quinta-feira, dezembro 13, 2012

Google homenageia Luiz Gonzaga



Google presta homenagem ao centenário de nascimento do grande Luiz Gonzaga (1912-89) que deu voz ao povo nordestino em sua grande obra musical.  Não conhece?  Não sabe o que está perdendo.

sábado, dezembro 01, 2012

As Mulheres Negras e os Direitos Civis nos EUA



Desde o fim da Reconstrução Radical (1865-1877) vigoraram no Sul dos Estados Unidos as chamadas Leis Jim Crow (1876-1965), que legitimavam a Segregação Racial com base na premissa (*falsa*) "Separados, mas Iguais". Qualquer pessoa que tenha assistido mesmo o filme mediano Histórias Cruzadas, entende o que estou dizendo. Pois bem, Rosa Parks foi presa em 1 Dezembro de 1955, porque não quis se levantar para que um homem branco pudesse sentar. Hoje é dia de lembrá-la. Sua coragem, seu orgulho, foi o estopim para que outros negros e negras se mobilizassem nos EUA para que as leis racistas-segregacionistas fossem derrubadas. O sistema de transporte público de Montgomery, Alabama, sofreu boicote por 381 dias, até que as autoridades cederam a aboliram o sistema que estabelecia que negros sentavam no fundo do ônibus, brancos na frente e se o ônibus enchesse, a cada branco que entrasse, um negro ou negra deveria ceder o lugar.  Rosa Parks não foi a primeira mulher, nem a primeira pessoa, a se rebelar contra a segregação nos transportes públicos em algum Estado do Sul, antes dela, pelo menos três mulheres ganharam notoriedade por fazer o mesmo: Irene Morgan (1946), Sarah Louise Keys (1955), e Claudette Colvin (1955).


 Irene Morgan era secretária, e se recusou a levantar na cidade de Middlesex County, Virginia. Não somente isso, ela entrou em luta corporal com o xerife e outra autoridade masculina para não deixar o veículo. Foi presa, seu caso se arrastou na justiça, e foi parar na Suprema Corte. Imaginem o risco que essa mulher correu, e, claro, o mal exemplo, já que não somente se rebelou, mas partiu para a luta corporal... Sarah Keys (siga o link) era militar, das primeiras a se graduar na academia militar, das primeiras militares negas a cursar Direito com verba do Exército, e estava voltando para uma licença em sua cidade natal, Washington, Carolina do Norte. Ela tomou o ônibus em Fort Dix, New Jersey, seguiu até Washington D.C., onde embarcou em um ônibus sulista. Sentou-se na quinta fileira. Quando houve troca de motorista na pequena  Roanoke Rapids , o condutor exigiu que ela fosse para o fundo do ônibus e cedesse o lugar para um fuzileiro branco. Ela se recusou. Foi presa. O caso foi parar na seuprema Corte. Já Claudette Colvin, uma adolescente de 15 anos, voltando da escola. Colvin foi a primeira mulher em Montgomery a resistir às leis segregacionistas em ônibus, nove meses antes de Parks, mas por ser uma menina, que poderia ser taxada de "rebelde", não foi considerada como um símbolo adequado ao movimento de direitos civis.  Na verdade, e isso não diminui Rosa Parks, mas mostra o quanto uma imagem mais conservadora, todas as outras eram jovens, Parks já tinham 43 anos, por exemplo, se presta melhor como propaganda em uma sociedade igualmente conservadora... Hoje não é dia de lembrar somente de Rosa Parks, mas de todas essas outras mulheres e ressaltar que a luta por direitos iguais não acabou. 


O Hiragana é mais antigo do que se acreditava



O Yomiuri Shimbun e o Asahi Shimbun anunciaram que o hiragana – a escrita que é transcrição fonética dos kanjis importados da China – pode datar de pelo menos meio século antes que do se acreditava. Arqueólogos encontraram fragmentos de cerâmica do século IX, com pedaços de escrita em hiragana, nas escavações da residência do ministro Fujiwara Yoshimi (813-867), em Kyoto, em novembro de 2011. Essa descoberta pode ampliar os estudos das origens da escrita japonesa, pois acreditava-se que o hiragana teria sido criado no século X quando a uma antologia sob encomenda do imperador, a , Kokin Wakashu, e o diário de Tosa Nikki foram compilados.  Os fragmentos, que contém certa de 40 caracteres, serão expostos este mês.

quinta-feira, novembro 15, 2012

História Geral - Aula 6 - Revolução Francesa e Período Napoleônico




Sexta e última aula de História Geral do 4º Bimestre. Vocês podem visualizar todos os slides aqui no site ou podem baixar direto do site Slide Share. A aula destina-se aos alunos e alunas do Terceiro Ano do Colégio Militar de Brasília, mas qualquer pessoa pode utilizar o material, basta citar a fonte.

terça-feira, novembro 06, 2012

Conteúdo (FOE) para a Prova do 4º Bimestre



FRENTE A - História do Brasil

1 – Os movimentos nativistas, a crise do sistema colonial e os movimentos emancipacionistas no Brasil colonial. Livro 1 do Poliedro - páginas 74 a 80;
2 - O fim do pacto colonial. Livro 2 do Poliedro - páginas de 6 a 13;
3 – A montagem do Estado Brasileiro. Livro 2 do Poliedro – páginas 25 a 31;
4 – O Período Regencial (1831-1840). Livro do Poliedro – páginas 32 a 35.

FRENTE B - História Geral

1 – Baixa Idade Média – Renascimento Cultural Livro 1 do Poliedro – páginas 188 a 191;
2 – As Reformas Religiosas e a Contra Reforma. Livro 2 do Poliedro - páginas 86 a 92;
3 – Mercantilismo e Absolutismo. Livro 2 do Poliedro – páginas 92 a 95 e 101 a 109;[1]
4 – O fim do Antigo Regime e a montagem do mundo burguês. Livro 2 do poliedro - páginas 129 a 147.

Estudar os temas citados e elaborar os exercícios correspondentes nos livros 1 e 2 do Poliedro.

[1]: O professor Vicente utilizou a terminologia do livro do Poliedro, mas este tópico corresponde às Revoluções Industrial, Americana e Francesa + Napoleão Bonaparte.

quarta-feira, outubro 31, 2012

História do Brasil - Aula 4 - Segundo Império



Terceira aula de História do Brasil do 4º Bimestre. Vocês podem visualizar todos os slides aqui no site ou podem baixar direto do site Slide Share. A aula destina-se aos alunos e alunas do Terceiro Ano do Colégio Militar de Brasília, mas qualquer pessoa pode utilizar o material, basta citar a fonte.

sexta-feira, outubro 26, 2012

História Geral - Aula 5 - Revolução Americana



Quinta aula de História Geral do 4º Bimestre. Vocês podem visualizar todos os slides aqui no site ou podem baixar direto do site Slide Share. A aula destina-se aos alunos e alunas do Terceiro Ano do Colégio Militar de Brasília, mas qualquer pessoa pode utilizar o material, basta citar a fonte.

História Geral - Aula 4 - Revolução Industrial



Quarta aula de História Geral do 4º Bimestre. Vocês podem visualizar todos os slides aqui no site ou podem baixar direto do site Slide Share. A aula destina-se aos alunos e alunas do Terceiro Ano do Colégio Militar de Brasília, mas qualquer pessoa pode utilizar o material, basta citar a fonte.

História do Brasil - Aula 3 - Período Regencial



Terceira aula de História do Brasil do 4º Bimestre. Vocês podem visualizar todos os slides aqui no site ou podem baixar direto do site Slide Share. A aula destina-se aos alunos e alunas do Terceiro Ano do Colégio Militar de Brasília, mas qualquer pessoa pode utilizar o material, basta citar a fonte.

