quinta-feira, setembro 13, 2007

Ordália


É somente para ilustrar algo que eu já comentei em algumas turmas e está no resumo de Bárbaros. O quadrinho foi retirado do livro The Cartoon History of the Universe III de Larry Gonick. Infelizmente essa parte não foi lançada em português, e a edição da imagem não ficou boa, porque é um livro grosso e difícil de escanear.

terça-feira, setembro 11, 2007

4º BIMESTRE: FRANCOS


>> Os Francos (bravos) foram um povo germânico que se estabeleceu no século III às margens do Rio Reno. Eram formados por várias tribos e receberam dos romanos as terras entre o Rio Reno e o Mar do Norte na condição de auxiliares. Esta concessão demonstrava a fraqueza dos romanos e a belicosidade dos francos que logo começaram a expandir seu território às custas dos romanos.

>> O Rei Meroveu, no século V, juntou forças com os romanos para combater os hunos, o inimigo comum, e é considerado o fundador da primeira dinastia dos francos, a Merovíngea. Seu neto, Clóvis, conseguiu unir todos as tribos francas sob seu governo, e estendeu do rio Some até o rio Loire. Era casado com uma cristã e, depois de vencer uma batalha importante, se converteu ao cristianismo com todo o seu povo. Os francos foram o primeiro povo bárbaro a se converter diretamente ao catolicismo romano e tornaram-se o braço armado da Igreja de Roma. Outro personagem importante foi o prefeito do passo, Carlos Martel, que derrotou os árabes, em 732, na
Batalha de Poitiers.

>> Com o tempo, os reis merovíngeos passaram a ter uma função meramente figurativa e seus mordomos do paço governavam por eles. Um desses mordomos do paço, Pepino, o Breve (714-768) depôs o último rei merovíngeo, em 752, e iniciou a Dinastia Carolíngea. Durante o seu governo, instituiu o Patrimônio de São Pedro, doando uma série de terras, compradas e conquistadas, ao Bispo de Roma, garantindo-lhe certa autonomia.

>> O filho de Pepino, Carlos Magno assumiu o trono com a morte do pai e expandiu muito os territórios francos. Construiu escolas (a mais famosa era a Palatina que ficava em seu próprio palácio) que teoricamente poderiam ser freqüentadas por qualquer pessoa, mosteiros, catedrais. Encarregou seu conselheiro, Alcuíno, de criar uma escrita simplificada, a chamada minúscula carolinea. Reuniu em sua corte uma série de sábios e intelectuais que davam aulas, discutiam filosofia e teologia, escreviam leis promovendo o que ficou conhecido como “Renascimento Carolíngeo”.

>> No ano de 800, o bispo de Roma, Leão III, o corou Imperador dos Romanos como se em Carlos Magno pudessem tentar reviver a glória da antiga Roma. Carlos Magno chegou a negociar casamento com a Imperatriz Bizantina viúva mas não obteve sucesso. Além da águia símbolo de Roma, adotou a flor-de-lis que passou a ser o símbolo dos reis de França.

>> Carlos Magno se preocupou em colocar as leis do Império por escrito, as chamadas Capitulares. A legislação da Igreja passou a ter força de lei no Império Franco. Dividiu a administração do reino em condados, administrados por condes, e marcas (nas fronteiras), administradas por marqueses. Para fiscalizar a administração, estabeleceu os missi dominici, funcionários que visitavam todas as províncias do reino.

>> Carlos Magno manteve as relações de fidelidade germânicas e dividia o espólio das guerras com seus comandados que lhe juravam obediência. Quando conquistava um território também era comum trazer os filhos dos chefes locais para serem educados em seu palácio. Eles eram ao mesmo tempo reféns e tornavam-se bons servidores do Imperador franco.

