sábado, junho 30, 2007

Egípcios identificam múmia da Faraó Hatshepsut



Com certeza, das grandes descoertas do século. A notícia que segue foi publicada na Folha de São Paulo no dia 28/06/2007.


Egípcios identificam múmia de rainha

Dente solto achado em uma caixa de madeira revela que múmia indigente era de Hatshepsut, que reinou no século 15 a.C. Soberana morreu aos 50 anos, obesa e com câncer; seu corpo é 1ª múmia de monarca identificada no país desde Tutancâmon

DA REDAÇÃO

A múmia de uma mulher obesa, que tinha diabetes e morreu de câncer no fígado, foi identificada como sendo a da mais poderosa rainha do antigo Egito. A descoberta, considerada o achado do século no país, foi feita graças a um dente.

Zahi Hawass, chefe do Conselho Superior de Antigüidades do país, anunciou ontem em uma entrevista coletiva ter identificado uma múmia achada em 1903 no Vale dos Reis como a da rainha Hatshepsut, a grande monarca da 18ª Dinastia do Egito. Ele descreveu o achado como "o mais importante no Vale dos Reis desde a descoberta de Tutancâmon".

Hatshepsut subiu ao poder em 1479 a.C., após a morte de seu marido e meio-irmão Tutmés 2º. Seu enteado (filho do marido com uma concubina), Tutmés 3º, era muito jovem para assumir o trono, então a "primeira das mulheres nobres" (significado de seu nome) permaneceu como co-regente durante 22 anos.

Durante esse tempo, Hatshepsut se mostrou uma governante voluntariosa e ambiciosa, uma das maiores tocadoras de obras do Novo Império e a monarca que mais fez para que o Egito se tornasse o país rico que se tornaria depois, no reinado de Tutancâmon.
Quando morreu, com cerca de 50 anos, ela deixou um esplêndido templo mortuário -mas sua múmia não estava lá.

Para frustração dos arqueólogos, as múmias reais egípcias freqüentemente eram removidas de suas tumbas originais e escondidas em locais discretos, para driblar saqueadores. Marcas que as identificassem freqüentemente se perdiam nesses transportes.

O britânico Howard Carter, que em 1922 descobriria o túmulo de Tutancâmon, chegou a achar a câmara mortuária de Hatshepsut, mas os dois sarcófagos dentro dela estavam vazios. O paradeiro do corpo da rainha permaneceu um dos maiores mistérios do Egito. Sua identificação só aconteceu há dois meses, quando a equipe de Hawass realizou uma tomografia em uma caixa de madeira que trazia o nome da rainha. Dentro dela havia um fígado humano e um dente.

O dente foi examinado pelo dentista Galal El-Beheri, da Universidade do Cairo, a pedido de Hawass. Ele descobriu que a peça se encaixava perfeitamente na raiz quebrada de um dente da múmia de uma mulher obesa, encontrada por Carter em 1903 numa tumba pequena e sem decoração no Vale dos Reis, a KV60.

A tumba continha duas múmias: uma num caixão com a inscrição "ama real" e outra sem identificação alguma.

Em uma visita recente à KV60, Hawass examinou a múmia obesa. Seu braço esquerdo estava dobrado com a mão sobre o ombro. As unhas da mão esquerda estavam pintadas de vermelho, com contorno preto. Alguns egiptólogos, no passado, chegaram a suspeitar que a múmia obesa poderia ser de Hatshepsut. Mas havia nada menos que cinco múmias também suspeitas.

A prova veio depois que o Discovery Channel instou Hawass a usar tecnologia médica moderna na identificação da múmia -o que ele achava que não daria resultado- e bancou a instalação de um laboratório no Museu Egípcio, no Cairo. As seis múmias passaram por tomografias, bem como a caixa com o nome da rainha, encontrada em uma outra tumba.

"A caixa guardava a chave do enigma", disse Hawass. "Agora nós temos a prova científica de que esta é a múmia da rainha Hatshepsut", afirmou, citando principalmente o dente mas também análises preliminares de DNA que ligam a mulher obesa a Ahmés Nefertari, a matriarca da 18ª Dinastia. Egiptólogos que não trabalharam no projeto dizem que a evidência é fascinante, mas que ainda é cedo para afirmações tão contundentes.

