segunda-feira, dezembro 17, 2007

Pré-Vestibular Comunitário de Oswaldo Cruz


Estou repassando, porque acredito que este tipo de iniciativa seja a alternativa correta para as cotas. Dei aula como voluntária neste pré-vestibular por quatro anos, quando morava no Rio. Foi uma das melhores experiências da minha vida. Muitos dos nossos alunos foram aprovados em universidades públicas e voltaram como professores voluntários. Ninguém recebe salário para dar aula – a não ser que tenham mudado a coisa – e os alunos nada pagam, sendo a prioridade para os oriundos da escola pública. Peço que repassem para quem mora no Rio. É fácil chegar em Oswaldo Cruz, há várias linhas de ônibus, além do trem. Antes o Pré ficava no Colégio Valdemar Falcão, que muitos talvez tenham ouvida falar, porque foi onde o Ronaldinho “Fenômeno” estudou. Só que o César Maia expulsou todos os pré-vestibulares dos colégios em uma medida que mostra profundo desprezo por esse tipo de iniciativa. Peço que repassem para quem mora no Rio. Pode não servir para você, mas pode ser fundamental para outra pessoa.

Segue a nota:

“As inscrições começam em janeiro, a partir do dia 7. As aulas terão início no dia 1º/03 e neste ano ocorrerão às terças e quintas, das 19 às 22:00h e aos sábados, das 08 às 18h. O pré-vestibular não está mais no Colégio Valdemar Falcão (fomos despejados pelo César Maia), mas continua no mesmo bairro, do outro lado da estação de Oswaldo Cruz, na sede do CCCPPP. O telefone do Centro Comunitário Paulo da Portela é 21-3350-2993.”

domingo, outubro 21, 2007

TEXTO COMPLEMENTAR: A CRUZADA DAS CRIANÇAS


Quando o verão de 1212 despontou na Europa, milhares de meninos e meninas fugiram de casa para libertar Jerusalém.
A Igreja era contra; tudo indicava que fracassariam. Mas elas tinham fé.
De todas as cruzadas empreendidas pela cristandade, a das crianças foi a mais incrível e a mais trágica. (...)

Os numerosos pregadores itinerantes, os bispos e todos os sacerdotes que orientavam os serviços do Pentecostes procuravam explicar por que os exércitos cruzados não haviam sido vitoriosos. Certamente usaram os argumentos habituais da época: as calamidades, pestilências, carestias, saques eram sinais da cólera divina para punir a humanidade pecadora. A essa altura das homilias [2] , as crianças devem ter pensado: “Se as cruzadas dos grandes fracassaram, certamente foi por causa de seus pecados. Mas Deus ajudará as crianças puras e inocentes. Ele realizará o milagre de abrir o mar diante de nós, permitindo-nos libertar Jerusalém sem combate e converter os infiéis”. Pretenderam alcançar a Cidade Santa em espírito de paz e de alegria. Crônicas da época atestam que essas eram, realmente, as idéias das crianças. (...)

Étienne, um menino pastor de Cloyes, pequena aldeia francesa, começou a pregar a necessidade da cruzada, entre seus companheiros. Isso está documentado. Presumivelmente, o mesmo tenha acontecido com Nikolaus, de Colônia, outro menino, que chefiou a expedição alemã.[2] A fé moveu os jovens – eles deveriam ter em média entre 7 e 14 anos, meninos e meninas –, mas também é preciso considerar a precocidade dessas crianças, que cresciam livres até os sete ou oito anos e, depois, abruptamente, eram lançadas num duro regime e trabalho. Os pobres iam para o pastoreio, as tarefas agrícolas e domésticas, os ofícios artesanais; os ricos, para o aprendizado das armas e da rígida disciplina. Todos sofriam castigos corporais. Para muitos deles, a cruzada era uma fuga para a liberdade.

Assim, no norte da França, e logo depois na Renânia, o espírito da cruzada infantil explodia quase simultaneamente, difundindo-se como uma epidemia pelas regiões vizinhas. As crônicas falam em “multidão”, em “incontável exército”, mas há cifras, embora exageradas e mesmo arredondadas, de acordo com o hábito medieval: 30 mil teriam seguido Étienne; 20 mil, acompanhado Nikolaus. Partiram cantando. O povo ignorante, desconhecendo a geografia e disposto crer no milagre, favorecia as crianças. Mas houve quem pretendeu detê-las: o próprio Inocêncio III e quase todo o clero, o rei Filipe Augusto da Frença e quase toda a nobreza.

As crianças guiadas por Nikolaus partiram em meados de julho e chegaram a Gênova em 25 de agosto. O mar não se abriu e a cidade os repeliu, temendo que o preço dos alimentos aumentasse demais diante da demanda da multidão. Alguns cruzados-mirins tomaram o caminho de volta; outros foram a Roma pedir auxílio ao papa. Nada obtiveram. E o povo, que ajudara os jovens alemães na ida, convencia-se agora com os argumentos do clero: a cruzada fora inspirada por Satanás. Instigada contra os meninos, a população os abandonou à fome e à sede; as meninas foram violentadas e vendidas para prostíbulos; pouquíssimos conseguiram voltar pra casa.

Os seguidores de Étienne dirigiram-se primeiro a Paris: queriam a ajuda de Filipe Augusto. O rei passou a responsabilidade aos clérigos, que eram totalmente contrários à cruzada. Com seu apoio, o rei ordenou que as crianças voltassem para casa. Em vez de obedecer, Étienne conduziu seu exército para Marselha, onde o mar tampouco se abriu. Em compensação, aconteceu o que parecia um milagre: dois armadores [4] , Guilherme Porco e Hugo Ferro, puseram sete navios à disposição dos jovens. Era uma armadilha: dois navios naufragaram – em sua memória, o papa Gregório IX mandou erguer em 1227, a Igreja dos Novos Inocentes, em uma alusão às crianças mortas por ordem de Herodes; outros cinco atingiram Alexandria, no Egito, Bougie, na Tunísia, onde todos foram vendidos como escravos. (...)

Adaptado de Corrado Pallenberg in Visão, São Paulo, 22/08/1983.

[*] Este texto não é para ser estudado para a A.E. Ele é somente um texto de apoio.
[2] Pregação feita estilo familiar e simples ou popular sobre o Evangelho.
[3] A lenda do Flautista de Hamelin se inspira na Cruzada das Crianças e na Peste Negra. No conto de fadas, Nikolaus, o flautista mágico, se oferece para livrar a cidade dos ratos em troca de uma recompensa. Toca sua música e os ratos o seguem sendo conduzidos para um rio, no qual se afogam. Como não recebe a recompensa esperada, o jovem volta em uma noite, toca sua música e as crianças o acompanham para nunca mais retornarem em algumas versões, ou para somente voltarem quando os pais pagam um imenso resgate em ouro. É o castigo para a promessa não cumprida dos adultos.
[4] Pessoa ou firma que, à sua custa, equipa, mantém e explora comercialmente embarcação mercante, podendo ser ou não o seu proprietário.

terça-feira, outubro 16, 2007

BAIXA IDADE MÉDIA II – RENASCIMENTO COMERCIAL E URBANO


Ø O chamado Renascimento Comercial e Urbano se insere dentro do mesmo contexto das Cruzadas, isto é, ajuda a impulsionar esse movimento e é impulsionado por elas. Com o aumento da população, as novas técnicas de cultivo, aumento da produção, incorporação de novas terras, havia maior riqueza. Essa riqueza precisava circular, daí a intensificação do comércio. Ao mesmo tempo, com o aumento da população, as aglomerações urbanas puderam crescer. Havia um ditado da época que ilustra bem a questão “A cidade tem cheiro de liberdade”.

Ø Não se pode acreditar entretanto que as cidades tenham desaparecido durante a Alta Idade Média. No Mediterrâneo, apesar do que o livro de vocês coloca, a dinâmica comercial prosseguiu, e algumas antigas cidades continuaram a seguir com seus negócios. No interior da Europa, muitas cidades romanas desapareceram ou se tornaram pequenos centros em torno de um palácio de um senhor, de um centro de peregrinação ou de um forte.

Ø O que se dá a partir do século XI é um crescimento das cidades pré-existentes e um surgimento antes nunca visto de centros urbanos. Muitos servos, que agora tinham acesso menos raro ao dinheiro, compravam a sua liberdade, outros fugiam, pois em alguns lugares se alguém conseguisse viver um ano e um dia em uma cidade seria considerado homem livre. Mesmo assim, é preciso lembrar, a maioria absoluta da população continuava no campo.

Ø As Feiras: Eram eventos regionais ou internacionais que ocorriam em entroncamentos de rotas de comércio e encruzilhadas de estradas. Poderiam ocorrer semestralmente ou anualmente. Muitos senhores e reis passaram a incentivar esses eventos dada a sua lucratividade.

Ø As Corporações de Ofício: Eram associações de profissionais de uma mesma categoria – tecelões, vidreiros, carpinteiros, ferreiros, etc – que regulavam as atividades, fiscalizavam a qualidade dos produtos, concediam o status de mestre e proibiam a concorrência entre seus associados. Os mestres, isto é, os artesãos donos das oficinas, dirigiam essas associações. No trabalho artesanal também estavam envolvidos: oficiais – que eram os ajudantes do mestre, os aprendizes – que pagavam para aprender o ofício e poderiam um dia chegar a mestres, e os jornaleiros – que ganhavam salários para fazer diversos trabalhos. As mulheres também podiam ser mestres e a maioria das corporações medievais as aceitava, seja por sua profissão ou pelo direito de viúva. As Guildas também eram organizações de artesãos que defendiam os interesses dos associados e promoviam ajuda mútua.

Ø As Liga Hanseática: Associação alemã de comerciantes, da qual faziam parte membros da Ordem dos Cavaleiros Teutônicos, que visava ampliar o comércio no Norte da Europa. Dominavam as regiões do Mar do Norte e Báltico.

Ø As Comunas: Grupos de habitantes das cidades ou associações urbanas que juravam fidelidade e negociavam ou exigiam melhoria na forma como os senhores eclesiásticos ou laicos (duques, condes, marqueses, etc) tratavam a cidade. “Comuna” é uma palavra que tem a mesma origem de “conjuração”. Muitas vezes, as comunas, os cidadãos unidos, se insurgiam violentamente contra seus senhores. As cartas comunais mais do que garantir os direitos, estabeleciam claramente os deveres das cidades.