>> Carlos Magno morreu em 814, seu herdeiro Luís, chamado de “o piedoso”, não conseguiu manter o governo enérgico de seu pai. Preocupado mais com as questões religiosas do que administrativas, que deixou ao cargo de funcionários, esse príncipe mandou queimar os livros que não fossem considerados cristãos. Enfraquecido politicamente, seus filhos se rebelaram e ele teve que dividir o império com os três filhos, Lotário, Pepino e Luís, se retirando para um mosteiro. Pepino morreu cedo e depois da morte de seu pai, em 840, seu irmão Lotário se recusou a dividir o território com o meio-irmão, Carlos, o calvo.
[1] Os irmãos, Luís e Carlos se juntaram e derrotaram Lotário obrigando-o a assinar o Tratado de Verdun. Este dividia o Império em três partes. Carlos ficou com a parte do Império mais ou menos equivalente à França atual; Lotário ficou com a parte central que abrigava no seu interior o Patrimônio de São Pedro; e Luís ficou com a chamada Germânia.

>> A divisão do Império, o enfraquecimento dos reis, os ataques de vikings e magiares, ajudaram na desintegração do Império Carolíngeo e na ruralização cada vez maior da Europa, era o início do
Feudalismo. Os funcionários de outrora, duques, condes, marqueses passaram ter domínio sobre as terras doadas pelos reis. Estes últimos, sem recursos, passaram a ter poder meramente simbólico. A dinastia Carolíngea chegou ao fim melancolicamente no ano de 987, quando Hugo Capeto encarcerou o último descendente de Carlos Magno e foi aclamado pelos outros nobres como novo rei dos franceses, fundando a Dinastia Capetíngea.

>> Carlos Magno e seus companheiros, Rolando, Ogier, são lembrados até hoje em canções e lendas que surgiram na Idade Média. Algumas delas dizendo inclusive que quando a França estivesse em perigo o grande rei retornaria para salvá-la dos inimigos.

[1] Luís tinha se casado em segundas núpcias com Judite da Baviera.

4º BIMESTRE: BÁRBAROS

>>PERIODIZAÇÃO: Tradicionalmente, a Idade Média se inicia com a Queda do Império Romano do Ocidente, em 476 (Lembre-se: de agora em diante vai ser sempre D.C.) e termina com a Queda de Constantinopla, em 1453. Obviamente, não preciso mais explicar que essas balizas temporais são arbitrárias e não se deve acreditar que valem para o mundo inteiro ou que uma data específica pode determinar a mudança na mentalidade e hábitos de todas as pessoas. Mas vamos lá, ainda nessa periodização tradicional temos: Alta Idade Média (séc. V-X) e Baixa Idade Média (séc. XI-XV).

>>QUEM ERAM OS BÁRBAROS? Os bárbaros nós já sabemos que era o nome que os romanos davam a todos os povos que não tinham cultura greco-romana. Podemos dividir esses povos “bárbaros” em três grupos principais: Germano (alamanos, visigodos, ostrogodos, francos, saxões, etc.), Eslavos (russos, bósnios, crostas, poloneses, etc.) e Tártaro-Mongóis (hunos, alanos, avaros, magiares ou húngaros, turcos, etc.). Não tinham unidade política, nem território, eram nômades ou seminômades. Alguns (visigodos, burgúndios) entraram em contato com os romanos muito cedo e adquiriram muito da cultura dos seus vizinhos, outros (como os saxões) nem chegaram a encontrar os romanos e o que receberam de sua influência veio de outros povos ou da Igreja Romana. A entrada mais “violenta” dos povos bárbaros em território romano se deu principalmente a partir da chegada dos hunos. Este povo deixou aterrorizados tanto os povos bárbaros (germanos em sua maioria) quanto os romanos.

>>ORGANIZAÇÂO SOCIAL GENÉRICA DOS GERMANOS: Os germanos – os eslavos também – eram indo-europeus e sua estrutura social era baseada no clã (família extensa). Vários clãs formavam uma tribo; várias tribos formavam um povo. A base do clã eram as famílias, monogâmicas e patriarcais. As tribos geralmente estavam divididas em três grupos sociais: os chefes, líderes do clã e responsáveis pela tribo; os homens livres, maioria da população; e os escravos, geralmente prisioneiros de guerra. Como não tinham o conceito de Estado, a principal instituição era o Comitatus que era a união dos chefes de várias tribos e seus guerreiros sob juramento de fidelidade. Assim, a relação estabelecida entre eles era pessoal e a retribuição da fidelidade era receber parte do saque, escravos e terras. Todo homem livre armado poderia participar do exército e em algumas tribos havia mulheres guerreiras. As leis eram consuetudinárias e mantidas oralmente, quando conquistaram os romanos em alguns reinos eram aplicadas as leis germânicas para os conquistadores e as romanas para a população conquistada. Os germanos aplicavam o ordálio em seus julgamentos, costume que persistiu na Idade Média. O ordálio era o julgamento dos deuses, por exemplo, para provar a inocência o acusado deveria pegar um ferro incandescente, se não se queimasse, era inocente.