Com "Independent" e "New York Times"

sexta-feira, junho 29, 2007

2º BIMESTRE: GRÉCIA 8

CULTURA, FILOSOFIA E RELIGIÃO


ø MITOLOGIA E RELIGIÃO: A base da religião grega é o emaranhado de mitos povoados por deuses, titãs, heróis e outras personagens. O mito tem como função explicar uma realidade, aquilo que existe, dar sentido ao mundo. A religião grega tradicional cultuava esses seres mitológicos, em especial os deuses e os heróis, sendo extremamente humanista, isto é, centrada nos seres humanos. Suas características principais eram o antropomorfismo e o politeísmo. Além disso, a religião tinha a função de reforçar a identidade políade, através de ritos e festivais, e a identidade grega.

ø JOGOS OLÍMPICOS: Era um festival religioso em honra de Zeus Olímpico, ocorrendo de 4 em 4 anos. Nos jogos encontravam-se gregos das mais diferentes regiões e estes competiam entre si. Os vencedores eram vistos como heróis (indivíduo capaz de feitos sobre-humanos). Se houvesse guerra ou conflito, estes eram suspensos no período dos jogos. A Olimpíadas serviam, portanto para reforçar a identidade comum a todos os gregos. Há controvérsias quanto a participação das mulheres, seja como atletas (*nas corrids de cavalo*), seja como espectadoras. Havia outros jogos em honra de Hera (onde participavam mulheres), Apolo e outros deuses mas nenhum era tão importante quanto os jogos em honra de Zeus comemorados na cidade de Olímpia.

ø FILOSOFIA: O pensamento filosófico grego forneceu as bases para o pensamento ocidental. Filosofar é se espantar diante do mundo, buscar dar sentido, questionar-se sobre as mais diferentes coisas. Houve vários filósofos na Grécia e suas idéias não eram homogêneas, mas demonstravam bem a complexidade e riqueza do pensamento grego. Os filósofos gregos mais importantes foram Sócrates, Platão e Aristóteles, todos viveram em Atenas, sendo contemporâneos da Democracia. Os filósofos que vieram antes de Sócrates são chamados de Pré-socráticos e poderíamos destacar Tales de Mileto (considerado o pai da Filosofia grega), Parmênides e Heráclito. Os filósofos que habitavam Atenas, boa parte deles membros da aristocracia dona de terras e escravos, em especial Platão e Aristóteles, tinham sérias restrições a Democracia, pois não acreditavam que o povo comum (os cidadãos mais pobres, que tinham que trabalhar para obter seu sustento) estivesse apto a participar das decisões políticas. Alguns filósofos estavam na contramão deste pensamento e se dedicavam a ensinar aqueles que desejavam participar da política, esses filósofos recebiam por suas aulas e receberam o nome depreciativo de sofistas que grosso modo quer dizer “mentiroso” ou aquele que usa de argumentos falsos para convencer alguém. Junto com o termo sofista surgiu também o termo demagogo para designar os políticos inescrupulosos que usavam de discursos políticos inflamados para conseguir o apoio popular. Péricles e outros líderes receberam esse título. Vejam bem, essa era a opinião de alguns filósofos e aristocratas que eram contra as idéias democráticas radicais defendidas por alguns líderes (ou contra a democracia em si) e que consideravam que somente aqueles que estavam afastados do mundo do trabalho e dedicados ao estudo da filosofia poderiam se dedicar ao governo, não uma verdade a ser aceita. Os sofistas estavam no campo oposto e acabaram ficando mal visos.

ø TEATRO: O teatro na Grécia surgiu com função religiosa e progressivamente foi se transformando em um evento cívico que trazia também o cunho pedagógico e de crítica social. Os atores de teatro eram todos homens e usavam máscaras representando suas personagens, essas máscaras eram chamadas de personas. Hoje se discute se as mulheres esposas de cidadãos podiam ou não assistir os espetáculos, mas, com certeza, havia mulheres presentes aos espetáculos, em especial as hetairas que eram cortesãs, geralmente muito cultas, e que acompanhavam os homens ricos.

=>>Os dois gêneros teatrais trabalhados pelos gregos foram a comédia e a tragédia. O primeiro gênero buscava pelo riso criticar os costumes e levar os cidadãos à reflexão e à correção. Já a tragédia tratava dos grandes e pequenos dramas humanos, exaltando o comportamento ético, o equilíbrio e a justiça. Geralmente usavam como base a mitologia grega.

