sábado, maio 26, 2007

2º BIMESTRE: GRÉCIA 2


PERÍODO HOMÉRICO - SÉCULO XII A VIII a.C.


- POR QUE PERÍODO HOMÉRICO?

§ Esse período recebeu esse nome em homenagem à Homero, considerado o maior de todos os poetas gregos. As obras creditadas à Homero são a Ilíada, que narra a guerra entre os gregos e os troianos, e a Odisséia, que mostra a viagem de retorno de Ulisses, um dos heróis da Guerra de Tróia, ao seu reino na ilha de Ítaca.

- AS COMUNIDADES GENTÍLICAS: Depois das invasões dórias, houve uma retração da vida urbana e a reorganização da vida em torno de células familiares, um tipo de clã que na Grécia Antiga eram chamados de genos. Essas comunidades extensas tendiam a ser auto-suficientes; a terra pertencia a todos; o chefe do clã era chamado de pater que detinha o poder político e religioso. O paterfamíliaa presidia um grupo que tinha os mesmos ancestrais, as mesmas leis, costumes e tradições, sendo o poder passado do pai para o filho mais velho. Como a terra era pouca para todos, as guerras, a pirataria e os saques eram constantes. Quando necessário os genos trocavam mercadorias e escravos entre si. Se havia a necessidade de algum serviço extra, que não pudesse ser suprido pelos membros dos genos, eram contratados os serviços de indivíduos que não tinham terras nem privilégios, os tetas. A economia no período girava em torno da agricultura e do pastoreio.

- SOCIEDADE: Era formada por:

§ Aristocracia Rural – proprietária de terras – e seus familiares;
§ Homens Livres – pequenos comerciantes e artesãos;
§ Os Escravos – que faziam vários tipos de trabalho;
§ Os Tetas – homens livres, sem terras, sem privilégios. Por serem desprotegidos estavam em situação pior do que a dos escravos;

- DESAGREGAÇÃO DOS GENOS: Com o crescimento populacional; o aumento exagerado do número de escravos que passaram a fazer os trabalhos que antes eram executados pelos tetas; e a divisão dos genos em pequenas famílias com a concentração das terras nas mãos do pater e seus familiares diretos, as comunidades gentílicas começaram a se desagregar. A propriedade privada começou a se tornar regra e privilégio de uma aristocracia militar, sendo que o pater começou a adotar o título de basileu (rei). Essa situação acabou provocando a chamada segunda Diáspora Grega com a saída de parte da população, em sua maioria tetas, em busca de melhores condições de vida e terras fora da Grécia. As colônias fundadas deram origem a chamada Magna Grégia.

sexta-feira, maio 25, 2007

2º BIMESTRE: GRÉCIA 1


- LOCALIZAÇÃO: A Grécia se localiza na Península Balcânica, 80% de sua área é montanhosa e dificulta o desenvolvimento da agricultura, além de favorecer o isolamento político que na Antigüidade deu fruto ao sistema políade.[1] Seu litoral é recortado tendo muitas baías e portos naturais, além de centenas de ilhas. Os gregos chamavam seu território de Heláde e a si mesmos de helenos. Podemos dividir a Grécia nas seguintes regiões:

*** Grécia Continental.
*** Grécia Peninsular (Peloponeso e Golfo de Corinto)
*** Grécia Insular
*** Grécia Asiática (Ásia Menor)
*** Magna Grécia (Principalmente as colônias italianas)

- POPULAÇÃO: é composta por uma mistura de povos que se estabeleceram na região em épocas diferentes. Esses povos, em sua maioria indo-europeus, estavam em diferentes estágios culturais e contribuíram cada um a sua maneira para que a Grécia Antiga pudesse existir. Os principais povos que compuseram a população grega foram:

*** Pelasgos ou Pelágios – primeiros habitantes da região, tinham origem mediterrânea, estavam na Grégia muito provavelmente desde o Neolítico.
*** Aqueus – começaram a chegar a partir do II milênio a.C., se estabeleceram na Península do Peloponeso e posteriormente em Creta.
*** Jônios – estabeleceram-se na Península Ática.
*** Eólios – ocuparam o norte da Grécia (Etólia e Tessália).
*** Dórios – chegaram por volta de 1200 a.C., eram um povo guerreiro, dominavam o uso do ferro, e ao contrário dos eólios, aqueus e jônios que conviviam bem, atacaram, destruíram, conquistaram e escravizaram os povos que lá estavam. Como se estabeleceram no peloponeso, suas principais vítimas foram os aqueus e peágios. Graças a invasão dória, a Grécia sofreu um retrocesso cultural com o desmonte da Civilização Creto-Micênica, ruralização, esquecimento da escrita, etc. Também foi ocasionada a chamada primeira Diáspora Grega que foi a migração de povos da Grécia continenal e peninsular para a Ásia Menor.

- PERIODIZAÇÃO: Para melhor estudar a história da Grécia Antiga dividida em 4 períodos:

*** Homérico (XII-VIII a.C.)
*** Arcaico (VIII-VI a.C.)
*** Clássico (V e IV a.C.)
*** Helenístico (IV a II a.C.)



[1] Pólis era como os gregos chamavam suas cidades-estado. Não se preocupe, pois voltaremos a isso mais tarde.

IMAGENS DE CRETA 4

Afrescos cretenses: mulheres, touradas, pescador, carregadores de vasos, procissão religiosa, etc. Por último, a deusa serpente.

IMAGENS DE CRETA 3

Mais vasos, enfeite de cabelo e afrescos.

IMAGENS DE CRETA 2

Mais jóias, cerâmica, o machado duplo (labrys).

IMAGENS DE CRETA 1

Como prometi, estou postando agumas imagens de Creta. Nesta leva, temos imagens do palácio de Knossos, de afrescos que representam um príncipe (Minos?) e trabalhos em metal, especialmente jóias.

2º BIMESTRE: CRETA


*** LOCALIZAÇÃO: Mediterrâneo Oriental, entre a Grécia e a Ásia Menor. Creta foi o berço de uma das sociedades mais avançadas da Antigüidade.

*** POPULAÇÃO: Oriunda provavelmente a Síria e da Anatólia, começou a ser povoada no III milênio a.C.

*** ORGANIZAÇÃO POLÍTICA: No início as cidades eram autônomas mas com o tempo, entretanto, o poder foi sendo centralizado nas mãos do príncipe da cidade de Cnossos. Esses príncipes passaram a ser os reis de Creta e tinham o título de Minos. Eram chefes políticos com poderes também de juízes supremos e algumas funções religiosas. Cnossos e Faístos eram as cidades de maior destaque e os cretenses mantinham contato constante com o Egito e a Mesopotâmia.

*** ECONOMIA: No início a agricultura (azeitona, trigo, uvas, legumes) era a principal atividade. Com o tempo os cretenses passaram a manufaturar seus produtos, assim comerciavam vinho, azeite, tecidos, armas de bronze, jóias e cerâmica. A atividade comercial passou a ser a principal fonte de renda e estabeleceu-se uma Talassocracia. A produção manufatureira de Creta estava nas mãos do Estado e de particulares que se esmeravam em manter o excelente nível dos produtoss.

*** SOCIEDADE: Acredita-se que a sociedade cretense tinha muita mobilidade social e pouca diferenciação entre os grupos que compunham a sociedade. A escravidão era pouco representativa. Assim, mesmo a vida dos mais pobres parece ter sido bem mais confortável do que em outras sociedades da Antigüidade. Para se ter uma idéia, as cidades cretenses contavam com esgoto, calçamento e distribuição de água. As mulheres em Creta gozavam de grande prestígio social e são vistas nos afrescos realizando toda a sorte de atividades públicas (trabalho, lazer, jogos) e presentes em todos os espaços. Uma das atividades esportivas mais amadas pelos cretenses parecem ter sido as touradas.

*** RELIGIÃO: A religião cretense era centrada nas mulheres, isto é, a divindade mais importante era uma grande deusa criadora e mantenedora da ordem do mundo. Essa deusa tinha diversos animais a ela relacionados como serpentes, pássaros, leões e touros, além de objetos, como o machado de dois gumes, o labrys.Uma divindade masculina que parece ter sido importante, embora secundária, foi o "minotauro", ser com cabeça de touro e corpo de homem. Nomes de deusas e deuses "gregos" já aparecem nos escritos cretenses. Os cretenses, ao contrário dos gregos clássicos, costumavam enterrar seus mortos com os objetos pessoais mais importantes.