>>ECONOMIA: A base era a agricultura e o pastoreio. Algumas tribos praticavam o comércio. O saque era a forma comum de complementação da produção.

>>RELIGIÃO: a religião era politeísta e animista. Os deuses principais eram Odin –pai dos deuses e patrono da guerra e do comércio, Thor – deus dos camponeses e do trovão, Freya – deusa do amor, da fertilidade e da beleza. Havia outros deuses como Lock, filho de Odin, que pregava peças tanto nos deuses quanto nos homens.
[1] O nome dos deuses nórdicos marcou o nome dos dias da semana em algumas das línguas européias, como o inglês. Os germanos também tinham sua versão do paraíso-morada dos deuses, o Valhala. Para esse lugar iriam somente os guerreiros mortos em batalha que seriam levados para lá pelas Valquírias, as mensageiras de Odin. Quem morresse de velhice ou doença iria para o Hell. Também acreditavam que haveria uma batalha final, o Ragnarock, onde os deuses e outros seres lendários se enfrentariam.

>> A CONVERSÃO: Os povos germanos foram se convertendo aos poucos ao Cristianismo. Alguns quando entraram no Império Romano do Ocidente já eram cristãos só que hereges arianos (visigodos, suevos, vândalos), a maioria destes povos terminou por se converter depois ao Catolicismo Romano. Outros só se converteram com o tempo, alguns ao Catolicismo Ortodoxo, outros ao Romano. Os francos foram um dos primeiros povos a se converterem diretamente ao Catolicismo Romano, sem passar pelo arianismo, e ajudaram a converter (conquistar) outros povos. Na maioria das vezes, a conversão do chefe ou rei determinava a conversão do povo que acabava mantendo muito da sua antiga religião.

>> LEVAS DE INVASÃO: As primeiras levas de invasão chegaram no final do período romano (séc. IV-V), eram povos que tiveram grande convivência nas fronteiras romanas, a maior exceção eram os hunos. Nos séculos VI e VII, chegaram os jutas, anglos e saxões que conquistaram as Ilhas Britânicas, como a influência romana nestes territórios tinha sido mais curta, os territórios por si só já eram muito pouco romanizados. A última grande leva chegou no século IX e X e atacaram os normandos (vickings) que atacaram o Reino Franco, a Sicília, foram até a Rússia e o Império Bizantino, e terminaram conquistando a Inglaterra dos saxões; os magiares (húngaros), búlgaros e outros eslavos atacaram a Europa Central e o Império Bizantino.

[1] A máscara de Lock é retratada no filme “O Máscara”. Só por aí vocês tiram do que ele era capaz.

segunda-feira, setembro 10, 2007

4º BIMESTRE: IMPÉRIO BIZANTINO - IMAGENS


Estou colocando algumas imagens um ícone (Theodokos: Mãe de Deus), mosaicos reproduzindo os rostos de Theodora e justiniano e duas imagens da Basílica de Santa Sofia. As quatro torres em volta são minaretes acrescentados pelos muçulmanos depois da conquista em 1453.

Theodokos
Justiniano
Teodora

4º BIMESTRE: MUNDO ÁRABE


** A Civilização Árabe foi uma das mais brilhantes do período medieval e se estendeu da Índia até a Península Ibérica, passando pela Mesopotâmia, Palestina (Terra Santa), Egito, Norte da África. Tendo como ponto de partida a Península Arábica, região desértica, salpicada por alguns oásis, os árabes ganharam o mundo depois de unificados em torno da fé islâmica.

