segunda-feira, dezembro 17, 2007

Pré-Vestibular Comunitário de Oswaldo Cruz


Estou repassando, porque acredito que este tipo de iniciativa seja a alternativa correta para as cotas. Dei aula como voluntária neste pré-vestibular por quatro anos, quando morava no Rio. Foi uma das melhores experiências da minha vida. Muitos dos nossos alunos foram aprovados em universidades públicas e voltaram como professores voluntários. Ninguém recebe salário para dar aula – a não ser que tenham mudado a coisa – e os alunos nada pagam, sendo a prioridade para os oriundos da escola pública. Peço que repassem para quem mora no Rio. É fácil chegar em Oswaldo Cruz, há várias linhas de ônibus, além do trem. Antes o Pré ficava no Colégio Valdemar Falcão, que muitos talvez tenham ouvida falar, porque foi onde o Ronaldinho “Fenômeno” estudou. Só que o César Maia expulsou todos os pré-vestibulares dos colégios em uma medida que mostra profundo desprezo por esse tipo de iniciativa. Peço que repassem para quem mora no Rio. Pode não servir para você, mas pode ser fundamental para outra pessoa.

Segue a nota:

“As inscrições começam em janeiro, a partir do dia 7. As aulas terão início no dia 1º/03 e neste ano ocorrerão às terças e quintas, das 19 às 22:00h e aos sábados, das 08 às 18h. O pré-vestibular não está mais no Colégio Valdemar Falcão (fomos despejados pelo César Maia), mas continua no mesmo bairro, do outro lado da estação de Oswaldo Cruz, na sede do CCCPPP. O telefone do Centro Comunitário Paulo da Portela é 21-3350-2993.”

domingo, outubro 21, 2007

TEXTO COMPLEMENTAR: A CRUZADA DAS CRIANÇAS


Quando o verão de 1212 despontou na Europa, milhares de meninos e meninas fugiram de casa para libertar Jerusalém.
A Igreja era contra; tudo indicava que fracassariam. Mas elas tinham fé.
De todas as cruzadas empreendidas pela cristandade, a das crianças foi a mais incrível e a mais trágica. (...)

Os numerosos pregadores itinerantes, os bispos e todos os sacerdotes que orientavam os serviços do Pentecostes procuravam explicar por que os exércitos cruzados não haviam sido vitoriosos. Certamente usaram os argumentos habituais da época: as calamidades, pestilências, carestias, saques eram sinais da cólera divina para punir a humanidade pecadora. A essa altura das homilias [2] , as crianças devem ter pensado: “Se as cruzadas dos grandes fracassaram, certamente foi por causa de seus pecados. Mas Deus ajudará as crianças puras e inocentes. Ele realizará o milagre de abrir o mar diante de nós, permitindo-nos libertar Jerusalém sem combate e converter os infiéis”. Pretenderam alcançar a Cidade Santa em espírito de paz e de alegria. Crônicas da época atestam que essas eram, realmente, as idéias das crianças. (...)

Étienne, um menino pastor de Cloyes, pequena aldeia francesa, começou a pregar a necessidade da cruzada, entre seus companheiros. Isso está documentado. Presumivelmente, o mesmo tenha acontecido com Nikolaus, de Colônia, outro menino, que chefiou a expedição alemã.[2] A fé moveu os jovens – eles deveriam ter em média entre 7 e 14 anos, meninos e meninas –, mas também é preciso considerar a precocidade dessas crianças, que cresciam livres até os sete ou oito anos e, depois, abruptamente, eram lançadas num duro regime e trabalho. Os pobres iam para o pastoreio, as tarefas agrícolas e domésticas, os ofícios artesanais; os ricos, para o aprendizado das armas e da rígida disciplina. Todos sofriam castigos corporais. Para muitos deles, a cruzada era uma fuga para a liberdade.

Assim, no norte da França, e logo depois na Renânia, o espírito da cruzada infantil explodia quase simultaneamente, difundindo-se como uma epidemia pelas regiões vizinhas. As crônicas falam em “multidão”, em “incontável exército”, mas há cifras, embora exageradas e mesmo arredondadas, de acordo com o hábito medieval: 30 mil teriam seguido Étienne; 20 mil, acompanhado Nikolaus. Partiram cantando. O povo ignorante, desconhecendo a geografia e disposto crer no milagre, favorecia as crianças. Mas houve quem pretendeu detê-las: o próprio Inocêncio III e quase todo o clero, o rei Filipe Augusto da Frença e quase toda a nobreza.

As crianças guiadas por Nikolaus partiram em meados de julho e chegaram a Gênova em 25 de agosto. O mar não se abriu e a cidade os repeliu, temendo que o preço dos alimentos aumentasse demais diante da demanda da multidão. Alguns cruzados-mirins tomaram o caminho de volta; outros foram a Roma pedir auxílio ao papa. Nada obtiveram. E o povo, que ajudara os jovens alemães na ida, convencia-se agora com os argumentos do clero: a cruzada fora inspirada por Satanás. Instigada contra os meninos, a população os abandonou à fome e à sede; as meninas foram violentadas e vendidas para prostíbulos; pouquíssimos conseguiram voltar pra casa.

Os seguidores de Étienne dirigiram-se primeiro a Paris: queriam a ajuda de Filipe Augusto. O rei passou a responsabilidade aos clérigos, que eram totalmente contrários à cruzada. Com seu apoio, o rei ordenou que as crianças voltassem para casa. Em vez de obedecer, Étienne conduziu seu exército para Marselha, onde o mar tampouco se abriu. Em compensação, aconteceu o que parecia um milagre: dois armadores [4] , Guilherme Porco e Hugo Ferro, puseram sete navios à disposição dos jovens. Era uma armadilha: dois navios naufragaram – em sua memória, o papa Gregório IX mandou erguer em 1227, a Igreja dos Novos Inocentes, em uma alusão às crianças mortas por ordem de Herodes; outros cinco atingiram Alexandria, no Egito, Bougie, na Tunísia, onde todos foram vendidos como escravos. (...)

Adaptado de Corrado Pallenberg in Visão, São Paulo, 22/08/1983.

[*] Este texto não é para ser estudado para a A.E. Ele é somente um texto de apoio.
[2] Pregação feita estilo familiar e simples ou popular sobre o Evangelho.
[3] A lenda do Flautista de Hamelin se inspira na Cruzada das Crianças e na Peste Negra. No conto de fadas, Nikolaus, o flautista mágico, se oferece para livrar a cidade dos ratos em troca de uma recompensa. Toca sua música e os ratos o seguem sendo conduzidos para um rio, no qual se afogam. Como não recebe a recompensa esperada, o jovem volta em uma noite, toca sua música e as crianças o acompanham para nunca mais retornarem em algumas versões, ou para somente voltarem quando os pais pagam um imenso resgate em ouro. É o castigo para a promessa não cumprida dos adultos.
[4] Pessoa ou firma que, à sua custa, equipa, mantém e explora comercialmente embarcação mercante, podendo ser ou não o seu proprietário.

terça-feira, outubro 16, 2007

BAIXA IDADE MÉDIA II – RENASCIMENTO COMERCIAL E URBANO


Ø O chamado Renascimento Comercial e Urbano se insere dentro do mesmo contexto das Cruzadas, isto é, ajuda a impulsionar esse movimento e é impulsionado por elas. Com o aumento da população, as novas técnicas de cultivo, aumento da produção, incorporação de novas terras, havia maior riqueza. Essa riqueza precisava circular, daí a intensificação do comércio. Ao mesmo tempo, com o aumento da população, as aglomerações urbanas puderam crescer. Havia um ditado da época que ilustra bem a questão “A cidade tem cheiro de liberdade”.

Ø Não se pode acreditar entretanto que as cidades tenham desaparecido durante a Alta Idade Média. No Mediterrâneo, apesar do que o livro de vocês coloca, a dinâmica comercial prosseguiu, e algumas antigas cidades continuaram a seguir com seus negócios. No interior da Europa, muitas cidades romanas desapareceram ou se tornaram pequenos centros em torno de um palácio de um senhor, de um centro de peregrinação ou de um forte.

Ø O que se dá a partir do século XI é um crescimento das cidades pré-existentes e um surgimento antes nunca visto de centros urbanos. Muitos servos, que agora tinham acesso menos raro ao dinheiro, compravam a sua liberdade, outros fugiam, pois em alguns lugares se alguém conseguisse viver um ano e um dia em uma cidade seria considerado homem livre. Mesmo assim, é preciso lembrar, a maioria absoluta da população continuava no campo.

Ø As Feiras: Eram eventos regionais ou internacionais que ocorriam em entroncamentos de rotas de comércio e encruzilhadas de estradas. Poderiam ocorrer semestralmente ou anualmente. Muitos senhores e reis passaram a incentivar esses eventos dada a sua lucratividade.

Ø As Corporações de Ofício: Eram associações de profissionais de uma mesma categoria – tecelões, vidreiros, carpinteiros, ferreiros, etc – que regulavam as atividades, fiscalizavam a qualidade dos produtos, concediam o status de mestre e proibiam a concorrência entre seus associados. Os mestres, isto é, os artesãos donos das oficinas, dirigiam essas associações. No trabalho artesanal também estavam envolvidos: oficiais – que eram os ajudantes do mestre, os aprendizes – que pagavam para aprender o ofício e poderiam um dia chegar a mestres, e os jornaleiros – que ganhavam salários para fazer diversos trabalhos. As mulheres também podiam ser mestres e a maioria das corporações medievais as aceitava, seja por sua profissão ou pelo direito de viúva. As Guildas também eram organizações de artesãos que defendiam os interesses dos associados e promoviam ajuda mútua.

Ø As Liga Hanseática: Associação alemã de comerciantes, da qual faziam parte membros da Ordem dos Cavaleiros Teutônicos, que visava ampliar o comércio no Norte da Europa. Dominavam as regiões do Mar do Norte e Báltico.

Ø As Comunas: Grupos de habitantes das cidades ou associações urbanas que juravam fidelidade e negociavam ou exigiam melhoria na forma como os senhores eclesiásticos ou laicos (duques, condes, marqueses, etc) tratavam a cidade. “Comuna” é uma palavra que tem a mesma origem de “conjuração”. Muitas vezes, as comunas, os cidadãos unidos, se insurgiam violentamente contra seus senhores. As cartas comunais mais do que garantir os direitos, estabeleciam claramente os deveres das cidades.

Ø Os Burgueses e a Centralização do poder: Burguês na Idade Média significava habitante do burgo, isto é, uma cidade fortificada. Os burgueses geralmente estavam associados ao comércio e ao artesanato. Com as cruzadas e o endividamento de muitos senhores, alguns deles começaram a ver na taxação das atividades comerciais uma fonte segura para aumentar as suas rendas. O grande número de moedas e tarifas que variavam de feudo para feudo também prejudicavam o comércio. Assim, muitos burgueses vão se aliar aos reis que buscavam a centralização política. ***Não entendam que burgueses e reis vão se aliar contra a nobreza, pois os reis também são nobres e dependiam da existência desta classe para manterem o seu poder.*** Alguns reis vão ter burgueses como ministros e vão implementar tentativas de formação de exércitos nacionais, unificação jurídica (retomada do Direito Romano), tarifária e monetária. Isso irá ferir principalmente o interesse dos grandes nobres que tinham direitos especiais (vide resumo de Feudalismo). Assim, alguns monarcas irão colocar as cidades sob sua proteção direta, dando-lhes cartas comunais, garantindo com o seu prestígio a liberdade que os burgueses tanto queriam para fazer os seus negócios. Em troca os burgueses irão contribuir com o seu dinheiro para o fortalecimento dos reis. Reis, burgueses e parte da nobreza, principalmente a pequena nobreza, irão se associar contra o regionalismo feudal e o universalismo da Igreja – que achava que poderia interferir dentro dos reinos e se colocar acima do poder dos soberanos – dando início a formação dos Estados Nacionais e à transição para o Capitalismo.