Ø Os Burgueses e a Centralização do poder: Burguês na Idade Média significava habitante do burgo, isto é, uma cidade fortificada. Os burgueses geralmente estavam associados ao comércio e ao artesanato. Com as cruzadas e o endividamento de muitos senhores, alguns deles começaram a ver na taxação das atividades comerciais uma fonte segura para aumentar as suas rendas. O grande número de moedas e tarifas que variavam de feudo para feudo também prejudicavam o comércio. Assim, muitos burgueses vão se aliar aos reis que buscavam a centralização política. ***Não entendam que burgueses e reis vão se aliar contra a nobreza, pois os reis também são nobres e dependiam da existência desta classe para manterem o seu poder.*** Alguns reis vão ter burgueses como ministros e vão implementar tentativas de formação de exércitos nacionais, unificação jurídica (retomada do Direito Romano), tarifária e monetária. Isso irá ferir principalmente o interesse dos grandes nobres que tinham direitos especiais (vide resumo de Feudalismo). Assim, alguns monarcas irão colocar as cidades sob sua proteção direta, dando-lhes cartas comunais, garantindo com o seu prestígio a liberdade que os burgueses tanto queriam para fazer os seus negócios. Em troca os burgueses irão contribuir com o seu dinheiro para o fortalecimento dos reis. Reis, burgueses e parte da nobreza, principalmente a pequena nobreza, irão se associar contra o regionalismo feudal e o universalismo da Igreja – que achava que poderia interferir dentro dos reinos e se colocar acima do poder dos soberanos – dando início a formação dos Estados Nacionais e à transição para o Capitalismo.

A BAIXA IDADE MÉDIA I: AS CRUZADAS


I. Séculos XI a XIII:

§ Auge do feudalismo com a estabilização dos direitos dos grandes nobres, a diminuição dos conflitos, a valorização da cavalaria.

§ Essas mudanças foram possibilitadas sobretudo pelo fim das invasões; melhorias climáticas; desenvolvimento e/ou redescoberta de técnicas agrícolas; incorporação de novas terras (arroteamentos) destro da própria Europa (desmatamentos, drenagem de pântanos, conquista de novas terras no leste); intensificação do comércio, agora não mais tão restrito às áreas do Mediterrâneo mas abarcando toda a Europa; crescimento da vida urbana.

§ Fortalecimento da Igreja que tentou se impor ao Imperador e aos grandes senhores.

§ A melhora das condições gerais de vida fez surgir pela primeira vez na Idade Média os excedentes de produção que eram apropriados pela nobreza laica e religiosa através de pesados tributos. Mesmo assim, registrou-se um grande crescimento populacional.

§ A Europa começou a parecer pequena, seja para os nobres que desejavam mais terras; seja para os camponeses que tinham que aumentar a produção para garantir sua sobrevivência; seja para os comerciantes, principalmente italianos, que desejavam aumentar a sua influência dentro do rico comércio com o Oriente.

§ Atenção ao gráfico abaixo, ele está no livro de vocês. Vejam que a população cresce até que no século XIV há uma depressão. Este problema foi fruto de muitos fatores, dentre eles, a uma grande epidemia de Peste Bubônica, a chamada Peste Negra, que matou aproximadamanente 1/3 da população européia; as guerras, como a Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra; as revoltas camponesas; e a fome ocasionada pela perda de colheitas e falta de mão-de-obra.


AS CRUZADAS:

§ Jerusalém era considerada Terra Santa tanto por cristãos quanto por judeus e muçulmanos. Com a
Expansão Islâmica a Palestina tinha sido tomada pelos árabes, despertando entre alguns cristãos o desejo de retomar o território sagrado, considerado como centro do mundo nos mapas da época, das mãos dos “infiéis”.

§ Em 1095, o Papa Urbano II conclamou à Cristandade às retomar à Terra Santa. Este movimento ficou conhecido como Cruzada, porque os que se engajavam no movimento levavam o símbolo da cruz em sua roupa.

§ Além da motivação religiosa importantíssima, as Cruzadas foram animadas por outros interesses: aliviar a tensão dentro da Europa, pois as terras começavam a escassear; canalizar a violência dos nobres contra “alvos legítimos”,
[1] no caso, os “infiéis” impedindo que as guerras proliferassem dentro da Europa Cristã; liberar contingentes populacionais (nobres e camponeses) para o Oriente onde iriam se fundar novos reinos aliviando a pressão demográfica dentro da Europa; era a oportunidade para os cavaleiros conseguirem fama e fortuna, talvez até um feudo; os comerciantes italianos viam as Cruzadas como uma grande possibilidade de ganhos comerciais.

§ Houve Cruzadas fora e dentro da Europa. As da Terra Santa são as mais conhecidas, mas a Reconquista da Península Ibérica e algumas campanhas contra hereges, como os cátaros, também tinham status de Cruzada. Quem participasse das Cruzadas recebia a remissão de seus pecados.

§ Houve oito cruzadas “oficiais” e outras que não receberam o reconhecimento da Igreja ou da nobreza. A primeira destas cruzadas “extra-oficiais” foi a Cruzada de Pedro, o Eremita que, atendendo ao chamado do Papa, partiu à frente de 5000 camponeses, andarilhos e mendigos decidiram reconquistar Jerusalém. Atingiu Constantinopla em 1096, foram aconselhados pelos bizantinos a retornarem mas como não tinham esta intenção, e estavam causando desordens na cidade, os bizantinos os transportaram até a Ásia Menor onde foram massacrados pelos turcos. Outra dessas Cruzadas foi a “Cruzada das Crianças” de 1212 que teve um ramo francês e outro alemão. As crianças francesas se dirigiram à Paris onde sem o apoio do Rei acabaram recebendo a oferta de alguns navios para irem “libertar Jerusalém”. Enganados por cristãos foram vendidos em mercados de escravos muçulmanos do Egito. Em sua homenagem mandou-se erguer a Igreja dos Santos Inocentes. Os Cruzados alemães foram direção à Roma mas a nobreza e a igreja, temendo revoltas, insuflou a população contra as crianças que de libertadores passaram a ser tratados como bandidos. A maioria foi morreu ou foi vendida à prostíbulos.

§ Por ordem as Cruzadas oficiais foram:

- 1ª Cruzada (1095-99): Composta por grandes senhores, partiu sob os auspícios de Urbano II. Tomou dos muçulmanos uma parte da Ásia Menor e Jerusalém onde se fundaram reinos cristãos sob o modelo feudal. Fundam-se nesse momento as Ordens dos Templários e Hospitalários.

- 2ª Cruzada (1147-49): Congregou vários príncipes europeus, entre eles o Imperador Conrado II e o Rei Luís VII da França. Marcada pelos desentendimentos, terminou fracassando.

- 3ª Cruzada (1189-92): Uma das mais conhecidas, reuniu o Imperador Frederico, Barba Ruiva (que morreu afogado), o Rei Filipe Augusto da França e o Rei Ricardo Coração de Leão. Do outro lado os muçulmanos eram comandados por Saladino. O conflito entre os gênios militares (Saladino de um lado e Frederico e Ricardo do outro) deu aura romântica à esta Cruzada de batalhas sangrentas, negociações diplomáticas e traições. Não conquistaram a Terra Santa, mas conseguiram para os cristãos o direito a peregrinação.

- 4ª Cruzada (1202-04): Cruzada convocada pelo Papa Inocêncio III, marcada por interesses comerciais dos venezianos associados à nobreza, abandonou o objetivo de conquistar a Terra Santa e atacou Constantinopla. Fundou-se aí o Império Latino de Constantinopla.

- 5ª Cruzada (1217-21): Um fiasco, não passou do Egito. Foi dessa expedição que participou São Francisco de Assis.

- 6ª Cruzada (1228-29): Liderada pelo Imperador Frederico II, ao invés de guerrear com os árabes, negociou a liberação de Jerusalém e outros lugares sagrados cristãos para a peregrinação. Hábil negociador, o Imperador – que foi excomungado pelo Papa – conseguiu ser coroado rei de Jerusalém no Santo Sepulcro. Em 1244, os turcos desfizeram o tratado.

- 7ª Cruzada (1248-50): Luís IX, rei da França, tenta conquistar o Egito. Toma Damieta em 1249 mas seu exército é dizimado pelo tifo e o rei é feito prisioneiro. Depois de libertado retorna ao seu país.

- 8ª Cruzada (1270): Nova tentativa de Luís IX que acaba morrendo de tifo na Tunísia. Por causa de sua piedade e martírio Luís IX foi canonizado.

Considerações Finais – Afinal, para que serviram as Cruzadas?

§ As Cruzadas não conseguiram o reconquistar a Terra Santa mas trouxeram muitas mudanças para a Europa.

§ Dinamizaram o comércio, permitiram um maior intercâmbio com o Oriente de onde vieram novos produtos agrícolas (cana-de-açúcar, arroz), técnicas de cultivo e de produção de tecidos. Os maiores beneficiados com a dinamização do comércio no mediterrâneo foram sem dúvida os italianos de Gênova e Veneza.

§ Enfraqueceu o Feudalismo. Os fracasso militares, o endividamento e a morte de muitos nobres permitiu o avanço do poder real e o enfraquecimento dos laços de servidão.

§ A intensificação do intercâmbio cultural com o Oriente (Islã e Bizâncio), além de trazer novas (e velhas) idéias para a Europa, auxiliou no “refinamento” da sociedade européia.

§ Houve a fundação de várias Ordens Militares, algumas delas, como a dos Cavaleiros Teutônicos, existem ainda hoje e teve uma grande atuação no leste Europeu, seja na evangelização seja na expansão dos interesses comerciais da Liga Hanseática.

§ A agressão dos cristãos acirrou a rivalidade com os muçulmanos que, por sua vez, começaram a diminuir a sua tolerância em relação aos cristãos.

[1] Antes mesmo dos cruzados partirem, registrou-se o aumento da violência contra os judeus que até então conviviam relativamente bem com os cristãos.

terça-feira, outubro 09, 2007

4º BIMESTRE: IGREJA


>> O Cristianismo se tornou religião oficial do Império Romano no século IV. Até então, uma religião urbana, teve que se adaptar à nova realidade do mundo ocidental que era marcadamente rural. A Igreja Romana, como guardiã da cultura greco-romana, terminou por servir de apoio para os novos reinos que bárbaros que se estruturavam, promoveu a evangelização de regiões não cristianizadas, lutou contra a expansão da Igreja Irlandesa e se afirmou como poderosa dona de terras adaptando-se ao novo mundo ruralizado.