Dentro de uma Fábrica da Revolução Industrial



Fragmento da minissérie Norte & Sul (North & South), baseada no romance de Elizabeth Gaskell (1810-1865).   O livro, publicado entre setembro de 1854 e janeiro de 1855, mostra os contrastes entre o Sul rural e o Norte industrializado da Inglaterra.  Além do romance da protagonista, Margareth Hale, e John Thornton, o dono da fábrica de tecidos, o livro retrata de forma viva as durezas do trabalho na fábrica e as lutas dos trabalhadores por melhores salários.  A BBC adaptou o livro para a TV em 2004.  O fragmento acima vem desta minissérie.  Para quem interessar, ela foi lançada no Brasil e está disponível para compra (*Livraria Cultura*).

sábado, outubro 13, 2012

História Geral - Aula 3 - Absolutismo Monárquico e Iluminismo



Terceira aula de História Geral do 4º Bimestre. Vocês podem visualizar todos os slides aqui no site ou podem baixar direto do site Slide Share. A aula destina-se aos alunos e alunas do Terceiro Ano do Colégio Militar de Brasília, mas qualquer pessoa pode utilizar o material, basta citar a fonte.

sexta-feira, outubro 12, 2012

Ontem foi Celebrado o Dia Internacional das Meninas


Mala Yousafzai, mais uma vítima do Talibã.

Ontem foi comemorado pela primeira vez o Dia Internacional das Meninas.  Comemorado, não seria a palavra mais adequada, mas irei usá-la por falta de outra melhor.  Tal data foi estabelecida pela ONU com o objetivo de marcar a luta contra as desigualdades de gênero apontando que as meninas - jovens mulheres com menos de 19 anos - são o grupo mais vulnerável.  Não se enganem, há países nos quais a situação é muito precária, mas o Brasil não figura bem no mapa das desigualdades de gênero.  Segundo a ONU, "(...) no Brasil, um em cada cinco nascimentos ocorre com mães com idade entre 10 e 19 anos", é a única faixa na população brasileira no qual a fertilidade cresceu.  Também entre os adolescentes, especialmente as meninas, cresceu a infecção pelo HIV.  Motivo?  relações sexuais precoces, falta de educação formal de qualidade, e, claro, a pressão cultural que impede que a meninas peça que o parceiro use camisinha.

Enfim, achei um texto simples e interessante no Washington Post, decidi traduzi-lo e colocar aqui no blog.  Lembrem, também, em suas orações ou pensamentos, da jovem  Mala Yousafzai (foto), menina paquistanesa de 14 anos, cujo único sonho era poder estudar, tornar-se médica, mas que sofria ameaças do Talibã local.  Esta semana, Mala sofreu um atentado, ela parece estar fora de perigo, mas não se sabe se terá seqüelas ou se os bandidos misóginos que se escondem por trás de uma leitura radical da religião islâmica voltarão a tentar novamente.  Segue o texto:

Menina do Níger.  Quanto tempo de infância terá até o seu casamento?


Dia Internacional das Meninas: Cinco Dados sobre os direitos globais das Meninas

Por Olga Khazan

Balki Souley, uma garota de 14 anos do Níger, perdeu seu filho no parto no início deste ano depois de sofrer de desnutrição por meses, sangrando em profusão e quase morrendo.

Souley foi uma das garotas mostradas em uma recente matéria sobre o crescimento do casamento infantil no Níger feito pelo correspondente do Washington Post, Sudarsan Raghavan. O Níger tem a mais alta taxa de casamentos infantis do mundo, com uma a cada duas meninas casada antes dos 15 anos.

Mas o Níger não é o único país no qual a infância é interrompida pelo casamento, parto ou abuso. A Assembléia Geral das Nações Unidas designou o 11 de outubro como o Dia Internacional das Meninas com o objetivo de chamar a atenção para as desigualdades entre meninos e meninas no mundo.


Casal de noivos: na Índia, o casamento infantil é proibido, mas continua sendo realizado em várias regiões.
Aqui estão alguns obstáculos que as meninas e jovens mulheres do mundo enfrentam:
• A UNICEF descreve o casamento infantil como “a forma mais prevalente de abuso sexual e exploração de meninas.” A cada três segundos, uma menina com menos de 18 anos é casada com alguém no mundo, segundo o Reuters’ TrustLaw.
• Garotas com menos de 15 anos tem cinco vezes mais chance de morrer no parto do que mulheres com mais de 20 anos. Gravidez é a maior causa de morte feminina entre 15 e 19 anos, segundo o International Center for Research on Women.
• Há cerca de 2 milhões de meninas sofrendo de fístula obstétrica, um buraco no canal vaginal. A fístula pode causar incontinência crônica, conduzindo a infecções de pele, doença nos rins e isolamento social. A Organização Mundial de Saúde diz que adiar a idade da primeira gravidez é uma das melhores formas de prevenir a fístula obstétrica.
• Meninas com maior escolaridade correm menos riscos de entrarem em um casamento infantil. Mas em mais de 100 países, a escola não é gratuita, e somente 30% das meninas estão matriculadas no ensino secundário.
• Segundo a ONU Mulheres, cerca de metade das agressões sexuais no mundo são cometidas contra meninas com menos de 16 anos. E que para cerca de 1/3 das mulheres, a primeira relação sexual é uma experiência forçada, segundo a agência.
Slate, em parceria com a New America Foundation, tem um mapa interessante mostrando as disparidades de gênero por país, com base em índices, como a fertilidade dos adolescentes, a taxa de alfabetização e expectativa de vida. Não parece ser surpresa que os países da África sub-saariana e no Oriente Médio parecem ser a mais desiguais, enquanto o Canadá ea Europa são os mais igualitários:
(Visite o site da matéria para visualizar o gráfico animado.)

Eles também apontam para uma possível solução: identificação biométrica, como impressões digitais ou exames de retina, que permitiria que o auxílio pudesse ser encaminhado diretamente para as mulheres e meninas em vez de políticos corruptos.

segunda-feira, outubro 01, 2012

História do Brasil - Aula 2 - Família Real no Brasil, Independência e Primeiro Reinado



Segunda aula de História do Brasil do 4º Bimestre. Vocês podem visualizar todos os slides aqui no site ou podem baixar direto do site Slide Share. A aula destina-se aos alunos e alunas do Terceiro Ano do Colégio Militar de Brasília, mas qualquer pessoa pode utilizar o material, basta citar a fonte.

História do Brasil - Aula 1 - Movimentos Nativistas e Emancipacionistas



Primeira aula de História do Brasil do 4º Bimestre. Vocês podem visualizar todos os slides aqui no site ou podem baixar direto do site Slide Share. A aula destina-se aos alunos e alunas do Terceiro Ano do Colégio Militar de Brasília, mas qualquer pessoa pode utilizar o material, basta citar a fonte.

sábado, setembro 29, 2012

Matéria para a AP4 2012



Os conteúdos para a AP4 estão listados abaixo.  Estão distribuídos nas apostilas 1 e 2 do Poliedro.  Para as páginas e capítulos, consultar a FOE, quando ela for lançada.  
  • História Geral: Renascimento, Reformas Religiosas, Absolutismo Monárquico e Iluminismo.
  • História do Brasil: Movimentos Nativistas e Emancipacionistas, Família Real Portuguesa no Brasil, Processo de Independência.

Nos próximos dias colocarei todas as aulas do multimídia aqui no blog.  A maioria delas já está no Slideshare.  Basta me seguir por lá, ou acompanhar-me no Facebook.

terça-feira, agosto 28, 2012

Atualidades de História



Toda semana o Prof. Vicente prepara um jornalzinho com as principais notícias de semana das mais diferentes áreas. Para que tod@s @s alun@s possam ter acesso, eles serão colocados para download aqui no site. Para baixar, é só clicar nos links abaixo. Os arquivos estão hospedados no 4shared.