A BAIXA IDADE MÉDIA I: AS CRUZADAS


I. Séculos XI a XIII:

§ Auge do feudalismo com a estabilização dos direitos dos grandes nobres, a diminuição dos conflitos, a valorização da cavalaria.

§ Essas mudanças foram possibilitadas sobretudo pelo fim das invasões; melhorias climáticas; desenvolvimento e/ou redescoberta de técnicas agrícolas; incorporação de novas terras (arroteamentos) destro da própria Europa (desmatamentos, drenagem de pântanos, conquista de novas terras no leste); intensificação do comércio, agora não mais tão restrito às áreas do Mediterrâneo mas abarcando toda a Europa; crescimento da vida urbana.

§ Fortalecimento da Igreja que tentou se impor ao Imperador e aos grandes senhores.

§ A melhora das condições gerais de vida fez surgir pela primeira vez na Idade Média os excedentes de produção que eram apropriados pela nobreza laica e religiosa através de pesados tributos. Mesmo assim, registrou-se um grande crescimento populacional.

§ A Europa começou a parecer pequena, seja para os nobres que desejavam mais terras; seja para os camponeses que tinham que aumentar a produção para garantir sua sobrevivência; seja para os comerciantes, principalmente italianos, que desejavam aumentar a sua influência dentro do rico comércio com o Oriente.

§ Atenção ao gráfico abaixo, ele está no livro de vocês. Vejam que a população cresce até que no século XIV há uma depressão. Este problema foi fruto de muitos fatores, dentre eles, a uma grande epidemia de Peste Bubônica, a chamada Peste Negra, que matou aproximadamanente 1/3 da população européia; as guerras, como a Guerra dos Cem Anos, entre França e Inglaterra; as revoltas camponesas; e a fome ocasionada pela perda de colheitas e falta de mão-de-obra.


AS CRUZADAS:

§ Jerusalém era considerada Terra Santa tanto por cristãos quanto por judeus e muçulmanos. Com a
Expansão Islâmica a Palestina tinha sido tomada pelos árabes, despertando entre alguns cristãos o desejo de retomar o território sagrado, considerado como centro do mundo nos mapas da época, das mãos dos “infiéis”.

§ Em 1095, o Papa Urbano II conclamou à Cristandade às retomar à Terra Santa. Este movimento ficou conhecido como Cruzada, porque os que se engajavam no movimento levavam o símbolo da cruz em sua roupa.

§ Além da motivação religiosa importantíssima, as Cruzadas foram animadas por outros interesses: aliviar a tensão dentro da Europa, pois as terras começavam a escassear; canalizar a violência dos nobres contra “alvos legítimos”,
[1] no caso, os “infiéis” impedindo que as guerras proliferassem dentro da Europa Cristã; liberar contingentes populacionais (nobres e camponeses) para o Oriente onde iriam se fundar novos reinos aliviando a pressão demográfica dentro da Europa; era a oportunidade para os cavaleiros conseguirem fama e fortuna, talvez até um feudo; os comerciantes italianos viam as Cruzadas como uma grande possibilidade de ganhos comerciais.

§ Houve Cruzadas fora e dentro da Europa. As da Terra Santa são as mais conhecidas, mas a Reconquista da Península Ibérica e algumas campanhas contra hereges, como os cátaros, também tinham status de Cruzada. Quem participasse das Cruzadas recebia a remissão de seus pecados.

§ Houve oito cruzadas “oficiais” e outras que não receberam o reconhecimento da Igreja ou da nobreza. A primeira destas cruzadas “extra-oficiais” foi a Cruzada de Pedro, o Eremita que, atendendo ao chamado do Papa, partiu à frente de 5000 camponeses, andarilhos e mendigos decidiram reconquistar Jerusalém. Atingiu Constantinopla em 1096, foram aconselhados pelos bizantinos a retornarem mas como não tinham esta intenção, e estavam causando desordens na cidade, os bizantinos os transportaram até a Ásia Menor onde foram massacrados pelos turcos. Outra dessas Cruzadas foi a “Cruzada das Crianças” de 1212 que teve um ramo francês e outro alemão. As crianças francesas se dirigiram à Paris onde sem o apoio do Rei acabaram recebendo a oferta de alguns navios para irem “libertar Jerusalém”. Enganados por cristãos foram vendidos em mercados de escravos muçulmanos do Egito. Em sua homenagem mandou-se erguer a Igreja dos Santos Inocentes. Os Cruzados alemães foram direção à Roma mas a nobreza e a igreja, temendo revoltas, insuflou a população contra as crianças que de libertadores passaram a ser tratados como bandidos. A maioria foi morreu ou foi vendida à prostíbulos.

§ Por ordem as Cruzadas oficiais foram:

- 1ª Cruzada (1095-99): Composta por grandes senhores, partiu sob os auspícios de Urbano II. Tomou dos muçulmanos uma parte da Ásia Menor e Jerusalém onde se fundaram reinos cristãos sob o modelo feudal. Fundam-se nesse momento as Ordens dos Templários e Hospitalários.

- 2ª Cruzada (1147-49): Congregou vários príncipes europeus, entre eles o Imperador Conrado II e o Rei Luís VII da França. Marcada pelos desentendimentos, terminou fracassando.

- 3ª Cruzada (1189-92): Uma das mais conhecidas, reuniu o Imperador Frederico, Barba Ruiva (que morreu afogado), o Rei Filipe Augusto da França e o Rei Ricardo Coração de Leão. Do outro lado os muçulmanos eram comandados por Saladino. O conflito entre os gênios militares (Saladino de um lado e Frederico e Ricardo do outro) deu aura romântica à esta Cruzada de batalhas sangrentas, negociações diplomáticas e traições. Não conquistaram a Terra Santa, mas conseguiram para os cristãos o direito a peregrinação.

- 4ª Cruzada (1202-04): Cruzada convocada pelo Papa Inocêncio III, marcada por interesses comerciais dos venezianos associados à nobreza, abandonou o objetivo de conquistar a Terra Santa e atacou Constantinopla. Fundou-se aí o Império Latino de Constantinopla.

- 5ª Cruzada (1217-21): Um fiasco, não passou do Egito. Foi dessa expedição que participou São Francisco de Assis.

- 6ª Cruzada (1228-29): Liderada pelo Imperador Frederico II, ao invés de guerrear com os árabes, negociou a liberação de Jerusalém e outros lugares sagrados cristãos para a peregrinação. Hábil negociador, o Imperador – que foi excomungado pelo Papa – conseguiu ser coroado rei de Jerusalém no Santo Sepulcro. Em 1244, os turcos desfizeram o tratado.

- 7ª Cruzada (1248-50): Luís IX, rei da França, tenta conquistar o Egito. Toma Damieta em 1249 mas seu exército é dizimado pelo tifo e o rei é feito prisioneiro. Depois de libertado retorna ao seu país.

- 8ª Cruzada (1270): Nova tentativa de Luís IX que acaba morrendo de tifo na Tunísia. Por causa de sua piedade e martírio Luís IX foi canonizado.

Considerações Finais – Afinal, para que serviram as Cruzadas?

§ As Cruzadas não conseguiram o reconquistar a Terra Santa mas trouxeram muitas mudanças para a Europa.

§ Dinamizaram o comércio, permitiram um maior intercâmbio com o Oriente de onde vieram novos produtos agrícolas (cana-de-açúcar, arroz), técnicas de cultivo e de produção de tecidos. Os maiores beneficiados com a dinamização do comércio no mediterrâneo foram sem dúvida os italianos de Gênova e Veneza.

§ Enfraqueceu o Feudalismo. Os fracasso militares, o endividamento e a morte de muitos nobres permitiu o avanço do poder real e o enfraquecimento dos laços de servidão.

§ A intensificação do intercâmbio cultural com o Oriente (Islã e Bizâncio), além de trazer novas (e velhas) idéias para a Europa, auxiliou no “refinamento” da sociedade européia.

§ Houve a fundação de várias Ordens Militares, algumas delas, como a dos Cavaleiros Teutônicos, existem ainda hoje e teve uma grande atuação no leste Europeu, seja na evangelização seja na expansão dos interesses comerciais da Liga Hanseática.

§ A agressão dos cristãos acirrou a rivalidade com os muçulmanos que, por sua vez, começaram a diminuir a sua tolerância em relação aos cristãos.

[1] Antes mesmo dos cruzados partirem, registrou-se o aumento da violência contra os judeus que até então conviviam relativamente bem com os cristãos.

terça-feira, outubro 09, 2007

4º BIMESTRE: IGREJA


>> O Cristianismo se tornou religião oficial do Império Romano no século IV. Até então, uma religião urbana, teve que se adaptar à nova realidade do mundo ocidental que era marcadamente rural. A Igreja Romana, como guardiã da cultura greco-romana, terminou por servir de apoio para os novos reinos que bárbaros que se estruturavam, promoveu a evangelização de regiões não cristianizadas, lutou contra a expansão da Igreja Irlandesa e se afirmou como poderosa dona de terras adaptando-se ao novo mundo ruralizado.

>> AFIRMAÇÂO DA IGREJA: Entre os séculos V e IX, as fronteiras da Cristandade Ocidental se expandiram muito, mesmo que essa expansão tenha sido dentro da própria Europa, devemos destacar:

— A Criação da Regra de São Bento: Este conjunto de obrigações e deveres criados por Bento de Núrcia (480-547) passou a regular a vida de grande parte dos mosteiros medievais. No entanto, não havia ainda nenhuma Ordem religiosa no Ocidente.
— A difusão do pensamento de Santo Agostinho (354-430): Grande pensador, ele deixou uma série de escritos que influenciaram profundamente a Teologia da Igreja e a vida religiosa medieval.
— O Trabalho de Evangelização: A Igreja Romana enviou missionários à Inglaterra, Irlanda e Germânia, principalmente para barrar a expansão missionária dos monges irlandeses.
— Fundação da Ordem de Cluny (910): A primeira Ordem do Ocidente seguia a Regra de São Bento e espalhou suas casas por toda a Europa. Foi grande defensora da Reforma Religiosa,
[1] da moralização da Igreja e do fortalecimento do poder do Bispo de Roma. Muitos Papas saíram das suas fileiras.
>> CULTURA E IGREJA: Durante a Idade Média, a Igreja controlava a educação e era responsável pelas escolas. Até meados da Idade Média boa parte dessas escolas estava em mosteiros. Nos mosteiros, eram mantidas bibliotecas e um dos trabalhos dos monges e monjas era fazer cópias de livros e manuscritos, religiosos ou não. Os monges e monjas dedicados a este trabalho eram chamados de copistas. Muitas das crianças mandadas às escolas acabavam por se tornar religiosos. Era uma das carreiras mais seguras e, até o surgimento das universidades, boa parte dos funcionários eram religiosos. Daí a utilização da palavra clérigo para todos os intelectuais, mesmo depois do surgimento das Universidades, no século XIII. Apesar dos muitos pensadores, os que mais influenciaram a Igreja Medieval foram sem dúvida Santo Agostinho (354-430) e São Tomás de Aquino (1225-1274), o primeiro adaptou Platão ao pensamento cristão e o segundo cristianizou o pensamento de Aristóteles.