*** CULTURA: Os cretenses criaram uma escrita (aliás, três tipos de escrita), foram mestres na arquitetura, na produção de miniaturas de bronze, na cerâmica, nos afrescos que retratavam o cotidiano e a natureza, inventaram a cítara. Muitos de seus palácios tinham formas que lembram labirintos, o que nos remete ao mito do Minotauro. A cultura cretense ficou conhecida também como Minóica.

*** O FIM: Por volta de 1750 a.C. uma grande catástrofe (provavelmente uma erupção vulcânica, seguida de chuva de pedras e lama, terremotos e incêndios) atingiu em cheio a civilização cretense que nunca mais conseguiu recuperar o seu esplendor e entrou em decadência. Os cretenses buscaram colonizar outros territórios (Micenas e Tirinto, na Grécia; Tróia, na atual Turquia), mas sua civilização já estava se aproximando do fim. Por volta de 1400 a.C. a ilha foi conquistada e devastada pelos aqueus, povo indo-europeu que tinha se estabelecido na Grécia Continental e tinham Micenas como sua capital. Os aqueus realizaram a união da sua cultura com a cretense dando origem a Civilização Creto-Micênica. Mais tarde, por volta de 1200 a.C., os dórios invadiram a região e puseram fim ao domínio dos aqueus e sua civilização.

2º BIMESTRE: CIVILIZAÇÕES PRÉ-COLOMBIANAS


Ø Não pretendo fazer um resumo sobre o capítulo de Pré-Colombianos, somente vou ressaltar alguns pontos que são extremamente relevantes. Você deve complementar as informações com a leitura do capítulo e a revisão das questões do Estudo Dirigido.

I. O nome Pré-Colombiano se aplica indistintamente à todas as culturas e civilizações que habitavam a América antes da chegada dos europeus.

II. Havia uma grande diversidade de povos nos mais diferentes estágios de organização social. Havia povos vivendo desde o estado correspondente ao do Paleolítico (nômades, coletores/caçadores) até povos extremamente avançados que construíram cidades com água potável, praticavam agricultura avançadíssima e tinham estado.

III. Até recentemente se acreditava que os primeiros grupamentos humanos haviam chegado à América há no máximo 12 mil anos. Hoje, depois de uma série de descobertas, em especial as do Sítio de São Raimundo Nonato no Nordeste brasileiro, acredita-se que a data possa ser anterior a 48 mil anos, ou seja, os primeiros humanos provavelmente começaram a chegar durante a última glaciação. Essa datação não é aceita por alguns arqueólogos norte americanos, pois colocariam em questão a tese de que os primeiros humanos teriam chegado à América pelo Estreito de Behring (Teoria Asiática).

IV. Existe uma grande teoria que explica a chegada dos homens à América, a Teoria Aloctonista ou das Migrações. [1] Essa teoria se quebra em três vertentes: A Asiática segundo a qual os homens teriam chegado à América cruzando o Estreito de Behring; a Australiana que diz que os primeiros habitantes da América teriam vindo as Austrália navegando ou por alguma faixa de terra que teria desaparecido; a Malaio-Polinésia que argumenta que os humanos teriam vindo navegando das ilhas do Pacífico. Muito provavelmente as três rotas foram utilizadas nas diversas levas migratórias que povoaram o Continente.

V. Várias civilizações avançadas se desenvolveram na América, entre as mais antigas podemos citar os Olmecas – os mais antigos, possuíam escrita e abasteciam suas cidades com água potável; os Moches; os Toltecas; os Anasazi. De todas as grandes civilizações do Continente Americano, as mais conhecidas são aquelas contemporâneas à chegada dos europeus: os Incas (América do Sul), os Maias (América Central) e os Astecas (América do Norte e Central).