>> AFIRMAÇÂO DA IGREJA: Entre os séculos V e IX, as fronteiras da Cristandade Ocidental se expandiram muito, mesmo que essa expansão tenha sido dentro da própria Europa, devemos destacar:

— A Criação da Regra de São Bento: Este conjunto de obrigações e deveres criados por Bento de Núrcia (480-547) passou a regular a vida de grande parte dos mosteiros medievais. No entanto, não havia ainda nenhuma Ordem religiosa no Ocidente.
— A difusão do pensamento de Santo Agostinho (354-430): Grande pensador, ele deixou uma série de escritos que influenciaram profundamente a Teologia da Igreja e a vida religiosa medieval.
— O Trabalho de Evangelização: A Igreja Romana enviou missionários à Inglaterra, Irlanda e Germânia, principalmente para barrar a expansão missionária dos monges irlandeses.
— Fundação da Ordem de Cluny (910): A primeira Ordem do Ocidente seguia a Regra de São Bento e espalhou suas casas por toda a Europa. Foi grande defensora da Reforma Religiosa,
[1] da moralização da Igreja e do fortalecimento do poder do Bispo de Roma. Muitos Papas saíram das suas fileiras.
>> CULTURA E IGREJA: Durante a Idade Média, a Igreja controlava a educação e era responsável pelas escolas. Até meados da Idade Média boa parte dessas escolas estava em mosteiros. Nos mosteiros, eram mantidas bibliotecas e um dos trabalhos dos monges e monjas era fazer cópias de livros e manuscritos, religiosos ou não. Os monges e monjas dedicados a este trabalho eram chamados de copistas. Muitas das crianças mandadas às escolas acabavam por se tornar religiosos. Era uma das carreiras mais seguras e, até o surgimento das universidades, boa parte dos funcionários eram religiosos. Daí a utilização da palavra clérigo para todos os intelectuais, mesmo depois do surgimento das Universidades, no século XIII. Apesar dos muitos pensadores, os que mais influenciaram a Igreja Medieval foram sem dúvida Santo Agostinho (354-430) e São Tomás de Aquino (1225-1274), o primeiro adaptou Platão ao pensamento cristão e o segundo cristianizou o pensamento de Aristóteles.

>> A IGREJA NO SÉCULO X A XIII:
— Durante a Idade Média praticamente toda a Europa foi Cristianizada e no Ocidente ser Católico era obrigatório.
— Até o século X, XI, muitos senhores poderosos mandavam e desmandavam nas Igrejas locais. É preciso lembrar que muitos bispos eram aparentados com esses senhores e, não raro, eles também eram senhores de terras.
— A partir do século X, um discurso moralizador começa a se estruturar. A primeira fonte foi o Sacro Império Romano Germânico. O Imperador protegia o Bispo de Roma e desejava que estes tivessem maior dignidade, se colocando, claro, sempre acima do poder espiritual como na época do antigo Império Romano. As medidas, no entanto, terminaram por fortalecer o poder papal que irá tentar se colocar acima de reis e imperadores.
— Com a expansão da Ordem de Cluny, no século XI, esta vai propor uma série de reformas: os grandes senhores não poderiam interferir nas questões religiosas e o papa deveria ser o poder máximo da Cristandade. Ainda nesse século, a Igreja começou a legislar sobre as lutas entre senhores feudais (alguns deles religiosos) criando a “Trégua de Deus” e a “Paz de Deus” que determinavam a suspensão dos conflitos em determinadas épocas do ano.
— REFORMA GREGORIANA: No século XI, Gregório VII, monge de Cluny, iniciou a reforma que abalaria a ordem estabelecida. Seu interesse era reforça o poder papal ante o imperador e resguardar a Igreja da intervenção dos grandes senhores. Alguns pontos da sua reforma foram: proibição do casamento dos padres, proibição da simonia (comércio dos bens da Igreja e sacramentos) e que somente o papa poderia investir eclesiásticos tirando esse poder do imperador. A síntese das idéias da Reforma Gregoriana estão expressas no Dictatus Papae de 1075.[2] As pretensões de supremacia do Papa deram início à chamada Questão ou Querela das Investiduras com o Imperador Henrique IV. O conflito que culminou com a excomunhão do Imperador e seu perdão em Canossa, só seria resolvido com a Concordata de Worms.
— A REFORMA CONTINUA: Até o século XIII, muitos papas vão tomar medidas com o intuito de moralizar a Igreja e reforçar o seu poder, assim, destacamos: Nicolau II tirou do Imperador o direito de eleger o Papa – como em Bizâncio –e deu a responsabilidade aos Cardeais; Calixto III, no século XII, vai assinar com o Imperador a Concordata de Worms (1122), pondo fim a chamada Questão das Investiduras, e determinando que o papa daria aos novos bispos o poder (investidura) religioso e o Imperador o poder (investidura) temporal sobre as terras. Isso pode ser considerado como derrota para o Papa, pois este queria o direito de conceder ambas as investiduras; no século XIII, o Papa Inocêncio III, vai reafirmar o poder do Papa colocando-o acima do poder dos reis e imperadores a quem somente o papa teria o poder de julgar e derrubar. Esse Papa também criou a Inquisição e convocou o IV Concílio de Latrão (1215) que legislou sobre uma série de assuntos referentes à reforma religiosa.
>> O CLERO: Este grupo era a base da organização da Igreja. Havia vários tipos de religiosos e estes exerciam várias funções. O clero se dividia em secular – que viviam em contato direto com a população – e regular – aqueles que viviam de acordo com uma regra. Entre o clero secular podemos incluir os bispos, cônegos, padres. Já os regulares poderiam viver ou não em comunidades separadas e compreendiam os monges e monjas e frades e freiras. Somente os sacerdotes poderiam presidir cerimônias ministrar sacramentos (batismo, matrimônio, extrema-unção, etc) e nem todos os monges e frades eram sacerdotes. Uma das questões que as reformas religiosas vão priorizar é a formação dos sacerdotes e sua moralidade, pois muitos padres eram analfabetos e alguns bispos eram nobres que recebiam os cargos diretamente sem sequer terem uma formação religiosa mais específica, além disso, alguns, por serem nobres, ainda se dedicavam a atividades proibidas aos religiosos como a caça e a guerra.

>> AS ORDENS RELIGIOSAS: No início da Idade Média os mosteiros eram independentes, dirigidos por um abade ou abadessa. A maioria seguia principalmente a Regra de São Bento que tinha como lema “Ora et Labora”, ou seja, o monge deveria se dedicar tanto ao trabalho manual quanto às orações. A partir da fundação de Cluny passaram a se agrupar em Ordens. Uma Ordem é um conjunto de casas religiosas que seguem a mesma Regra Canônica. A partir do IV Concílio de Latrão as Regras consideradas Canônicas pela Igreja são: a de São Bento, a de Santo Agostinho, a de São Francisco e a de Santo Ambrósio. As principais Ordens Medievais são a Beneditina (Cluniacenses e Cisterciences), a Agostiniana (dividida em várias ramificações), a Franciscana, a Dominicana e a Carmelita. Geralmente as Ordens tinham casas femininas e masculinas. Antes das Reformas, eram comuns Ordens Mistas compostas de mosteiros de homens e mulheres presididos principalmente por uma abadessa, com o passar do tempo esta estrutura passou a ser combatida e desapareceu com o tempo. No contexto das Cruzadas surgiram as Ordens Militares, como a dos Templários e a dos Hospitalários, que eram compostas por religiosos soldados. Essas Ordens conseguiram grande sucesso, algumas se tornando muito ricas. As Ordens Militares também aceitavam homens e mulheres.

>> O TRIBUNAL DO SANTO OFÍCIO: A Inquisição foi criada no século XIII durante o pontificado de Inocêncio III. A ordem era que os bispos julgassem os acusados de heresia. Em 1229, o papa seguinte, Gregório IX, instituiu o Tribunal em si. O objetivo era combater a heresia e levar os hereges ao arrependimento e ao retorno ao seio da Igreja. Só refrescando a memória, heresia era qualquer prática que discordasse da Igreja oficial. O número de heresias havia crescido muito durante o século XII e a Inquisição foi uma reação mas não a única. A Ordem Dominicana, por exemplo, foi criada com essa função também. Não se deve acreditar na imagem mostrada da inquisição queimando montes de bruxas e hereges, pois esta prática é muito mais característica do final da idade Média e, principalmente, da Idade Moderna. Outro fator a se destacar é que quem executava os “não-arrependidos” era o poder temporal (nobres, reis, o imperador, etc) e não a Igreja.

>> AS HERESIAS: Muitas foram as práticas religiosas consideradas como heresia na história da Igreja. Nós mesmos já ouvimos falar dos monofisistas e arianos. Durante o século XIII, duas heresias chamaram muito a atenção da Igreja e foram duramente reprimidas: os Cátaros ou Albigenses e os Valdenses. Os Albigenses floresceram principalmente no sul da França, obtendo sucesso com indivíduos de todas as camadas da sociedade, inclusive a nobreza. Faziam voto de pobreza, dividiam o mundo entre bem e mal que estavam em luta permanente (Dualismo). Entre os cátaros mesmo as mulheres poderiam exercer o sacerdócio. Foram duramente combatidos durante o governo de Inocêncio III que convocou contra eles uma Cruzada. Coube principalmente aos Dominicanos cuidar dos cátaros que quisessem voltar ao seio da Igreja. Os Valdenses surgiram com Pedro Valdo, rico comerciante que doou tudo aos pobres e fez voto de pobreza. Eram pregadores, itinerantes, pregando a pobreza individual e da Igreja. Os ideais do grupo eram muito parecidos com os dos Franciscanos, mas como queriam que a Igreja fosse pobre e homens e mulheres pregavam sem permissão, foram duramente condenados e perseguidos.