ATUALIDADES - 23/07
ATUALIDADES - 30/07
ATUALIDADES - 06/08
ATUALIDADES - 20/08
ATUALIDADES - 27/08

segunda-feira, agosto 27, 2012

História do Brasil - Aula 3 - Governo Geral, Açúcar e Invasões Holandesas



Terceira aula de História do Brasil do 3º Bimestre. Vocês podem visualizar todos os slides aqui no site ou podem baixar direto do site Slide Share. A aula destina-se aos alunos e alunas do Terceiro Ano do Colégio Militar de Brasília, mas qualquer pessoa pode utilizar o material, basta citar a fonte.

domingo, agosto 19, 2012

Cinema & História: Corações Sujos (汚れた心 – Kegareta Kokorō)



Sexta-feira, assisti Corações Sujos (汚れた心 – Kegareta Kokorō), filme baseado no livro do jornalista Fernando Morais sobre a organização ultranacionalista Shindo Renmei (臣道連盟 – Liga do Caminho dos Súditos). Quando o filme foi anunciado, criei grandes expectativas em relação a ele, afinal, havia material de sobra para fazer um grande filme, que pudesse jogar um pouquinho de luz sobre um dos capítulos trágicos da imigração do Brasil. O filme, no entanto, só consegue ser mediano. Opta por um recorte intimista sem se importar muito o cenário histórico, algo fundamental, tomando para si ares grandiosos que não tem. E a culpa não é dos atores e atrizes, talentosos e bem escolhidos, mas da direção de Vicente Amorim. Daria para fazer dez ou mais filmes sobre a Shindo Remei, ou sobre as políticas xenófobas Varguistas e eu espero que Corações Sujos não seja encarado como uma obra definitiva, mas como uma abertura para explorar episódios dolorosos da História do Brasil.

O filme corações sujos se passa em 1946, em uma cidade do interior de São Paulo que tem nos japoneses e seus filhos a maioria da população. Cerceados dos mínimos direitos – ir e vir, falar o japonês em público, ouvir rádio, ler jornais ou revistas em sua língua, etc. – a comunidade carece de informações sobre o fim da guerra no Pacífico. Neste contexto floresce uma organização secrete ultranacionalista chamada Shindo Renmei. Seus membros se negam a acreditar que o Japão perdeu a guerra, defendem a divindade do imperador e punem com a morte os “corações sujos”, isto é, os membros da comunidade que se neguem a acreditar na “verdade”. É neste contexto conturbado que vivem as protagonistas, Takahashi (Tsuyoshi Ihara), o fotógrafo da comunidade, e sua esposa Miyuki (Takako Tokiwa), que dá aulas de japonês às escondidas para as crianças. A vida dos dois se transforma em tragédia quando o pacato Takahashi se torna um tokkotai, um assassino à serviço dos ideais da Shindo Renmei.

Enfim, se você for assistir Corações Sujos tenha em mente que não e um filme sobre o Shindo Renmei, ou sobre as leis xenófobas que oprimiam não somente os japoneses, mas outras comunidades imigrantes. O filme é sobre o drama pessoal de um homem, Takahashi, e como ele é cooptado por uma organização radical, que misturava religião e política, sendo levado a cometer vários crimes. Corações Sujos é, também, o filme sobre uma mulher que ama e que tem que escolher entre o marido e sua consciência. Em nenhum momento Corações Sujos me pareceu um filme histórico, trata-se de um drama intimista sobre sentimentos como honra, vergonha, amor, fidelidade, culpa norteados pelos valores da cultura nipônica tradicional. Infelizmente, como o filme parece almejar o rótulo de “genial” e “cult”, a coisa se perde.


Não é um filme ruim, não é um Olga, por exemplo, mas é um filme que abusa de cenas longas, de enquadramentos de câmera que se supões poéticos. Mesmo a distorção da imagem, que funciona como uma metáfora da visão distorcida de mundo dos membros do Shindo Remei, termina por ser cansativa já que é usada de novo e de novo à exaustão. As únicas imagens que funcionam bem são as menções à bandeira do Japão em vários momentos. Especialmente no sangue sobre o chão, que Miyuki se esforça por limpar, e no sangue sobre o algodão depois do assassinato do líder da cooperativa, Sasaki, interpretado de forma muito convincente por Shun Sugata. A morte do Coronel Watanabe também foi uma cena muito bem executada e bonita até, assim como o desespero de Miyuki e suas galinhas notívagas...

Mas vejam que eu pontuei cenas, faltou coesão narrativa ao filme, faltou contextualização, faltou delinear com clareza o que foi o Shindo Renmei, que não se tratava de uma empreitada de um grupo de colonos japoneses em uma cidadezinha, mas que era algo muito maior. Faltou mostrar o papel da polícia brasileira. Porque o Du Moscovis aparece no trailer sugerindo uma grande participação e, no filme, ele mal dá as caras. Trata-se de figurante de luxo. O DEOPS (Delegacia Especializada de Ordem Política e Social) desbaratou o Shindo Renmei. Em Corações Sujos fica parecendo que a polícia olhava a matança e ficava com aquela postura “eles que são amarelos que se entendam”. Há relatos de época de delegado pedindo apoio do Exército.

No filme, o delegado e sua tropa são passivos boa pare do tempo. O tal cabo Garcia, que tinha toda a pinta de sádico racista, só aparece no início para detonar o conflito, fazendo parecer que a Shindo Renmei tinha aparecido ali, naquele momento. A polícia getulista – já era Governo Dutra, coisa que o filme nem busca situar, mas o pessoal era o mesmo – não era de dar refresco, não. Aqueles sujeitos que tentaram atacar a delegacia iriam apanhar muito... Aliás, o único negro que aparece no filme, um advogado, está lá só para que Du Moscovis use uma lapidar frase racista, algo como “Só no Brasil, para um monte de amarelos serem soltos por um advogado preto”. Mas como a personagem dele não é desenvolvida, não dá para saber até que ponto ele estava despejando sua frustração, ou era racistão de carteirinha...


O Coronel Watanabe, o “vilão” da história, é inspirado no fundador da Shindo Renmei, o Coronel Junji Kikawa. Interpretado com muita dignidade pelo ator Eiji Okuda, a personagem consegue passar toda aquela arrogância dos que tem certeza de que estão com a Verdade, assim mesmo, com “V” maiúsculo. Um sujeito como ele seria capaz das atrocidades cometidas em filmes como Flores do Oriente. Watanabe não suja suas mãos, ocupando lugar de destaque na comunidade, ele é respeitado por ser nobre, por ser velho, por ser coronel. E consegue cooptar os jovens e intimidar os adultos com sua propaganda da vitória japonesa. Só que mesmo aí o filme fracassa, porque tenta vilanizar um sujeito que era norteado pela honra, ainda que sob uma perspectiva distorcida.

Houve durante a existência do Shindo Renmei picaretas, os lero-lero, que se aproveitaram da boa fé dos imigrantes, vendendo-lhes terras em regiões conquistadas pelos japoneses, como a China, Filipinas, Coréia, ou no Japão. Esses caras levaram muitos japoneses crédulos à falência e, alguns, terminaram se suicidando e eles nada tinham a ver com a organização, somente percebiam o quanto ela poderia facilitar seus negócios. No filme, para aumentar a vilania do Coronel, ele é apresentado como alguém ligado a esses sujeitos. E a coisa é jogada, sem desdobramentos e absolutamente contraditória com a personagem, cuja conduta, repito, se pautava por rígidos princípios de honra. Foi um recurso pobre para desprezarmos o Coronel, como se a empatia por Takahashi, Miyuki e o chefe da cooperativa e sua família não bastassem. O que foi aquela cena do Coronel indo fazer uma oração fúnebre na casa do dono da cooperativa antes do homem ser morto? Depois disso, a gente sente vontade de ver o velho – que me lembrou a D. Dorotéia de Gabriela – como um monstro.

O ponto positivo é que saí do cinema e comprei o livro Corações Sujos. Primeiro, porque já deveria ter lido mesmo; segundo, porque o filme pareceu não estar interessado em discutir o significado da organização. Trata-se, repito, de um filme sobre relações humanas, sobre sentimentos que nos arrastam, sobre pressão social. Só que se vendeu como um filme sobre a Shindo Renmei e sobre um capítulo muito pouco conhecido da História do Brasil. Eu nunca ouvi falar de Shindo Renmei na faculdade. Eu nunca encontrei uma linha sobre ela em um livro didático. Nada! Soube pela internet, pelas matérias sobre o livro do Moraes, pela propaganda do filme e, sim, fui até a internet em busca de material, desde a Wikipedia até dissertação de mestrado. Aliás, para quem quiser ler um artigo bem instrutivo sobre o grupo e imaginar o quanto de material havia para se fazer um grande filme, é só clicar em Realidade alterada: o poder da Shindo Renmei. Também recomendo o texto Rompendo silêncio, que fala de forma bem didática das leis racistas e do preconceito contra os japoneses. Não é difícil entender como a Shindo Renmei conseguiu crescer tanto, matar e aterrorizar tanta gente.