>> A IGREJA NO SÉCULO X A XIII:
— Durante a Idade Média praticamente toda a Europa foi Cristianizada e no Ocidente ser Católico era obrigatório.
— Até o século X, XI, muitos senhores poderosos mandavam e desmandavam nas Igrejas locais. É preciso lembrar que muitos bispos eram aparentados com esses senhores e, não raro, eles também eram senhores de terras.
— A partir do século X, um discurso moralizador começa a se estruturar. A primeira fonte foi o Sacro Império Romano Germânico. O Imperador protegia o Bispo de Roma e desejava que estes tivessem maior dignidade, se colocando, claro, sempre acima do poder espiritual como na época do antigo Império Romano. As medidas, no entanto, terminaram por fortalecer o poder papal que irá tentar se colocar acima de reis e imperadores.
— Com a expansão da Ordem de Cluny, no século XI, esta vai propor uma série de reformas: os grandes senhores não poderiam interferir nas questões religiosas e o papa deveria ser o poder máximo da Cristandade. Ainda nesse século, a Igreja começou a legislar sobre as lutas entre senhores feudais (alguns deles religiosos) criando a “Trégua de Deus” e a “Paz de Deus” que determinavam a suspensão dos conflitos em determinadas épocas do ano.
— REFORMA GREGORIANA: No século XI, Gregório VII, monge de Cluny, iniciou a reforma que abalaria a ordem estabelecida. Seu interesse era reforça o poder papal ante o imperador e resguardar a Igreja da intervenção dos grandes senhores. Alguns pontos da sua reforma foram: proibição do casamento dos padres, proibição da simonia (comércio dos bens da Igreja e sacramentos) e que somente o papa poderia investir eclesiásticos tirando esse poder do imperador. A síntese das idéias da Reforma Gregoriana estão expressas no Dictatus Papae de 1075.[2] As pretensões de supremacia do Papa deram início à chamada Questão ou Querela das Investiduras com o Imperador Henrique IV. O conflito que culminou com a excomunhão do Imperador e seu perdão em Canossa, só seria resolvido com a Concordata de Worms.
— A REFORMA CONTINUA: Até o século XIII, muitos papas vão tomar medidas com o intuito de moralizar a Igreja e reforçar o seu poder, assim, destacamos: Nicolau II tirou do Imperador o direito de eleger o Papa – como em Bizâncio –e deu a responsabilidade aos Cardeais; Calixto III, no século XII, vai assinar com o Imperador a Concordata de Worms (1122), pondo fim a chamada Questão das Investiduras, e determinando que o papa daria aos novos bispos o poder (investidura) religioso e o Imperador o poder (investidura) temporal sobre as terras. Isso pode ser considerado como derrota para o Papa, pois este queria o direito de conceder ambas as investiduras; no século XIII, o Papa Inocêncio III, vai reafirmar o poder do Papa colocando-o acima do poder dos reis e imperadores a quem somente o papa teria o poder de julgar e derrubar. Esse Papa também criou a Inquisição e convocou o IV Concílio de Latrão (1215) que legislou sobre uma série de assuntos referentes à reforma religiosa.
>> O CLERO: Este grupo era a base da organização da Igreja. Havia vários tipos de religiosos e estes exerciam várias funções. O clero se dividia em secular – que viviam em contato direto com a população – e regular – aqueles que viviam de acordo com uma regra. Entre o clero secular podemos incluir os bispos, cônegos, padres. Já os regulares poderiam viver ou não em comunidades separadas e compreendiam os monges e monjas e frades e freiras. Somente os sacerdotes poderiam presidir cerimônias ministrar sacramentos (batismo, matrimônio, extrema-unção, etc) e nem todos os monges e frades eram sacerdotes. Uma das questões que as reformas religiosas vão priorizar é a formação dos sacerdotes e sua moralidade, pois muitos padres eram analfabetos e alguns bispos eram nobres que recebiam os cargos diretamente sem sequer terem uma formação religiosa mais específica, além disso, alguns, por serem nobres, ainda se dedicavam a atividades proibidas aos religiosos como a caça e a guerra.

>> AS ORDENS RELIGIOSAS: No início da Idade Média os mosteiros eram independentes, dirigidos por um abade ou abadessa. A maioria seguia principalmente a Regra de São Bento que tinha como lema “Ora et Labora”, ou seja, o monge deveria se dedicar tanto ao trabalho manual quanto às orações. A partir da fundação de Cluny passaram a se agrupar em Ordens. Uma Ordem é um conjunto de casas religiosas que seguem a mesma Regra Canônica. A partir do IV Concílio de Latrão as Regras consideradas Canônicas pela Igreja são: a de São Bento, a de Santo Agostinho, a de São Francisco e a de Santo Ambrósio. As principais Ordens Medievais são a Beneditina (Cluniacenses e Cisterciences), a Agostiniana (dividida em várias ramificações), a Franciscana, a Dominicana e a Carmelita. Geralmente as Ordens tinham casas femininas e masculinas. Antes das Reformas, eram comuns Ordens Mistas compostas de mosteiros de homens e mulheres presididos principalmente por uma abadessa, com o passar do tempo esta estrutura passou a ser combatida e desapareceu com o tempo. No contexto das Cruzadas surgiram as Ordens Militares, como a dos Templários e a dos Hospitalários, que eram compostas por religiosos soldados. Essas Ordens conseguiram grande sucesso, algumas se tornando muito ricas. As Ordens Militares também aceitavam homens e mulheres.

>> O TRIBUNAL DO SANTO OFÍCIO: A Inquisição foi criada no século XIII durante o pontificado de Inocêncio III. A ordem era que os bispos julgassem os acusados de heresia. Em 1229, o papa seguinte, Gregório IX, instituiu o Tribunal em si. O objetivo era combater a heresia e levar os hereges ao arrependimento e ao retorno ao seio da Igreja. Só refrescando a memória, heresia era qualquer prática que discordasse da Igreja oficial. O número de heresias havia crescido muito durante o século XII e a Inquisição foi uma reação mas não a única. A Ordem Dominicana, por exemplo, foi criada com essa função também. Não se deve acreditar na imagem mostrada da inquisição queimando montes de bruxas e hereges, pois esta prática é muito mais característica do final da idade Média e, principalmente, da Idade Moderna. Outro fator a se destacar é que quem executava os “não-arrependidos” era o poder temporal (nobres, reis, o imperador, etc) e não a Igreja.

>> AS HERESIAS: Muitas foram as práticas religiosas consideradas como heresia na história da Igreja. Nós mesmos já ouvimos falar dos monofisistas e arianos. Durante o século XIII, duas heresias chamaram muito a atenção da Igreja e foram duramente reprimidas: os Cátaros ou Albigenses e os Valdenses. Os Albigenses floresceram principalmente no sul da França, obtendo sucesso com indivíduos de todas as camadas da sociedade, inclusive a nobreza. Faziam voto de pobreza, dividiam o mundo entre bem e mal que estavam em luta permanente (Dualismo). Entre os cátaros mesmo as mulheres poderiam exercer o sacerdócio. Foram duramente combatidos durante o governo de Inocêncio III que convocou contra eles uma Cruzada. Coube principalmente aos Dominicanos cuidar dos cátaros que quisessem voltar ao seio da Igreja. Os Valdenses surgiram com Pedro Valdo, rico comerciante que doou tudo aos pobres e fez voto de pobreza. Eram pregadores, itinerantes, pregando a pobreza individual e da Igreja. Os ideais do grupo eram muito parecidos com os dos Franciscanos, mas como queriam que a Igreja fosse pobre e homens e mulheres pregavam sem permissão, foram duramente condenados e perseguidos.

>> DO CATIVEIRO “BABILÔNICO” ATÉ O GRANDE CISMA: Entre o século X e XIII, os papas conseguiram ganhar muito poder e autoridade, apesar das resistências e lutas enfrentadas. Até esse momento, seu embate era contra o imperador e pela moralização e independência da Igreja. A partir do século XIII, no entanto, os reis começaram a se fortalecer e a interferência do papa dentro dos seus reinos no momento em que se estruturavam. A reação dos reis se deu de várias formas mas foi o rei da França, Felipe IV (o Belo) que deu uma demonstração de força que marcou a história da Igreja Medieval. Como não estava disposto a admitir que o Papa aplicasse suas ordens dentro da França sem aprovação real, mandou um exército seqüestrar não somente o Papa, mas a corte papal inteira. (Lembre-se de que desde a
época dos francos as relações entre a França e a Igreja eram muito “próximas”.) O Papa agredido morreu logo, mas a sede do governo da Igreja terminou por ficar na França, na cidade de Avignon, de 1305 até 1378. Esse período ficou conhecido como “Cativeiro de Avignon” ou “Cativeiro da Babilônia”. Quando o Papado retornou à Roma, em 1378, não houve consenso e começaram a conviver dois ou até três Papas ao mesmo tempo (um em Roma, outro em Avignon e outro em Pisa). Tal situação enfraqueceu a Igreja e só se viu resolvida em 1417 depois de intervenção de vários reis. A resolução, entretanto, não foi suficiente para dar estabilidade a Igreja e um século depois a Cristandade iria se dividir graças à Reforma Protestante (1518).

[1] A Reforma Religiosa em questão não é a Protestante do século XVI. Durante a Idade Média foram implementadas várias reformas com objetivos diversos, sem, contudo provocar a fragmentação da Cristandade como no caso de Lutero.
[2] Ver parte do documento no livro texto, p. 225.

4º BIMESTRE: SACRO IMPÉRIO

AVISO: Este resumo deverá ser lido em casa. Não haverá aula de Sacro Império, mas tirarei as dúvidas. Não haverá questão direta de Sacro Império na A.E., mas para compreender outras questões é preciso saber sobre ele.

>> O chamado Sacro Império Romano Germânico foi uma das mais duradouras criações da Idade Média, tendo durado do século X até o século XIX.

>> O Império nasceu do Reino da Germânia, surgido da dissolução do Império Carolíngio com o Tratado de Verdun de 843. Por este tratado, os netos de Carlos Magno dividiriam o território em três, surgindo deste acordo o Reino da França (*Francia Ocidentalis*), a Lotaríngia (*que manteve a Itália e a coroa Imperial*) e o Reino da Germânia (*Francia Orientalis*).

>> A dinastia de Carlos Magno resistiu por algum tempo nos três territórios, mas o poder dos reis se viu muito diminuído. No caso da Germânia, os carolíngios governaram até 911, quando faleceu o último descendente de Carlos Magno. A partir daí, os grandes duques – que passaram a serem chamados eleitores – decidiram escolher entre si quem deveria reinar. A Coroa então passou Conrado, duque da Francônia e, em seguida, para Henrique, o Passarinheiro, duque da Saxônia, que conseguiu garantir a manutenção da coroa por algumas gerações.

>> Enquanto isso, a Lotaríngia se fragmentou e a maioria dos territórios foram incorporados à Germânia. A coroa imperial continuou existindo até 924, mas sem que representasse nada realmente importante, pois os nobres que a portavam tinham domínios muito restritos e nenhum poder real.

>> Com a morte de Henrique, o passarinheiro, seu filho Otão assumiu o trono. Sua missão não era nada fácil, pois teve que conter tanto os grandes vassalos (*não esqueçam dos laços feudais*), quanto os novos invasores vindos do leste (*magiares, eslavos*). Bem sucedido, nas guerras, optou por se apoiar dentro do território nos grandes senhores da Igreja, a quem deu terras e títulos, em troca de fidelidade.

