em Bruxa

Hypatia era, além de uma intelectual perigosa, amiga pessoal do governador alexandrino Orestes, entre outros notáveis, tanto pagãos quanto cristãos. O bispo não só arremeteu contra ela por seu pecado de não adorar o Cristo, como também se encarregou de propagar o rumor de que praticava magia negra. Incitou seus fanáticos seguidores para, enquanto deixava claro quem ostentava o poder na cidade, eliminar a conselheira e confidente de Orestes.

João, bispo de Nikiu, narra em sua Crônica como aconteceu o assassinato da filósofa: “Uma multidão de crentes em Deus apareceu sob a direção do magistrado Pedro (um ajudante de Cirilo), e foram buscar a mulher pagam que tinha dominado as pessoas da cidade e o prefeito com sues encantamentos. Quando descobriram o lugar em que estava, a seguiram e a encontraram em uma cadeira, e tomando posse dela a arrastaram até a igreja de Cesarión... Rasgaram suas roupas e a arrastaram pelas ruas até que morreu. Logo a levaram para o Cenarión e queimaram o seu corpo. As pessoas rodearam ao patriarca Cirilo e o chamaram de “o novo Teófilo”, porque havia destruído os últimos restos de idolatria da cidade”. Arrastada violentamente de sua casa pela turba de fanáticos, ao que parece arrancaram sua pela com pedaços de cerâmica (ostrokoi).

A morte de Hypatia não só significou a desaparecimento violento de uma das mentes mais privilegiadas da Antigüidade. Sua eliminação foi um passo a mais na lenta agonia da filosofia helenística. Teríamos que esperar até o Iluminismo para que se produzisse um renascimento do interesse por Hypatia, graças a historiadores como Edward Gibbon. Em sua luta contra a religião e em sua incondicional defesa do livre pensamento, os homens das luzes converteram Hypatia em uma precursora de tudo o que defendiam.