Enfim, resta comentar sobre a Bechdel Rule. O filme cumpre? Acredito que, sim. Temos a professora Miyuki que é co-protagonsita do filme e uma mulher ativa dentro das suas condições e produção. Ela é professora, membro respeitado da comunidade, esposa que apoia o marido, mas que tem opiniões próprias e opta por ser fiel a sua consciência. De novo, uma mulher forte não precisa estar armada para a guerra e sair socando gente por aí. Miyuki é forte a sua maneira. Temos a personagem Naomi defendida pela menininha Kimiko Yo. Fofa e talentosa, ela ajuda Takahashi em seu trabalho como fotógrafo até que a Shindo Renmei os separa. Há, também, a mãe de Naomi, Akemi Sasaki (Celine Fukumoto), mulher de fibra e que se desespera quando sabe que o marido é um homem marcado e também disposto a morrer pelo que é certo, nesse caso, a verdade sobre a guerra e a defesa dos colonos. É ela quem embolacha o Coronel em uma cena memorável. E há outra menininha, filha de Aoki, o primeiro assassinado, que tem nome. Talvez aparente que as conversas delas são sobre os homens que amam e isso invalida a regra, mas acredito mais que as conversas das mulheres ultrapassem o pessoal, e resvalem também em questões como honra, dever, fidelidade e consciência. Fora, claro, que elas são mostradas como elementos ativos e participantes da vida da colônia.


Enfim, Corações Sujos é um filme que poderia ser muito bom, mas que tem aspirações de grandeza que tolheram o desenvolvimento da narrativa. Uma direção firme, cenas mais enxutas, e o interesse real de fazer um filme sobre a Shindo Renmei poderiam ter transformado o filme em um dos melhores produtos brasileiros do ano e um provável candidato nosso ao Oscar. Mas não é nada disso. Não é um thriller, como já vi em algumas resenhas por aí, nem é um romance. Trata-se de um incômodo meio termo, de algo que deseja parecer maior do que é realmente.

sábado, agosto 04, 2012

História Geral - Aula 2 - Egito & Mesopotâmia: Antiguidade Oriental


Segunda aula de História do Brasil do 3º Bimestre. Vocês podem visualizar todos os slides aqui no site ou podem baixar direto do site Slide Share. A aula destina-se aos alunos e alunas do Terceiro Ano do Colégio Militar de Brasília, mas qualquer pessoa pode utilizar o material, basta citar a fonte.

segunda-feira, julho 30, 2012

História do Brasil - Aula 2 - Colonização do Brasil: Capitanias Hereditárias



Segunda aula de História do Brasil do 3º Bimestre. Vocês podem visualizar todos os slides aqui no site ou podem baixar direto do site Slide Share. A aula destina-se aos alunos e alunas do Terceiro Ano do Colégio Militar de Brasília, mas qualquer pessoa pode utilizar o material, basta citar a fonte.

quarta-feira, julho 25, 2012

História Geral - Aula 1 - Introdução à História e Pré-História



Primeira aula de História Geral do 3º Bimestre. Vocês podem visualizar todos os slides aqui no site ou podem baixar direto do site Slide Share. A aula destina-se aos alunos e alunas do Terceiro Ano do Colégio Militar de Brasília, mas qualquer pessoa pode utilizar o material, basta citar a fonte.

quinta-feira, junho 21, 2012

Aulas para Baixar


Como eu sempre mexo as aulas feitas pelo professor Vicente, tirando e colocando informações e imagens, os alunos e alunas pedem que eu disponibilize esse material, também. Enfim, está um pouco atrasado, mas vocês já podem baixar as aulas de Revolução Cubana, Guerra do Vietnã e Guerra da Coréia. Coloco as outras depois. O pacote com a versão do professor Vicente está disponível faz tempo. É só clicar aqui.

terça-feira, abril 24, 2012

Aulas do Segundo Bimestre



Já estão disponíveis para download as aulas em power point que usamos em sala de aula. Como alguns alunos e alunas insistem que eu coloque logo, a maioria delas são a versão do Prof. Vicente, sem que eu tenha feito qualquer alteração. Isso significa, por exemplo, que eu não mexi na aula de não mexi na aula de Guerra do Vietnã e irei fazer isso nos próximos dias (*isso se não estiver reformada no meu lap top*). Então, quem quiser a versão atualizada terá que esperar ou que pegar em sala de aula. Basta levar o pendrive. Quem não for aluno do Colégio Militar de Brasília pode utilizar as aulas, mas peço que dê os créditos. Para baixar, é só clicar: GERAL (*Guerra Fria, Descolonização Afro-Asiática: Índia, Revolução Chinesa, Guerra da Coréia, Formação do Estado de Israel, Independência de Angola, Revolução Cubana, Fim da Guerra Fria*) – BRASIL (*Governos: Dutra, Vargas, JK, Jânio Quadros, Joao Goulart, Governos Militares, Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula*). Para as aulas do 1º Bimestre, clique aqui.

quinta-feira, abril 19, 2012

Hoje é Dia de Lembrar das Vítimas do Holocausto



No calendário judaico, hoje é 27 de Nissan, dia de lembrar as vítimas do Holocausto Judaico perpetrado pelos Nazistas e seus aliados. Em Israel, o Yom HaShoah (*Shoa é Holocausto*), é feriado nacional desde 1959. A data foi escolhida para lembrar o levante do Gueto de Varsóvia, em 19 de abril de 1949. Como o calendário judaico é lunar, a data é móvel, isto é, nem sempre cairá no nosso (* Gregoriano*) 19 de abril. De qualquer forma, em tempos como os nossos é preciso não esquecer das vítimas do Holocausto, um extermínio planejado e executado em minúcias, os judeus foram a maioria,mas os ciganos, por exemplo, foram sistematicamente exterminados. Da mesma forma que deficientes físicos e mentais alemães. Outros grupos - homossexuais, comunistas, testemunhas de Jeová, gente que escondia e ajudava os judeus, etc. - também foram aprisionados, submetidos ao regime e trabalho escravo e outros abusos, e, em alguns casos, mortos.

Hoje, conforme o Holocausto se torna algo distante para a maioria dos jovens, há quem não acredite que tais atrocidades aconteceram, há quem seja capaz de rir da dor de milhões, há quem por solidariedade aos palestinos seja insensível ao Holocausto, há quem tente diminuir o impacto de tão grande demonstração da falta de humanidade dos seres humanos. É preciso lembrar, é preciso não esquecer. Como ouvi de uma vítima do Holocausto uma vez "Nunca mais!". Sim, nunca mais! Não podemos esquecer, porque se esquecermos, algo semelhante pode voltar a acontecer. E termino deixando as palavras de uma menina, Anne Frank, que acreditou no futuro, ainda que não tenha podido vê-lo. Outros levaram adiante o sonhe que ela sonhou:
“Realmente, é de admirar que eu não tenha desistido de todos os meus ideais, tão absurdos e impossíveis eles são de se realizar. Conservo-os, no entanto, porque apesar de tudo ainda acredito nas pessoas, no fundo, são realmente boas. Simplesmente não posso construir minhas esperanças sobre alicerces formados de confusão, miséria e morte. Vejo o mundo transformar-se gradualmente em uma selva. Sinto que estamos cada vez mais próximos da destruição. Sofro com o sofrimento de milhões e, no entanto, se levanto os olhos aos céus, sei que tudo acabará bem, toda essa crueldade desaparecerá, voltarão a paz e a tranquilidade.”

