terça-feira, julho 11, 2017

9 de julho de 2017: O Cais do Valongo, no Rio, vira patrimônio da Humanidade


O 21º patrimônio histórico reconhecido pela ONU no Brasil é o Cais do Valongo, na zona portuária do Rio de Janeiro.  Principal porta de entrada de africanos e africanas escravizados no Brasil por muito tempo e, por conta disso, um dos mais importantes locais de entrada nas Américas.  "É o mais importante vestígio físico da chegada dos escravos africanos ao continente americano", disse, em nota, a Unesco.  "Segundo o Iphan, o desembarque de escravos no Rio foi integralmente concentrado na região da Praia do Valongo a partir de 1774, e ali "se instalou o mercado de escravos que, além das casas de comércio, incluía um cemitério e um lazareto". O calçamento de pedra que constitui o Sítio Arqueológico do Cais do Valongo foi parte das obras de infraestrutura realizadas em 1811, "com o incremento do tráfico e o fluxo de outras mercadorias".", diz a matéria da BBC.

Escondido por décadas, seus vestígios foram localizados quando das obras do Porto Maravilha, nos preparativos para as Olimpíadas do Rio,que ocorreram  no ano passado.  O Itamaraty saudou a confirmação por parte da UNESCO com uma nota: "O Cais do Valongo é um local de memória, que remete a um dos mais graves crimes perpetrados contra a humanidade, a escravidão. Por ser o porto de desembarque dos africanos em solo americano, o Cais do Valongo representa simbolicamente a escravidão e evoca memórias dolorosas com as quais muitos brasileiros afrodescendentes podem se relacionar".  Já o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes, se manifestou da seguinte forma:  "Que a história da Diáspora Negra seja sempre lembrada. Que as origens de nosso país, de nossa formação e de nossa cultura possam ficar marcadas. Que a violência dos homens possa ser sempre recordada para que não se repita".


O Cais do Valongo, único preservado das Américas, vem se somar com outros monumentos que tem como objetivo lembrar - não comemorar, é importante lembrar - momentos tristes e trágicos da História da Humanidade, como um memorial em Hiroshima, no Japão, e o Campo de Concentração de Auschwitz, na Polônia.  É um local de memória do sofrimento.  Segundo o El País, "Com a construção do Museu do Amanhã no píer Mauá, muitos cobraram que a Prefeitura aproveitasse a reforma da região para  também resgatar e valorizar a história dos negros que por ali passaram. Em junho deste ano, a Agência Pública lançou o aplicativo Museu do Ontem com o objetivo de revisitar este passado. Sob a gestão de Marcelo Crivella, o Executivo começou a debater neste ano a construção de um museu da escravidão em local próximo ao Valongo."

De resto, apesar de muitos tentarem, hoje, creditar a responsabilidade da escravidão, que era parte do sistema colonial e da economia de países como Brasil e Estados Unidos mesmo depois das suas independências, aos africanos, os que mais lucraram com o comércio humano foram os grandes traficantes de escravos,que cruzavam o Atlântico com seus navios negreiros, os grandes fazendeiros e os governos metropolitanos e, depois, independentes.  (*E, não, não estou negando práticas africanas escravistas, tampouco, o riquíssimo comércio de escravos para o mundo árabe-muçulmano, simplesmente, focando no tráfico Atlântico, que é o que nos toca particularmente, que alimentou o sistema colonial, o mercantilismo moderno e o capitalismo no século XIX.  Mas isso não é assunto do post.*)

quinta-feira, junho 15, 2017

Em Memória de Lidice, não podemos esquecer


Até ano passado, não sabia nada sobre o Massacre de Lídice, a Operação Antropoide, ou o tristíssimo monumento às crianças da vila que foram mortas pelos nazistas.  Explicando, a Operação Antropoide, que conheci por causa do trailer do filme que saiu ano passado, foi uma ação bem sucedida dos britânicos com a resistência tcheca contraos nazistas.  Um grupo de paraquedistas desceu incógnito perto de Praga e conseguiram assassinar Reinhard Heydrich, um dos homens mais importantes do governo nazista e administrador da Boêmia e da Morávia em nome do Reich.  A ação ocorreu em 27 de maio de 1942, Heydrich morreu em 4 de junho.  Foi o único assassinato de um membro superior do partido nazista durante a 2ª Guerra, ele era o terceiro em comando a partir de Hitler e um dos principais arquitetos da solução final.

Os desdobramentos para os tchecos foram terríveis, pois Hitler ordenou que se fizesse a vingança, que ela fosse terrível e pública.  Acredita-se que entre 1300 e 1500 tchecos foram presos e executados nos dias posteriores ao atentado, mas a vila de Lídice, acusada, sem prova alguma, de ter abrigado os assassinos de Heydrich, foi exemplarmente punida.  


Lídice foi cercada, todas as suas saídas bloqueadas e, no dia 10 de junho, todos os homens maiores de 15 anos da vila foram separados e levados para a fazenda Horák.  Lá foram fuzilados a partir das 7 da manhã do dia seguinte em grupos de cinco, ou dez.  173 homens foram fuzilados.  11 cidadãos de Lídice, que estavam fora da vila, foram capturados e executados, assim como oito homens e mulheres do local que já estavam presos por serem parentes de membros do exército tcheco que estavam lutando com os britânicos.  O único homem adulto cidadão de Lídice a sobreviver foi František Saidl (1887-1961), ele estava preso por assassinato desde 1938 e só descobriu o que aconteceu depois de libertado em 23 de dezembro de 1942.