** Arábia Pré-Islâmica:

§ Os árabes são semitas e, portanto, parentes dos hebreus e dos povos da Mesopotâmia. Dividiam-se em tribos, governadas por um xeque, e eram, em sua maioria, nômades ou semi-nômades. Eram chamados também de beduínos e não tinham unidade política.
§ Espalhavam-se por toda a Península Arábica mas só podiam fixar-se na costa do Mar Vermelho ou em oásis onde praticavam alguma agricultura. Suas atividades econômicas principais eram o pastoreio e o comércio.
§ Adoravam vários deuses (politeísmo) e Alá era somente um deles. Tinham um lugar sagrado, que recebia muitos peregrinos, a Caaba. Este santuário estava localizado na cidade de Meca e dentro dele se encontravam muitas imagens de deuses e a Pedra Negra.
[1]
§ Suas cidades principais eram Meca e Yatribe, atual Medina.


**MAOMÉ – O PROFETA:

§ Maomé ou Mohamed nasceu em Meca no ano de 570 d.C. Era comerciante e casou-se com uma viúva rica, Khadidja, muito mais velha que ele. Quando tinha aproximadamente 40 anos, teria recebido do anjo Gabriel o livro sagrado dos muçulmanos, o Corão ou Alcorão.

§ Como não sabia ler o texto foi ditado por Maomé e escrito por outras pessoas, uma delas, provavelmente sua esposa. Alguns preceitos básicos da religião Islâmica são: só existe um deus, Alá, e Maomé é seu profeta; rezar cinco vezes ao dia voltado na direção de Meca; ficar em jejum durante o mês de Ramadã; praticar caridade; visitar Meca pelo menos uma vez na vida.

§ A religião muçulmana tem muito em comum com as duas outras religiões monoteístas, o Judaísmo e o Cristianismo. Os muçulmanos consideram o Velho Testamento, acreditam que Abraão é o pai dos árabes, crêem no paraíso, nos anjos, no inferno. Consideram também Jesus Cristo como um profeta que teria antecedido Maomé, havendo um capítulo no Corão dedicado à Virgem Maria.

** O TRIUNFO DA NOVA CRENÇA:


§ Maomé inicia a sua pregação mas esta não é bem recebida pelos comerciantes que lucravam com as peregrinações à Meca. Assim, em 622, Maomé é obrigado a fugir da cidade indo se esconder em Yatribe que passou a ser chamada de Medina (Cidade do Profeta). Essa data é conhecida como Hégira e marca o início do calendário muçulmano.

§ Maomé intensifica a sua pregação e declara guerra santa aos infiéis. Os muçulmanos que morressem na tarefa de conquistar e converter os infiéis teriam a entrada garantida no paraíso. Muitos se converteram e começou-se a desenhar a unidade árabe.

§ No ano de 630, Maomé conquista Meca e retira os ídolos da Caaba mantendo somente a Pedra Negra. A partir de então, o Islamismo se espalha rapidamente. Em 632, ano da morte do Profeta, os árabes estavam unificados mas Maomé morre sem indicar um sucesso.

** O Islã – Período dos Califas:

§ Califa quer dizer “sucessor”. Os Califas eram os sucessores do profeta Maomé e guardiões da fé islâmica.

§ Os quatro primeiros Califas (Abu-Becker, Omar, Oman e Ali) governaram em Meca. Durante o governo de Omar iniciou-se a expansão e foram anexadas ao Império Árabe as seguintes regiões: Pérsia (depois de 10 anos de luta); a Síria; a Palestina (Terra Santa); o Egito (dois anos de luta); e o Norte da África. As populações cristãs e judias dessas regiões poderiam manter a sua fé em troca de impostos mais altos mas os demais deveriam se converter.

§ Os árabes se aproveitaram da estrutura de governo do Império Bizantino para organizar o seu Estado.

§ O último dos quatro califas foi Ali, esposo de Fátima filha de Maomé. Ele conquistou outros territórios e defendia que Maomé o teria escolhido antes de sua morte. Durante o seu estourou uma guerra civil e com a sua morte, em 661, o governo dos árabes passou para a dinastia do Omíadas. Mesmo assim, os seguidores de Ali deram origem a seita islâmica dos xiitas, “partidário”, que advogam que somente os herdeiros de Ali e Fátima podem governar o Islã.