>> DO CATIVEIRO “BABILÔNICO” ATÉ O GRANDE CISMA: Entre o século X e XIII, os papas conseguiram ganhar muito poder e autoridade, apesar das resistências e lutas enfrentadas. Até esse momento, seu embate era contra o imperador e pela moralização e independência da Igreja. A partir do século XIII, no entanto, os reis começaram a se fortalecer e a interferência do papa dentro dos seus reinos no momento em que se estruturavam. A reação dos reis se deu de várias formas mas foi o rei da França, Felipe IV (o Belo) que deu uma demonstração de força que marcou a história da Igreja Medieval. Como não estava disposto a admitir que o Papa aplicasse suas ordens dentro da França sem aprovação real, mandou um exército seqüestrar não somente o Papa, mas a corte papal inteira. (Lembre-se de que desde a
época dos francos as relações entre a França e a Igreja eram muito “próximas”.) O Papa agredido morreu logo, mas a sede do governo da Igreja terminou por ficar na França, na cidade de Avignon, de 1305 até 1378. Esse período ficou conhecido como “Cativeiro de Avignon” ou “Cativeiro da Babilônia”. Quando o Papado retornou à Roma, em 1378, não houve consenso e começaram a conviver dois ou até três Papas ao mesmo tempo (um em Roma, outro em Avignon e outro em Pisa). Tal situação enfraqueceu a Igreja e só se viu resolvida em 1417 depois de intervenção de vários reis. A resolução, entretanto, não foi suficiente para dar estabilidade a Igreja e um século depois a Cristandade iria se dividir graças à Reforma Protestante (1518).

[1] A Reforma Religiosa em questão não é a Protestante do século XVI. Durante a Idade Média foram implementadas várias reformas com objetivos diversos, sem, contudo provocar a fragmentação da Cristandade como no caso de Lutero.
[2] Ver parte do documento no livro texto, p. 225.

4º BIMESTRE: SACRO IMPÉRIO

AVISO: Este resumo deverá ser lido em casa. Não haverá aula de Sacro Império, mas tirarei as dúvidas. Não haverá questão direta de Sacro Império na A.E., mas para compreender outras questões é preciso saber sobre ele.

>> O chamado Sacro Império Romano Germânico foi uma das mais duradouras criações da Idade Média, tendo durado do século X até o século XIX.

>> O Império nasceu do Reino da Germânia, surgido da dissolução do Império Carolíngio com o Tratado de Verdun de 843. Por este tratado, os netos de Carlos Magno dividiriam o território em três, surgindo deste acordo o Reino da França (*Francia Ocidentalis*), a Lotaríngia (*que manteve a Itália e a coroa Imperial*) e o Reino da Germânia (*Francia Orientalis*).

>> A dinastia de Carlos Magno resistiu por algum tempo nos três territórios, mas o poder dos reis se viu muito diminuído. No caso da Germânia, os carolíngios governaram até 911, quando faleceu o último descendente de Carlos Magno. A partir daí, os grandes duques – que passaram a serem chamados eleitores – decidiram escolher entre si quem deveria reinar. A Coroa então passou Conrado, duque da Francônia e, em seguida, para Henrique, o Passarinheiro, duque da Saxônia, que conseguiu garantir a manutenção da coroa por algumas gerações.

>> Enquanto isso, a Lotaríngia se fragmentou e a maioria dos territórios foram incorporados à Germânia. A coroa imperial continuou existindo até 924, mas sem que representasse nada realmente importante, pois os nobres que a portavam tinham domínios muito restritos e nenhum poder real.

>> Com a morte de Henrique, o passarinheiro, seu filho Otão assumiu o trono. Sua missão não era nada fácil, pois teve que conter tanto os grandes vassalos (*não esqueçam dos laços feudais*), quanto os novos invasores vindos do leste (*magiares, eslavos*). Bem sucedido, nas guerras, optou por se apoiar dentro do território nos grandes senhores da Igreja, a quem deu terras e títulos, em troca de fidelidade.

>> O ano de 962, marca o nascimento do Sacro Império. Otão foi chamado à Itália para livrar o jovem bispo de Roma/papa João XII (*só tinha 17 anos*) dos seus inimigos. Na verdade, os senhores italianos pouco respeito tinham pela igreja e suas terras, e o bispo da cidade de Roma – o mais importante do Ocidente – era escolhido sem muito critério dentre as grandes famílias. Otão derrota os inimigos do bispo de Roma e é coroado como Imperador. O título ressuscitado era importante para a segurança da Igreja, que se acostumara à proteção dos imperadores. Em contrapartida, todo um discurso de glorificação de Oto, do cargo imperial, do novo Império Romano é criado.
>> Otão I percebe seu cargo como o de Carlos Magno, isto é, quer que sua dignidade seja reconhecida dentro dos seus territórios e pelos reinos que o cercam, sendo visto o imperador como alguém que governa sobre os reis. É com esse intuito que enfrenta e vence os bizantinos na Itália em 972, conseguindo para seu filho, o futuro Otão II, um vantajoso e inédito casamento com uma princesa do Oriente. Os três Otões (I, II e III) dão grande valor ao seu cargo e se colocam como o poder universal máximo no Ocidente. Assim, eles são o pontífice máximo, eles escolhem os bispos de Roma, eles investem os bispos. Otão III chega a mudar-se para a Itália, mas isso não é bem visto nem pelos seus vassalos alemães, nem pelos italianos e sua morte prematura – seguida um ano depois (1003) pelo Papa Silvestre II seu maior aliado – põe fim tanto à dinastia dos Otônidas quanto às pretensões de ressuscitar o Império Romano em todo o seu esplendor.
>> No entanto, a idéia de que a Igreja deve se subordinar ao Império permanece firme nos sucessores dos Otônidas e isso será responsável pelos grandes conflitos entre papas e imperadores nos séculos seguintes. Dois poderes universais não podiam subsistir juntos no mesmo espaço. (Ver: Igreja)
>> Quanto à política, os imperadores oscilavam entre seus interesses no Norte e no Sul, alguns optando por dar mais atenção aos domínios alemães, outros às possessões italianas. Importante lembrar que o equilíbrio sempre foi difícil, e os conflitos constantes. Por exemplo, dentro da Itália o conflito entre papa e imperador produziram, em especial a partir do século XIII, conflitos sangrentos, com a formação de dois blocos políticos: o dos Guelfos que defendia que a Itália fosse separada do Império e governada pelo papa; e o dos Guibelinos que mesmo não desejando um imperador alemão, preferiam apoiá-lo a terem o papa como governante.
>> LEMBRE-SE 1: O Império é “sacro” ou “sagrado” porque foi instituído por Deus (*ou assim a Igreja desejou que se pensasse*), era “romano” porque pretendia reviver o antigo Império (*daí a necessidade de manter Roma dentro do seu território*) e é “germânico” porque os imperadores são alemães e são eles que têm o poderio militar.

>> LEMBRE-SE 2: Graças ao Império, a Igreja Romana teve condições de se reorganizar e fortalecer, pois os imperadores se comprometeram tanto com um projeto de moralização e educação do alto clero, quanto com a concessão de feudos em troca de fidelidade.

>> LEMBRE-SE 3: O Império retardou e muito a unificação de Alemanha e Itália e sua afirmação como Estados Nacionais. Os interesses tanto do papa quanto do imperador eram de reconhecimento de seus poderes universais, e não havia interesse em permitir a organização de estados que poderiam se tornar independentes. Assim, fortaleceu-se o poder dos grandes e pequenos senhores (*duques, condes, príncipes, pequenos reis*), enquanto em outras regiões da Europa os poderes estavam sendo centralizados nas mãos dos reis ainda na Baixa Idade Média.

BIBLIOGRAFIA:

GRIMBERG, Carl. História Universal. Santiago: Europa América, vol. 10, 1989.
LE GOFF, Jacques. A Civilização do Ocidente Medieval. Bauru: EDUSC, 2005.
Livro didático, p. 266-267.

quinta-feira, outubro 04, 2007

4º BIMESTRE: FEUDALISMO


>> O Feudalismo foi um sistema social, político e econômico que em maior e menor grau se fez sentir total ou parcialmente em toda a Europa Ocidental. No entanto, o único lugar onde existiu em sua forma completa foi a França. Por isso mesmo, é este reino que nos serve de modelo de estudo aqui.

>> O Feudalismo se desenvolveu graças ao encontro de vários fatores alguns presentes desde a época da Crise do Século III: ruralização do Ocidente, o colonato, invasões bárbaras, enfraquecimento do poder central, desaparecimento da noção de Estado, etc.

>> ANTECEDENTES – Entre os antecedentes do sistema feudal, destacamos:
§ Formação das vilas: Desde a época áurea do Império Romano, os cidadãos mais ricos costumavam ter grandes propriedades no campo. Com a crise nas cidades, as vilas passaram a ser lugar de refúgio tanto para os senhores, que tinham poder absoluto em suas terras (Lembre-se da anarquia política que assaltou o Império Romano do Ocidente), quanto para cidadãos empobrecidos que buscavam ali refúgio e acabavam por se tornar dependentes.

§ Colonato: Para garantir que a mão-de-obra não iria se evadir o que acentuaria a crise de abastecimento, criou-se o colonato que mantinha o camponês preso a terra sob a “proteção” de um senhor. Muitos proprietários passaram a alforriar seus escravos e transformá-los em colonos, ao mesmo tempo em que cidadãos outrora “livres” passavam a se colocar também na mesma posição à força ou em busca de melhores condições de vida.

§ O Benefício: Previsto no Direito Romano, consistia em um contrato de prestação de serviços entre duas partes. Muitas tribos bárbaras haviam recebido terras como Benefício ainda na época do Império do Ocidente. Com o tempo, esses contratos começaram a se tornar hereditários e os contratos e juramentos só eram renovados.

§ A Clientela: A relação existente entre os romanos, serviu para reforçar os laços de dependência entre os senhores ricos e seus protegidos.

§ A Recomendação: Prática germânica pela qual um homem se submetia a outro, prestava homenagem (Literalmente se tornava “seu homem”) e normalmente recebia terras em troca. Essa prática está na base das relações entre vassalos e suseranos durante o período feudal.

§ O Comitatus: A união dos chefes de várias tribos e seus guerreiros sob juramento de fidelidade pessoal. Tal instituição germânica influenciou muito a relação entre o rei (no início geralmente eleito) e seus nobres que geralmente tinham direito a ter homens armados a seu serviço, cunhar moeda, presidir a justiça em suas terras, etc.
>> O FEUDO E MAIS ALÉM
§ Durante o período feudal a escravidão praticamente desapareceu,[1] prevalecendo o trabalho servil. Havia vários tipos de servos mas no geral eles estavam presos à terra que cultivavam e tinham obrigações para com o seu senhor. Seu local de trabalho era o feudo.