=>>O maior autor de comédias da Grécia vivia em Atenas e se chamava Aristófanes. Esse autor, de origem nobre, era duro crítico da Democracia, dos sofistas e dos Demagogos. Algumas das suas principais obras são As Nuvens, Os Cavaleiros, Assembléia de Mulheres e Lisístratas.

=>>Os principais autores de tragédias foram: Ésquilo (As Suplicantes, Prometeu Acorrentado), Sófocles (Antígona, Electra, Édipo Rei) e Eurípedes (Medéia, Orestes, Hipólito Coroado, As Troianas). Eurípides foi contemporâneo de Aristófanes e da Democracia radical, sendo que suas peças deixam entrever algumas questões discutidas naquele momento político.

øHistória: Aos gregos também é creditada a invenção da História, que era naquela época o “testemunho fiel” do que havia acontecido. O historiador deveria relatar o que viu ou o que outros haviam visto. Os principais historiadores gregos foram Heródoto – considerado o “Pai da História”, Tucídides – que participou e narrou a Guerra do Peloponeso e Xenofonte.

ø ESCULTURA: Visava exaltar a beleza, a harmonia e equilíbrio dos corpos bem cuidados. Os gregos, em especial os atenienses, cuidavam bastante tanto do corpo quanto da mente (“Mente sã em corpo são”) e perseguiam um ideal de beleza que ficou conhecido até os dias de hoje como “beleza clássica”. O maior escultor grego foi Fídias.

ø ARQUITETURA: Destacava-se pela utilização de colunas em três estilos distintos o dório – de linhas retas e extremamente sóbrias, o jônico – que mantinha as linhas retas, mas introduzia uma beleza refinada no capitel através das volutas, e o coríntio – que acrescentava uma série de detalhes ao capitel como plantas e flores. As colunas poderiam ser substituídas por estátuas que tinham o nome de cariátides. Ainda hoje existem no mundo grego ruínas dos antigos prédios, em Atenas a Acrópole ainda é dominada pelos restos de vários edifícios, em especial o Parthenon, templo em homenagem à deusa Atena construído no governo de Péricles.

ø CERÂMICA: Era extremamente valorizada e utilizada para propagandear as cultura e os hábitos gregos, pois todos os vasos, independente de seu tamanho e utilidade, traziam desenhadas cenas da mitologia ou do cotidiano grego. Exemplos da cerâmica grega são encontrados por todo o mundo antigo.

ø LITERATURA: O grande expoente da literatura grega antiga é Homero, poeta a quem são atribuídas a Ilíada e a Odisséia. No Período Arcaico temos Hesíodo, autor da Teogonia e Os Trabalhos e dos Dias, e a poetisa Safo que viveu no século VI a.C. na ilha de Lesbos.

ø OUTROS DESTAQUES: na Matemática, Pitágoras, o autor do famoso teorema que leva seu nome (a2=b2+c2), Euclides e Arquimedes. Na Medicina, Galeno, cirurgião que influenciou os médicos e a compreensão do funcionamento do corpo humano até a Idade Moderna. Na Astronomia, Aristarco de Samos que propôs o sistema heliocêntrico; e Ptolomeu que propôs o sistema geocêntrico, escreveu tratados de Matemática e de Geografia, sua influência sobre o pensamento árabe e ocidental foi muito grande até os fins da Idade Média. Na Geografia, Eratóstenes que fez o cálculo do diâmetro da terra – que para ele era redonda – com um erro de pouco mais de 10%, além de geógrafo foi também matemático e desenvolveu o método para identificar os números primos.

quinta-feira, junho 28, 2007

2º BIMESTRE: GRÉCIA 7


O PERÍODO HELENÍSTICO – SÉCULO IV-II a.C.


*** O Período Helenístico se estende da unificação da Grécia pelos Macedônios até a ascensão do Império Romano. Se lembramos do fim Período Clássico sabemos que as pólis gregas enfraquecidas por várias guerras terminaram sendo unificadas à força pelo Rei dos Macedônios Felipe II. Com a morte deste, assume o governo o seu filho mais velho, Alexandre, que liderando um pequeno exército decide expandir o domínio grego ao poderoso Império persa.

