quinta-feira, janeiro 26, 2012

Masp inaugura exposição com artefatos do Impéro Romano



Queria muito ver essa exposição. A matéria passou agorinha no Jornal da Band e eu torci para que fosse no CCBB, pois assim acabaria vindo para Brasília, mas é no MASP. Então, se você estiver em São Paulo, não deixe de visitar. A entrada do MASP é cara, mas há um dia que é entrada franca, na terça-feira. Segue a matéria do Jornal do Brasil. A imagem no post é meramente ilustrativa e não é de peças da exposição, OK?

Masp inaugura exposição com artefatos do Impéro Romano

Tesouros do Império Romano deixam a Itália pela primeira vez para uma exposição no Masp. Cerca de 370 peças entre joias, mosaicos, afrescos, esculturas, vestimentas e outros objetos estarão na exposição Roma - A Vida e os Imperadores, que inaugura neste dia 25 de janeiro em São Paulo. É uma viagem a três séculos do período tardio da República e primeiros séculos do Império Romano.

A curadoria, assinada por Guido Clemente, professor de História Romana da Universidade de Florença, em parceria com uma comissão de estudiosos e historiadores dos principais museus italianos de arqueologia, buscou privilegiar a abordagem dos imperadores de Roma do ponto de vista do exercício de seu poder e de suas diferentes personalidades.

Entre os destaques estão três paredes com afrescos da Vila de Pompeia, estátuas de Júpiter, de Lívia (esposa de Augusto) e da deusa Isis, a Cabeça Colossal de Júlio César em mármore, máscaras teatrais, escultura de Calígula, Armadura de Gladiador, desenhos do Coliseu, a Lamparina de Ouro e cerca de 60 joias.

Roma - A Vida e os Imperadores foi estruturada em ordem cronológica. O ponto de partida é o processo de estabelecimento do Império, período revivido por meio da vida e obra de César e Augusto, seus fundadores, e o destino final é o terceiro século, considerado o apogeu do domínio de Roma.

Roma - A Vida e os Imperadores
De 25 de janeiro a 1º de abril de 2012
MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Av. Paulista, 1578

De 3ªs a domingos e feriados, das 11h às 18h. Às 5ªs: das 11h às 20h. A bilheteria fecha meia hora antes

Ingressos: R$ 15,00. Estudantes, professores e aposentados com comprovantes: R$ 7,00. Até 10 anos e acima de 60: entrada franca. Às 3ªs feiras: acesso gratuito a todos.

Informações ao público: www.masp.art.br

terça-feira, janeiro 17, 2012

I Fórum Nacional de Pesquisadores em Arte Sequencial



Minha querida amiga Natania teve a idéia e está a frente da organização do I Fórum Nacional de Pesquisadores em Arte Sequencial. Trata-se de um desdobramento e ampliação de eventos anteriores, desta vez contando com a participação de pesquisadores de arte seqüêncial - não só quadrinhos, mas animação e cinema, também - do Brasil. Haverá vários GTs, mesa redonda com especialistas e, claro, tod@s estão convidados a apresentarem trabalhos. Eu queria ter participado mais da organização, afinal, estou envolvida nessa história desde o início, mas dezembro e janeiro estão sendo infernais para mim. Mas eu estarei lá com um GT sobre gênero (*claro*). Para quem quiser maiores informações, o site é este aqui. :) Falarei mais do evento em postagens posteriores. E quem puder ajudar a divulgar, por favor, não se faça de rogado!

Com 3.000 anos, tumba de cantora é descoberta no Egito



Este blog não morreu... Está paradinho, mas continua funcionando. E, bem, essa noticia do túmulo da da cantora,o único túmulo de mulher sem ligações com a realeza descoberto no Vale dos Reis, merece abrir 2012. Muito provavelmente, essa mulher tem uma história muito interessante, resta saber se, um dia, conseguiremos saber parte dela. Segue a notícia:

Com 3.000 anos, tumba de cantora é descoberta no Egito

Segundo arqueólogos, essa é a única do Vale dos Reis pertencente a uma mulher sem ligação com famílias reais
DA ASSOCIATED PRESS

Arqueólogos egípcios e suíços encontraram uma tumba de mais ou menos 3.000 anos que pertencia a uma cantora. A descoberta foi feita no Vale dos Reis, no Egito. Essa é a única tumba de uma mulher sem parentesco com as famílias reais achada na região, segundo Mansour Boraiq, do ministério das Antiguidades. O Vale dos Reis, em Luxor, é uma importante atração turística. Foi lá que, em 1922, arqueólogos acharam a máscara funerária dourada de Tutancâmon, que governou a região até 1323 a.C.

Segundo Boraiq, o caixão da cantora está surpreendentemente intacto. Quando ele for aberto, nesta semana, os cientistas devem achar uma múmia e uma máscara moldada sobre seu rosto, feita com camadas de tecido e gesso. O nome da cantora, Nehmes Bastet, quer dizer que ela era "protegida" pela divindade felina Bastet.