>> O ano de 962, marca o nascimento do Sacro Império. Otão foi chamado à Itália para livrar o jovem bispo de Roma/papa João XII (*só tinha 17 anos*) dos seus inimigos. Na verdade, os senhores italianos pouco respeito tinham pela igreja e suas terras, e o bispo da cidade de Roma – o mais importante do Ocidente – era escolhido sem muito critério dentre as grandes famílias. Otão derrota os inimigos do bispo de Roma e é coroado como Imperador. O título ressuscitado era importante para a segurança da Igreja, que se acostumara à proteção dos imperadores. Em contrapartida, todo um discurso de glorificação de Oto, do cargo imperial, do novo Império Romano é criado.
>> Otão I percebe seu cargo como o de Carlos Magno, isto é, quer que sua dignidade seja reconhecida dentro dos seus territórios e pelos reinos que o cercam, sendo visto o imperador como alguém que governa sobre os reis. É com esse intuito que enfrenta e vence os bizantinos na Itália em 972, conseguindo para seu filho, o futuro Otão II, um vantajoso e inédito casamento com uma princesa do Oriente. Os três Otões (I, II e III) dão grande valor ao seu cargo e se colocam como o poder universal máximo no Ocidente. Assim, eles são o pontífice máximo, eles escolhem os bispos de Roma, eles investem os bispos. Otão III chega a mudar-se para a Itália, mas isso não é bem visto nem pelos seus vassalos alemães, nem pelos italianos e sua morte prematura – seguida um ano depois (1003) pelo Papa Silvestre II seu maior aliado – põe fim tanto à dinastia dos Otônidas quanto às pretensões de ressuscitar o Império Romano em todo o seu esplendor.
>> No entanto, a idéia de que a Igreja deve se subordinar ao Império permanece firme nos sucessores dos Otônidas e isso será responsável pelos grandes conflitos entre papas e imperadores nos séculos seguintes. Dois poderes universais não podiam subsistir juntos no mesmo espaço. (Ver: Igreja)
>> Quanto à política, os imperadores oscilavam entre seus interesses no Norte e no Sul, alguns optando por dar mais atenção aos domínios alemães, outros às possessões italianas. Importante lembrar que o equilíbrio sempre foi difícil, e os conflitos constantes. Por exemplo, dentro da Itália o conflito entre papa e imperador produziram, em especial a partir do século XIII, conflitos sangrentos, com a formação de dois blocos políticos: o dos Guelfos que defendia que a Itália fosse separada do Império e governada pelo papa; e o dos Guibelinos que mesmo não desejando um imperador alemão, preferiam apoiá-lo a terem o papa como governante.
>> LEMBRE-SE 1: O Império é “sacro” ou “sagrado” porque foi instituído por Deus (*ou assim a Igreja desejou que se pensasse*), era “romano” porque pretendia reviver o antigo Império (*daí a necessidade de manter Roma dentro do seu território*) e é “germânico” porque os imperadores são alemães e são eles que têm o poderio militar.

>> LEMBRE-SE 2: Graças ao Império, a Igreja Romana teve condições de se reorganizar e fortalecer, pois os imperadores se comprometeram tanto com um projeto de moralização e educação do alto clero, quanto com a concessão de feudos em troca de fidelidade.

>> LEMBRE-SE 3: O Império retardou e muito a unificação de Alemanha e Itália e sua afirmação como Estados Nacionais. Os interesses tanto do papa quanto do imperador eram de reconhecimento de seus poderes universais, e não havia interesse em permitir a organização de estados que poderiam se tornar independentes. Assim, fortaleceu-se o poder dos grandes e pequenos senhores (*duques, condes, príncipes, pequenos reis*), enquanto em outras regiões da Europa os poderes estavam sendo centralizados nas mãos dos reis ainda na Baixa Idade Média.

BIBLIOGRAFIA:

GRIMBERG, Carl. História Universal. Santiago: Europa América, vol. 10, 1989.
LE GOFF, Jacques. A Civilização do Ocidente Medieval. Bauru: EDUSC, 2005.
Livro didático, p. 266-267.

quinta-feira, outubro 04, 2007

4º BIMESTRE: FEUDALISMO


>> O Feudalismo foi um sistema social, político e econômico que em maior e menor grau se fez sentir total ou parcialmente em toda a Europa Ocidental. No entanto, o único lugar onde existiu em sua forma completa foi a França. Por isso mesmo, é este reino que nos serve de modelo de estudo aqui.

>> O Feudalismo se desenvolveu graças ao encontro de vários fatores alguns presentes desde a época da Crise do Século III: ruralização do Ocidente, o colonato, invasões bárbaras, enfraquecimento do poder central, desaparecimento da noção de Estado, etc.

>> ANTECEDENTES – Entre os antecedentes do sistema feudal, destacamos:
§ Formação das vilas: Desde a época áurea do Império Romano, os cidadãos mais ricos costumavam ter grandes propriedades no campo. Com a crise nas cidades, as vilas passaram a ser lugar de refúgio tanto para os senhores, que tinham poder absoluto em suas terras (Lembre-se da anarquia política que assaltou o Império Romano do Ocidente), quanto para cidadãos empobrecidos que buscavam ali refúgio e acabavam por se tornar dependentes.

§ Colonato: Para garantir que a mão-de-obra não iria se evadir o que acentuaria a crise de abastecimento, criou-se o colonato que mantinha o camponês preso a terra sob a “proteção” de um senhor. Muitos proprietários passaram a alforriar seus escravos e transformá-los em colonos, ao mesmo tempo em que cidadãos outrora “livres” passavam a se colocar também na mesma posição à força ou em busca de melhores condições de vida.

§ O Benefício: Previsto no Direito Romano, consistia em um contrato de prestação de serviços entre duas partes. Muitas tribos bárbaras haviam recebido terras como Benefício ainda na época do Império do Ocidente. Com o tempo, esses contratos começaram a se tornar hereditários e os contratos e juramentos só eram renovados.

§ A Clientela: A relação existente entre os romanos, serviu para reforçar os laços de dependência entre os senhores ricos e seus protegidos.

§ A Recomendação: Prática germânica pela qual um homem se submetia a outro, prestava homenagem (Literalmente se tornava “seu homem”) e normalmente recebia terras em troca. Essa prática está na base das relações entre vassalos e suseranos durante o período feudal.

§ O Comitatus: A união dos chefes de várias tribos e seus guerreiros sob juramento de fidelidade pessoal. Tal instituição germânica influenciou muito a relação entre o rei (no início geralmente eleito) e seus nobres que geralmente tinham direito a ter homens armados a seu serviço, cunhar moeda, presidir a justiça em suas terras, etc.
>> O FEUDO E MAIS ALÉM
§ Durante o período feudal a escravidão praticamente desapareceu,[1] prevalecendo o trabalho servil. Havia vários tipos de servos mas no geral eles estavam presos à terra que cultivavam e tinham obrigações para com o seu senhor. Seu local de trabalho era o feudo.

§ O feudo era o benefício recebido pelo vassalo. Poderia ser várias coisas (direito de cobrar impostos de uma dada área, como uma ponte, por exemplo; controle sobre uma cidade; etc) mas geralmente era um pedaço de terra. Assim, podemos dizer que esse tipo de feudo (terra) era, pelo menos no início da Idade Média, uma unidade autônoma de produção. O feudo deveria produzir tudo o que precisasse, dentro de uma economia de subsistência agropastoril. Poderia haver troca entre feudos, mas o uso do dinheiro era restrito, pelo menos até o século XI.

§ A sociedade medieval era estratificada e com pouca mobilidade social. Chamamos esse tipo de sociedade de estamental e o seu lugar dentro do grupo era determinado pelo nascimento. Basicamente era uma sociedade de nobres e não nobres. No primeiro grupo estavam os donos de terras laicos (condes, duques, barões, reis) e religiosos (bispos, abades, monges), no outro estavam os burgueses (aqueles que moravam nas cidades), artesãos, jornaleiros, vilãos (trabalhadores livres que moravam nos feudos), servos e escravos. O segundo grupo deveria sustentar e obedecer ao primeiro, e o primeiro proteger os corpos e as almas do segundo. Nesse segundo grupo também havia religiosos que não eram nobres (padres de aldeia, monges).
>> CARACTERÍSTICAS POLÍTICAS E SOCIAIS
§ Descentralização Política: Em algumas regiões, como no Reino de França, os reis perderam muito de seus poderes e cada senhor governava quase que independentemente as suas terras. Os reis enfraquecidos passaram a ter um poder quase simbólico que só tinha capacidade de impor a sua vontade quando o próprio soberano era também ele um poderoso senhor de terras e homens.

§ Obediência aos Costumes: Com o fim do Império do Ocidente, o Direito Romano foi substituído pelas leis consuetudinárias que variavam muito mesmo dentro do mesmo Reino. Eram os chamados costumes feudais.

§ Suserania e Vassalagem: Suserano era aquele que doava o feudo e o Vassalo aquele que recebia o benefício. Ambos faziam juramentos e tinham direitos e deveres. Como as redes de alianças eram extensas e confusas, muitas vezes um suserano poderia ser vassalo de outro senhor. Esse foi o caso dos reis da Inglaterra que após a conquista normanda (1066) passaram a ser vassalos dos reis da França, mesmo sendo mais poderosos que eles.
[2] A quebra desse contrato era chamada de felonia e considerada um pecado gravíssimo, além de dar direito ao suserano de retomar o feudo doado. Eram deveres do vassalo: prestar auxílio militar, prestar conselho quando convocado a participar do Tribunal de Justiça, renovar a homenagem que era renovada periodicamente, pagar o resgate do seu suserano, dar presentes nas núpcias da filha mais velha do suserano e quando seu filho mais velho se armasse cavaleiro. Ao suserano cabia: proteger seus vassalos quando estes estivessem ameaçados, conceder e retirar os feudos.

§ A Vida da Nobreza: No início da Idade Média,
[3] a vida da maioria dos nobres não era muito “confortável” ou “nobre” para os nossos padrões atuais. Muitos nobres eram analfabetos (Carlos Magno com certeza era) ou pouco instruídos, já que toda a sua vida era voltada principalmente para a guerra. Muitos castelos eram frios e úmidos, não raro várias pessoas dividiam os mesmos aposentos. Os casamentos eram feitos de acordo com os interesses das famílias, para cimentar alianças que fossem importantes.[4] Alguns filhos e filhas por conta disso eram impedidos de contrair núpcias sendo enviados para mosteiros e conventos; no caso específico dos meninos, quando atingiam certa idade, eram mandados para a casa de outros nobres para serem educados na arte da cavalaria. Como em certas regiões somente o filho mais velho herdava as terras, os demais deveriam conseguir “pela espada” o direito a um feudo e uma esposa. Ao contrário do que o livro diz, a vida das mulheres não se restringia aos afazeres domésticos e a vida religiosa, pois uma filha de nobres deveria ser educada para governar bem os seus domínios, pois não raro seu marido estava fora ou ficava viúva muito jovem e cabia a ela gerir a propriedade da família.

§ A IGREJA: Durante a Idade Média a religião e a religiosidade vão ser muito importantes na vida da maioria das pessoas. A Igreja Católica, grande senhora de terras, vai atuar muito no sentido de evangelizar e moralizar (de acordo com interesses determinados) a sociedade medieval. A intervenção na política de casamentos e o estabelecimento da Trégua de Deus ou Paz de Deus que estabelecia períodos nos quais os combates entre senhores eram proibidos são somente algumas medidas. Não se deve pensar entretanto que a Igreja tinha poder sobre tudo e todos, pois durante a Alta Idade Média, principalmente, os grandes senhores garantiam a segurança e interferiam nos assuntos da Igreja, até porque muitos dos altos eclesiásticos eram nobres. Mesmo depois, as políticas das grandes famílias e reinos vão interferir no andamento dos assuntos religiosos.
>> A ECONOMIA
§ Dentro do mundo feudal, que era muito heterogêneo, os servos tinham várias obrigações e deveriam pagar várias taxas, além de prestar serviços. Entre muitos, destacamos: corvéia (trabalho gratuito nas terras do senhor com o tempo passou a ser revertido em uma taxa em dinheiro), banalidades (taxas para usar o forno e o moinho), talha (parte da produção, geralmente metade, que deveria ser entregue ao senhor), albergagem (dever de hospedar o senhor – valia mais para os vassalos), dízimo (10% de toda a produção que deveria ser entregue a Igreja). Além desses, o servo poderia ser obrigado a pagar para se casar ou transferir seu lote quando o chefe da família morresse. Em suma, as taxas eram muitas, mesmo que a produção fosse pouca.