*** O IMPÉRIO DE ALEXANDRE: Com a morte do Rei Felipe II, as pólis gregas tentam aproveitar a situação para recobrar sua independência acreditando que o novo rei de 18 anos não teria condições de impor o seu domínio. Tebas e Atenas se revoltam e ambas são derrotadas e arrasadas. Reafirmado o domínio macedônico na península Balcânica, Alexandre parte para a Ásia com 35 mil soldados com o objetivo de conquistar o Império de Dario III. Contra todas as expectativas os macedônios saem vitoriosos e avançam sem parar até o Rio Indo quando cansados os soldados gregos pressionam seu comandante a voltar. Alexandre então estabelece seu governo no coração do antigo Império Persa e se casa com uma das filhas do antigo governante, a princesa Roxana. Dentro da sua política de conquista ele pressiona seus soldados a se casarem também com orientais. Era uma mensagem clara de que tinha vindo para ficar. Pouco tempo depois, entretanto o jovem rei morre na cidade de Babilônia, provavelmente de Malária e com pouco mais de 30 anos. Morto Alexandre, seus generais afastam os familiares do antigo rei do governo e dividem o Império entre si. Ptlomeu (que funda a dinastia da qual descende Clópatra) fica com o Egito, a Líbia, a Palestina e a Arábia; Cassandro com a Macedônia e a Grécia; Seleuco com a Síria; e Lisímaco com a Trácia e a Bitínia.

*** O HELENISMO: Alexandre promoveu durante seu curto reinado a síntese entre a cultura grega e as culturas orientais, não somente via casamento, como pela fundação de cidades como Alexandria no Egito que se tornaram grandes centros intelectuais. O Helenismo é exatamente isso, a mistura de culturas, que dá origem a uma nova que não é nem grega nem oriental e que tem na língua grega a língua internacional como o inglês é para nós hoje. Todos os intelectuais, aristocratas e mesmo os comerciantes deveriam ser capazes de se comunicar em grego,[1] com a facilidade da língua os costumes, o patrimônio intelectual de vários povos passa a circular entre as comunidades do Mediterrâneo Oriental, criando uma nova cultura. Essa cultura helenística posteriormente facilitará e muito a difusão das idéias cristãs que circularam em textos escritos em grego.

[1] No Oriente Médio, o aramaico também era uma língua "franca", ou seja, usada para a comunicação entre os mais diferentes povos. O uso desta língua, tanto na sua forma escrita quanto falada, só foi abandonado com o domínio árabe-muçulmano.

2º BIMESTRE: GRÉCIA 6


PERÍODO CLÁSSICO (SÉCULOS V-IV a.C.)


ATENÇÃO ->> Antes de tudo, é preciso esclarecer que aquilo que o livro que usamos está chamando de Período Clássico é, na verdade, um comentário sobre as guerras desse período. Como vamos ver Atenas, Esparta e um comentário geral sobre cultura e religião gregas, vamos nos resumir aqui a pontuar as guerras. Peço, entretanto que vocês não pensem que as vidas dos gregos dos séculos V e IV se restringiam a uma sucessão de conflitos.

*** Os três principais conflitos desse período foram a Primeira Guerra Greco-Pérsica (492 a.C.), a Segunda Guerra Greco-Pérsica (480 a.C.) [1] e a Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.).

*** Primeira Guerra Greco-Pérsica: Como vimos quando estudávamos os Persas, Dario I tinha expandido seu Império até a Ásia Menor e o próximo passo seria invadir a Península Balcânica. A invasão começa no ano de 492 a.C. quando os exércitos persas cruzam o Helesponto (atual estreito de Bósforo) e invadem a península pelo norte passando pelo território da Macedônia. Ameaçados pela proximidade dos persas, os atenienses organizam as suas defesas e pedem ajuda aos espartanos para que unidos possam expulsar os persas. Apegados à sua política de isolamento, os espartanos se recusam. Os atenienses, então, aliados a outras pólis, enfrentam os persas na batalha de Maratona. Mesmo em menor número, os gregos vencem, e é enviado um soldado, Feidípedes, com a mensagem avisando os líderes do partido democrático – que temia a revolta do partido aristocrático – que a ameaça persa estava afastada. O soldado corre de Maratona até Atenas, entrega a mensagem e morre de exaustão. Em sua homenagem nas atuais Olimpíadas se criou a prova da Maratona.