Anne Frank, 15 de Julho de 1944

terça-feira, abril 17, 2012

Estude no Japão: Palestra em Brasília


Todos os anos, o Governo do Japão e outros governos oferecem bolsas de estudo para estudantes brasileiros. No caso da Embaixada do Japão, eles promovem palestras e eu recebi o e-mail avisando da próxima aqui em Brasília (*deve haver palestras em outras capitais, com certeza*). Segue as informações:
“A Embaixada do Japão e a ABRAEX, em colaboração com a UnB, realizará uma palestra de divulgação das bolsas de estudo do governo japonês, com depoimentos de ex-bolsistas, além de falar sobre as perspectivas do Programa Ciência Sem Fronteiras no Japão, no dia 19 de abril, das 9h30 às 12h, no auditório da Faculdade de Tecnologia, da UnB.”
O Governo japonês oferece vários tipos de bolsas, desde formação técnica até pós-graduação e aperfeiçoamento de professores. Se tem curiosidade, dê uma passada pela UnB. Você pode até não se enquadrar este ano, mas pode se preparar para tentar ano que vem ou depois. Deve valer muito a pena.

domingo, abril 01, 2012

Camelos já habitaram o Norte da Europa





E, segundo uma pesquisa feita por cientistas belgas, não foi algo natural. Os romanos teriam levado camelos e dromedários para o norte da Europa e eles viveram no continente entre os séculos I e V d.C. Como o processo era artificial, isto é, o clima não era favorável e eram mantidos pelos romanos, os bichos terminaram desaparecendo. De qualquer forma, é uma matéria muito interessante e foi publicada pela Folha de São Paulo. Segue o texto:

Romanos levaram camelo para o norte da Europa




Pesquisa belga mostrou a presença do animal em 22 sítios arqueológicos. Há exemplos de duas espécies e de híbridos delas no Reino Unido, na Alemanha, na França e na Hungria.

REINALDO JOSÉ LOPES 
EDITOR DE “CIÊNCIA E SAÚDE”

Quem lê uma pesquisa que acaba de ser publicada no site da revista especializada "Journal of Archaeological Science" se sente seriamente tentado a repetir o bordão do guerreiro gaulês Obelix: "Esses romanos são loucos!".

De fato, só um império não muito certo das ideias seria capaz de levar camelos para lugares tão frios quanto as atuais Greenwich (subúrbio de Londres), Arlon (Bélgica) ou Windisch (Suíça). 

Se era maluquice, demorou a passar. O estudo, assinado por Fabienne Pigière, do Real Instituto Belga de Ciências Naturais, e Denis Henrotay, do Serviço de Arqueologia da Bélgica, inclui um levantamento de todos os restos de camelos achados em sítios arqueológicos do Império Romano no norte da Europa e identificou nada menos que 22 casos. 

Eles vão do Reino Unido, no oeste, à Hungria, no leste, passando pela França e pela Alemanha. A dupla belga adicionou ao conjunto os oito ossos de camelos (para ser mais preciso, um dromedário adulto, bastante parrudo) que Henrotay achou ao escavar um forte romano em Arlon, de 2003 a 2006. 



PELOS SÉCULOS

Os pesquisadores obtiveram ainda estimativas da idade dos restos mortais, e eles abrangem praticamente todo o período de domínio romano na Europa, do século 1º, quando Augusto se tornou o primeiro imperador e Jesus viveu, ao século 5º, quando os bárbaros germânicos finalmente acabaram com Roma. 

As análises dos ossos também indicam que ambas as espécies de camelos domésticos do Velho Mundo -além do dromedário, de uma corcova, há também o camelo-bactriano, com duas- foram parar na fronteira norte do Império Romano. E até híbridos dos dois bichos aparecem na amostragem. 

Que diabos os ruminantes estavam fazendo por lá, afinal? Os restos são encontrados tanto em contextos militares (como o forte de Arlon) quanto civis -um exemplar isolado foi achado num anfiteatro. Em geral são bichos adultos e robustos, e há uma associação entre os restos e a presença das excelentes redes de estradas que os romanos adoravam construir. 

Por isso, a hipótese mais provável, para os especialistas, é que os bichos eram usados como animais de carga, transportando mercadorias vindas da parte sul do Império – que englobava lugares como a Síria, Israel e o Egito. 

De qualquer maneira, levar os bichos para lá provavelmente era uma ideia de jerico, diz Leonardo dos Santos Avilla, zoólogo da Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro). 

Ele explica que o camelo-bactriano, por exemplo, é um animal de clima frio e seco (os dromedários, por sua vez, preferem o calor). 

Em áreas frias e úmidas, os bichos teriam sérios problemas na ponta das patas, como risco elevado de artrite. "A situação seria ainda pior para os cascos, eles poderiam até apodrecer", diz Avilla.

quarta-feira, março 21, 2012

CINEPREVEST: A Vida è Bela


A Vida é Bela (La Vita è Bella, 1997) é o primeiro filme do CINEPREVEST do ano. Sucesso de público e crítica, ele foi muito elogiado por conseguir abordar um tema pesado – o Holocausto – com leveza, sensibilidade e (pasmem) humor. O filme foi indicado à vários prêmios e recebeu três oscar (filme estrangeiro, ator, trilha sonora); o grande prêmio do público no Festival de Cannes, o César (*“oscar” francês*) de filme estrangeiro; o Goya (*prêmio espanhol*) de filme europeu; o BAFTA (*prêmio inglês*) de melhor ator; o prêmio David di Donatello (*prêmio italiano*) de melhor ator, fotografia, melhor figurino, melhor diretor, melhor filme, melhor produção, melhor cenografia e melhor roteiro. Quer assistir? A sinopse do filme é a seguinte:
Na Itália dos anos 40, Guido (Roberto Benigni) é levado para um campo de concentração nazista e tem que usar sua imaginação para fazer seu pequeno filho acreditar que estão participando de uma grande brincadeira, com o intuito de protegê-lo do terror e da violência que os cercam.
Onde? Quando? 29 de março, quinta-feira, 13h30, no mini-auditório. Após o filme, teremos debate com os professores de história. Só mais alguns detalhes: A Vida é Bela derrotou Central do Brasil, o nosso melhor concorrente ao Oscar de todos os tempos, e, por isso, muita gente na época tomou antipatia pelo filme. Acreditem, nada mais injusto, o filme é muito bom. E, infelizmente, eu (Prof.ª Valéria) não estarei presente. Da próxima vez, tenham certeza de contar comigo. O filme está disponível para compra na Livraria Cultura e no Submarino.

Gen Pés Descalços vira material didático no Japão



Segundo o ANN, o mangá Gen Pés Descalços (はだしのゲン – Hadashi no Gen), de Keiji Nakazawa, será usado como material didático nas escolas de Hiroshima por crianças a partir da terceira série do ensino fundamental. A imagem do post original – e eu estou usando por base o do ANN – mostra um livro didático com partes do mangá. A notícia explica que o objetivo do conselho de educação local é utilizar o mangá em todos os níveis educacionais até o ano escolar de 2013 dentro do programa de Educação para a Paz (Peace Education Program). Achei a iniciativa excelente. Gen é um retrato muito vivo da tragédia nuclear no Japão, além de ser extremamente crítico ao militarismo do governo japonês na época da II Guerra. É importante que as crianças e adolescentes possam ter contato com obras que tenham uma abordagem responsável de questões tão terríveis em um momento em que muitos cultuam a violência sem se importar com seus desdobramentos. Gen Pés Descalços está saindo em uma novíssima edição no Brasil pela editora Conrad e merece muito ser lido. Se quiser comprar: Livraria Cultura - Submarino.

domingo, março 11, 2012

Rosa Luxemburgo: Recomendação de filme



Rosa Luxemburgo (1871-1919) foi uma das maiores pensadoras do século XX e corajosa o suficiente para criticar os rumos da Revolução Russa no momento em que ela estava em andamento. Uma das suas frases mais emblemáticas e muito válida na semana em que “comemoramos” o Dia Internacional das Mulheres é "Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem". Em 1986, foi lançado o filme Rosa Luxemburgo (Die Geduld der Rosa Luxemburg), dirigido por Margarethe von Trotta, o filme deu o prêmio de melhor atriz para Barbara Sukowa no Festival de Cannes. O filme acompanha a trajetória política de Luxemburgo, sua atividade como socialista e pacifista, crítica do governo do Kaiser, até a sua morte em 1919, assassinada durante a Revolução Spartaquista em 1919. O vídeo acima é um dos discursos de Rosa Luxemburgo no filme. Tem legendas em português.