Havia 203 mulheres e 105 crianças em Lídice.  Elas ficaram presas por três dias na escola local.  As crianças foram separadas de suas mães, as quatro mulheres que estavam grávidas foram levadas para o hospital onde Heydrich morreu e submetidas a abortos forçados.  Do hospital, foram direto para campos de concentração.  Em 12 de junho, 184 mulheres de Lídice (*E as demais?  Morreram?*) foram embarcadas para o campo de concentração de Ravensbrück, condenadas à trabalhos forçados.  A ordem era que não fossem misturadas com os outras detentas, mas isso não foi estritamente cumprido.


E as crianças?  Uma primeira triagem separou aquelas que poderiam ser entregues para famílias de SS ou orfanatos nazistas.  Eram bem pequenas e poderiam ser arianizadas.  88 crianças permaneceram confinadas em uma antiga fábrica têxtil sem os mínimos cuidados e sem saber ao certo qual o destino de suas mães e outros parentes.  A situação das crianças gerou indecisão por parte das autoridades nazistas.  Temiam um levante?  No fim de junho, veio a ordem de Adolf Eichmann para que as crianças fossem enviadas para o campo de extermínio de Chełmno, na Polônia.  

Das 88, seis foram separadas e enviadas para orfanatos do projeto Lebensborn ou adoção.  O campo ficava distante 70 quilômetros de Praga.  Chegando lá, todas as 82 crianças foram para as câmaras de gás.  Uma das crianças salva no último momento, Marie Supikova, tinha 80 anos em 2012 quando deu uma entrevista para a BBC.  Ela tinha 9 anos, mas foi considerada adequada para germanização e acolhida por uma família alemã. Segundo seu relato, seu irmão de 15 anos, era a 89ª criança que não foi contabilizada.  Ele tinha 15 anos, completara dois meses antes do massacre, mas os nazistas pensaram que ele ainda tinha 14.  Descoberto o engano, ele foi separado e executado.  Outra sobrevivente, Jaroslava Sklenickova, teve uma sorte inversa.  Os nazistas descobriram que ela já tinha 16 anos, foi separada das crianças e colocada com as mulheres.  Conseguiu sobreviver à Ravensbrück.


Supikova descreve que sentiu fome e frio pela primeira vez, que ficou usando o mesmo vestido por dias até que se tornasse farrapos.  Ela diz que tem sentimentos conflituosos em relação a família alemã que a acolheu.  Sem eles, ela morreria.  Depois do fim da guerra, ela foi retornada para a Tchecoslováquia e reencontrou a mãe, mas precisou de um intérprete, porque esquecera a língua materna e só falava alemão.

Ao fim da guerra, somente 17 crianças sobreviveram.  Oitenta e dois morreram em Chełmno, seis em orfanatos nazistas.  Das mulheres, 143 voltaram para casa.  Foram dois anos de buscas até que todas as crianças reencontrassem suas mães ou parentes.  A vila original tinha sido totalmente destruída pelos nazistas como forma de exemplo, mas outra Lídice foi construída perto da original que se tornou um memorial.  A página oficial é esta aqui (*versão em inglês*).    Várias cidades foram renomeadas ou batizadas em memória da vila.  Lidice também passou a ser nome próprio, a senadora baiana Lidice da Mata, recebeu este nome em honra da cidade.


O monumento de bronze em tamanho real lembrando as 82 crianças de Lidice mortas em Chełmno, começou a ser construído em 1969 por Marie Uchytilová (1924-89). Ela imaginava homenagear não somente as crianças de Lidice, mas todos os meninos e meninas vitimados pelas guerras.  Foi o primeiro monumento do tipo no mundo.  Uchytilová nunca recebeu nada pelo trabalho.  O monumento foi apresentado em março de 1989, mas ela faleceu inesperadamente em novembro do mesmo ano.  Seu marido, J. V. Hampl continuou seu trabalho e a obra foi finalmente inaugurada em 1996.

Lembrar de Lidice, de seus homens, mulheres e crianças é importante, especialmente, em um momento no qual os discursos fascistas ganham força e há quem queira reescrever o passado.  Os nazistas nunca negaram Lidice, eles exibiram com orgulho.  O Estado Nazista representou uma ameaça a tudo de bom que existe na humanidade.  Este way of life, porque é disso que falamos, um estilo de vida, não defendia valores “tradicionais”, seja lá o que isso represente, não exaltava o que os seres humanos tinham de melhor, mas foi uma perversão, a institucionalização consciente, planejada, economicamente rentável para certos grupos, da violência e da exclusão de vários grupos humanos.  Houve quem lucrasse com o Estado nazista e muitos mais que perderam com ele: judeus, ciganos, homossexuais, defensores dos mínimos direitos humanos etc.  Crianças inocentes, também, o caso de Lidice é somente um caso.  Vilas na URSS foram inteiramente varridas, outras muitas Lidices aconteceram e precisam ser lembradas.

segunda-feira, junho 12, 2017

Aula 7: Governos Dutra e Vargas: O Populismo Democrático



Sétima  aula de História do 2º Trimestre de 2017. Vocês podem visualizar todos os slides aqui no site ou podem baixar direto do site Slide Share. A aula destina-se aos alunos e alunas do Terceiro Ano do Colégio Militar de Brasília, mas qualquer pessoa pode utilizar o material, basta entrar em contato e citar a fonte.

Aula 6: Segunda Guerra Mundial


Sexta aula de História do 2º Trimestre de 2017. Vocês podem visualizar todos os slides aqui no site ou podem baixar direto do site Slide Share. A aula destina-se aos alunos e alunas do Terceiro Ano do Colégio Militar de Brasília, mas qualquer pessoa pode utilizar o material, basta entrar em contato e citar a fonte.