*** Segunda Guerra Greco-Pérsica: Morto Dario I, o novo rei da Pérsia, Xerxes, decide invadir a Grécia novamente. Seu exército era bem maior do que o do seu antecessor, o que obriga mesmo os espartanos a se aliarem às demais pólis na tentativa de derrotar o inimigo. A primeira batalha da guerra ocorreu no desfiladeiro das Termópilas, em 480 a.C., e seu valor é mais simbólico do que efetivo. Nas Termópilas, um destacamento de elite espartano composto por 300 soldados e liderado pelo Rei de Esparta, Leônidas, tenta em vão barrar a passagem enquanto aguarda reforços. Os espartanos são traídos, os reforços não chegam, mas para um soldado de Esparta recuar é algo inaceitável, assim, resistem por um dia e uma noite e são massacrados. Os persas avançam e derrotam os atenienses em Platéia (479 a.C.), de lá avançam sobre Atenas e incendeiam a cidade. Os atenienses recuam para as ilhas e a guerra se decide na Batalha Naval de Salamina com a vitória dos gregos.

*** A Liga de Delos e a Supremacia Ateniense: Com o fim das Guerras Médicas algumas cidades gregas decidem formar uma liga que teria a função de juntar os recursos enviados por várias pólis e investi-los nas defesas da Grécia. Como Atenas tinha sido a grande vitoriosa das Guerras Greco-Pérsicas, os recursos seriam administrados pelos atenienses. Com o tempo, entretanto, os atenienses passam a se apossar dos recursos enviados pelas outras pólis, investindo na reconstrução e embelezamento de Atenas, nas artes e no aprimoramento dos direitos democráticos. É o “Século de Péricles”. As pólis que decidem abandonar a Liga de Delos são ameaçadas de invasão por Atenas que tinha agora tinha o exército mais poderoso da Grécia.

*** Guerra do Peloponeso: Sentindo-se ameaçada pela supremacia de Atenas, os Espartanos organizam a Liga do Peloponeso da qual faziam parte também Megara, Corinto e Tebas. O conflito entre Atenas e Esparta era questão de tempo, e acaba explodindo quando ambas temam partido na guerra entre Córcira e Corinto. O conflito persiste, entre batalhas, cercos e pequenas tréguas por 27 anos e termina com a vitória de Esparta. Vitoriosos, os espartanos, impõem um governo aristocrático à Atenas (os 30 tiranos). A supremacia de Esparta é curta, pois, o desgaste com a guerra tinha enfraquecido a poderosa pólis que é derrotada pela antiga aliada Tebas.

*** O Fim do Sistema Políade: As longas guerras tinham enfraquecido as pólis gregas e colocado em risco sua tradição de autonomia e independência. Ao norte da Península Balcânica, outros gregos, os macedônios espreitavam. A Macedônia tinha participado das guerras gregas, mas seu território, um reino unificado, com várias cidades e um rei, tinha permanecido intacto. Com a vitória de Tebas sobre Esparta chegara o momento dos macedônios empreenderem seu projeto político: unificar toda a Grécia. Isso foi feito pelo Rei Felipe II que derrotou as forças conjuntas dos tebanos e atenienses na Batalha de Queronéia.

[1]Outro nome usado para esses conflitos seria o de Guerras Médicas, porque o Império persa era também governado pelos medos.

quarta-feira, junho 27, 2007

2º BIMESTRE: GRÉCIA 5

ATENAS – BERÇO DA DEMOCRACIA

->>Atenas é vista como o berço ou modelo da Democracia Ocidental. Seu modelo político, que atingiu seu auge no Período Clássico garantia a igualdade de todos os cidadãos diante da lei, além da participação de todos os cidadãos na Assembléia. Esse tipo de Democracia é chamado de direta, em oposição às Democracias modernas, como a brasileira, que são chamadas de representativas, pois elegemos representantes para nos representar na Assembléia e proporem leis que sejam do interesse da nação. Nenhuma Democracia de hoje pode ser chamada de direta, mas existem várias diferenças entre as Democracias representativas. Outro aspecto importante da Democracia Ateniense é o fato de ela ter sido muito restrita, só eram considerados cidadãos os homens, atenienses, isto é, filhos de pai ou mãe atenienses, maiores de 20 anos. Estavam excluídos, portanto, as mulheres, os homens atenienses menores de 20 anos, os estrangeiros – filho ou neto de estrangeiro seria sempre um estrangeiro, e os escravos – que nem sequer eram considerados seres humanos. Assim, mesmo representando um modelo bem avançado, não podemos fechar os olhos para as limitações da Democracia Ateniense. Bem, mas Atenas passou por vários momentos antes de chegar até a Democracia e temos muita coisa a falar.