§ A primeira dinastia (governantes de uma mesma família) foi a dos Omeíadas que governou de 661 a 750. Eles transferiram a capital para Damasco e conquistaram a Índia, a Armênia, o Cáucaso e a Península Ibérica colocando fim ao reino dos Visigodos. Sua expansão na Europa chegou ao fim em 732 quando foram derrotados pelos francos na Batalha de Poitiers.

§ Em 750, depois de uma revolta, os sucessores de um dos tios de Maomé, Abas, deram início à dinastia dos Abássidas. A capital foi transferida para a Mesopotâmia, onde foi fundada a grande capital do mundo árabe, Bagdá.

§ Durante o governo dos Abássidas o império árabe atingiu seu apogeu e os Califas incentivavam o desenvolvimento artístico e cultural. A expansão territorial também continuou e durante o governo dos Abássidas o território árabe chegou a se estender da China até a Península Ibérica.

§ Também nesse período o Império começa a se fragmentar. Em 760, os muçulmanos da Espanha declaram sua independência e em 968 foi a vez do Egito.

§ Com o enfraquecimento dos Califas, seus guardas pessoais que eram oriundos da recém-convertida tribo dos turcos, começou a ganhar mais e mais poder. Em 1055, uma das tribos turcas, a dos seldjúcidas, tomou Bagdá. O califa cedeu lugar para o sultão dos turcos. O Império turco se construiu sobre a base estabelecida pelos árabes e se estendeu pela Ásia e África, tornando-se um perigo para os europeus.
** AS CIÊNCIAS E AS ARTES:

§ Coube aos árabes difundir na Europa os inventos chineses, tais como o papel, a pólvora, o cultivo do arroz e do algodão. Introduziram o cultivo da cana-de-açúcar na Sicília e em Chipre. Como estavam no meio do caminho entre o Ocidente e o Oriente, e o comércio era sua principal atividade, enriqueceram sua civilização com contribuições de muitas outras.

§ Através dos árabes, principalmente os da Península Ibérica chamados de mouros, muitas obras de Filosofia (Platão e Aristóteles), de Matemática (Euclides, Arquimedes) voltaram a circular na Europa traduzidas por eles do grego para o árabe e depois outras línguas européias. Além disso, trouxeram para o ocidente a numeração indiana conhecida entre nós como números arábicos e o uso do zero.

§ Na Medicina destacaram-se Averróis e Avicena, cuja obra foi utilizada na Europa até o século XVII. Averróis se destacou também em outras áreas como a Física. A Química foi outro campo muito desenvolvido pelos árabes que descobriram e/ou desenvolveram elementos e fórmulas utilizadas até hoje. Além disso inspiraram os famosos “químicos” medievais, os alquimistas.

§ A arte árabe foi marcada por evitar a representação da figura humana mas o que poderia servir de limitação acabou estimulando a representação abstrata que tanto embelezam os palácios e mesquitas, os chamados arabescos, além de serem mestres na construção de mosaicos. Na arquitetura se destacaram pelo uso dos arcos, colunas e abóbadas.

§ Na Literatura os árabes compuseram obras magníficas como “As Mil e Uma Noites” onde estão narradas as aventuras de Simbad e Aladim. No campo da História destacou-se Ibn Khaldun.

** PEQUENO GLOSSÁRIO:

§ Califa: quer dizer sucessor. Título usado pelos primeiros governantes árabes, sucessores de Maomé.

§ Xeique: líder eleito das tribos árabes.

§ Emir: governador de território escolhido pelo Califa.

§ Infiel: termo aplicado aos não-muçulmanos.

§ Muçulmano ou Islâmico: aquele que segue a religião iniciada por Maomé. Não é sinônimo de árabe. Os árabes, hoje, representam somente uma parte dos muçulmanos, sendo a maioria formada por povos convertidos na expansão.

§ Jihad: quer dizer esforço, isto é, qualquer missão que necessite de empenho por parte do muçulmano. Hoje, no senso comum, virou sinônimo de guerra santa.

§ Sultão: governante dos turcos.

§ Turcos: membros de várias tribos de origem mongol – parentes, portanto, dos hunos –convertidos ao Islã. Se tornaram guardas pessoais do Califa e depois conquistaram os árabes estabelecendo o chamado Império Otomano.

