segunda-feira, setembro 10, 2007

4º BIMESTRE: IMPÉRIO BIZANTINO


± ANTECEDENTES: A partir do século III começou a se desenhar a separação do Império Romano em duas áreas distintas, o Ocidente ruralizado se viu fortemente atingido pela crise econômica e política, já o Oriente, urbanizado e com uma economia fortemente baseada no comércio, deu mostras de recuperação. A transferência da capital do Império para essa região só deixou mais transparente que os governantes valorizavam bem mais essa área do Império. A divisão do Império Romano em dois no ano de 395, liberou a parte Oriental das preocupações com seu irmão ocidental agonizante. As invasões bárbaras, desviadas do território oriental graças aos missionários e ao suborno, terminaram por acelerar a morte do Império do Ocidente. Já o império Oriental, agora chamado de Bizantino, conseguiu sobreviver. O Império Bizantino nasce então sobre três pilares: a religião Cristã, a Cultura Helenística e o Direito Romano.

± LOCALIZAÇÃO e POVOAMENTO: Bizâncio, a capital do império do Oriente, e atual Istambul, fica em uma área privilegiada às margens do Estreito de Bósforo, que une o Mar Egeu e o Mar Negro, área onde desembocam antigas e importantes áreas de comércio. Aliás, dois pontos importantes que deram identidade ao Império Bizantino foram o comércio e a herança cultural Helenística.

± EXPANSÃO DO IMPÉRIO NOS SÉCULO VI E VII – O GOVERNO DE JUSTINIANO: O império Bizantino teve em Justiniano o seu mais importante imperador, assumindo o trono em 527, ele vai tomar para sai a responsabilidade de reconstruir o Império Romano, submetendo as áreas que tinham sido perdidas no Ocidente ao seu poder. Seguindo esse plano, expulsou os vândalos do Norte da África; retomou o sul da Península Itálica das mãos dos visigodos; e em 553, dominou a Península Itálica, então nas mãos dos ostrogodos. Não era todo o Império do século II, mas foi o máximo que se conseguiu reconquistar.

± As sucessivas ações militares, no entanto, aumentaram a carga de impostos sobre a população. Além disso, desejando fortalecer ainda mais o seu poder, Justiniano vai perseguir as heresias. Lembrem que heresia, no grego, queria dizer escolha, mas que a partir do momento que o Cristianismo se torna religião oficial do Império, haverá somente uma versão de Cristianismo aceita. Essa versão estatal é chamada de ortodoxa, todas as demais, ou são banidas, ou começam a serem perseguidas de tempos em tempos. Além disso, vai intervir cada vez mais nos assuntos da Igreja. Essa ingerência, que vai se tornar prática entre os imperadores orientais, nos assuntos da Igreja, é conhecida como cesaropapismo. A tensão religiosa,[1] somada ao descontentamento com os impostos altos e o despotismo do Imperador vai gerar a chamada Revolta de Nike, em 532, iniciada depois de uma corrida no hipódromo. A revolta social somente foi rapidamente debelada por iniciativa da Imperatriz Teodora que vendo a intenção de fuga do marido teria afirmado que “A púrpura é a melhor mortalha”. Sob suas ordens o exército real massacrou os revoltosos em Bizâncio e iniciou a ofensiva em outras partes do Império.

± Sem dúvida a herança mais duradoura do governo de Justiniano foi o chamado Corpus Juris Civilis que combinava as leis romanas, o pensamento cristão e reforçava o poder centralizador do imperador. Se a expansão territorial bizantina durou pouco, o código de Justiniano será levado para o Ocidente e servirá de base para a retomada do Direito Romano na Idade Média.