§ O feudo era o benefício recebido pelo vassalo. Poderia ser várias coisas (direito de cobrar impostos de uma dada área, como uma ponte, por exemplo; controle sobre uma cidade; etc) mas geralmente era um pedaço de terra. Assim, podemos dizer que esse tipo de feudo (terra) era, pelo menos no início da Idade Média, uma unidade autônoma de produção. O feudo deveria produzir tudo o que precisasse, dentro de uma economia de subsistência agropastoril. Poderia haver troca entre feudos, mas o uso do dinheiro era restrito, pelo menos até o século XI.

§ A sociedade medieval era estratificada e com pouca mobilidade social. Chamamos esse tipo de sociedade de estamental e o seu lugar dentro do grupo era determinado pelo nascimento. Basicamente era uma sociedade de nobres e não nobres. No primeiro grupo estavam os donos de terras laicos (condes, duques, barões, reis) e religiosos (bispos, abades, monges), no outro estavam os burgueses (aqueles que moravam nas cidades), artesãos, jornaleiros, vilãos (trabalhadores livres que moravam nos feudos), servos e escravos. O segundo grupo deveria sustentar e obedecer ao primeiro, e o primeiro proteger os corpos e as almas do segundo. Nesse segundo grupo também havia religiosos que não eram nobres (padres de aldeia, monges).
>> CARACTERÍSTICAS POLÍTICAS E SOCIAIS
§ Descentralização Política: Em algumas regiões, como no Reino de França, os reis perderam muito de seus poderes e cada senhor governava quase que independentemente as suas terras. Os reis enfraquecidos passaram a ter um poder quase simbólico que só tinha capacidade de impor a sua vontade quando o próprio soberano era também ele um poderoso senhor de terras e homens.

§ Obediência aos Costumes: Com o fim do Império do Ocidente, o Direito Romano foi substituído pelas leis consuetudinárias que variavam muito mesmo dentro do mesmo Reino. Eram os chamados costumes feudais.

§ Suserania e Vassalagem: Suserano era aquele que doava o feudo e o Vassalo aquele que recebia o benefício. Ambos faziam juramentos e tinham direitos e deveres. Como as redes de alianças eram extensas e confusas, muitas vezes um suserano poderia ser vassalo de outro senhor. Esse foi o caso dos reis da Inglaterra que após a conquista normanda (1066) passaram a ser vassalos dos reis da França, mesmo sendo mais poderosos que eles.
[2] A quebra desse contrato era chamada de felonia e considerada um pecado gravíssimo, além de dar direito ao suserano de retomar o feudo doado. Eram deveres do vassalo: prestar auxílio militar, prestar conselho quando convocado a participar do Tribunal de Justiça, renovar a homenagem que era renovada periodicamente, pagar o resgate do seu suserano, dar presentes nas núpcias da filha mais velha do suserano e quando seu filho mais velho se armasse cavaleiro. Ao suserano cabia: proteger seus vassalos quando estes estivessem ameaçados, conceder e retirar os feudos.

§ A Vida da Nobreza: No início da Idade Média,
[3] a vida da maioria dos nobres não era muito “confortável” ou “nobre” para os nossos padrões atuais. Muitos nobres eram analfabetos (Carlos Magno com certeza era) ou pouco instruídos, já que toda a sua vida era voltada principalmente para a guerra. Muitos castelos eram frios e úmidos, não raro várias pessoas dividiam os mesmos aposentos. Os casamentos eram feitos de acordo com os interesses das famílias, para cimentar alianças que fossem importantes.[4] Alguns filhos e filhas por conta disso eram impedidos de contrair núpcias sendo enviados para mosteiros e conventos; no caso específico dos meninos, quando atingiam certa idade, eram mandados para a casa de outros nobres para serem educados na arte da cavalaria. Como em certas regiões somente o filho mais velho herdava as terras, os demais deveriam conseguir “pela espada” o direito a um feudo e uma esposa. Ao contrário do que o livro diz, a vida das mulheres não se restringia aos afazeres domésticos e a vida religiosa, pois uma filha de nobres deveria ser educada para governar bem os seus domínios, pois não raro seu marido estava fora ou ficava viúva muito jovem e cabia a ela gerir a propriedade da família.

§ A IGREJA: Durante a Idade Média a religião e a religiosidade vão ser muito importantes na vida da maioria das pessoas. A Igreja Católica, grande senhora de terras, vai atuar muito no sentido de evangelizar e moralizar (de acordo com interesses determinados) a sociedade medieval. A intervenção na política de casamentos e o estabelecimento da Trégua de Deus ou Paz de Deus que estabelecia períodos nos quais os combates entre senhores eram proibidos são somente algumas medidas. Não se deve pensar entretanto que a Igreja tinha poder sobre tudo e todos, pois durante a Alta Idade Média, principalmente, os grandes senhores garantiam a segurança e interferiam nos assuntos da Igreja, até porque muitos dos altos eclesiásticos eram nobres. Mesmo depois, as políticas das grandes famílias e reinos vão interferir no andamento dos assuntos religiosos.
>> A ECONOMIA
§ Dentro do mundo feudal, que era muito heterogêneo, os servos tinham várias obrigações e deveriam pagar várias taxas, além de prestar serviços. Entre muitos, destacamos: corvéia (trabalho gratuito nas terras do senhor com o tempo passou a ser revertido em uma taxa em dinheiro), banalidades (taxas para usar o forno e o moinho), talha (parte da produção, geralmente metade, que deveria ser entregue ao senhor), albergagem (dever de hospedar o senhor – valia mais para os vassalos), dízimo (10% de toda a produção que deveria ser entregue a Igreja). Além desses, o servo poderia ser obrigado a pagar para se casar ou transferir seu lote quando o chefe da família morresse. Em suma, as taxas eram muitas, mesmo que a produção fosse pouca.

§ A rotação de culturas era utilizada dentro dos feudos para garantir a produtividade (que mesmo assim era muito baixa), assim dividia-se a terra em três ou quatro partes. Uma delas sempre estaria em repouso e as demais eram cultivadas com trigo, cevada ou outro cereal. No ano seguinte, havia a rotação, evitando, na medida do possível que a terra se esgotasse.

§ O feudo era dividido em partes, os chamados mansos, e poderíamos encontrar, mesmo que com variações, três tipos de mansos: o senhorial – cultivado pelos servos de acordo com a corvéia;
[5] o servil – era dividido em lotes e cultivados pelos servos que deveriam dar ao senhor uma parte da produção; o comunal – pastos, campos e bosques de uso comum, eram usados para divertimento do senhor, e para complementar a produção e alimentação dos servos.[6]

§ A economia monetária era bastante limitada durante o início da Idade Média mas conforme a economia foi se tornando cada vez mais dinâmica muitos camponeses passaram a pagar suas taxas não mais em trabalho ou espécie (produtos) mas, sim, em dinheiro.


[1] Há autores que afirmam que a escravidão desapareceu, mas durante a Idade Média Ocidental o tráfico de escravos permanece, existem decretos abolindo a escravidão e a prática foi muito freqüente em algumas áreas, mesmo que em sua maioria os escravos fossem domésticos.
[2] Como os reis da Inglaterra passaram a se recusar a prestar a homenagem formal, criou-se a homenagem Lígia que não obrigava o soberano inglês a se ajoelhar diante do rei francês.
[3] Estamos falando principalmente da chamada Alta Idade Média, mesmo que algumas características possam permanecer para além dela.
[4] Antes da Igreja interferir na política de casamentos, não raramente um senhor se casava várias vezes, livrando-se da antiga esposa de várias formas imagináveis.
[5] Com o tempo alguns senhores passaram a lotear os seus mansos, aumentando o número de servos.
[6] Já no fim da Idade Média, muitas das terras comunais começam a ser cercadas na Inglaterra e utilizadas para a criação de carneiros que era muito lucrativa. Esse fenômeno conhecido como Enclouser (Cercamento) vai ser muito importante para a Revolução Industrial.

quinta-feira, setembro 13, 2007

Ordália


É somente para ilustrar algo que eu já comentei em algumas turmas e está no resumo de Bárbaros. O quadrinho foi retirado do livro The Cartoon History of the Universe III de Larry Gonick. Infelizmente essa parte não foi lançada em português, e a edição da imagem não ficou boa, porque é um livro grosso e difícil de escanear.

segunda-feira, setembro 10, 2007

4º BIMESTRE: IMPÉRIO BIZANTINO - IMAGENS


Estou colocando algumas imagens um ícone (Theodokos: Mãe de Deus), mosaicos reproduzindo os rostos de Theodora e justiniano e duas imagens da Basílica de Santa Sofia. As quatro torres em volta são minaretes acrescentados pelos muçulmanos depois da conquista em 1453.

Theodokos
Justiniano
Teodora

quinta-feira, agosto 09, 2007

Pesquisa: Quadrinhos em Sala de Aula


Estou recolhendo dados para uma pesquisa sobre o uso de quadrinhos em sala de aula como estímulo à leitura, como exercício ou mesmo tarefa a ser avaliada. Não sei ainda para que e como irei utilizar. Tinha pensado em pedir a opinião somente dos meus alunos e alunas, mas acho que vale a pena estender. Então, se você quiser responder à pesquisa, basta clicar e fazer o download do arquivo, está em Word. Pode enviar sugestões, também, afinal, estou tentando aprimorar o modelo da pesquisa. Quando estava dando aula para a 7ª série sempre passava uma avaliação em forma de quadrinho ou conto, o resultado durante os três anos foi, no mínimo, satisfatório. Pena que não pude fazer este trabalho com vocês este ano. Gostaria de continuar com o primeiro ano, vamos ver. Enfim, desde já, agradeço as contribuições de vocês!

sábado, junho 30, 2007

Egípcios identificam múmia da Faraó Hatshepsut



Com certeza, das grandes descoertas do século. A notícia que segue foi publicada na Folha de São Paulo no dia 28/06/2007.


Egípcios identificam múmia de rainha

Dente solto achado em uma caixa de madeira revela que múmia indigente era de Hatshepsut, que reinou no século 15 a.C. Soberana morreu aos 50 anos, obesa e com câncer; seu corpo é 1ª múmia de monarca identificada no país desde Tutancâmon

DA REDAÇÃO

A múmia de uma mulher obesa, que tinha diabetes e morreu de câncer no fígado, foi identificada como sendo a da mais poderosa rainha do antigo Egito. A descoberta, considerada o achado do século no país, foi feita graças a um dente.