***LOCALIZAÇÃO: A cidade de Atenas se localiza na Península Ática, no Sudeste da Grécia, e foi fundada pelos jônios unidos a outros povos que já habitavam a região. Começou a ser notada no século VII a.C., principalmente após a construção do Porto de Pireu, na entrada do Mar Egeu, o que possibilitou aos atenienses grande poderio econômico.

***DESENVOLVIMENTO POLÍTICO: Atenas não nasceu Democracia, tendo passado por vários modelos políticos antes que reformas e leis possibilitassem a ampliação dos direitos democráticos.

->>MONARQUIA: Atenas era governada por um basileu (rei) que com o tempo passou a ceder os seus poderes aos eupátridas, que com o tempo terminaram assumindo o poder e suprimindo a monarquia.

->>ARCONTADO: Os eupátridas (aristocratas) comandavam a cidade e elegiam dois arcontes que governavam em seu nome. As leis, que antes eram orais, passaram a ser escritas. Em 621 a.C., Drácon foi responsável pelo primeiro código de leis da cidade. Suas leis, entretanto, foram consideradas muito duras (draconianas) e por isso acabaram sendo revistas. Visando impedir as convulsões sociais, Sólon, eleito em 594 a.C., tomou uma série de medidas: aboliu a escravidão por dívidas, dividiu a população por renda, anistiou os exilados, desenvolveu a indústria e o comércio e reformou a moeda. Essas reformas não foram vistas com bons olhos pela aristocracia.

->>TIRANIA: Os tiranos foram indivíduos que tomaram o poder à força e governaram a cidade, impondo leis e reformas. O mais lembrado dos tiranos é Psístrato que assumiu o poder em 560 a.C. Este tirano promoveu uma série de reformas, impopulares entre os eupátridas, e apoiando as leis de Sólon.

->>DEMOCRACIA: Começou a se delinear com a eleição de Clístenes – pai da democracia – em 508 a.C. Esse arconte promoveu uma série de reformas: dividiu a cidade em tribos e as 10 tribos passaram a formar o demos, deu a todos os atenienses o direito de escolher seus magistrados (*antes o direito era restrito aos eupátridas*) e criou o ostracismo que bania da cidade por dez anos todos aqueles que prejudicassem a democracia. Clístenes dividiu o governo entre duas Assembléias: a Bulé, conselho dos 500, formado por 50 representantes de cada tribo, fazia as leis e enviava para que a Eklésia votasse, que era a assembléia formada por todos o cidadãos maiores de 18 anos.

O auge da Democracia foi atingido durante o governo de Péricles (499-429 a.C.) que promoveu o desenvolvimento das artes, reconstruiu e embelezou Atenas – graças principalmente ao dinheiro da Liga de Delos, todos os cidadãos passaram a ter acesso à magistratura, a Assembléia Popular tornou-se soberana, criou-se o Tribunal Popular que ficou responsável pela justiça, os cargos públicos passaram a ser remunerados e o governo passou a pagar o salário de um dia de trabalho para que os cidadãos pobres (thetas) pudessem participar da Assembléia sem prejuízos.


***SOCIEDADE: Encontrava-se dividida em grupos baseados na renda e origem social, clique na imagem abaixo e visualise a divisão social básica da cidade.



->>CIDADANIA FEMININA? As mulheres não tinham direito ao exercício da cidadania política mesmo sendo atenienses. Alguns autores argumentam que a cidadania feminina existiria e se manifestaria na maternidade, pois elas transmitiriam aos seus filhos [homens] a cidadania.

***EDUCAÇÃO ATENIENSE: O sentido da educação ateniense era formar cidadãos. Todos os meninos filhos de cidadão freqüentavam a escola a partir dos sete anos e se aprimoravam tanto na parte física quanto no intelecto. Se eram ricos, ou tinham algumas posses, os pais faziam com que seu filho fosse acompanhado por um escravo professor, o pedagogo, que supervisionava a sua educação. Entre os 18 e os 20 anos serviam ao exército e caso fosse necessário poderiam ser convocados a defender sua cidade (cidadão-soldado).[1] Com 20 anos eram cidadãos plenos.

->>Já as meninas, não freqüentavam a escola e o Estado não se ocupava de sua educação. Se fosse de interesse da família poderiam ter aulas particulares, aprender a ler e escrever, se não, aprendiam somente as prendas domésticas. Geralmente era casada entre os 14 e os 15 anos com alguém do interesse da família.