VI. Semelhanças entre os Maias, os Incas e os Astecas:

· Uniam-se em comunidades e utilizavam a terra de forma coletiva;

· Praticavam a servidão coletiva;

· Todas as terras pertenciam ao Estado e não havia propriedade privada;

· A sociedade estava dividida em várias camadas e havia divisão social do trabalho;

· As religiões incluíam os sacrifícios humanos;

· Formavam grandes centros urbanos (cidades) geralmente com excelente infra-estrutura (calçamento, abastecimento de água, etc.);

· Eram teocracias. Sendo que no caso dos Incas, o imperador era considerado um deus-vivo, como os faraós no Egito.

VII. Semelhança entre os Maias e os Astecas: ambos tinham escrita. De todas as grandes civilizações que conhecemos hoje, os Incas eram os únicos que não possuíam escrita, no entanto tinham um sistema de registro de informações, os quipos que eram extremamente eficazes e talvez tenha sido a primeira linguagem binária conhecida.

VIII. Tanto os Incas como os Astecas construíram, pela conquista, grandes impérios territoriais. Já os Maias se organizavam em cidades-estado independentes que disputavam entre si a supremacia sem nunca conseguirem a formação de estados unificados, assim como os gregos até o Período Clássico.

IX. Entre os Incas, além da servidão coletiva que grantia a produção agrícola e a arrecadação de tributos, havia a mita que era o trabalho temporário e gratuito em obras públicas, minas e/ou correios. Ao chegarem na América os espanhóis se aproveitaram do costume da mita para forçarem os nativos ao trabalho compulsório, só que não havia mais o retorno, porque os índios morriam no árduo trabalho nas minas. Essa prática auxiliou a desestruturação das comunidades indígenas gerando fome e miséria entre os nativos.

X. Quando os espanhóis chegaram à América, os Impérios Asteca e Inca estavam no auge e em plena expansão. A destruição dessas civilizações foi uma perda inestimável e se deu por vários motivos, internos (lutas dinásticas, colaboração de povos conquistados com os invasores na esperança de se libertarem ou pelo menos melhorarem suas condições de vida) e externos (doenças desconhecidas e letais, armas de fogo e cavalos, táticas de guerra desconhecidas dos nativos, choque cultural e simbólico com vantagem para os espanhóis.). Os Maias já se encontravam em decadência e o impacto maior foi o da eliminação de seus vestígios (assim como foi feito com os demais povos), pois os europeus se consideravam mais capazes e civilizados – Eurocentrismo, além de terem a missão cristã de converter e evangelizar os pagãos. Muitos foram mortos, muitos escravizados e violentados, culturas foram destruídas e sobre as suas cinzas ergueram-se as nações que vemos hoje. A maioria marcada pela má distribuição de renda; riqueza nas mãos de poucos e miséria reservada para muitos.

[1] A Teoria Autoctonista citada no livro de vocês é uma bobagem que já foi abandonada faz décadas. Até porque as evidências fósseis do homem e seus ancestrais mais antigas não estão no Continente Americano.

domingo, maio 20, 2007

Texto Complementar: Os últimos samurais cristãos


"Pouco conhecida fora do Japão, a sangrenta revolta de Shimabara, no século 17, marcou a perseguição dos cristãos pelo xogum o início de uma era em que os japoneses se isolaram do mundo.

Momentos antes de partir para a batalha, um samurai se ajoelha diante de uma cruz e reza, pedindo proteção a Deus. A seguir, ele se junta a uma milícia cujo estandarte é uma bandeira que retrata dois anjos e o cálice sagrado. No alto do tecido branco, lê-se a inscrição "Louvado seja o santíssimo sacramento". Pode parecer surreal, mas cenas como essas aconteceram em pleno Japão feudal. A rebelião de Shimabara, iniciada em 1637 e sufocada pelas tropas do governo no ano seguinte, envolveu quase 40 mil japoneses. Muitos deles eram católicos e se opunham à proibição do cristianismo no país. Depois que os rebeldes foram massacrados, cristãos e estrangeiros foram perseguidos sem trégua e expulsos do Japão."

Esta matéria está publicada na revista Aventuras na História da Editora Abril. Você pode ler on line aqui.