Zahi Hawass, chefe do Conselho Superior de Antigüidades do país, anunciou ontem em uma entrevista coletiva ter identificado uma múmia achada em 1903 no Vale dos Reis como a da rainha Hatshepsut, a grande monarca da 18ª Dinastia do Egito. Ele descreveu o achado como "o mais importante no Vale dos Reis desde a descoberta de Tutancâmon".

Hatshepsut subiu ao poder em 1479 a.C., após a morte de seu marido e meio-irmão Tutmés 2º. Seu enteado (filho do marido com uma concubina), Tutmés 3º, era muito jovem para assumir o trono, então a "primeira das mulheres nobres" (significado de seu nome) permaneceu como co-regente durante 22 anos.

Durante esse tempo, Hatshepsut se mostrou uma governante voluntariosa e ambiciosa, uma das maiores tocadoras de obras do Novo Império e a monarca que mais fez para que o Egito se tornasse o país rico que se tornaria depois, no reinado de Tutancâmon.
Quando morreu, com cerca de 50 anos, ela deixou um esplêndido templo mortuário -mas sua múmia não estava lá.

Para frustração dos arqueólogos, as múmias reais egípcias freqüentemente eram removidas de suas tumbas originais e escondidas em locais discretos, para driblar saqueadores. Marcas que as identificassem freqüentemente se perdiam nesses transportes.

O britânico Howard Carter, que em 1922 descobriria o túmulo de Tutancâmon, chegou a achar a câmara mortuária de Hatshepsut, mas os dois sarcófagos dentro dela estavam vazios. O paradeiro do corpo da rainha permaneceu um dos maiores mistérios do Egito. Sua identificação só aconteceu há dois meses, quando a equipe de Hawass realizou uma tomografia em uma caixa de madeira que trazia o nome da rainha. Dentro dela havia um fígado humano e um dente.

O dente foi examinado pelo dentista Galal El-Beheri, da Universidade do Cairo, a pedido de Hawass. Ele descobriu que a peça se encaixava perfeitamente na raiz quebrada de um dente da múmia de uma mulher obesa, encontrada por Carter em 1903 numa tumba pequena e sem decoração no Vale dos Reis, a KV60.

A tumba continha duas múmias: uma num caixão com a inscrição "ama real" e outra sem identificação alguma.

Em uma visita recente à KV60, Hawass examinou a múmia obesa. Seu braço esquerdo estava dobrado com a mão sobre o ombro. As unhas da mão esquerda estavam pintadas de vermelho, com contorno preto. Alguns egiptólogos, no passado, chegaram a suspeitar que a múmia obesa poderia ser de Hatshepsut. Mas havia nada menos que cinco múmias também suspeitas.

A prova veio depois que o Discovery Channel instou Hawass a usar tecnologia médica moderna na identificação da múmia -o que ele achava que não daria resultado- e bancou a instalação de um laboratório no Museu Egípcio, no Cairo. As seis múmias passaram por tomografias, bem como a caixa com o nome da rainha, encontrada em uma outra tumba.

"A caixa guardava a chave do enigma", disse Hawass. "Agora nós temos a prova científica de que esta é a múmia da rainha Hatshepsut", afirmou, citando principalmente o dente mas também análises preliminares de DNA que ligam a mulher obesa a Ahmés Nefertari, a matriarca da 18ª Dinastia. Egiptólogos que não trabalharam no projeto dizem que a evidência é fascinante, mas que ainda é cedo para afirmações tão contundentes.

Com "Independent" e "New York Times"

sexta-feira, maio 25, 2007

IMAGENS DE CRETA 4

Afrescos cretenses: mulheres, touradas, pescador, carregadores de vasos, procissão religiosa, etc. Por último, a deusa serpente.

IMAGENS DE CRETA 3

Mais vasos, enfeite de cabelo e afrescos.

IMAGENS DE CRETA 2

Mais jóias, cerâmica, o machado duplo (labrys).

IMAGENS DE CRETA 1

Como prometi, estou postando agumas imagens de Creta. Nesta leva, temos imagens do palácio de Knossos, de afrescos que representam um príncipe (Minos?) e trabalhos em metal, especialmente jóias.

2º BIMESTRE: CIVILIZAÇÕES PRÉ-COLOMBIANAS


Ø Não pretendo fazer um resumo sobre o capítulo de Pré-Colombianos, somente vou ressaltar alguns pontos que são extremamente relevantes. Você deve complementar as informações com a leitura do capítulo e a revisão das questões do Estudo Dirigido.

I. O nome Pré-Colombiano se aplica indistintamente à todas as culturas e civilizações que habitavam a América antes da chegada dos europeus.

II. Havia uma grande diversidade de povos nos mais diferentes estágios de organização social. Havia povos vivendo desde o estado correspondente ao do Paleolítico (nômades, coletores/caçadores) até povos extremamente avançados que construíram cidades com água potável, praticavam agricultura avançadíssima e tinham estado.

III. Até recentemente se acreditava que os primeiros grupamentos humanos haviam chegado à América há no máximo 12 mil anos. Hoje, depois de uma série de descobertas, em especial as do Sítio de São Raimundo Nonato no Nordeste brasileiro, acredita-se que a data possa ser anterior a 48 mil anos, ou seja, os primeiros humanos provavelmente começaram a chegar durante a última glaciação. Essa datação não é aceita por alguns arqueólogos norte americanos, pois colocariam em questão a tese de que os primeiros humanos teriam chegado à América pelo Estreito de Behring (Teoria Asiática).

IV. Existe uma grande teoria que explica a chegada dos homens à América, a Teoria Aloctonista ou das Migrações. [1] Essa teoria se quebra em três vertentes: A Asiática segundo a qual os homens teriam chegado à América cruzando o Estreito de Behring; a Australiana que diz que os primeiros habitantes da América teriam vindo as Austrália navegando ou por alguma faixa de terra que teria desaparecido; a Malaio-Polinésia que argumenta que os humanos teriam vindo navegando das ilhas do Pacífico. Muito provavelmente as três rotas foram utilizadas nas diversas levas migratórias que povoaram o Continente.

V. Várias civilizações avançadas se desenvolveram na América, entre as mais antigas podemos citar os Olmecas – os mais antigos, possuíam escrita e abasteciam suas cidades com água potável; os Moches; os Toltecas; os Anasazi. De todas as grandes civilizações do Continente Americano, as mais conhecidas são aquelas contemporâneas à chegada dos europeus: os Incas (América do Sul), os Maias (América Central) e os Astecas (América do Norte e Central).

VI. Semelhanças entre os Maias, os Incas e os Astecas:

· Uniam-se em comunidades e utilizavam a terra de forma coletiva;

· Praticavam a servidão coletiva;

· Todas as terras pertenciam ao Estado e não havia propriedade privada;

· A sociedade estava dividida em várias camadas e havia divisão social do trabalho;

· As religiões incluíam os sacrifícios humanos;

· Formavam grandes centros urbanos (cidades) geralmente com excelente infra-estrutura (calçamento, abastecimento de água, etc.);

· Eram teocracias. Sendo que no caso dos Incas, o imperador era considerado um deus-vivo, como os faraós no Egito.

VII. Semelhança entre os Maias e os Astecas: ambos tinham escrita. De todas as grandes civilizações que conhecemos hoje, os Incas eram os únicos que não possuíam escrita, no entanto tinham um sistema de registro de informações, os quipos que eram extremamente eficazes e talvez tenha sido a primeira linguagem binária conhecida.

VIII. Tanto os Incas como os Astecas construíram, pela conquista, grandes impérios territoriais. Já os Maias se organizavam em cidades-estado independentes que disputavam entre si a supremacia sem nunca conseguirem a formação de estados unificados, assim como os gregos até o Período Clássico.

IX. Entre os Incas, além da servidão coletiva que grantia a produção agrícola e a arrecadação de tributos, havia a mita que era o trabalho temporário e gratuito em obras públicas, minas e/ou correios. Ao chegarem na América os espanhóis se aproveitaram do costume da mita para forçarem os nativos ao trabalho compulsório, só que não havia mais o retorno, porque os índios morriam no árduo trabalho nas minas. Essa prática auxiliou a desestruturação das comunidades indígenas gerando fome e miséria entre os nativos.

X. Quando os espanhóis chegaram à América, os Impérios Asteca e Inca estavam no auge e em plena expansão. A destruição dessas civilizações foi uma perda inestimável e se deu por vários motivos, internos (lutas dinásticas, colaboração de povos conquistados com os invasores na esperança de se libertarem ou pelo menos melhorarem suas condições de vida) e externos (doenças desconhecidas e letais, armas de fogo e cavalos, táticas de guerra desconhecidas dos nativos, choque cultural e simbólico com vantagem para os espanhóis.). Os Maias já se encontravam em decadência e o impacto maior foi o da eliminação de seus vestígios (assim como foi feito com os demais povos), pois os europeus se consideravam mais capazes e civilizados – Eurocentrismo, além de terem a missão cristã de converter e evangelizar os pagãos. Muitos foram mortos, muitos escravizados e violentados, culturas foram destruídas e sobre as suas cinzas ergueram-se as nações que vemos hoje. A maioria marcada pela má distribuição de renda; riqueza nas mãos de poucos e miséria reservada para muitos.

[1] A Teoria Autoctonista citada no livro de vocês é uma bobagem que já foi abandonada faz décadas. Até porque as evidências fósseis do homem e seus ancestrais mais antigas não estão no Continente Americano.

domingo, maio 20, 2007

Texto Complementar: Os últimos samurais cristãos


"Pouco conhecida fora do Japão, a sangrenta revolta de Shimabara, no século 17, marcou a perseguição dos cristãos pelo xogum o início de uma era em que os japoneses se isolaram do mundo.

Momentos antes de partir para a batalha, um samurai se ajoelha diante de uma cruz e reza, pedindo proteção a Deus. A seguir, ele se junta a uma milícia cujo estandarte é uma bandeira que retrata dois anjos e o cálice sagrado. No alto do tecido branco, lê-se a inscrição "Louvado seja o santíssimo sacramento". Pode parecer surreal, mas cenas como essas aconteceram em pleno Japão feudal. A rebelião de Shimabara, iniciada em 1637 e sufocada pelas tropas do governo no ano seguinte, envolveu quase 40 mil japoneses. Muitos deles eram católicos e se opunham à proibição do cristianismo no país. Depois que os rebeldes foram massacrados, cristãos e estrangeiros foram perseguidos sem trégua e expulsos do Japão."