§ A rotação de culturas era utilizada dentro dos feudos para garantir a produtividade (que mesmo assim era muito baixa), assim dividia-se a terra em três ou quatro partes. Uma delas sempre estaria em repouso e as demais eram cultivadas com trigo, cevada ou outro cereal. No ano seguinte, havia a rotação, evitando, na medida do possível que a terra se esgotasse.

§ O feudo era dividido em partes, os chamados mansos, e poderíamos encontrar, mesmo que com variações, três tipos de mansos: o senhorial – cultivado pelos servos de acordo com a corvéia;
[5] o servil – era dividido em lotes e cultivados pelos servos que deveriam dar ao senhor uma parte da produção; o comunal – pastos, campos e bosques de uso comum, eram usados para divertimento do senhor, e para complementar a produção e alimentação dos servos.[6]

§ A economia monetária era bastante limitada durante o início da Idade Média mas conforme a economia foi se tornando cada vez mais dinâmica muitos camponeses passaram a pagar suas taxas não mais em trabalho ou espécie (produtos) mas, sim, em dinheiro.


[1] Há autores que afirmam que a escravidão desapareceu, mas durante a Idade Média Ocidental o tráfico de escravos permanece, existem decretos abolindo a escravidão e a prática foi muito freqüente em algumas áreas, mesmo que em sua maioria os escravos fossem domésticos.
[2] Como os reis da Inglaterra passaram a se recusar a prestar a homenagem formal, criou-se a homenagem Lígia que não obrigava o soberano inglês a se ajoelhar diante do rei francês.
[3] Estamos falando principalmente da chamada Alta Idade Média, mesmo que algumas características possam permanecer para além dela.
[4] Antes da Igreja interferir na política de casamentos, não raramente um senhor se casava várias vezes, livrando-se da antiga esposa de várias formas imagináveis.
[5] Com o tempo alguns senhores passaram a lotear os seus mansos, aumentando o número de servos.
[6] Já no fim da Idade Média, muitas das terras comunais começam a ser cercadas na Inglaterra e utilizadas para a criação de carneiros que era muito lucrativa. Esse fenômeno conhecido como Enclouser (Cercamento) vai ser muito importante para a Revolução Industrial.

quinta-feira, setembro 13, 2007

Ordália


É somente para ilustrar algo que eu já comentei em algumas turmas e está no resumo de Bárbaros. O quadrinho foi retirado do livro The Cartoon History of the Universe III de Larry Gonick. Infelizmente essa parte não foi lançada em português, e a edição da imagem não ficou boa, porque é um livro grosso e difícil de escanear.

terça-feira, setembro 11, 2007

4º BIMESTRE: FRANCOS


>> Os Francos (bravos) foram um povo germânico que se estabeleceu no século III às margens do Rio Reno. Eram formados por várias tribos e receberam dos romanos as terras entre o Rio Reno e o Mar do Norte na condição de auxiliares. Esta concessão demonstrava a fraqueza dos romanos e a belicosidade dos francos que logo começaram a expandir seu território às custas dos romanos.

>> O Rei Meroveu, no século V, juntou forças com os romanos para combater os hunos, o inimigo comum, e é considerado o fundador da primeira dinastia dos francos, a Merovíngea. Seu neto, Clóvis, conseguiu unir todos as tribos francas sob seu governo, e estendeu do rio Some até o rio Loire. Era casado com uma cristã e, depois de vencer uma batalha importante, se converteu ao cristianismo com todo o seu povo. Os francos foram o primeiro povo bárbaro a se converter diretamente ao catolicismo romano e tornaram-se o braço armado da Igreja de Roma. Outro personagem importante foi o prefeito do passo, Carlos Martel, que derrotou os árabes, em 732, na
Batalha de Poitiers.

>> Com o tempo, os reis merovíngeos passaram a ter uma função meramente figurativa e seus mordomos do paço governavam por eles. Um desses mordomos do paço, Pepino, o Breve (714-768) depôs o último rei merovíngeo, em 752, e iniciou a Dinastia Carolíngea. Durante o seu governo, instituiu o Patrimônio de São Pedro, doando uma série de terras, compradas e conquistadas, ao Bispo de Roma, garantindo-lhe certa autonomia.

>> O filho de Pepino, Carlos Magno assumiu o trono com a morte do pai e expandiu muito os territórios francos. Construiu escolas (a mais famosa era a Palatina que ficava em seu próprio palácio) que teoricamente poderiam ser freqüentadas por qualquer pessoa, mosteiros, catedrais. Encarregou seu conselheiro, Alcuíno, de criar uma escrita simplificada, a chamada minúscula carolinea. Reuniu em sua corte uma série de sábios e intelectuais que davam aulas, discutiam filosofia e teologia, escreviam leis promovendo o que ficou conhecido como “Renascimento Carolíngeo”.

>> No ano de 800, o bispo de Roma, Leão III, o corou Imperador dos Romanos como se em Carlos Magno pudessem tentar reviver a glória da antiga Roma. Carlos Magno chegou a negociar casamento com a Imperatriz Bizantina viúva mas não obteve sucesso. Além da águia símbolo de Roma, adotou a flor-de-lis que passou a ser o símbolo dos reis de França.

>> Carlos Magno se preocupou em colocar as leis do Império por escrito, as chamadas Capitulares. A legislação da Igreja passou a ter força de lei no Império Franco. Dividiu a administração do reino em condados, administrados por condes, e marcas (nas fronteiras), administradas por marqueses. Para fiscalizar a administração, estabeleceu os missi dominici, funcionários que visitavam todas as províncias do reino.

>> Carlos Magno manteve as relações de fidelidade germânicas e dividia o espólio das guerras com seus comandados que lhe juravam obediência. Quando conquistava um território também era comum trazer os filhos dos chefes locais para serem educados em seu palácio. Eles eram ao mesmo tempo reféns e tornavam-se bons servidores do Imperador franco.

>> Carlos Magno morreu em 814, seu herdeiro Luís, chamado de “o piedoso”, não conseguiu manter o governo enérgico de seu pai. Preocupado mais com as questões religiosas do que administrativas, que deixou ao cargo de funcionários, esse príncipe mandou queimar os livros que não fossem considerados cristãos. Enfraquecido politicamente, seus filhos se rebelaram e ele teve que dividir o império com os três filhos, Lotário, Pepino e Luís, se retirando para um mosteiro. Pepino morreu cedo e depois da morte de seu pai, em 840, seu irmão Lotário se recusou a dividir o território com o meio-irmão, Carlos, o calvo.
[1] Os irmãos, Luís e Carlos se juntaram e derrotaram Lotário obrigando-o a assinar o Tratado de Verdun. Este dividia o Império em três partes. Carlos ficou com a parte do Império mais ou menos equivalente à França atual; Lotário ficou com a parte central que abrigava no seu interior o Patrimônio de São Pedro; e Luís ficou com a chamada Germânia.

>> A divisão do Império, o enfraquecimento dos reis, os ataques de vikings e magiares, ajudaram na desintegração do Império Carolíngeo e na ruralização cada vez maior da Europa, era o início do
Feudalismo. Os funcionários de outrora, duques, condes, marqueses passaram ter domínio sobre as terras doadas pelos reis. Estes últimos, sem recursos, passaram a ter poder meramente simbólico. A dinastia Carolíngea chegou ao fim melancolicamente no ano de 987, quando Hugo Capeto encarcerou o último descendente de Carlos Magno e foi aclamado pelos outros nobres como novo rei dos franceses, fundando a Dinastia Capetíngea.

>> Carlos Magno e seus companheiros, Rolando, Ogier, são lembrados até hoje em canções e lendas que surgiram na Idade Média. Algumas delas dizendo inclusive que quando a França estivesse em perigo o grande rei retornaria para salvá-la dos inimigos.

[1] Luís tinha se casado em segundas núpcias com Judite da Baviera.

4º BIMESTRE: BÁRBAROS

>>PERIODIZAÇÃO: Tradicionalmente, a Idade Média se inicia com a Queda do Império Romano do Ocidente, em 476 (Lembre-se: de agora em diante vai ser sempre D.C.) e termina com a Queda de Constantinopla, em 1453. Obviamente, não preciso mais explicar que essas balizas temporais são arbitrárias e não se deve acreditar que valem para o mundo inteiro ou que uma data específica pode determinar a mudança na mentalidade e hábitos de todas as pessoas. Mas vamos lá, ainda nessa periodização tradicional temos: Alta Idade Média (séc. V-X) e Baixa Idade Média (séc. XI-XV).

>>QUEM ERAM OS BÁRBAROS? Os bárbaros nós já sabemos que era o nome que os romanos davam a todos os povos que não tinham cultura greco-romana. Podemos dividir esses povos “bárbaros” em três grupos principais: Germano (alamanos, visigodos, ostrogodos, francos, saxões, etc.), Eslavos (russos, bósnios, crostas, poloneses, etc.) e Tártaro-Mongóis (hunos, alanos, avaros, magiares ou húngaros, turcos, etc.). Não tinham unidade política, nem território, eram nômades ou seminômades. Alguns (visigodos, burgúndios) entraram em contato com os romanos muito cedo e adquiriram muito da cultura dos seus vizinhos, outros (como os saxões) nem chegaram a encontrar os romanos e o que receberam de sua influência veio de outros povos ou da Igreja Romana. A entrada mais “violenta” dos povos bárbaros em território romano se deu principalmente a partir da chegada dos hunos. Este povo deixou aterrorizados tanto os povos bárbaros (germanos em sua maioria) quanto os romanos.

>>ORGANIZAÇÂO SOCIAL GENÉRICA DOS GERMANOS: Os germanos – os eslavos também – eram indo-europeus e sua estrutura social era baseada no clã (família extensa). Vários clãs formavam uma tribo; várias tribos formavam um povo. A base do clã eram as famílias, monogâmicas e patriarcais. As tribos geralmente estavam divididas em três grupos sociais: os chefes, líderes do clã e responsáveis pela tribo; os homens livres, maioria da população; e os escravos, geralmente prisioneiros de guerra. Como não tinham o conceito de Estado, a principal instituição era o Comitatus que era a união dos chefes de várias tribos e seus guerreiros sob juramento de fidelidade. Assim, a relação estabelecida entre eles era pessoal e a retribuição da fidelidade era receber parte do saque, escravos e terras. Todo homem livre armado poderia participar do exército e em algumas tribos havia mulheres guerreiras. As leis eram consuetudinárias e mantidas oralmente, quando conquistaram os romanos em alguns reinos eram aplicadas as leis germânicas para os conquistadores e as romanas para a população conquistada. Os germanos aplicavam o ordálio em seus julgamentos, costume que persistiu na Idade Média. O ordálio era o julgamento dos deuses, por exemplo, para provar a inocência o acusado deveria pegar um ferro incandescente, se não se queimasse, era inocente.

>>ECONOMIA: A base era a agricultura e o pastoreio. Algumas tribos praticavam o comércio. O saque era a forma comum de complementação da produção.

>>RELIGIÃO: a religião era politeísta e animista. Os deuses principais eram Odin –pai dos deuses e patrono da guerra e do comércio, Thor – deus dos camponeses e do trovão, Freya – deusa do amor, da fertilidade e da beleza. Havia outros deuses como Lock, filho de Odin, que pregava peças tanto nos deuses quanto nos homens.
[1] O nome dos deuses nórdicos marcou o nome dos dias da semana em algumas das línguas européias, como o inglês. Os germanos também tinham sua versão do paraíso-morada dos deuses, o Valhala. Para esse lugar iriam somente os guerreiros mortos em batalha que seriam levados para lá pelas Valquírias, as mensageiras de Odin. Quem morresse de velhice ou doença iria para o Hell. Também acreditavam que haveria uma batalha final, o Ragnarock, onde os deuses e outros seres lendários se enfrentariam.