A tumba foi achada por acaso, segundo Elena Pauline-Grothe, diretora de escavações no Vale dos Reis pela Universidade de Basileia. "Não estávamos procurando novas tumbas. Essa estava perto de outra descoberta há cem anos." As inscrições achadas no local indicaram que a mulher era cantora no templo de Karnak, um dos mais famosos da era dos faraós.

segunda-feira, dezembro 05, 2011

Cinema & História – Bibliografia Comentada



Um amigo me pediu bibliografia sobre Cinema, Quadrinhos e História. Falta a parte de HQs, mas aproveitei meu pé torcido e a prisão domiciliar para listar e comentar tudo o que eu tenho de Cinema & História em casa. Sei que há vários outros materiais no mercado e tenho pelo menos mais um ou dois livros que não consegui achar para incluir na lista. Há desde livros muito específicos, até material que pode ser lido sem dificuldade por um público mais amplo. Segue a lista:

ADELMAN, Miriam, et al. (orgs.). Mulheres, Homens, Olhares e Cenas. Curitiba: UFPR, 2011. – O livro utiliza a categoria gênero na análise de vários filmes, os artigos são tanto sobre filmes específicos, quanto sobre a cinematografia de diretoras e diretores (ex.: Jane Campion), ou sobre como questões como família, prazer, sexualidade, etc. são apresentadas em vários filmes. Excelente material.

BARROS, José D'Assunção, NÓVOA, Jorge (org.) Cinema-História: Teoria e Representações Sociais no Cinema. 2ª ed. Rio de Janeiro: Apicuri, 2008. – O livro traz artigos teóricos e outros sobre filmes ou épocas específicas do cinema usando representação social como instrumento de análise. Ótimo material para quem deseja ler textos que mostrem como é possível para historiadores discutirem cinema buscando analisar as representações sociais presentes nos filmes.

CARNES, Mark C. (org.). Passado Imperfeito – A História no Cinema. Rio de Janeiro: Record, 1997. – Coletânea de artigos escritos principalmente por historiadores americanos e britânicos, aborda filmes cronologicamente, além de trazer entrevista com cineastas e uma introdução sobre as possibilidades de interação entre cinema e história. A perspectiva do filme escapa em alguns momentos daquilo que vemos como história no Brasil. O primeiro artigo, por exemplo, é sobre Jurassic Park. Há também a ênfase na história dos Estados Unidos a partir da Idade Moderna. Mas, no geral, é um bom livro com artigos que vão do bom ao excelente. é um livro que pode ser lido por qualquer um sem dificuldade.

FERRO, Marc. Cinema e História. 2ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2010. – Clássico da discussão entre cinema e história, Ferro foi um dos primeiros historiadores a valorizar essa mídia como fonte para trabalhos historiográficos. Livro clássico e fundamental.

KAPLAN, E. Ann. A Mulher e o Cinema – Os dois lados da câmera. Rio de Janeiro: Rocco, 1995. – Livro que foca na discussão do cinema como instrumento de disseminação de papéis de gênero tradicionais e opressão das mulheres e das possibilidades que de mudança proporcionadas pelo olhar feminista. Só não sou muito fã do viés da psicanálise.

KELLNER, Douglas, RYAN, Michael. Camera Politica – The Politics and Ideology of Comtemporary Hollywood Film. Indiana: Indiana University, 1990. – Livro que analisa o backlash na indústria cinematográfica norte americana na década de 1970, um movimento que dará destaque aos modelos conservadores de família, ao patriarcado, atacando os movimento feminista, a revolução sexual, os direitos das minorias, etc. A perspectiva do livro é fortemente marxista e os exemplos citados e os argumentos são muito contundentes.

___. A Cultura da Mídia. Bauru: EDUSC, 2001. – O livro de Kellner não é sobre cinema mas discute o uso político-ideológico do mesmo por parte dos movimentos conservadores dos anos 1980. Dentre os filmes analisados temos Rambo, Poltergeist e Ases Indomáveis. É quase uma continuação do livro Camera Politica.

MACEDO, José Rivair, MONGELLI, Lênia Márcia (org.). A Idade Média no Cinema. São Paulo: Ateliê Editorial, 2009. – O livro foca, como seu nome mesmo diz, em filmes medievais. Além de artigos específicos sobre filmes, escritos por medievalistas brasileiros, o destaque é a Introdução do Prof. José Rivair Macedo intitulado Cinema e Idade Média: Perspectivas. Nele temos a discussão teórica das possibilidades e limites dos encontros entre cinema e história, dialogando com o clássico de Marc Ferro. Além disso, discute a presença da Idade Média nos filmes históricos e de fantasia.

MELEIRO, Alessandra. O Novo Cinema Iraniano – Arte e Intervenção Social. São Paulo: Escrituras, 2006. – Dissertação de mestrado da autora, trata do cinema iraniano atual e apresenta rica discussão teórica sobre as construções da tradição e o cinema como exercício político.