Lista de exercícios para a prova



Terça-feira é a nossa prova e como alguns alunos e alunas pediram, eis uma lista de exercícios sugeridos como preparação para a avaliação. Lembrem-se que esta primeira avaliação é de múltipla escolha com 5 itens. As páginas e exercício correspondem às apostilas do Poliedro de 2011. Edições anteriores têm paginações diferentes e exercícios diferentes. Como foi avisado, ninguém é obrigado a comprar o material didático atualizado, mas os professores sempre irão se pautar pela última edição atualizada. Segue a lista de exercícios:

Livro 3
p. 25 – 2, 7, 8.
p. 28 – 7, 8, 20, 21.
p. 29 – 26.
p. 30 – 31, 33.
p. 31 – 37.
p. 33 – 47, 48, 49, 51, 52.
p. 34 – 53, 55, 58.
p. 52 – 1, 2.
p. 53 – 3, 5, 6, 7.

Livro 4
p. 104 – 7, 8, 9, 10, 11, 12, 14, 15.
p. 105 – 16, 17, 18.

P.S.: Este post é direcionado para os alunos e alunas do Terceiro Ano do Ensino Médio de 2012 do Colégio Militar de Brasília.

Atualidades de História



Toda semana o Prof. Vicente prepara um jornalzinho com as principais notícias de diversas áreas. É uma forma de ajudar @s alun@s a se manterem atualizados dos principais tópicos dos grandes jornais nas áreas de política, economia, cultura, etc. Para que tod@s @s alun@s possam ter acesso, eles serão colocados para download aqui no site quinzenalmente. Para baixar, é só clicar:

ATUALIDADES - 05/03
ATUALIDADES - 12/03

segunda-feira, março 05, 2012

Aulas do Primeiro Bimestre



Conforme prometido, aqui estão as aulas de História do Brasil e História Geral. O objetivo principal é atender aos alunos e alunas do Terceiro Ano do Colégio Militar de Brasília, mas qualquer pessoa tem direito de baixá-las e utilizá-las desde que creditem a fonte. Para baixar, clique nos links a seguir: BRASIL - GERAL.

domingo, março 04, 2012

Cinema & História: A Dama de Ferro



Hoje à tarde finalmente consegui assistir A Dama de Ferro. Apesar de já ter o filme no meu HD, fui ao cinema acreditando que poderia, sim, ser um bom filme. Enfim, se eu tivesse que resumir em uma palavra The Iron Lady seria engodo. Antes que alguém se espante, afinal, Meryl Streep levou o Oscar, explico que são coisas diferentes. O desempenho da atriz, assim como o de Jim Broadbent, que faz o marido da Primeira-Ministra, é soberbo, mas o filme deixa muito, muito, muito a desejar. Tentarei explicar de forma bem econômica: não se deixe enganar pelo trailer, pois você não vai ver um filme sobre Thatcher, a Dama de Ferro, mas sobre as reminiscências de uma velhinha solitária e perdendo a sanidade. Gato por lebre, acredite. No entanto, vou tentar observar o filme por vários ângulos, afinal, não considero a película de todo ruim.

Margaret Thatcher merece um lugar na História, afinal, conseguiu ser a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra em um país ocidental (foi precedida por Golda Meir em Israel e Indira Gandhi na Índia) e o político a permanecer por mais tempo nessa função durante o século XX, governando de 1979 até 1990. Ela foi tão icônica, que há uma anedota inglesa sobre o menininho que perguntou ao professor de História se homens podiam ser primeira-ministra. Vejam bem, que até a eleição de Dilma, muita gente dizia que uma mulher jamais seria eleita para o cargo ou que teríamos que esperar umas boas décadas. Thatcher é, portanto, uma personagem muito importante quando se pensa em mulheres ocupando o comando de nações. Antes que alguém fale que a Inglaterra tem e teve rainhas, vale lembrar que, até a recente lei que acaba com a primazia masculina, rainhas na Inglaterra eram um acidente, elas estão lá porque, por azar, nenhum menino nasceu antes ou depois delas. Triste, não é?

Só que a mesma Thatcher se comportou como qualquer outro político conservador, ou até mais ainda, porque talvez tenha ajudado a redefinir as políticas do partido, atacando sindicatos, cortando direitos sociais, favorecendo a concentração de renda, reprimindo violentamente os irlandeses, privatizando a economia inglesa, mostrando desprezo pelos milhares de desempregados. Aliás, quando ministra da educação, ela cortou o leite das criancinhas. Para que, não é? Precisamos economizar. Thatcher junto com Ronald Reagan são os maiores responsáveis pela imposição das políticas neoliberais. Os frutos estão seno colhidos agora. Há melhor momento para se fazer um filme sobre Thatcher? Se o filme fosse abordar essas questões seriamente, mas não foi bem o caso.

A Dama de Ferro tem como foco principal a senil ex-primeira-ministra da Inglaterra. As memórias da sua trajetória política são fragmentadas e pontuadas com alucinações nas quais ela imagina que seu marido, Denis Thatcher (Jim Broadbent), ainda está vivo. Tudo que vemos do tempo de Thatcher adolescente, postulante à carreira política, mãe, ministra da educação, primeira-ministra é flashback. E tudo, como já pontuei, muito fragmentado. Quando a gente começava a gostar e, caramba, ame ou odeie Thatcher, ela foi impressionante e interpretada por Meryl Streep... a cena era cortada e voltávamos para a velhinha debilitada, sua solidão, sua saudade do marido, etc., etc. Assim, um balde d'água fria. Os trailers de A Dama de Ferro fazem parte do engodo. Eu cheguei em casa e fui assistir todas as versões que encontrei. Procure a Thatcher idosa. Ela aparece muito rapidamente, nunca vemos uma cena dela. Parece até "pegadinha do malandro".

Se eu tivesse ido ao cinema ver um filme sobre a solidão da velhice, sobre a incapacidade da nossa sociedade atual em valorizar o passado, sobre a dificuldade em se perder alguém que se ama, OK. Só que o trailer e as críticas me venderam que era um filme sobre A Dama de Ferro. Mesmo a entrevista com a Meryl Streep, que coloquei aqui no blog, não deixou claro que o fio condutor seria a mulher senil. Sabia da cena de Thatcher comprando leite, mas acreditava que essa faceta da personagem, que, aliás, ainda está muito viva, seria detalhe. Só que não é. Como representação da velhice, da angustia do esquecimento e da saudade, o filme é bom. No entanto, o filme é sobre Margaret Thatcher e a todo instante somos levados a esquecer disso... Só que paguei ingresso para ver a política aguerrida e insensível para com as questões sociais. Cadê? Vendo o filme, entendi perfeitamente porque não foi indicado para Melhor Filme, Roteiro ou Direção (*OK, a diretora é mulher, provavelmente ficaria de fora mesmo...*) . Simplesmente, não merecia.

Como a longa trajetória política de Thatcher como primeira-ministra é detalhe, algumas questões não são tocadas, como a aliança com Ronald Reagan (*Ah! Mas eles aparecem dançando!*), o fim da Guerra Fria (*mas é dito que a primeira-ministra quer acabar com ela!*) e a questão irlandesa. Por que eles estavam fazendo atentados mesmo? Por que tentaram matar a Primeira-Ministra e seu marido fofo? O filme não explica. Parecem omissões propositais, especialmente, o caso Reagan. De resto, a trajetória política e mesmo a vida de Thatcher é mostrada como memória fragmentada. Sabemos que desde cedo ela se interessa por política, que seu pai era atuante em sua cidade, que ele a incentivava, enquanto sua mãe a puxava para a cozinha. Sabemos que ela era pobre, que teve que se esforçar para conseguir ir para Oxford. Mas o que ela estudou mesmo? Daí, pulamos para o início de sua carreira política e seu encontro com o marido. E vamos de salto em salto. Opção? Sim, mas quem saiu perdendo foi o filme. O destaque maior desses saltos são as cenas de arquivo mostrando as manifestações, os embates entre manifestantes e a polícia, e a violência da repressão.

