terça-feira, outubro 09, 2007

4º BIMESTRE: SACRO IMPÉRIO

AVISO: Este resumo deverá ser lido em casa. Não haverá aula de Sacro Império, mas tirarei as dúvidas. Não haverá questão direta de Sacro Império na A.E., mas para compreender outras questões é preciso saber sobre ele.

>> O chamado Sacro Império Romano Germânico foi uma das mais duradouras criações da Idade Média, tendo durado do século X até o século XIX.

>> O Império nasceu do Reino da Germânia, surgido da dissolução do Império Carolíngio com o Tratado de Verdun de 843. Por este tratado, os netos de Carlos Magno dividiriam o território em três, surgindo deste acordo o Reino da França (*Francia Ocidentalis*), a Lotaríngia (*que manteve a Itália e a coroa Imperial*) e o Reino da Germânia (*Francia Orientalis*).

>> A dinastia de Carlos Magno resistiu por algum tempo nos três territórios, mas o poder dos reis se viu muito diminuído. No caso da Germânia, os carolíngios governaram até 911, quando faleceu o último descendente de Carlos Magno. A partir daí, os grandes duques – que passaram a serem chamados eleitores – decidiram escolher entre si quem deveria reinar. A Coroa então passou Conrado, duque da Francônia e, em seguida, para Henrique, o Passarinheiro, duque da Saxônia, que conseguiu garantir a manutenção da coroa por algumas gerações.

>> Enquanto isso, a Lotaríngia se fragmentou e a maioria dos territórios foram incorporados à Germânia. A coroa imperial continuou existindo até 924, mas sem que representasse nada realmente importante, pois os nobres que a portavam tinham domínios muito restritos e nenhum poder real.

>> Com a morte de Henrique, o passarinheiro, seu filho Otão assumiu o trono. Sua missão não era nada fácil, pois teve que conter tanto os grandes vassalos (*não esqueçam dos laços feudais*), quanto os novos invasores vindos do leste (*magiares, eslavos*). Bem sucedido, nas guerras, optou por se apoiar dentro do território nos grandes senhores da Igreja, a quem deu terras e títulos, em troca de fidelidade.

>> O ano de 962, marca o nascimento do Sacro Império. Otão foi chamado à Itália para livrar o jovem bispo de Roma/papa João XII (*só tinha 17 anos*) dos seus inimigos. Na verdade, os senhores italianos pouco respeito tinham pela igreja e suas terras, e o bispo da cidade de Roma – o mais importante do Ocidente – era escolhido sem muito critério dentre as grandes famílias. Otão derrota os inimigos do bispo de Roma e é coroado como Imperador. O título ressuscitado era importante para a segurança da Igreja, que se acostumara à proteção dos imperadores. Em contrapartida, todo um discurso de glorificação de Oto, do cargo imperial, do novo Império Romano é criado.
>> Otão I percebe seu cargo como o de Carlos Magno, isto é, quer que sua dignidade seja reconhecida dentro dos seus territórios e pelos reinos que o cercam, sendo visto o imperador como alguém que governa sobre os reis. É com esse intuito que enfrenta e vence os bizantinos na Itália em 972, conseguindo para seu filho, o futuro Otão II, um vantajoso e inédito casamento com uma princesa do Oriente. Os três Otões (I, II e III) dão grande valor ao seu cargo e se colocam como o poder universal máximo no Ocidente. Assim, eles são o pontífice máximo, eles escolhem os bispos de Roma, eles investem os bispos. Otão III chega a mudar-se para a Itália, mas isso não é bem visto nem pelos seus vassalos alemães, nem pelos italianos e sua morte prematura – seguida um ano depois (1003) pelo Papa Silvestre II seu maior aliado – põe fim tanto à dinastia dos Otônidas quanto às pretensões de ressuscitar o Império Romano em todo o seu esplendor.
>> No entanto, a idéia de que a Igreja deve se subordinar ao Império permanece firme nos sucessores dos Otônidas e isso será responsável pelos grandes conflitos entre papas e imperadores nos séculos seguintes. Dois poderes universais não podiam subsistir juntos no mesmo espaço. (Ver: Igreja)
>> Quanto à política, os imperadores oscilavam entre seus interesses no Norte e no Sul, alguns optando por dar mais atenção aos domínios alemães, outros às possessões italianas. Importante lembrar que o equilíbrio sempre foi difícil, e os conflitos constantes. Por exemplo, dentro da Itália o conflito entre papa e imperador produziram, em especial a partir do século XIII, conflitos sangrentos, com a formação de dois blocos políticos: o dos Guelfos que defendia que a Itália fosse separada do Império e governada pelo papa; e o dos Guibelinos que mesmo não desejando um imperador alemão, preferiam apoiá-lo a terem o papa como governante.
>> LEMBRE-SE 1: O Império é “sacro” ou “sagrado” porque foi instituído por Deus (*ou assim a Igreja desejou que se pensasse*), era “romano” porque pretendia reviver o antigo Império (*daí a necessidade de manter Roma dentro do seu território*) e é “germânico” porque os imperadores são alemães e são eles que têm o poderio militar.

>> LEMBRE-SE 2: Graças ao Império, a Igreja Romana teve condições de se reorganizar e fortalecer, pois os imperadores se comprometeram tanto com um projeto de moralização e educação do alto clero, quanto com a concessão de feudos em troca de fidelidade.

>> LEMBRE-SE 3: O Império retardou e muito a unificação de Alemanha e Itália e sua afirmação como Estados Nacionais. Os interesses tanto do papa quanto do imperador eram de reconhecimento de seus poderes universais, e não havia interesse em permitir a organização de estados que poderiam se tornar independentes. Assim, fortaleceu-se o poder dos grandes e pequenos senhores (*duques, condes, príncipes, pequenos reis*), enquanto em outras regiões da Europa os poderes estavam sendo centralizados nas mãos dos reis ainda na Baixa Idade Média.

BIBLIOGRAFIA:

GRIMBERG, Carl. História Universal. Santiago: Europa América, vol. 10, 1989.
LE GOFF, Jacques. A Civilização do Ocidente Medieval. Bauru: EDUSC, 2005.
Livro didático, p. 266-267.

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