quinta-feira, abril 17, 2008

Arqueólogos suecos encontram moedas árabes do século 7



Essa matéria está no site da BBC e mostra o quão falaciosa é a história de que os europeus na Idade Média não viajavam, não navegavam e, claro, que o Mediterrâneo estava fechado pelos árabes.
Arqueólogos suecos encontram moedas árabes do século 7

Arqueólogos da Suécia encontraram cerca de 470 moedas de prata de origem árabe perto do aeroporto Arlanda, em Estocolmo. Não se registra uma descoberta destas na região de Estocolmo desde 1880.

As moedas foram encontradas na terça-feira em um túmulo datado da Idade do Ferro. As moedas, por sua vez, datam dos séculos 7º e 9º, quando comerciantes vikings viajavam muito pela Europa.

A arqueóloga Karin Beckman-Thoor, da equipe do Patrimônio Histórico da Suécia, afirmou que a maioria das moedas foi feita em Bagdá e Damasco, mas algumas vieram da Pérsia e do norte da África.

Viajantes

Os vikings viajavam muito em seus navios longos pela região do Báltico e da Rússia, desde o século 8º até o 11. Eles eram conhecidos por terem alcançado lugares distantes como o norte da África e Constantinopla (atualmente, Istambul).

Segundo a arqueóloga Karin Beckman-Thoor tesouros pertencentes aos vikings geralmente são encontrados na ilha de Gotland, no mar Báltico.

A equipe do Patrimônio Histórico da Suécia realizava escavações nos arredores de Estocolmo e estava retirando uma pedra de um monumento funerário no local "quando de repente encontramos uma moeda e não conseguimos entender o que era", disse Beckman-Thoor à BBC.

"Continuamos escavando e encontramos mais moedas, percebemos que era um tesouro da era viking", afirmou. As moedas foram deixadas no local por volta do ano 850 D.C., disse a arqueóloga.

"Nenhum viking estava sepultado neste local - o túmulo é mais antigo. Talvez os vikings tenham pensado que o tesouro seria protegido pelos ancestrais", acrescentou Beckman-Thoor.

Os vikings tinham um vilarejo nas proximidades do antigo túmulo.

segunda-feira, abril 14, 2008

Vulcão provocou inverno devastador do ano 1600


Matéria interessante que estava na Folha de São Paulo de hoje. :)


Vulcão provocou inverno devastador do ano 1600

Estudo liga única erupção a safras ruins, fome e neve recorde no mundo inteiro

Partículas lançadas pelo Huaynaputina, no Peru, desencadearam a pior onda de frio em seis séculos em todo o planeta, diz cientista

DA REPORTAGEM LOCAL

Cientistas já sabem há algum tempo que grandes erupções vulcânicas têm o efeito de resfriar a Terra ao encher a atmosfera de partículas com enxofre. Um estudo publicado agora por geólogos da Universidade da Califórnia em Davis, porém, mostra a que ponto pode chegar essa influência sobre o clima. Estudando eventos que se seguiram à erupção do vulcão Huaynaputina, no sul do Peru, em 1600, os cientistas mostraram que ela deve ter sido a causa de um inverno recorde em um período de seis séculos.

A descoberta foi apresentada pelos geólogos Kenneth Verosub e Jake Lippman em um trabalho publicado na última edição da revista "EOS", da União Geofísica dos EUA. Depois de passar três anos fazendo trabalho de historiadores, a dupla conseguiu descobrir uma série de eventos datados de 1601 nos EUA, na Europa e na Ásia que provavelmente estão ligados ao resfriamento global causado pelo vulcão peruano.

"Na Rússia, o inverno de 1601/1602 foi severo, e acredita-se que mais de 500 mil pessoas tenham morrido entre 1601 e 1603 naquela que foi considerada a pior onda de fome na história russa", escrevem os geólogos. "Na França, a data de início da colheita dos vinhedos em 1601 está entre as sete mais atrasadas no período entre 1500 e 1700."

Diversas outras anomalias causadas pelo frio fora do comum -como nevascas recorde e vento excessivo- foram registradas no mundo inteiro naquele ano também na Suécia, no Japão, nas Filipinas, na Suíça, na China, no Japão, na Estônia e na Lituânia. Os geólogos americanos afirmam que a descoberta foi uma espécie de "ato de fé", já que poucos especialistas em clima esperavam que se pudesse obter tantos dados sobre a época estudada. Os geólogos-historiadores, porém, sabiam que não era bem assim.

"Em 1600, a Renascença havia transformado a sociedade européia, e muitas pessoas na Europa estavam fazendo e registrando observações sobre o mundo ao seu redor, inclusive sobre o tempo e o clima", escrevem Verosub e Lippman. "No Japão e na China, sistemas imperiais vigentes fortemente burocráticos vigentes produziram numerosos registros escritos."

Aquecimento global

Os geólogos americanos começaram a estudar a erupção do Huaynaputina para compará-la à outro registro recorde: a explosão do vulcão Tambora em 1815, na Indonésia, que era mais bem documentada, que também revela muito sobre o quanto um vulcão pode causar anomalias climáticas.

Verosub e Lippman afirmam, por exemplo, que o inverno rigoroso na Rússia de 1601 normalmente é atribuído à chamada Pequena Era do Gelo, uma tendência longa de resfriamento registrada na Idade Média. Provavelmente é um erro, e o culpado foi mesmo a erupção do vulcão peruano, dizem.

Os geólogos americanos também afirmam que outra contribuição de seu trabalho é mostrar como o estudo de médias climáticas em um passado distante pode conter ruído -informação que atrapalha a medida de tendências.

"O problema se torna especialmente severo quando o objetivo da pesquisa é demonstrar mudança climática no longo prazo (ou seja, o "aquecimento global antropogênico" [causado pelo homem])", afirmam os pesquisadores.