§ Mouros: muçulmanos da Península Ibérica.

§ Suna: conjunto dos ditos de Maomé (hadiz) registrados depois da sua morte pelos seus seguidores. É um complemento ao Corão.

§ Sunitas: representam a maioria dos muçulmanos hoje e se dividem em vários grupos. Apareceram no século XI em oposição aos xiitas. Acreditam na Suna, veneram os seguidores de Maomé e defendem que qualquer fiel deve ter o direito ao governo.

§ Xiitas: seguidores de Ali (4º Califa) e Fátima, filha de Maomé. O termo vem de shiá (partidário/seguidor) e defendem que o governo deve estar nas mãos dos descendentes do profeta. São maioria somente no Irã e no Iraque. Xiita, hoje, no senso comum, é usado para designar qualquer radical ou extremista, o que é de certa forma um preconceito.

§ Sharia: A lei Islâmica. Segue um pequeno texto publicado no
Correio Brasiliense:

“A Sharia é uma lei islâmica que se aplica às populações muçulmanas no Sudão, na Nigéria, no Irã, na Arábia Saudita e na Líbia. Ela é baseada no texto do Corão, o livro sagrado do Islã, e seus principais mandamentos consistem em leis estabelecidas em revelações do profeta Maomé, presentes nas Escrituras.
Para os muçulmanos, a Sharia representa um código moral que rege suas vidas segundo a vontade de Alá (Deus, em árabe), no entanto, nem todos os países islâmicos adotam as penas determinadas por esse código. Entre suas medidas mais polêmicas estão a mutilação ou condenação à morte, chamadas de penas hadd, para atos como furtos, estupros, adultério, assassinato, entre outros. Em 2002, os tribunais superiores da Nigéria, que adota a lei desde 1999, condenaram à morte por enforcamento Sani Yakubu Rodi, de 27 anos. Rodi foi considerado culpado pelo assassinato de sua mulher e seus dois filhos.
Uma das fortes críticas aos países que incorporaram a Sharia ao seu sistema penal é sobre a crueldade e o rigor das penas para crimes considerados comuns no Ocidente. A amputação de uma das mãos imposta ao condenado em caso de roubo é uma exemplo das penas hadd, os castigos mais extremos da Sharia.
Em caso de consumo de álcool, prática de relações sexuais pré-conjugais e outras infrações como calúnia ou difamação, as leis hadd estabelecem a pena de flagelação por chibatadas. Em 18 de janeiro de 2002, o juiz de um tribunal islâmico nigeriano, Mohammed Nai’la, recebeu 80 golpes de chibata em praça pública por ter consumido bebidas alcoólicas. O adultério é considerado uma ofensa extrema e sua punição consiste no apedrejamento até a morte.
As penas são aplicadas de acordo com os critérios de juízes, baseados no Corão e nas palavras, exemplos e modo de vida de Maomé, chamados de Sunnah. Em casos em que alguns atos não são mencionados, os tribunais avaliam as penalidades de acordo com seu discernimento. Na Nigéria, os juízes não somente são instruídos com a Sharia, mas também estudam jurisprudência em escolas islâmicas de direito.”




[1] A Pedra Negra é provavelmente um meteorito que caiu na Terra e passou a ser adorado pelos árabes. Eles acreditavam que a pedra teria ficado negra com os pecados de Adão e que teria sido dada a Abraão e seu filho Ismael pelo Anjo Gabriel.

4º BIMESTRE: IMPÉRIO BIZANTINO


± ANTECEDENTES: A partir do século III começou a se desenhar a separação do Império Romano em duas áreas distintas, o Ocidente ruralizado se viu fortemente atingido pela crise econômica e política, já o Oriente, urbanizado e com uma economia fortemente baseada no comércio, deu mostras de recuperação. A transferência da capital do Império para essa região só deixou mais transparente que os governantes valorizavam bem mais essa área do Império. A divisão do Império Romano em dois no ano de 395, liberou a parte Oriental das preocupações com seu irmão ocidental agonizante. As invasões bárbaras, desviadas do território oriental graças aos missionários e ao suborno, terminaram por acelerar a morte do Império do Ocidente. Já o império Oriental, agora chamado de Bizantino, conseguiu sobreviver. O Império Bizantino nasce então sobre três pilares: a religião Cristã, a Cultura Helenística e o Direito Romano.