>> A CONVERSÃO: Os povos germanos foram se convertendo aos poucos ao Cristianismo. Alguns quando entraram no Império Romano do Ocidente já eram cristãos só que hereges arianos (visigodos, suevos, vândalos), a maioria destes povos terminou por se converter depois ao Catolicismo Romano. Outros só se converteram com o tempo, alguns ao Catolicismo Ortodoxo, outros ao Romano. Os francos foram um dos primeiros povos a se converterem diretamente ao Catolicismo Romano, sem passar pelo arianismo, e ajudaram a converter (conquistar) outros povos. Na maioria das vezes, a conversão do chefe ou rei determinava a conversão do povo que acabava mantendo muito da sua antiga religião.

>> LEVAS DE INVASÃO: As primeiras levas de invasão chegaram no final do período romano (séc. IV-V), eram povos que tiveram grande convivência nas fronteiras romanas, a maior exceção eram os hunos. Nos séculos VI e VII, chegaram os jutas, anglos e saxões que conquistaram as Ilhas Britânicas, como a influência romana nestes territórios tinha sido mais curta, os territórios por si só já eram muito pouco romanizados. A última grande leva chegou no século IX e X e atacaram os normandos (vickings) que atacaram o Reino Franco, a Sicília, foram até a Rússia e o Império Bizantino, e terminaram conquistando a Inglaterra dos saxões; os magiares (húngaros), búlgaros e outros eslavos atacaram a Europa Central e o Império Bizantino.

[1] A máscara de Lock é retratada no filme “O Máscara”. Só por aí vocês tiram do que ele era capaz.

segunda-feira, setembro 10, 2007

4º BIMESTRE: IMPÉRIO BIZANTINO - IMAGENS


Estou colocando algumas imagens um ícone (Theodokos: Mãe de Deus), mosaicos reproduzindo os rostos de Theodora e justiniano e duas imagens da Basílica de Santa Sofia. As quatro torres em volta são minaretes acrescentados pelos muçulmanos depois da conquista em 1453.

Theodokos
Justiniano
Teodora

4º BIMESTRE: MUNDO ÁRABE


** A Civilização Árabe foi uma das mais brilhantes do período medieval e se estendeu da Índia até a Península Ibérica, passando pela Mesopotâmia, Palestina (Terra Santa), Egito, Norte da África. Tendo como ponto de partida a Península Arábica, região desértica, salpicada por alguns oásis, os árabes ganharam o mundo depois de unificados em torno da fé islâmica.

** Arábia Pré-Islâmica:

§ Os árabes são semitas e, portanto, parentes dos hebreus e dos povos da Mesopotâmia. Dividiam-se em tribos, governadas por um xeque, e eram, em sua maioria, nômades ou semi-nômades. Eram chamados também de beduínos e não tinham unidade política.
§ Espalhavam-se por toda a Península Arábica mas só podiam fixar-se na costa do Mar Vermelho ou em oásis onde praticavam alguma agricultura. Suas atividades econômicas principais eram o pastoreio e o comércio.
§ Adoravam vários deuses (politeísmo) e Alá era somente um deles. Tinham um lugar sagrado, que recebia muitos peregrinos, a Caaba. Este santuário estava localizado na cidade de Meca e dentro dele se encontravam muitas imagens de deuses e a Pedra Negra.
[1]
§ Suas cidades principais eram Meca e Yatribe, atual Medina.


**MAOMÉ – O PROFETA:

§ Maomé ou Mohamed nasceu em Meca no ano de 570 d.C. Era comerciante e casou-se com uma viúva rica, Khadidja, muito mais velha que ele. Quando tinha aproximadamente 40 anos, teria recebido do anjo Gabriel o livro sagrado dos muçulmanos, o Corão ou Alcorão.

§ Como não sabia ler o texto foi ditado por Maomé e escrito por outras pessoas, uma delas, provavelmente sua esposa. Alguns preceitos básicos da religião Islâmica são: só existe um deus, Alá, e Maomé é seu profeta; rezar cinco vezes ao dia voltado na direção de Meca; ficar em jejum durante o mês de Ramadã; praticar caridade; visitar Meca pelo menos uma vez na vida.

§ A religião muçulmana tem muito em comum com as duas outras religiões monoteístas, o Judaísmo e o Cristianismo. Os muçulmanos consideram o Velho Testamento, acreditam que Abraão é o pai dos árabes, crêem no paraíso, nos anjos, no inferno. Consideram também Jesus Cristo como um profeta que teria antecedido Maomé, havendo um capítulo no Corão dedicado à Virgem Maria.

** O TRIUNFO DA NOVA CRENÇA:


§ Maomé inicia a sua pregação mas esta não é bem recebida pelos comerciantes que lucravam com as peregrinações à Meca. Assim, em 622, Maomé é obrigado a fugir da cidade indo se esconder em Yatribe que passou a ser chamada de Medina (Cidade do Profeta). Essa data é conhecida como Hégira e marca o início do calendário muçulmano.

§ Maomé intensifica a sua pregação e declara guerra santa aos infiéis. Os muçulmanos que morressem na tarefa de conquistar e converter os infiéis teriam a entrada garantida no paraíso. Muitos se converteram e começou-se a desenhar a unidade árabe.

§ No ano de 630, Maomé conquista Meca e retira os ídolos da Caaba mantendo somente a Pedra Negra. A partir de então, o Islamismo se espalha rapidamente. Em 632, ano da morte do Profeta, os árabes estavam unificados mas Maomé morre sem indicar um sucesso.

** O Islã – Período dos Califas:

§ Califa quer dizer “sucessor”. Os Califas eram os sucessores do profeta Maomé e guardiões da fé islâmica.

§ Os quatro primeiros Califas (Abu-Becker, Omar, Oman e Ali) governaram em Meca. Durante o governo de Omar iniciou-se a expansão e foram anexadas ao Império Árabe as seguintes regiões: Pérsia (depois de 10 anos de luta); a Síria; a Palestina (Terra Santa); o Egito (dois anos de luta); e o Norte da África. As populações cristãs e judias dessas regiões poderiam manter a sua fé em troca de impostos mais altos mas os demais deveriam se converter.

§ Os árabes se aproveitaram da estrutura de governo do Império Bizantino para organizar o seu Estado.

§ O último dos quatro califas foi Ali, esposo de Fátima filha de Maomé. Ele conquistou outros territórios e defendia que Maomé o teria escolhido antes de sua morte. Durante o seu estourou uma guerra civil e com a sua morte, em 661, o governo dos árabes passou para a dinastia do Omíadas. Mesmo assim, os seguidores de Ali deram origem a seita islâmica dos xiitas, “partidário”, que advogam que somente os herdeiros de Ali e Fátima podem governar o Islã.

§ A primeira dinastia (governantes de uma mesma família) foi a dos Omeíadas que governou de 661 a 750. Eles transferiram a capital para Damasco e conquistaram a Índia, a Armênia, o Cáucaso e a Península Ibérica colocando fim ao reino dos Visigodos. Sua expansão na Europa chegou ao fim em 732 quando foram derrotados pelos francos na Batalha de Poitiers.

§ Em 750, depois de uma revolta, os sucessores de um dos tios de Maomé, Abas, deram início à dinastia dos Abássidas. A capital foi transferida para a Mesopotâmia, onde foi fundada a grande capital do mundo árabe, Bagdá.

§ Durante o governo dos Abássidas o império árabe atingiu seu apogeu e os Califas incentivavam o desenvolvimento artístico e cultural. A expansão territorial também continuou e durante o governo dos Abássidas o território árabe chegou a se estender da China até a Península Ibérica.

§ Também nesse período o Império começa a se fragmentar. Em 760, os muçulmanos da Espanha declaram sua independência e em 968 foi a vez do Egito.

§ Com o enfraquecimento dos Califas, seus guardas pessoais que eram oriundos da recém-convertida tribo dos turcos, começou a ganhar mais e mais poder. Em 1055, uma das tribos turcas, a dos seldjúcidas, tomou Bagdá. O califa cedeu lugar para o sultão dos turcos. O Império turco se construiu sobre a base estabelecida pelos árabes e se estendeu pela Ásia e África, tornando-se um perigo para os europeus.
** AS CIÊNCIAS E AS ARTES:

§ Coube aos árabes difundir na Europa os inventos chineses, tais como o papel, a pólvora, o cultivo do arroz e do algodão. Introduziram o cultivo da cana-de-açúcar na Sicília e em Chipre. Como estavam no meio do caminho entre o Ocidente e o Oriente, e o comércio era sua principal atividade, enriqueceram sua civilização com contribuições de muitas outras.

§ Através dos árabes, principalmente os da Península Ibérica chamados de mouros, muitas obras de Filosofia (Platão e Aristóteles), de Matemática (Euclides, Arquimedes) voltaram a circular na Europa traduzidas por eles do grego para o árabe e depois outras línguas européias. Além disso, trouxeram para o ocidente a numeração indiana conhecida entre nós como números arábicos e o uso do zero.

§ Na Medicina destacaram-se Averróis e Avicena, cuja obra foi utilizada na Europa até o século XVII. Averróis se destacou também em outras áreas como a Física. A Química foi outro campo muito desenvolvido pelos árabes que descobriram e/ou desenvolveram elementos e fórmulas utilizadas até hoje. Além disso inspiraram os famosos “químicos” medievais, os alquimistas.

§ A arte árabe foi marcada por evitar a representação da figura humana mas o que poderia servir de limitação acabou estimulando a representação abstrata que tanto embelezam os palácios e mesquitas, os chamados arabescos, além de serem mestres na construção de mosaicos. Na arquitetura se destacaram pelo uso dos arcos, colunas e abóbadas.

§ Na Literatura os árabes compuseram obras magníficas como “As Mil e Uma Noites” onde estão narradas as aventuras de Simbad e Aladim. No campo da História destacou-se Ibn Khaldun.

** PEQUENO GLOSSÁRIO:

§ Califa: quer dizer sucessor. Título usado pelos primeiros governantes árabes, sucessores de Maomé.

§ Xeique: líder eleito das tribos árabes.

§ Emir: governador de território escolhido pelo Califa.

§ Infiel: termo aplicado aos não-muçulmanos.

§ Muçulmano ou Islâmico: aquele que segue a religião iniciada por Maomé. Não é sinônimo de árabe. Os árabes, hoje, representam somente uma parte dos muçulmanos, sendo a maioria formada por povos convertidos na expansão.

§ Jihad: quer dizer esforço, isto é, qualquer missão que necessite de empenho por parte do muçulmano. Hoje, no senso comum, virou sinônimo de guerra santa.

§ Sultão: governante dos turcos.

§ Turcos: membros de várias tribos de origem mongol – parentes, portanto, dos hunos –convertidos ao Islã. Se tornaram guardas pessoais do Califa e depois conquistaram os árabes estabelecendo o chamado Império Otomano.

§ Mouros: muçulmanos da Península Ibérica.

§ Suna: conjunto dos ditos de Maomé (hadiz) registrados depois da sua morte pelos seus seguidores. É um complemento ao Corão.

§ Sunitas: representam a maioria dos muçulmanos hoje e se dividem em vários grupos. Apareceram no século XI em oposição aos xiitas. Acreditam na Suna, veneram os seguidores de Maomé e defendem que qualquer fiel deve ter o direito ao governo.

§ Xiitas: seguidores de Ali (4º Califa) e Fátima, filha de Maomé. O termo vem de shiá (partidário/seguidor) e defendem que o governo deve estar nas mãos dos descendentes do profeta. São maioria somente no Irã e no Iraque. Xiita, hoje, no senso comum, é usado para designar qualquer radical ou extremista, o que é de certa forma um preconceito.