Esta matéria está publicada na revista Aventuras na História da Editora Abril. Você pode ler on line aqui.

quinta-feira, maio 17, 2007

Texto Complementar: Arqueólogos acham múmia Mochica


Alguns povos da América costumavam mumificar seus mortos. Foi descoberta esses dias a múmia de uma mulher, provavelmente uma guerreira mochica de cerca de 1500 anos. A Civilização Mochica já havia há muito desaparecido quando os europeus chegaram à América; mas sobre eles ainda temos muito o que descobrir. Reproduzo a matéria da Folha de São Paulo e a do Correio Braziliense. Vejam que existe disordância entre elas, até sobre a idade aparente a mulher.

COISA DE PELE: Corpo de mulher de 30 anos foi descoberto em templo da cultura mochica, do norte do Peru

DA REDAÇÃO

Um grupo de pesquisadores americanos e peruanos encontrou uma múmia tatuada em um antigo centro cerimonial do norte do Peru. A descoberta pode fornecer informações preciosas sobre a civilização mochica, o primeiro Estado sul-americano, antecessor dos incas.

A múmia pertence a uma mulher que deveria ter 30 anos quando morreu, e é a mais bem preservada daquela cultura -hoje só há registro de um punhado de múmias mochicas.

Ela foi descoberta pela equipe do antropólogo físico John Verano, da Universidade Tulane (EUA), na huaca (templo) Cao Viejo, no complexo arqueológico de El Brujo (60 km ao norte de Trujillo no norte do Peru).

A mulher foi enterrada com diversos itens cerimoniais e os restos de uma adolescente sacrificada na mesma ocasião - era comum entre os mochicas sacrificar servos quando alguém importante morria. Pela primeira vez num enterramento feminino daquela cultura, armas acompanham o cadáver. Até onde se sabe, o privilégio era de homens.

"Geralmente as mulheres são retratadas como sacerdotisas na arte mochica", disse Verano à Folha. "Não dá para saber se [a nova múmia] era de uma guerreira ou se recebeu isso [as armas] de seu séquito. É interessante notar que o corpo também está acompanhado de objetos tipicamente femininos, como adornos de cabeça e fusos."

Além de sua posição social ser um mistério, a mulher também bagunça a cronologia mochica. A múmia foi datada em 450 d.C., mas a cerâmica encontrada na tumba pertence à chamada fase Moche 1, considerada a mais antiga (o Estado mochica vicejou entre o ano 1 e o ano 700 da Era Cristã). "A seqüência clássica pode não corresponder a todos os sítios", diz Verano. As tatuagens nos braços representam animais míticos, aranhas e motivos geométricos. Verano deve voltar a El Brujo neste ano, em busca de evidência de sacrifícios coletivos. (Folha de São Paulo)

Arqueologia - Encontrada múmia de 1,5 mil anos

Arquéologos desenterraram na costa norte do Peru a múmia (foto) de uma mulher de 20 anos que viveu por volta de 450 — um milênio antes da chegada dos espanhóis. Nunca os cientistas haviam encontrado um corpo tão bem preservado pertencente à cultura Moche. A mulher tatuada provavelmente morreu num ritual de sacrifício. “Ela foi sepultada no pátio cerimonial da pirâmide Huaca Cao, que havia sido decorada com frisos policromáticos de deidades moche”, disse ao Correio o norte-americano John Verano, da Universidade Tulane. Ao lado do corpo, os estudiosos acharam duas clavas de guerra, 23 lanças e pedras preciosas. Com um colar no pescoço, a provável guerreira tinha o rosto coberto por um vaso de ouro. “Não sabemos se ela era governante, sacerdotisa ou guerreira. Mas era uma pessoa muito importante”, assegurou Verano. A cultura Moche durou entre os anos 1 e 700. (Correio Braziliense)

terça-feira, maio 15, 2007

2º BIMESTRE: JAPÃO


*** LOCALIZAÇÃO: Arquipélago localizado no Sudeste Asiático, o Japão é formado por 4 ilhas maiores e centenas de pequenas ilhas, somando um total de quase 3 mil. Cerca de 70% do território é montanhoso e sujeito à atividade vulcânica. Seu ponto culminante é o Monte Fuji.

*** POVO: a população da ilha se formou a partir de migrações da China, Coréia e Ilhas do Pacífico. Além disso, no norte do Japão encontrasse o povo Aino, que se dizem os primeiros habitantes do arquipélago e que tem traços caucasianos e origem incerta. Por serem cosiderados "diferentes", foram muito perseguidos e hoje estão quase extintos.

*** ESTADO: Uma lenda associa a família imperial japonesa à deusa solar Amaterasu que teria dado à luz ao primeiro imperador (Jimmu Tennô) no ano de 660 a.C. Esse primeiro clã [1] governante é considerado lendário, por isso, o período histórico do Japão começaria somente no século V d.C.

- Os períodos históricos do Japão recebem sempre o nome de acordo com a casa reinante ou um acontecimento especial. Os períodos da história japonesa são assim designados: Jommon (até 300 a.C.), Yayoi (300 a.C. - 300 d.C.), Kofun (300-710), Nara (710-784), Heian (794-1185), Kamakura (1192-1333), Muromachi (1338-1573), Azuchi Momoyama (1573-1603), Edo (1603-1867) [2], Meiji (1868-1912), Taishô (1912-1926), Showa (1926-1989) e Heisei (1989-…).

- A unificação do Japão coube à casa reinante do Principado de Yamato que fundou o estado japonês baseado em um clã familiar forte que se apoiava em outras grandes famílias. As funções do clã reinante seriam militares, religiosas, políticas e diplomáticas.

- Com a introdução do Budismo no século VI (origem chinesa), três grandes famílias começaram a se rivalizar pelo poder, sendo que a família Soga acabou por se fortalecer frente às demais porque adotou as idéias morais confucianas que influenciavam diretamente a organização estatal. Além disso, os Soga apoiaram a expansão do Budismo, adotaram a escrita chinesa e criaram a primeira constituição do país.

- Em 645, os Soga perdem o poder e a Reforma Taika reforça a influência confucionista na política, com o Imperador passando a nomear os governadores e a reorganização da produção. Adota-se também a escrita chinesa.[3]

- Em 710 a capital é transferida para Nara e cresce a influencia budista na corte. Apesar da organização da burocracia seguir os moldes chineses, a administração estava nas mãos de aristocracia.

- Para frear a influência política dos sacerdotes, a capital é transferida de Nara para Heian (fundada em 784, chama-se atualmente Kyoto). Esse período é conhecido como “Era Heian” (784-1192). Esse período foi marcado pelo aumento de poder tanto dos altos funcionários quanto das grandes famílias em detrimento do imperador. Essa situação acabou conduzindo ao acirramento dos sentimentos locais, a resistência à cultura chinesa (personificada nos grandes mosteiros) e a formação de milícias armadas compostas por guerreiros que juravam fidelidade absoluta (samurais)[4] sob o comando dos chefes das grandes famílias. Nobres e mosteiros se rivalizavam e o imperador perdia poder. Instalada a guerra civil, o clã Morimoto obteve a vitória, centralizou o seu poder em Kamakura (1192) e o chefe da família adotou o título de Shogum. O Shogum passou a ter mais poder que o imperador e nomear os altos funcionários das províncias, desenvolvendo um sistema de vassalagem e fidelidade. Outra característica da Era Heian foi o desenvolvimento de uma escrita tipicamente japonesa que não tivesse influência de caracteres chineses, o hiragana. Interessante é que tal forma de escrita alcançou grande sucesso entre as mulheres da corte imperial que sendo impedidas de aprender e/ou se expressar na escrita chinesa passaram a usar a nova forma de escrita. Dessa maneira, a primeira obra de literatura publicada no Japão foi “A História de Genji”, obra escrita por uma dama de nome Murasaki Shikibu.[5]

- Em 1232, houve uma reformulação do shogunato, por meio do Código Joei, com a codificação das regras do feudalismo japonês. Com as tentativas de invasão dos mongóis (1274 e 1281), a família Hojo assumiu o poder depois de tomar a liderança da defesa da ilha.

- No período Muromachi (1338-1573) houve a tentativa de restauração do poder imperial, o que instalou uma guerra civil que dividiu o país em dois. O sul nas mãos do Imperador e o norte nas do Shogum. É nesse período que se dá o contato com os portugueses (que trazem as armas de ferro) e a tentativa do estabelecimento do cristianismo, religião que foi apoiada por alguns senhores poderosos que viam na nova religião uma maneira de diminuir o poder dos grandes mosteiros budistas.

- Quando a guerra civil chegou ao fim e tanto os portugueses (que tinham pretensões coloniais) quanto o Cristianismo não se mostravam mais necessários, houve a expulsão dos estrangeiros e posterior massacre dos japoneses que se tinham tornado cristãos. O Japão se fecha aos estrangeiros deixando somente um porto aberto ao comércio e somente com os holandeses. Também nesse período se confiscam as armas de todos aqueles que não são samurais que passam a ser os únicos com o direito de portar armas. (1588)

- O Shogunato durou até o século XIX (1868), sempre com a hegemonia de uma grande família. Seu fim só se deu com a chamada Revolução Meiji que após sangrenta guerra civil reabriu o contato com os países estrangeiros (sob pressão e ameaça de bombardeio dos americanos) modernizou o Japão, confiscou os poderes das grandes famílias e as armas dos samurais e retornou o poder ao Imperador.

*** SOCIEDADE: Compreendia três grupos principais: a família imperial, os súditos livres (funcionários, arrendatários, sacerdotes, comerciantes) e os súditos não-livres. As mudanças na sociedade japonesa se processaram principalmente devido à turbulência social e política do período do Shogunato. Um dos aspectos mais importantes foi o aumento progressivo da opressão sobre os camponeses, que gradativamente foram perdendo suas terras (quando pequenos proprietários) e sendo escravizados, quando não podiam pagar as taxas. Além disso, foram proibidos de portar armas (1588) e poderiam ser mortos pelos samurais sem que isso implicasse em qualquer forma de punição. Quanto às mulheres, sua situação poderia variar no tempo (houve imperatrizes, mulheres que lideraram clãs, samurais, ninjas, escritoras) e dependia também de seu grupo social. No geral, é errado estabelecer que as mulheres sempre estiveram em posição de inferioridade e sem direitos no Japão até a Revolução Meiji.[6]

*** ECONOMIA: Como não possui grandes espaços para a agricultura, essa foi sempre feita em pequena escala, principalmente nos vales férteis. O relevo montanhoso do país favoreceu a divisão da terra entre as pequenas comunidades e a formação de feudos. A introdução do arroz foi feita por imigrantes e ganhou grande destaque. Com a introdução do uso do ferro e o uso do cavalo e do boi para arar a terra, a produtividade aumentou. Principais atividades: agricultura (arroz, frutos e raízes); exportação de cerâmica, enxofre, madeira e madre-pérola; e o comércio marítimo (graças aos portos naturais) com a China, Coréia, Vietnã e Filipinas, principalmente.