± LOCALIZAÇÃO e POVOAMENTO: Bizâncio, a capital do império do Oriente, e atual Istambul, fica em uma área privilegiada às margens do Estreito de Bósforo, que une o Mar Egeu e o Mar Negro, área onde desembocam antigas e importantes áreas de comércio. Aliás, dois pontos importantes que deram identidade ao Império Bizantino foram o comércio e a herança cultural Helenística.

± EXPANSÃO DO IMPÉRIO NOS SÉCULO VI E VII – O GOVERNO DE JUSTINIANO: O império Bizantino teve em Justiniano o seu mais importante imperador, assumindo o trono em 527, ele vai tomar para sai a responsabilidade de reconstruir o Império Romano, submetendo as áreas que tinham sido perdidas no Ocidente ao seu poder. Seguindo esse plano, expulsou os vândalos do Norte da África; retomou o sul da Península Itálica das mãos dos visigodos; e em 553, dominou a Península Itálica, então nas mãos dos ostrogodos. Não era todo o Império do século II, mas foi o máximo que se conseguiu reconquistar.

± As sucessivas ações militares, no entanto, aumentaram a carga de impostos sobre a população. Além disso, desejando fortalecer ainda mais o seu poder, Justiniano vai perseguir as heresias. Lembrem que heresia, no grego, queria dizer escolha, mas que a partir do momento que o Cristianismo se torna religião oficial do Império, haverá somente uma versão de Cristianismo aceita. Essa versão estatal é chamada de ortodoxa, todas as demais, ou são banidas, ou começam a serem perseguidas de tempos em tempos. Além disso, vai intervir cada vez mais nos assuntos da Igreja. Essa ingerência, que vai se tornar prática entre os imperadores orientais, nos assuntos da Igreja, é conhecida como cesaropapismo. A tensão religiosa,[1] somada ao descontentamento com os impostos altos e o despotismo do Imperador vai gerar a chamada Revolta de Nike, em 532, iniciada depois de uma corrida no hipódromo. A revolta social somente foi rapidamente debelada por iniciativa da Imperatriz Teodora que vendo a intenção de fuga do marido teria afirmado que “A púrpura é a melhor mortalha”. Sob suas ordens o exército real massacrou os revoltosos em Bizâncio e iniciou a ofensiva em outras partes do Império.

± Sem dúvida a herança mais duradoura do governo de Justiniano foi o chamado Corpus Juris Civilis que combinava as leis romanas, o pensamento cristão e reforçava o poder centralizador do imperador. Se a expansão territorial bizantina durou pouco, o código de Justiniano será levado para o Ocidente e servirá de base para a retomada do Direito Romano na Idade Média.

± O IMPÉRIO AMEAÇADO – SÉCULOS VII E VIII: O território do império Bizantino debilitado pelas guerras de expansão e pelas lutas internas,[2] vai perdendo territórios para uma nova força que vai surgir no século VII, o Islã. Os árabes, unidos pela sua nova religião, vão tomar dos bizantinos a Mesopotâmia, a Palestina (território sagrado para os cristãos), o Norte da África e a Península Ibérica.[3] Com o tempo vão se apossar também das grandes ilhas italianas, em especial a Sicília. As querelas religiosas também vão contribuir muito para a situação, em especial a monofisista – que desencadeou a Revolta de Nike, e a iconoclasta que se prolongou de 726-843 e defendia o fim da veneração de imagens. Entretanto, não vou usar aqui o termo “declínio” nem “decadência” porque venhamos e convenhamos, nenhum Estado iria resistir mais cinco séculos nessa situação. O que vamos ter é um Império tentando se reorganizar sempre.