§ Sharia: A lei Islâmica. Segue um pequeno texto publicado no
Correio Brasiliense:

“A Sharia é uma lei islâmica que se aplica às populações muçulmanas no Sudão, na Nigéria, no Irã, na Arábia Saudita e na Líbia. Ela é baseada no texto do Corão, o livro sagrado do Islã, e seus principais mandamentos consistem em leis estabelecidas em revelações do profeta Maomé, presentes nas Escrituras.
Para os muçulmanos, a Sharia representa um código moral que rege suas vidas segundo a vontade de Alá (Deus, em árabe), no entanto, nem todos os países islâmicos adotam as penas determinadas por esse código. Entre suas medidas mais polêmicas estão a mutilação ou condenação à morte, chamadas de penas hadd, para atos como furtos, estupros, adultério, assassinato, entre outros. Em 2002, os tribunais superiores da Nigéria, que adota a lei desde 1999, condenaram à morte por enforcamento Sani Yakubu Rodi, de 27 anos. Rodi foi considerado culpado pelo assassinato de sua mulher e seus dois filhos.
Uma das fortes críticas aos países que incorporaram a Sharia ao seu sistema penal é sobre a crueldade e o rigor das penas para crimes considerados comuns no Ocidente. A amputação de uma das mãos imposta ao condenado em caso de roubo é uma exemplo das penas hadd, os castigos mais extremos da Sharia.
Em caso de consumo de álcool, prática de relações sexuais pré-conjugais e outras infrações como calúnia ou difamação, as leis hadd estabelecem a pena de flagelação por chibatadas. Em 18 de janeiro de 2002, o juiz de um tribunal islâmico nigeriano, Mohammed Nai’la, recebeu 80 golpes de chibata em praça pública por ter consumido bebidas alcoólicas. O adultério é considerado uma ofensa extrema e sua punição consiste no apedrejamento até a morte.
As penas são aplicadas de acordo com os critérios de juízes, baseados no Corão e nas palavras, exemplos e modo de vida de Maomé, chamados de Sunnah. Em casos em que alguns atos não são mencionados, os tribunais avaliam as penalidades de acordo com seu discernimento. Na Nigéria, os juízes não somente são instruídos com a Sharia, mas também estudam jurisprudência em escolas islâmicas de direito.”




[1] A Pedra Negra é provavelmente um meteorito que caiu na Terra e passou a ser adorado pelos árabes. Eles acreditavam que a pedra teria ficado negra com os pecados de Adão e que teria sido dada a Abraão e seu filho Ismael pelo Anjo Gabriel.

4º BIMESTRE: IMPÉRIO BIZANTINO


± ANTECEDENTES: A partir do século III começou a se desenhar a separação do Império Romano em duas áreas distintas, o Ocidente ruralizado se viu fortemente atingido pela crise econômica e política, já o Oriente, urbanizado e com uma economia fortemente baseada no comércio, deu mostras de recuperação. A transferência da capital do Império para essa região só deixou mais transparente que os governantes valorizavam bem mais essa área do Império. A divisão do Império Romano em dois no ano de 395, liberou a parte Oriental das preocupações com seu irmão ocidental agonizante. As invasões bárbaras, desviadas do território oriental graças aos missionários e ao suborno, terminaram por acelerar a morte do Império do Ocidente. Já o império Oriental, agora chamado de Bizantino, conseguiu sobreviver. O Império Bizantino nasce então sobre três pilares: a religião Cristã, a Cultura Helenística e o Direito Romano.

± LOCALIZAÇÃO e POVOAMENTO: Bizâncio, a capital do império do Oriente, e atual Istambul, fica em uma área privilegiada às margens do Estreito de Bósforo, que une o Mar Egeu e o Mar Negro, área onde desembocam antigas e importantes áreas de comércio. Aliás, dois pontos importantes que deram identidade ao Império Bizantino foram o comércio e a herança cultural Helenística.

± EXPANSÃO DO IMPÉRIO NOS SÉCULO VI E VII – O GOVERNO DE JUSTINIANO: O império Bizantino teve em Justiniano o seu mais importante imperador, assumindo o trono em 527, ele vai tomar para sai a responsabilidade de reconstruir o Império Romano, submetendo as áreas que tinham sido perdidas no Ocidente ao seu poder. Seguindo esse plano, expulsou os vândalos do Norte da África; retomou o sul da Península Itálica das mãos dos visigodos; e em 553, dominou a Península Itálica, então nas mãos dos ostrogodos. Não era todo o Império do século II, mas foi o máximo que se conseguiu reconquistar.

± As sucessivas ações militares, no entanto, aumentaram a carga de impostos sobre a população. Além disso, desejando fortalecer ainda mais o seu poder, Justiniano vai perseguir as heresias. Lembrem que heresia, no grego, queria dizer escolha, mas que a partir do momento que o Cristianismo se torna religião oficial do Império, haverá somente uma versão de Cristianismo aceita. Essa versão estatal é chamada de ortodoxa, todas as demais, ou são banidas, ou começam a serem perseguidas de tempos em tempos. Além disso, vai intervir cada vez mais nos assuntos da Igreja. Essa ingerência, que vai se tornar prática entre os imperadores orientais, nos assuntos da Igreja, é conhecida como cesaropapismo. A tensão religiosa,[1] somada ao descontentamento com os impostos altos e o despotismo do Imperador vai gerar a chamada Revolta de Nike, em 532, iniciada depois de uma corrida no hipódromo. A revolta social somente foi rapidamente debelada por iniciativa da Imperatriz Teodora que vendo a intenção de fuga do marido teria afirmado que “A púrpura é a melhor mortalha”. Sob suas ordens o exército real massacrou os revoltosos em Bizâncio e iniciou a ofensiva em outras partes do Império.

± Sem dúvida a herança mais duradoura do governo de Justiniano foi o chamado Corpus Juris Civilis que combinava as leis romanas, o pensamento cristão e reforçava o poder centralizador do imperador. Se a expansão territorial bizantina durou pouco, o código de Justiniano será levado para o Ocidente e servirá de base para a retomada do Direito Romano na Idade Média.

± O IMPÉRIO AMEAÇADO – SÉCULOS VII E VIII: O território do império Bizantino debilitado pelas guerras de expansão e pelas lutas internas,[2] vai perdendo territórios para uma nova força que vai surgir no século VII, o Islã. Os árabes, unidos pela sua nova religião, vão tomar dos bizantinos a Mesopotâmia, a Palestina (território sagrado para os cristãos), o Norte da África e a Península Ibérica.[3] Com o tempo vão se apossar também das grandes ilhas italianas, em especial a Sicília. As querelas religiosas também vão contribuir muito para a situação, em especial a monofisista – que desencadeou a Revolta de Nike, e a iconoclasta que se prolongou de 726-843 e defendia o fim da veneração de imagens. Entretanto, não vou usar aqui o termo “declínio” nem “decadência” porque venhamos e convenhamos, nenhum Estado iria resistir mais cinco séculos nessa situação. O que vamos ter é um Império tentando se reorganizar sempre.

± O FIM DO IMPÉRIO: As tensões religiosas e sociais, as disputas pelo poder, a concentração de propriedade nas mãos de poucos e a ameaça de vizinhos poderosos começaram a ameaçar a estabilidade do império. Mesmo assim, o Estado Bizantino só chegou ao seu fim 1453, quando é definitivamente conquistado pelos turcos seldjúcidas que estabeleceram um grande Império que ia da Anatólia (atual Turquia) até Bagdá. No entanto, o território bizantino foi diminuindo de tamanho a partir do século VII, até se resumir a um território que pouco circundava a cidade de Bizâncio. Antes mesmo de serem conquistados pelos turcos, o império Bizantino vai cair nas mãos dos europeus que utilizaram a IV Cruzada, 1202, para tomar Bizâncio ao invés de ir “libertar” a Terra Santa. O Império Latino de Constantinopla entretanto durou pouco e os bizantinos se tornaram independentes novamente, se bem que por pouquíssimo tempo.

± ORGANIZAÇÃO SOCIAL E ECONÔMICA: Os grupos sociais no império Bizantino estavam divididos da seguinte maneira: no topo da pirâmide o imperador, seu parentes mais diretos e os altos funcionários; o clero, mais rico; aristocracia rural forte; grandes mercadores; e trabalhadores rurais e urbanos com melhores ou piores condições de vida. Havia escravos mas estes não representavam mais o grosso dos trabalhadores. O clero tinha grande poder sobre a população mas sofria o controle do Imperador que em algumas ocasiões buscava nesse grupo os recursos necessários para patrocinar as campanhas militares. O Estado também buscou proteger os pequenos e médios proprietários mas com o tempo a propriedade da terra tendeu a se concentrar nas mãos de um grupo cada vez menor. Além do comércio e da agricultura, o Império contava com grandes centros manufatureiros como Bizâncio, Éfeso, Alexandria, Antioquia, Corinto entre outras. Já os estrangeiros que quisessem comerciar no território do Império pagavam pesadas taxas alfandegárias e impostos. A solidez da economia do Império Bizantino é que permitiu a superação de várias crises.

± RELIGIÃO: A Igreja no Oriente sempre foi diferente da Ocidental, aliás, mais
correto seria dizer que havia várias igrejas. A Igreja Ortodoxa nasceu da ingerência do Imperador nos assuntos religiosos (cesaropapismo) e normalmente o Patriarca de Constantinopla[4] se submetia ao poder secular (do imperador). A data de 1054, que marcaria o suposto cisma das igrejas do ocidente e do oriente não deve, portanto, ser levado em conta. No império bizantino as questões religiosas assumiam um peso muito forte, a arte, em especial os ícones, era fonte de renda de muitos mosteiros. Já as heresias nunca foram totalmente dominadas pela Igreja Oficial. Com o fim do Império do Oriente, e graças ao intenso trabalho de evangelização dos povos eslavos, surgiram várias Igrejas Ortodoxas como a Grega e a Russa.

± CULTURA E ARTE: A cultura bizantina era herdeira da tradição helenística, ao mesmo tempo em que pretendia salvaguardar a herança romana. Destacaram-se na Teologia; na arquitetura com as abóbadas e os mosaicos; na pintura e na escultura, geralmente de inspiração religiosa; e nas coletâneas de textos jurídicos entre os quais destacamos o Corpus Juris Civilis.

[1] A principal questão religiosa da época era a Monofisista que defendia que Cristo só tinha uma natureza, a divina. Essa doutrina ainda influencia algumas igrejas orientais, como a Copta, até hoje.
[2] Os bizantinos ficaram conhecidos pelas suas intermináveis discussões religiosas à respeito de detalhes teológicos. Estas discussões, não raro, acabavam como estopim das revoltas sociais. A expressão “Discutir o sexo dos anjos” explica bem o ímpeto religioso bizantino.
[3] Outro Império que vai sofrer os ataques dos árabes vai ser o persa que tinha sobrado do desmembramento do Império de Alexandre, o Grande, e nunca tinha se submetido aos romanos.
[4] As cidades onde o Cristianismo teria sido plantado pelos apóstolos teriam cada um o seu Patriarca (Jerusalém, Antioquia, Alexandria, Cartago e Roma), mas Constantinopla ganhou o seu quando se tornou capital. O Patriarca de Roma, adota somente o título de Bispo e depois passou a ser chamado de papa.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Pesquisa: Quadrinhos em Sala de Aula


Estou recolhendo dados para uma pesquisa sobre o uso de quadrinhos em sala de aula como estímulo à leitura, como exercício ou mesmo tarefa a ser avaliada. Não sei ainda para que e como irei utilizar. Tinha pensado em pedir a opinião somente dos meus alunos e alunas, mas acho que vale a pena estender. Então, se você quiser responder à pesquisa, basta clicar e fazer o download do arquivo, está em Word. Pode enviar sugestões, também, afinal, estou tentando aprimorar o modelo da pesquisa. Quando estava dando aula para a 7ª série sempre passava uma avaliação em forma de quadrinho ou conto, o resultado durante os três anos foi, no mínimo, satisfatório. Pena que não pude fazer este trabalho com vocês este ano. Gostaria de continuar com o primeiro ano, vamos ver. Enfim, desde já, agradeço as contribuições de vocês!

terça-feira, julho 31, 2007

ROMA 3: IMPÉRIO


Séculos I e II d.C.