->>O ideal de mulher ateniense, esposa de um cidadão, era o da reclusa, que se mantinha em casa, de preferência restrita aos aposentos das mulheres, o gineceu. Obviamente, a maioria das mulheres não podia se restringir ao espaço doméstico e muitas estavam envolvidas nas atividades econômicas, como o artesanato, o comércio e a agricultura.

->>Havia também as prostitutas comuns (pornés),[2] muitas delas escravas, algumas crianças,[3] e as hetairas. As hetairas [4] estavam associadas à prostituição de luxo, não raro eram mulheres cultas, algumas acabavam tendo forte influência sobre seus clientes, outras transformavam suas casas em locais de discussão política e intelectual.

[1] O soldado grego era chamado de hoplita. Usava uma armadura a base de couro e metal e um escudo redondo.
[2] A prostituição não era uma atividade feminina, pois havia muitos jovens e meninos que se prostituíam ou eram prostituídos.
[3] A prostituição infantil, a partir dos quatro ou seis anos, era comum na Grécia.
[4] Podemos questionar se as hetairas realmente eram todas prostitutas ou sofriam com o preconceito social por serem mulheres "livres", coisa que as mulheres-cidadãs de Atenas não podiam ser.

terça-feira, junho 26, 2007

2º BIMESTRE: GRÉCIA 4


ESPARTA: A PÓLIS GUERREIRA

***Esparta era a principal pólis da Península do Peloponeso. Sua fundação se deve aos aqueus, sua fama de guerreira, aos dórios. Foi esse povo, aliás, quem deu as feições que a cidade carregou durante a Antigüidade.

***A sociedade espartana estava dividida em três grupos principais:

->>Os Espartanos ou Esparciatas: Eram os descendentes dos dórios e os únicos com direitos políticos plenos. Dedicavam-se a três atividades: a guerra, a administração da pólis e da propriedade fundiária.

->>Os Periecos: Eram livres, mas sem direitos políticos. Poderiam participar do exército de Esparta na condição de tropa auxiliar. Dedicavam-se às atividades vistas pelos espartanos como degradantes, isto é, o comércio e o artesanato, principalmente.

->>Os Hilotas: Provavelmente descendiam das populações que resistiram ao domínio dório. Eram escravos do Estado, podiam ter família e estavam presos à terra. Eram cedidos aos cidadãos de Esparta para ararem as suas terras. A situação dos hilotas era das mais miseráveis, pois podiam ser torturados ou mortos simplesmente para que não se reproduzissem demais ou para que continuassem submissos. Representavam boa parte da população.

***Leis e Governo: As leis de Esparta eram atribuídas a um legislador lendário de nome Licurgo. Em tempos imemoriais, Licurgo teria saído em viagem e feito os espartanos jurarem de que não mudariam as leis até que ele voltasse, coisa que nunca aconteceu. Esparta era uma Diarquia, ou seja, era governada por dois reis, sendo que um tinha funções sacerdotais e o outro, funções guerreiras. Auxiliando os reis havia duas assembléias, a Gerúsia, da qual participavam os cidadãos com mais de 60 anos, e a Ápela, onde participavam os cidadãos a partir dos 30 anos. Havia também o Eforato, corpo de funcionários públicos com imensos poderes. Eram os éforos que decidiam sobre a vida e morte dos recém nascidos, que supervisionavam a educação das crianças e, também, aqueles que fiscalizavam a vida dos cidadãos da cidade.

***Educação Espartana: A educação espartana tinha por objetivo formar bons soldados e o Estado controlava todas as fases da vida do indivíduo. Quando nasciam todas as crianças eram inspecionadas pelos éforos e estes descartavam todas as crianças que fossem pequenas demais, tivessem alguma doença ou deformidade. Até os sete anos a criança, menino ou menina, estava sob a guarda da família, a partir de então era educada longe do lar em acampamentos militares e divididas por grupamentos. Praticavam esportes, aprendiam o domínio das armas, ler, escrever, algo de música e poesia, a falar pouco e dizer muito, a serem disciplinados. As falhas eram duramente punidas. Todos os anos eram levados ao templo de Ártemis e submetidos a uma cerimônia que consistia em uma longa seção de espancamento. Alguns meninos não resistiam e morriam. Aos vinte anos entravam para o exército e somente aos trinta anos eram cidadãos plenos podendo casar e recebendo do Estado, terras e escravos. Passavam boa parte da sua vida longe de casa em acampamentos militares. As mulheres recebiam uma educação semelhante a dos homens com o objetivo de se tornarem capazes de gerar bons soldados e administrar as terras da família. Podiam se casar a partir dos vinte anos.