*** CULTURA: Apesar da forte influência estrangeira (China, Coréia, Índia) a cultura japonesa assumiu feições próprias e é valorizada até hoje dentro e fora do país. Destacam-se a escultura; a arquitetura; o teatro (Noh, Bunraku e Kabuki); a música; a literatura e a poesia (Onde se destacaram as mulheres principalmente na criação de uma literatura nacional escrita em caracteres e estilo japonês); as artes marciais (judô, kendô, sumo, jiu-jitsu), etc.

*** RELIGIÃO: A religião tradicional japonesa é o Xintoísmo (xinto: caminho dos deuses) onde há o culto a vários deuses personificados nas forças da natureza, no culto aos ancestrais, à família ao Imperador, etc. O Xintoísmo não possui deuses superiores, nem escrituras sagradas. O Budismo foi introduzido no Japão, no século VI, por interesses de Estado (pacifismo, obediência aos superiores, piedade, etc.), mas conseguiu conquistar boa parte da população. O Budismo japonês acabou ganhando feições próprias (o Zen-Budismo) e sendo influenciado pelo Xintoísmo. Os sacerdotes budistas obtiveram grande poder político no passado, chegando a incomodar imperadores e shoguns, hoje em dia continuam importantes, mas somente no plano religioso e educacional. O Cristianismo foi introduzido no Japão pelos portugueses em 1549, conseguiu muitos adeptos mas foi proibido no século XVI, só voltando à legalidade depois da Revolução Meiji.


[1] De acordo com o dicionário Houaiss, clã é um "conjunto de famílias que se presumem ou são descendentes de ancestrais comuns". Eu acrecsentaria e que "seguem os mesmos deuses".
[2] Período também chamado de
Shogunato Tokugawa por cause de seu fundador, Tokugawa Ieyasu.
[3] Acredita-se que uma figura de máxima importância no processo de implantação do budismo e das idéias chinesas no Japão tenha sido o Príncipe Shotoku
[4]O código de honra que regia a vida e a morte dos samurais se chamava
bushidô e foi sendo desenvolvido e reforçado durante todo o período do Shogunato.
[5] Essa obra também é considerada o primeiro romance escrito no mundo, sendo publicado e lido até hoje, além de ter sido transformado em novela, filme, quadrinhos (manga) e desenho animado (anime).
[6] Só para se ter uma idéia, a proibição de que as mulheres ocupassem o trono imperial só foi efetivada depois da II Guerra Mundial (1939-1945) e até hoje gera polêmica.

2º BIMESTRE: CHINA

- LOCALIZAÇÃO: A ocupação começou por volta de 4.500 a.C. no vale do Rio Amarelo, com o passar dos séculos o território ocupado se estendeu até o vale do Rio Azul. É importante frisar que boa parte do território chinês é montanhoso ou desértico, daí a necessidade de buscar terrenos férteis. Os povos que primeiro se estabeleceram na região eram de origem mongol e pertenciam aos povos Han e Hui.

- O ESTADO CHINÊS:

· No início o território se encontrava dividido em várias cidades e aldeias governadas pelas famílias mais importantes, como o passar do tempo, entretanto, o estado começou a se organizar.

· O poder era exercido por dinastias e a mais antiga da qual se tem notícia é a Hsia (Hia) por volta de 2.000 a.C., a segunda é a dos Shang (Chang) por volta de 1.500 a.C. Nesse período já eram desenvolvidas técnicas avançadas de irrigação e se aprimorou o método de fabricar seda.

· As lutas internas entre famílias poderosas, enfraqueceram o poder central e a China, de 1.028-770 a.C., assumiu aspectos feudais.[1]

· O fortalecimento do poder central veio com a dinastia Chin, que unificou a China em torno do Imperador. Foram criações/imposições dessa Dinastia: um sistema único de escrita e pesos e medidas. Tais mudanças estimularam o comércio, aumentaram a arrecadação de impostos e favoreceram as comunicações. Organizou-se também um exército permanente e se começou a construção da Grande Muralha para proteger a fronteira Norte do país.

· A dinastia Han assumiu o poder em 206 a.C., repeliu a invasão dos hunos, estendeu as fronteiras até o Golfo Pérsico, impôs o Confucionismo como religião oficial e construiu a Estrada da Seda. A chegada dos primeiros sacerdotes budistas à China data dessa época.

· Como as grandes famílias continuavam disputando o poder houve a divisão em três reinos, esses foram reunificados em 581 d.C. e a China voltou a prosperar sob o governo da dinastia Tang (618-907 d.C.), chamado de “O período de Ouro da China”. Durante o Governo Tang a influência cultural, política e econômica da China sobre países vizinhos, como as Coréias e o Japão, é muito grande.

· No século XIII, a China, depois de anos de luta, com prejuízo para a Rota da Seda, já que cidades e estradas eram atacadas, é invadida pelos mongóis que fundam a dinastia Yuan, iniciada em 1280 d.C. Nesse período se dá a conquista da Mongólia, e ampliam-se as obras de canalização, além do incentivo à construção de hospitais. Os mongóis também vão reconstruir a Estrada da Seda e reativar o comércio. No período mongol, em especial no governo de Kublai Khan (1260-1294 d.C.) a China mantém contato com a Europa (Lembrem de Marco Polo) e tenta invadir o Japão.

· Como os mongóis eram vistos como invasores pela maioria dos chineses e os impostos não paravam de aumentar, após muitas rebeliões, os invasores são derrotados e se estabelece, a partir de 1351 d.C., a dinastia Ming que restaura a união nacional.

· Após o século XVI, os chineses se fecham para os outros povos, principalmente os europeus, e iniciam um período de isolamento que se prolonga até o século XIX.

- ECONOMIA: A base era a agricultura irrigada como nas regiões do Egito, Mesopotâmia e Índia. Os principais produtos eram o trigo e o arroz. Também havia a criação de animais para consumo e venda, tais como cães, porcos, patos e cabras. O comércio representava uma força muito importante na economia, principalmente após a unificação monetária e de pesos e medidas, tendo como mais importante via de comércio exterior a Rota da Seda. Esta começava na China e passava por várias regiões chegando até a Ásia Menor, por um lado, e o Egito, por outro. A cerâmica chinesa, muito valorizada até hoje, foi grande produto de exportação, principalmente do século VII ao X.

- SOCIEDADE: A organização da sociedade chinesa variava um pouco de dinastia para dinastia, mas basicamente podemos dizer que se organizava da seguinte maneira: no topo o Imperador, seguido pelas grandes famílias, a seguir os funcionários públicos mais importantes, depois os chefes militares, em seguida os sacerdotes dos grandes mosteiros, em seguida comerciantes, artesãos, funcionários de baixo escalão, habitantes das cidades e, por fim, a grande massa camponesa. Os altos funcionários – mandarins – muitas vezes tinham mais poder que o próprio imperador, pois cabia a eles cobrar impostos e organizar o trabalho dos camponeses. Esses funcionários passaram, principalmente depois da disseminação do Confucionismo, a serem recrutados por concurso público dificílimo do qual mesmo os indivíduos das camadas populares podiam participar. Os escravos, mesmo que presentes, nunca foram importantes para o grosso da produção agrícola. Mesmo que as mulheres ocupassem um lugar inferior dentro da China, algumas delas chegaram a reinar em seu próprio nome como a Imperatriz Wu Chao, da Dinastia Tang, que incentivou o avanço do Budismo.

- RELIGIÃO: Na China, religião e filosofia sempre andaram juntas. Vocês devemYin Yang conhecer o símbolo Yang Yin [ que representa o equilíbrio de tudo o que há na natureza. Além desse princípio fundador, o culto e o respeito aos antepassados esteve sempre presente. Nesse sentido o Imperador faria o elo entre o divino e o terrestre, recebendo do Céu o seu mandato. Cabia a ele manter a harmonia. As duas principais filosofias religiosas chinesas são, até hoje, o Taoísmo e o Confucionismo.

· TAOÍSMO: fundada por Lao Tsé (século VI a.C.) buscava o Tao (caminho) que integraria o homem e aa natureza (princípio criador), essas idéias (busca do equilíbrio e da harmonia) influenciam a sociedade chinesa até hoje. O livro base do Taoísmo é o Tao Te Ching (Livro do Caminho Perfeito).

· CONFUCIONISMO: Difundido por Confúcio (551-479 a.C.) influenciou o Estado Chinês e a forma como este geria o setor público. Confúcio pregava a harmonia com a natureza e o Céu, o culto aos antepassados, o respeito às tradições, a busca do bem-comum em sociedade, e o desapego á vida após morte e a existência de deuses. Como valorizava o esforço pessoal e a disciplina o Confucionismo não excluía nenhum membro da sociedade e oferecia aos pobres a possibilidade de aperfeiçoamento e ascensão social.

Outra religião importante na China é o Budismo, e em menor grau o Islamismo nas fronteiras com Paquistão e Afeganistão.

A CULTURA: Os chineses se destacaram em muitas áreas como a literatura, a arquitetura, a medicina, a pintura, o teatro, a escultura, a cerâmica, a filosofia, e a astronomia.

[1] Isto quer dizer que o Imperador era uma figura muito mais figurativa e quem exercia o poder de verdade eram as grandes famílias nobres. Façam uma analogia com o Egito no final do Antigo Império.

quarta-feira, maio 09, 2007

Pés de Lótus



Como muita gente não conseguiu imaginar como ficavam os pés das chinesas depois de serem amarrados com ataduras para que não crescessem, estou postando algumas fotos. Parte delas foram tiradas do site About the Bound Feet Project. Ele é em inglês e traz entrevistas com várias chinesas que tiveram seus pés atados quando crianças e adolescentes. Algumas eram ricas, outras pobres, umas lamentam, outras ainda se orgulham dos "pés de lótus", em especial aquelas que conseguiram chegar ao diminuto tamanho de 7 centímetros e meio.