** O Império Romano se inicia em 27 a.C. e chega ao seu fim em dois momentos diferentes. No Ocidente, em 476 d.C., com as invasões das tribos bárbaras germânicas. No Oriente, em 1453 d.C., quando os turcos conquistam Constantinopla, a capital do Império Bizantino do qual falaremos mais tarde. Dividimos a história do Império Romano (27 a.C.-476 d.C.) em duas fases: Alto Império (27 a.C. até o século II d.C.) e Baixo Império (século III ao V d.C.).

** O Primeiro Imperador: Otávio, sobrinho de César, após derrotar Marco Antônio, assume o governo de toda a Roma Antiga. Otávio coloca fim a República, diminuindo drasticamente os poderes do Senado e criando, para a sua segurança, a Guarda Pretoriana, formada por 9.000 soldados, com a grande função de proteger a pessoa do Imperador. A partir daquele momento, todos deveriam prestar lealdade ao Imperador. Além desse título, Otávio adotou os títulos de Augusto (divino) e Príncipe (primeiro dos cidadãos), além de assumir para si vários cargos: pontífice máximo, censor, cônsul, tribuno, etc.

** Reformas de Augusto:

>> Aumento da autonomia administrativa das cidades e províncias e sua divisão entre: senatorias e imperiais. As províncias imperiais eram as de fronteira e os governantes eram nomeados diretamente pelo imperador que também reforçou a presença do exército no limes do Império.

>> Classificação da população pela renda, assim, foram criadas três “ordens”: a Senatorial, a Eqüestre e a Inferior. Diluiu-se as tensões entre patrícios e plebeus, cujos membros mais ricos passaram a formar a nobilitas (nobreza) e a população passou a ser discriminada entre ricos e pobres. Somente os mais ricos poderiam chegar ao Senado.

>> Centralização dos gastos públicos como forma de reprimir a corrupção.

>> Designação de funcionários de confiança para cobrar os impostos nas províncias.

>> Reorganização dos correios: um Império tem que ter um sistema de comunicação rápido e confiável.

>> Agravamento de penas e repressão de práticas que atentassem contra a moral e os bons costumes. Otávio também vai reprimir os excessos de luxo da sua corte.

>> Revigoração das rotas comerciais e a criação da esquadra imperial, responsável por proteger os navios que traziam os grãos que abasteciam a Itália.

>> Construção de obras de infra-estrutura: aquedutos, pontes, termas, mercados, etc.

>> Apoio às artes, através do patrocínio de artistas, filósofos e escritores. Essa prática, comum até hoje, chama-se Mecenato e é feita pelo Estado, grandes empresas ou mesmo indivíduos ricos. Esse termo vem de Mecenas, nome de um amigo de Otávio.

** Século de Ouro: É assim que ficou conhecido o longo período que cobre o longo governo de Otávio Augusto e de seu sucessor, Tibério César. Foi nessa época que se consolidaram as bases do Império Romano e se iniciou a chamada Pax Romana.

** Pax Romana: Período que cobre o século I e II, marcado pela relativa estabilidade política, pela expansão máxima das fronteiras de Roma graças à ausência de inimigos poderosos, e a sensação de paz e tranqüilidade que reforçava a idéia de que os romanos eram os senhores do mundo. Essa estabilidade favoreceu e muito a expansão do Cristianismo que se valia da estabilidade romana e da cultura helenística para se espalhar pela malha urbana do Mediterrâneo, o mare nostrum romano.

** Governantes do Século I: Uma característica dos imperadores que sucederam Tibério César (Dinastia Júlio-Claudiana), foi o final trágico de seus governos. Um dos agentes das deposições e assassinatos que marcariam a história de Roma seria a Guarda Pretoriana, criada exatamente para proteger os imperadores. Calígula, conhecido entre outras coisas por transformar seu cavalo em senador, teve governo curto. Cláudio, seu tio e sucessor, foi um governante competente e em seu governo foram conquistadas a Bretanha, província que corresponde aproximadamente a atual Inglaterra, e a Mauritânia, No Norte da África. Seu governo terminou com sua morte envenenado por sua esposa Agripina, depois que essa garantiu a indicação de seu filho Nero para o trono Imperial. O jovem Nero ao assumir o governo mostrou-se competente e bem orientado por seu preceptor, o filósofo Sêneca. Estimulou as artes e as ciências. Com o tempo, entretanto, afastou-se de seu mentor e cometeu vários excessos entre eles o possível assassinato de seu meio-irmão Britânico, assassinato da esposa Otávia e da mãe Agripina. Além disso, foi no seu governo que aconteceu o grande incêndio de Roma. Até hoje, o imperador, que mandou remodelar a cidade e transformá-la na mais esplendorosa capital de então, é suspeito de ter ordenado o incêndio e depois culpado os cristãos. Essa foi a primeira grande perseguição aos adeptos dessa religião. Nero terminou seu governo Sendo condenado pelo senado e abandonado pela Guarda Pretoriana. Sabendo que seria preso, torturado e executado, optou pelo suicídio.

** Os “Bons Imperadores”: Depois das agitações que se seguiram à morte de Nero, a estabilidade veio através de novos imperadores que tinham obtido prestígio graças à seu desempenho militar. Primeiro a Dinastia dos Flávios (69-96 d.C.), com Vespasiano, que construiu o Coliseu e Tito que reprimiu a revolta dos judeus e promoveu a Diáspora e Domiciano. Após a morte de Domiciano, assumiu a Dinastia dos Antoninos (96-192 d.C.), conhecida como a dos “bons imperadores”. Esses imperadores, alguns deles nascidos fora da Itália em províncias da península Ibérica ou Norte da África, fizeram governos competentes e garantindo a segurança política, o desenvolvimento econômico e convivência entre os diversos grupos sociais. Foi durante o século II que o Império chegou ao máximo de sua expansão com a conquista, durante o governo de Trajano, da Dácia (Romênia) e da Mesopotâmia. Dentre os imperadores do período, um dos mais significativos foi Marco Aurélio, chamado de o imperador filósofo. Foi dele a decisão de permitir que os bárbaros pudessem se estabelecer nas fronteiras do Império e também, quando necessário, ingressar no exército. Tal medida não foi vista com bons olhos, e já no governo de Marco Aurélio começaram a aparecer os primeiros problemas que iriam marcar o século III. O filho de Marco Aurélio, Cômodo, foi o último dos Antoninos, mas o título de “bom imperador” não lhe caía bem e terminou sendo assassinado por um gladiador.

** OS Bárbaros: Eram considerados bárbaros pelos romanos todos aqueles que não tinham cultura greco-romana e não falavam latim. Assim, poderiam ser bárbaros tanto os judeus quanto os árabes ou as tribos da Europa. No entanto, sempre que utilizarmos este termo daqui para adiante estaremos nos referindo aos Germanos, tribos seminômades que estavam se deslocando rumo à Europa e foram barradas nas fronteiras de Roma. Algumas delas permaneceram ali por muito tempo e se romanizaram, outras recém-chegadas desconheciam os costumes romanos. A relação dos romanos com as tribos variava, mas muitos bárbaros passaram a participar do exército e da política do Império e os casamentos se tornaram cada vez mais freqüentes. A chegada dos hunos (lembram que séculos atrás eles estavam perturbando os chineses?) vai aterrorizar os germanos e provocar sua entrada violenta em territórios romano.

Séculos III a V d.C.


** CRISE DO SÉCULO III: O fim da Dinastia dos Antoninos foi marcado pela anarquia militar e o fim da Pax Romana. Os novos governantes, a Dinastia dos Severos (193-235 d.C.), não conseguiram garantir a estabilidade do governo, e a guerra civil se tornou constante. Era comum o assassinato de Imperadores e outros governantes. A insegurança, gerou a crise no comércio e no abastecimento. Os camponeses, constantemente convocados para serviço militar, esvaziavam o campo e reforçavam a crise agrícola, a fome e a inflação. O fim da expansão diminuiu o número de escravos e agravou a crise de mão-de-obra. A concessão de cidadania para todos os habitantes livres do Império, em 212 d.C., ajudou a diminuir o prestígio do Exército que admitia cada vez mais bárbaros. Os funcionários públicos aterrorizavam a população, aumentavam os impostos e a corrupção era uma constante.

** REFORMAS DE DIOCLECIANO: a crise do Império começou a ser revertida com as reformas de Diocleciano (284-305 d.C.) que reorganizou a estrutura do Império. Entre as reformas deste imperador podemos ressaltar:

>> A divisão do Império em quatro regiões administrativas (Tetrarquia): duas governadas por césares e duas por augustos.

>> Para conter a alta dos preços, instituiu a Lei do Máximo que limitava preços e salários. Tal medida terminou por gerar ágio e o desaparecimento de mercadorias.

>> Transformou alguns camponeses em colonos, o que os impedia de abandonar as suas terras.

>> Instituiu o culto a pessoa do Imperador que passou a ser chamado de Dominus (senhor). Como os cristãos se recusaram a cultuar o Imperador, acabaram sendo duramente perseguidos.

>> Além disso, instituiu a obrigatoriedade do latim para as províncias do oriente, reforçou o culto aos deuses e tradições romanas e tirou a autonomia das cidades.

Apesar dos esforços de Diocleciano, as fronteiras do Império continuaram vulneráveis, os ataques eram constantes. A desvalorização da moeda e a inflação fez com que em muitos lugares a economia retrocedesse a economia de trocas. Diocleciano terminou renunciando em 305 d.C.

§ O IMPÉRIO SE TORNA CRISTÃO: No ano de 312, Constantino se tornou imperador. Entre as medidas mais importantes do seu governo podemos ressaltar: O Édito de Milão, de 313, que deu liberdade de culto aos cristãos; a aproximação entre o Estado Romano e a Igreja Cristã expressa no Concílio de Nicéia, de 325, quando se definiram as bases da Igreja com intervenção direta do imperador; a Lei do Colonato que obrigou definitivamente os camponeses a estarem presos à terra sob a proteção de um latifundiário; e a transferência da capital de Roma para Constantinopla (antiga Bizâncio), o que demonstrou o quanto o Oriente era mais importante do que o Ocidente dentro do quadro de interesses do Estado.

** A SEPARAÇÃO DE ORIENTE E OCIDENTE: Coube ao imperador Teodósio II (297-395) transformar o Cristianismo em religião oficial do Império (Édito de Tessalônica), abolindo todas as festas pagãs, entre elas as Olimpíadas (391 d.C.). Este imperador também dividiu o império entre seus dois filhos: o Império do Ocidente, com capital em Roma e governado por Honório; e o Império do Oriente, com capital em Constantinopla, e governado por Arcádio. A partir de então, o império do Ocidente estava com os dias contados e foi conquistado por Odroaco, rei dos hérulos, em 476, já o Império do Oriente ainda teria mais 1000 anos de história.

** POR QUE ROMA CHEGOU AO FIM? Não existe uma causa para o fim do Império Romano do Ocidente, mas podemos apontar alguns fatores que juntos colaboraram para o seu fim:

>> As disputas de poder que enfraqueceram o Estado.

>> A crise do Exército que representava a base do poder do imperador e antes do século III era motivo de orgulho para os romanos. Com a entrada dos bárbaros, as crises de hierarquia, a anarquia e a falta de patriotismo se tornaram uma constante.

>> A decadência econômica, fruto entre outras coisas da insegurança, desvalorização da moeda, ruralização do Ocidente e crise de mão-de-obra. Roma dependia dos escravos e sua escassez, contribuiu para o decréscimo da agricultura. O colonato foi uma forma de tentar reverter o problema.

>> As invasões bárbaras que se tornaram um grande problema para o Império do Ocidente, fragilizado pelas lutas políticas.

>> As mudanças provocadas pelo cristianismo na sociedade romana, atingindo às crenças, o militarismo, a moral, etc.