***A Política de Esparta: Nos seus primórdios, Esparta tinha uma política expansionista, mas após a conquista da Lacônia e da Messênia, o que garantiu o abastecimento da pólis, assumiu uma política isolacionista cuja premissa era o não envolvimento nos problemas alheios. Tal opção resultou na não participação na Primeira Guerra Greco-Pérsica. Só mudaram a sua política quando foi necessário barrar o expansionismo ateniense o que resultou na chamada Guerra do Peloponeso que deu à Esparta a supremacia sobre as demais pólis.

2º BIMESTRE: GRÉCIA 3


PERÍODO ARCAICO

(SÉCULO VIII A vi a.C.)

-->>Podemos dizer que o período Arcaico é o momento em que a Grécia começa a se abrir para o mundo. Comércio, colonização de novos territórios permitem que parte do excedente populacional seja mandado para fora da Hélade, em contrapartida, começam a chegar produtos diversos, como cereais e escravos, além de tributos.

***AS COLÔNIAS: As cidades e assentamentos agrícolas fundados em virtude da 2ª Diáspora Grega estavam ligados por laços culturais às suas cidades de origem, mas eram independentes. Tendo sido patrocinadas por Estados e/ou particulares, tinham às vezes, alguns deveres a cumprir em relação aos seus fundadores. A Diáspora também intensificou o comércio no mar Egeu e no Mediterrâneo e colocou os gregos em contato com outras culturas mais antigas (Mesopotâmia, Síria, Egito, Índia, etc.).

***FRATRIAS E DEMOS: Com a desagregação dos genos, o poder passou a ser exercido pelos bem-nascidos, os aristói (melhores), aristocracia dona de terras que dominava a sociedade. A população aparentada se reunia em fratrias, várias fratrias juntas formavam uma tribo, e várias tribos juntas formavam o chamado demos. Demos, em grego quer dizer povo, sendo essa palavra a raiz do termo Democracia.

***ORGANIZANDO A PÓLIS [1]: As tribos se fixavam na região mais alta do relevo, chamado de Acrópole. Ali, fortificavam as defesas e construíam o palácio do basileu e os prédios mais importantes. O basileu (rei) era chefe político, militar e religioso. Seu poder se assentava na aceitação por parte dos outros membros da aristocracia. As pessoas construíam suas casas de acordo com sua condição social, os mais ricos e importantes, perto da Acrópole, os demais nas regiões mais baixas. As cidades gregas integravam a vida urbana e a rural, era, portanto na Ágora, grande praça, que todos se reuniam para comprar e vender seus produtos agrícolas, pastoris e artesanais. Era na Ágora também que o povo se reunia para as suas assembléias, mesmo que nesse momento o poder ainda estivesse nas mãos somente da aristocracia. O que estamos delimitando aqui é o que os gregos chamam de pólis, cidade-estado.

***O DRAMA DOS CAMPONESES: O período Arcaico foi marcado pelo domínio da aristocracia rural, esta tinha as melhores terras, definia os preços, controlava a justiça. Aliás, as leis em geral não eram escritas e os juízes, aristocratas. Os camponeses não podiam competir com os aristocratas, portanto, seus preços eram mais altos. Como não conseguiam vender, se endividavam, perdendo suas terras e muitas vezes a liberdade. Se procuravam justiça geralmente eram prejudicados porque não tinham como subornar os juízes. Um dos grandes autores gregos da época, Hesíodo, chamava os juízes de "reis comedores de presentes".

***AS PRINCIPAIS PÓLIS: A pólis era uma unidade política, cultural, econômica e religiosa, que integrava o mundo rural e o urbano, sendo, em geral, independente. As principais pólis da Antigüidade foram: Atenas, Esparta, Corinto, Tebas, Olímpia, Mileto e Argos.


[1] “A cidade – pólis, em grego – é um pequeno Estado soberano que compreende uma cidade e o campo ao redor e, eventualmente, alguns povoados urbanos secundários. A cidade se define, de fato, pelo povo – demos – que a compõe uma coletividade de indivíduos submetidos aos mesmos costumes e unidos por um culto comum às mesmas divindades protetoras.” (FUNARI, Pedro Paulo. Grécia e Roma. São Paulo: Contexto, 2001 p. 25.)