MOCELLIN, Renato. História e Cinema: educação para as mídias. São Paulo: do Brasil, 2009. – O livro é um resumo da dissertação de mestrado de Mocellin e mescla muito bem a discussão teórica com a experiência de sala de aula, além disso, traz análises de quatro filmes: 300, Tróia, Galadiador e Cruzada. Fininho, barato e muito bom.

NÓVOA, Jorge, FRESSATO, Soleni Biscouto, FEILGELSON, Kristian (org.). Cinematógrafo – Um Olhar sobre a História. Salvador/São Paulo: EDUFBA, UNESP, 2009. – Artigos teóricos e análises de filmes feitas por historiadores brasileiros e estrangeiros.

ROSENSTONE, Robert A. A História nos Filmes – Os Filmes na História. São Paulo: Paz & Terra, 2010. – Um dos melhores livros quando a questão é uma discussão teórica sobre os encontros e desencontros entre cinema e história. O autor discute os diferentes tipos de filmes, os preconceitos dos historiadores, e a possibilidade do cineasta ser ele (ou ela) também um historiador. Muito bom mesmo.

SOARES, Mariza de Carvalho, FERREIRA, Jorge (org.). A História vai ao Cinema – Vinte filmes brasileiros comentados por historiadores. 2ª ed. São Paulo: Record, 2006. – O título é auto-explicativo, historiadoras e historiadores brasileiros de renome, como Rachel Soihet, Sandra Jatahy Pesavento, Ronaldo Vainfas, etc., analisando filmes do cinema nacional brasileiro. Os artigos são bem acessíveis para um público mais amplo.

STEPHANOU, Alexandre Ayub. Cinema e História – Guia de Filmes. Porto Alegre: Gráfica Odisséia, 2010. – O autor é jornalista e doutor em História e faz reviews e análises de vários filmes e seu valor histórico. Sinceramente? Achei o livro muito superficial e sem argumentos claros. Elogiar o filme Olga e criticar Tempos de Glória é algo incompreensível para mim.

TEIXEIRA, Inês Assunção de Castro, LOPES, José de Sousa Miguel (org.). A Mulher vai ao Cinema. 2ª ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. – O livro é parte de uma coleção da editora Autêntica que possui vários volumes com títulos como A Criança vai ao Cinema, O Jovem vai ao Cinema, entre outros. O livro é uma coletânea de artigos sobre vários filmes como Rosa Luxemburgo, Lanternas Vermelhas, As Horas, Frida, etc. Outro livro com artigos bem acessíveis, apesar das discussões teóricas mais complexas. E há o resto da coleção.

P.S.: Se você quiser comprar algum livro, peço que entre no meu outro blog e consulte os preços no Submarino e na Livraria Cultura, afinal, um dinheirinho sempre ajuda.

quarta-feira, novembro 30, 2011

Filme rediscute a imagem da irmã de Mozart



"Irmã de Mozart", é assim que Nannerl – apelido de Maria Anna Walburga Ignatia Mozart - entrou para a história. Normalmente, ela é usada para ilustrar as limitações impostas às mulheres no século XVIII. Provavelmente, Nannerl era tão brilhante quanto o irmão, talvez mais (*Quem pode vir a saber?*). Foi exibida como criança prodígio junto com Mozart, tocou diante da realeza, mas ao atingir a puberdade foi empurrada pelo pai para os papéis de gênero mais tradicionais: filha submissa, esposa do homem que o pai escolheu, mãe. Passou a ser deixada para trás e proibida de tocar em público, Mozart elogia em cartas as composições da irmã, mas nada de seus trabalhos sobreviveu... Destruídos? Provavelmente. Viúva, pobre, tendo que sustentar filhos e sobrinhos, tornou-se professora de música para sobreviver. Acho louvável que se tente revisitar e rediscutir a figura de Nannerl e é isso que este filme francês de 2010 pretende fazer. O título original do filme em francês é "Nannerl, la soeur de Mozart". Não estreou no Brasil, nem deve estrear. Teremos sorte se sair em vídeo. Estou tentando baixar na net.

O título em inglês é "Mozart's Sister" e achei essa crítica que diz que o filme não consegue ser excelente por não se decidir sobre o que foi Nannerl se "(...) gênio, mártir, uma causa feminista, uma filha desapontada, uma mulher resignada ou tudo o que foi dito acima". Não vi mais que o trailer do filme, acho que nenhum filme precisa se decidir sobre coisa nenhuma, afinal, quem sabe o que foi Nannerl "de verdade"? Acho muito provável que ela tenha sido um pouco de tudo isso e uma demonstração de que não temos mais mulheres entre "grandes" (*com toda a carga de relativização que esse termo permite*) gênios da música, da filosofia, da ciência porque as práticas de supressão eram muito bem coordenadas e aplicadas. Nannerl para mim é um exemplo perfeito, ela poderia ser um gênio, mas submetida à condições de produção que impossibilitaram o desabrochar de todos os seus talentos.