O desempenho de Meryl Streep como Thatcher foi soberbo. Algumas cenas, são fantásticas, mas o mérito é dela, não do roteiro ou da direção. Eu não lembrava bem da forma como Thatcher falava. Achei a entonação de Streep bem irritante, menos, depois que ela passa a ser treinada para se candidatar à chefia do partido conservador, mas era exatamente assim que Thatcher falava. Olhem só esse vídeo. Streep deu o seu máximo para conseguir dar vida à Margaret Thatcher e à velhinha inventada para o filme. Sim, inventada, porque Streep diz que Thatcher e seus familiares não colaboraram com o filme e que essa parte dependeu muito da sua interpretação. Streep interpreta Thatcher adulta e idosa, e a maquiagem só serviu para acentuar seu desempenho. Já a Thatcher jovem foi muito bem interpretada por Alexandra Roach. Mas além de Streep, quem arrasou foi Jim Broadbent, ele merecia ser indicado como coadjuvante.

Antes do fim resta tocar em uma questão importante. Há quem esteja querendo vender Thatcher como um modelo para as mulheres. Outros se preocupam com a suposta tentativa do filme em fazer dela um ícone feminista. Thatcher é importante para as mulheres, aliás, escrevi isso lá no início do texto. Ela abriu caminho e é tão simbólica como Obama nos EUA, ou Dilma aqui. Isso quer dizer que ela era feminista? Não. E o filme não a vende assim. Aliás, há uma cena em que Thatcher idosa mostra desprezo pela fala de uma mulher que diz que ela foi inspiradora para as mulheres e para ela. Thatcher no filme estava interessada em vencer e chegar o mais longe possível, afinal, ela tinha sido estimulada desde cedo pelo pai. Ela não questiona os papéis das mulheres, ela os despreza, ela prefere os homens. Prestem atenção na questão das xícaras. É algo fundamental para se entender o caráter dela. Thatcher não estava pensando em mudar o lugar que as mulheres – a maioria delas, pelo menos – ocupavam na sociedade, ela simplesmente não queria ocupá-lo. Vencer, dependeu dela mesma. É isso que o filme vende. Aliás, ela é a self made woman, no máximo, ela dá algum crédito ao pai, de resto, ela chegou lá por seus esforços.

Agora, como o filme foi feito pro mulheres, a diretora (Phyllida Lloyd) e a roteirista (Abi Morgan) não deixam de discutir questões de gênero. Adolescente, Thatcher é puxada pela mãe para as prendas domésticas. Candidata a primeira vez, ela é tratada com complacência e desprezo porque reúne três estigmas, é mulher, é jovem, e tem origem nas classes trabalhadoras. Depois, no Parlamento, ela é sempre mostrada como única entre homens e a sala das deputadas é minúscula e tem uma tábua de passar ocupando boa parte do espaço. E para achar um banheiro? Como Ministra, é acusada de histérica, afinal, ela é mulher, é a acusação machista mais fácil. Quando no caso das Malvinas, ela diz ao Embaixador Americano que esteve em guerra sua vida inteira. Sim, mesmo quando uma mulher na política, ou um gay, ou outra minoria qualquer, levam à sério seu papel, mesmo quando não levantam bandeiras sociais, eles sofrem. Sofrem somente por estarem lá. E eu não tenho dúvidas que Thatcher levava seu papel á sério, ainda que eu não concorde com a forma como ela conduzia a sua política. Agora, cortaram uma cena que aparece no trailer, quando Thatcher à frente de um bandão de chefes de Estado – todos homens – diz "Gentlemen, let's join the ladies!". Sim, porque ela, Thatcher, podia ser mulher, mas não era uma das "ladies", ela era única, pois tinha invadido o "clube do bolinha". Essa cena precisava estar no filme para fazer par com a outra, lá do início do filme, quando a jovem candidata Thatcher é obrigada a "se juntar às damas", enquanto os homens conversam coisas sérias, ou seja, política e economia. :)

O filme, claro, cumpre a Bechdel Rule. Há várias mulheres personagens, com nomes, e que conversam entre si e não é para falar de algum homem. Isso é importante, porque, como pontuei, Thatcher tem como seus grandes parceiros em tela homens, seu marido e os políticos. Ainda assim, a diretora e a roteirista cuidaram de colocar outras mulheres em cena. O destaque para a filha de Thatcher e a governanta. Enfim, se você quiser ver um filme melancólico sobre a velhice sem se importar que a velhinha é Thatcher, esse filme é para você. Se é fã de Meryl Streep, que conseguiu levar o Oscar dessa vez, não pode deixar de assistir. Agora, se quiser saber sobre os anos que antecederam a subida de Thatcher ao poder, sua política e seus desdobramentos, melhor pegar Billy Elliot, Ou Tudo ou Nada, ou ainda Em Nome do Pai. E, claro, a miséria do neoliberalismo está aí para quem quiser ver nos jornais. O importante, no entanto, é tentar separar a antipatia (*ou simpatia*) em relação à personagem Margaret Thatcher, da percepção geral do filme. Infelizmente, pelo que observei, muita gente não está conseguindo fazer isso.
P.S.: As legendas estavam horríveis. Um dos piores trabalhos de tradução/adaptação dos últimos tempos. Para quem não entendia inglês, houve muita informação perdida. Como é possível oferecer um serviço tão ruim aos consumidores?

sábado, março 03, 2012

Quando o Infanticídio era obrigatório: como os valores mudaram ao longo da História



O jornal inglês Daily Mail trouxe uma longa matéria sobre a discussão suscitada por uma filósofa que defende que os médicos tenham o direito de matar recém nascidos deficientes, porque eles não seriam seres humanos plenos. Não entrando, no mérito da discussão – e digo que sou contra o infanticídio – achei que o texto falando das diferentes perspectivas sobre a questão ao longo da História merecia ser traduzido. Claro, que faltou falar da prática dentro de sociedades cristãs e islâmicas, porque há muitas referências sobre isso, apesar das condenações religiosas, e que o judaísmo também condena o infanticídio, mas, no geral, é um texto bem escrito. O original está aqui. Segue a tradução:
Quando o Infanticídio era obrigatório: Como os valores mudaram ao longo da História

Apesar do infanticídio parecer um conceito desumano para muitas pessoas, houve períodos da história nos quais ele foi um comportamento aceitável – e mesmo uma obrigação legal. Na cultura romana, crianças com deficiências físicas eram freqüentemente abandonadas pelos pais que não as queriam ou podiam arcar com o encargo econômico. A criança seria simplesmente deixada do lado de fora da casa para morrer de fome ou vítima das intempéries em uma prática conhecida como "exposição". Era um procedimento estabelecido e aceitável.

Em 1912, a Villa de Yewsden foi escavada em Hambleden, Buckinghamshire, e os pesquisadores ficaram chocados ao descobrir os corpos de 97 bebês em um vala comum. Os bebês aparentemente tinham sido mortos logo depois do nascimento, e a teoria geralmente aceita era de que o sítio ficava perto de um bordel. Com a falta de métodos anticoncepcionais nos tempos romanos, gravidezes indesejadas deveriam ser muito mais comuns, e túmulos coletivos é um outro exemplo de que o infanticídio não deveria representar um grande dilema ético nesse período. Arqueólogos acreditam que os romanos não consideravam crianças como seres humanos "plenos" até que atingiam a idade de dois anos, e bebês que morriam antes dessa idade não eram enterrados em cemitérios, mas em áreas públicas ou comuns. Entretanto, um casal romano tinha o direito de criar uma criança com deficiências físicas.