± O FIM DO IMPÉRIO: As tensões religiosas e sociais, as disputas pelo poder, a concentração de propriedade nas mãos de poucos e a ameaça de vizinhos poderosos começaram a ameaçar a estabilidade do império. Mesmo assim, o Estado Bizantino só chegou ao seu fim 1453, quando é definitivamente conquistado pelos turcos seldjúcidas que estabeleceram um grande Império que ia da Anatólia (atual Turquia) até Bagdá. No entanto, o território bizantino foi diminuindo de tamanho a partir do século VII, até se resumir a um território que pouco circundava a cidade de Bizâncio. Antes mesmo de serem conquistados pelos turcos, o império Bizantino vai cair nas mãos dos europeus que utilizaram a IV Cruzada, 1202, para tomar Bizâncio ao invés de ir “libertar” a Terra Santa. O Império Latino de Constantinopla entretanto durou pouco e os bizantinos se tornaram independentes novamente, se bem que por pouquíssimo tempo.

± ORGANIZAÇÃO SOCIAL E ECONÔMICA: Os grupos sociais no império Bizantino estavam divididos da seguinte maneira: no topo da pirâmide o imperador, seu parentes mais diretos e os altos funcionários; o clero, mais rico; aristocracia rural forte; grandes mercadores; e trabalhadores rurais e urbanos com melhores ou piores condições de vida. Havia escravos mas estes não representavam mais o grosso dos trabalhadores. O clero tinha grande poder sobre a população mas sofria o controle do Imperador que em algumas ocasiões buscava nesse grupo os recursos necessários para patrocinar as campanhas militares. O Estado também buscou proteger os pequenos e médios proprietários mas com o tempo a propriedade da terra tendeu a se concentrar nas mãos de um grupo cada vez menor. Além do comércio e da agricultura, o Império contava com grandes centros manufatureiros como Bizâncio, Éfeso, Alexandria, Antioquia, Corinto entre outras. Já os estrangeiros que quisessem comerciar no território do Império pagavam pesadas taxas alfandegárias e impostos. A solidez da economia do Império Bizantino é que permitiu a superação de várias crises.

± RELIGIÃO: A Igreja no Oriente sempre foi diferente da Ocidental, aliás, mais
correto seria dizer que havia várias igrejas. A Igreja Ortodoxa nasceu da ingerência do Imperador nos assuntos religiosos (cesaropapismo) e normalmente o Patriarca de Constantinopla[4] se submetia ao poder secular (do imperador). A data de 1054, que marcaria o suposto cisma das igrejas do ocidente e do oriente não deve, portanto, ser levado em conta. No império bizantino as questões religiosas assumiam um peso muito forte, a arte, em especial os ícones, era fonte de renda de muitos mosteiros. Já as heresias nunca foram totalmente dominadas pela Igreja Oficial. Com o fim do Império do Oriente, e graças ao intenso trabalho de evangelização dos povos eslavos, surgiram várias Igrejas Ortodoxas como a Grega e a Russa.

± CULTURA E ARTE: A cultura bizantina era herdeira da tradição helenística, ao mesmo tempo em que pretendia salvaguardar a herança romana. Destacaram-se na Teologia; na arquitetura com as abóbadas e os mosaicos; na pintura e na escultura, geralmente de inspiração religiosa; e nas coletâneas de textos jurídicos entre os quais destacamos o Corpus Juris Civilis.

[1] A principal questão religiosa da época era a Monofisista que defendia que Cristo só tinha uma natureza, a divina. Essa doutrina ainda influencia algumas igrejas orientais, como a Copta, até hoje.
[2] Os bizantinos ficaram conhecidos pelas suas intermináveis discussões religiosas à respeito de detalhes teológicos. Estas discussões, não raro, acabavam como estopim das revoltas sociais. A expressão “Discutir o sexo dos anjos” explica bem o ímpeto religioso bizantino.
[3] Outro Império que vai sofrer os ataques dos árabes vai ser o persa que tinha sobrado do desmembramento do Império de Alexandre, o Grande, e nunca tinha se submetido aos romanos.
[4] As cidades onde o Cristianismo teria sido plantado pelos apóstolos teriam cada um o seu Patriarca (Jerusalém, Antioquia, Alexandria, Cartago e Roma), mas Constantinopla ganhou o seu quando se tornou capital. O Patriarca de Roma, adota somente o título de Bispo e depois passou a ser chamado de papa.