Em Esparta, havia pouca escolha nesta questão. Recém nascidos eram vistos como propriedade do Estado e todos os bebês eram inspecionados pelo líder da comunidade. Se a criança mostrasse sinais de deformidade ou de problemas de saúde, os pais recebiam a ordem de expor [abandonar] a criança. Muitos pais na Antiga Grécia também abandonavam os recém nascidos por causa de doença, pressão financeira, ou simplesmente por ter o "sexo" errado em uma sociedade dominada pelos homens.

Muitas religiões não levantavam objeções morais ao infanticídio, apesar do Cristianismo e do Islã se distinguirem pela sua rejeição à prática. Deixar a criança "exposta" ao clima era o método preferido, porque significaria que a criança morreu por causas naturais, o que era uma morte mais "moralmente" aceitável do que matar diretamente a criança. A prática geralmente desapareceu, e foi colocada fora da lei nos últimos anos do Império Romano. Entretanto, há referências ao infanticídio em várias culturas em todos os períodos da História, e ainda se acredita que persista em certas regiões da Índia, da África, e China. A controversa política do “filho único" chinesa faz com que muitas crianças sejam abandonadas após o nascimento.
P.S.: Essa filósofa parece estar à serviço dos grupos que defendem o confisco do direito de aborto, porque esse tipo de analogia é típico dos grupos pró-vida.

sexta-feira, março 02, 2012

Atualidades de História



Toda semana o Prof. Vicente prepara um jornalzinho com as principais notícias de semana. Para que tod@s @s alun@s possam ter acesso, eles serão colocados para download aqui no site. Geralmente, por quinzena, dois jornais por vez. Excepcionalmente, temos os três primeiros nesse post. Para baixar, é só clicar.

ATUALIDADES - 02/02
ATUALIDADES - 13/02
ATUALIDADES - 27/02

Palestra de História da América



Como prometido, a palestra de História da América está aqui disponível para download. O material é prioritariamente para os alunos e alunas do Terceiro Ano do Colégio Militar de Brasília, mas está aberta para quem desejar baixar. Caso você utilize o material para dar aula ou algo similar, por favor, credite a fonte. Para baixar, clique AQUI.

sábado, fevereiro 25, 2012

80 Anos de Voto Feminino no Brasil



Ontem, 24 de fevereiro, comemorou-se os 80 anos da concessão do direito de voto às mulheres no Brasil. Dentro do código eleitoral provisório ficou estabelecido que poderiam votar todas as mulheres alfabetizadas e maiores de 21 anos. As diferenças entre o voto feminino e masculino existiam. O voto das mulheres era facultativo, enquanto o dos homens era obrigatório. E a diferença mais gritante – e que foi retirada do texto definitivo – é que mulheres casada só poderiam votar com a autorização por escrito do marido, afinal, ele tinha autoridade sobre ela. No entanto, para que uma mulher fosse eleitora, ela precisava ser remunerada e, claro, provar. Percebem que, apesar do avanço, a maioria das mulheres continuavam ainda excluídas do direito ao voto?

Ainda assim, não pensem, no entanto, que o direito de voto foi um "presente" dos homens, assim, um mimo. Foi fruto de muitas lutas e demandas. Não vou abrir o leque para o mundo, mas só para ficarmos no Brasil, a discussão já existia na época da primeira constituição republicana em 1891. Aliás, oficialmente, as mulheres foram excluídas do direito ao voto nesse momento, já que a Constituição do Império não estabelecia restrições de sexo ou relativas à alfabetização. O critério era ser livre e ter a renda exigida para votar em 1ª instância. Agora, nunca li de mulher que tenha tentado votar, ou, se alguma votou, a informação não foi desenterrada ainda. Como historiadora a minha regra é "nunca diga nunca".

A demanda pelo direito ao voto foi crescendo com a articulação de diversas mulheres, feministas, ou não, mas que demandavam uma cidadania plena. Voto é sinônimo de cidadania, privar as mulheres dele é tira-lhes o direito de participar das decisões, de serem agentes políticos plenos. Como na República Velha havia grande autonomia dos Estados da Federação, em 1927, o Rio Grande do Norte concedeu o direito de voto às mulheres e houve a eleição de primeira prefeita do Brasil, Alzira Soriano de Souza. No entanto, apesar dos protestos das mulheres, que foram para as ruas, seus votos terminaram sendo anulados.

Com a Constituição de 1934 o voto feminino passou a ser obrigatório para todas as mulheres que exercessem profissão pública e remunerada, mas algumas restrições persistiram. Para se ter uma idéia, a exigência de que fossem remuneradas só foi abolida definitivamente em 1965. Imagino que a coisa não fosse cobrada, mas continuava na lei, assim como outras restrições à plena cidadania das mulheres persistem até hoje. Não pense que seus direitos caíram do céu. Não desdenhe da luta de tantas mulheres (e homens, também) de gerações passadas. Há quem reclame do voto obrigatório, e é legítimo discutir sobre esta questão, mas não pense que o direito de voto foi algo que sempre existiu, que as mulheres foram sempre convidadas ou intimadas a participar, muitos desejam até hoje nos privar desse direito. Para terminar, cito a minha orientadora (querida), a prof.ª Tânia Navarro-Swain:
Em tese, [o direito ao voto] representa a não discriminação do feminino no processo político, pois as mulheres podem não apenas votar, como serem votadas. Representa igualmente levar em conta as reivindicações das mulheres no quadro socioeconômico do País e sua intervenção na elaboração de políticas públicas específicas e globais.
Espero que o texto seja útil para algumas reflexões. Eu queria ter terminado ontem, mas a internet estava tão ruim que eu não conseguia navegar nas páginas.

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Coleção de quadrinhos achada em sótão é leiloada por US$ 3,5 milhões



Há quem não dê valor à livros e revistas velhas, pois bem, um americano que começou a fazer sua coleção de quadrinhos nos anos 1930 - boom dos comics de supers associado aos efeitos da grande depressão - e deixou um verdadeiro tesouro depois de morrer. Sua família só descobriu o que possuía 17 anos depois. E, bem, a primeira revista do Batman custou míseros 10 centavos e foi vendida por mais de 500 mil dólares. O número 1 do Super Homem valeu muito menos... Segue a notícia, se quiser mais completa em inglês, clique aqui.

Coleção de quadrinhos achada em sótão é leiloada por US$ 3,5 milhões

Edição com a estréia de Batman, que custou 10 centavos em 1939, arrecadou mais de US$ 500 mil.

Da BBC

Uma coleção de histórias em quadrinhos que haviam sido encontradas em um porão arrecadou US$ 3,5 milhões em um leilão emNova York na quarta-feira (23). Os 345 gibis foram comprados nos anos 1930 por Bill Wright, do Estado americano de Virgínia, quando ele era garoto. Wright morreu sem nunca ter dito à família que possuía os gibis.

As histórias em quadrinho passaram 17 anos no porão da casa de Wright, na cidade de Martinsville, sem nunca terem saído do lugar. No ano passado, elas foram descobertas durante uma faxina no local por um dos seus parentes, que colocou tudo à venda.

Uma cópia da edição de número 27 do gibi Detective Comics, que foi comprada por Wright por dez centavos em 1939, arrecadou o maior valor no leilão de quarta-feira: US$ 523 mil, ou quase R$ 900 mil. A edição é famosa por ser a primeira aparição do herói Batman. Outro gibi - o número um da Action Comics, de 1938 - foi vendido por US$ 299 mil (mais de R$ 510 mil). O quadrinho é o primeiro com o Super-homem.

'Este episódio já conquistou um lugar na história das grandes coleções de quadrinhos', disse Lon Allen, que é diretor da Heritage Auctions, a empresa que leiloou os gibis. Segundo ele, a 'incrível' coleção é uma prova de que Wright tinha um dom para comprar os gibis mais valiosos. Especialistas afirmam que outro fator que valorizou a coleção é o fato de ela ter sido montada quando o dono ainda era garoto.