± O IMPÉRIO AMEAÇADO – SÉCULOS VII E VIII: O território do império Bizantino debilitado pelas guerras de expansão e pelas lutas internas,[2] vai perdendo territórios para uma nova força que vai surgir no século VII, o Islã. Os árabes, unidos pela sua nova religião, vão tomar dos bizantinos a Mesopotâmia, a Palestina (território sagrado para os cristãos), o Norte da África e a Península Ibérica.[3] Com o tempo vão se apossar também das grandes ilhas italianas, em especial a Sicília. As querelas religiosas também vão contribuir muito para a situação, em especial a monofisista – que desencadeou a Revolta de Nike, e a iconoclasta que se prolongou de 726-843 e defendia o fim da veneração de imagens. Entretanto, não vou usar aqui o termo “declínio” nem “decadência” porque venhamos e convenhamos, nenhum Estado iria resistir mais cinco séculos nessa situação. O que vamos ter é um Império tentando se reorganizar sempre.

± O FIM DO IMPÉRIO: As tensões religiosas e sociais, as disputas pelo poder, a concentração de propriedade nas mãos de poucos e a ameaça de vizinhos poderosos começaram a ameaçar a estabilidade do império. Mesmo assim, o Estado Bizantino só chegou ao seu fim 1453, quando é definitivamente conquistado pelos turcos seldjúcidas que estabeleceram um grande Império que ia da Anatólia (atual Turquia) até Bagdá. No entanto, o território bizantino foi diminuindo de tamanho a partir do século VII, até se resumir a um território que pouco circundava a cidade de Bizâncio. Antes mesmo de serem conquistados pelos turcos, o império Bizantino vai cair nas mãos dos europeus que utilizaram a IV Cruzada, 1202, para tomar Bizâncio ao invés de ir “libertar” a Terra Santa. O Império Latino de Constantinopla entretanto durou pouco e os bizantinos se tornaram independentes novamente, se bem que por pouquíssimo tempo.

± ORGANIZAÇÃO SOCIAL E ECONÔMICA: Os grupos sociais no império Bizantino estavam divididos da seguinte maneira: no topo da pirâmide o imperador, seu parentes mais diretos e os altos funcionários; o clero, mais rico; aristocracia rural forte; grandes mercadores; e trabalhadores rurais e urbanos com melhores ou piores condições de vida. Havia escravos mas estes não representavam mais o grosso dos trabalhadores. O clero tinha grande poder sobre a população mas sofria o controle do Imperador que em algumas ocasiões buscava nesse grupo os recursos necessários para patrocinar as campanhas militares. O Estado também buscou proteger os pequenos e médios proprietários mas com o tempo a propriedade da terra tendeu a se concentrar nas mãos de um grupo cada vez menor. Além do comércio e da agricultura, o Império contava com grandes centros manufatureiros como Bizâncio, Éfeso, Alexandria, Antioquia, Corinto entre outras. Já os estrangeiros que quisessem comerciar no território do Império pagavam pesadas taxas alfandegárias e impostos. A solidez da economia do Império Bizantino é que permitiu a superação de várias crises.

± RELIGIÃO: A Igreja no Oriente sempre foi diferente da Ocidental, aliás, mais
correto seria dizer que havia várias igrejas. A Igreja Ortodoxa nasceu da ingerência do Imperador nos assuntos religiosos (cesaropapismo) e normalmente o Patriarca de Constantinopla[4] se submetia ao poder secular (do imperador). A data de 1054, que marcaria o suposto cisma das igrejas do ocidente e do oriente não deve, portanto, ser levado em conta. No império bizantino as questões religiosas assumiam um peso muito forte, a arte, em especial os ícones, era fonte de renda de muitos mosteiros. Já as heresias nunca foram totalmente dominadas pela Igreja Oficial. Com o fim do Império do Oriente, e graças ao intenso trabalho de evangelização dos povos eslavos, surgiram várias Igrejas Ortodoxas como a Grega e a Russa.

± CULTURA E ARTE: A cultura bizantina era herdeira da tradição helenística, ao mesmo tempo em que pretendia salvaguardar a herança romana. Destacaram-se na Teologia; na arquitetura com as abóbadas e os mosaicos; na pintura e na escultura, geralmente de inspiração religiosa; e nas coletâneas de textos jurídicos entre os quais destacamos o Corpus Juris Civilis.

[1] A principal questão religiosa da época era a Monofisista que defendia que Cristo só tinha uma natureza, a divina. Essa doutrina ainda influencia algumas igrejas orientais, como a Copta, até hoje.
[2] Os bizantinos ficaram conhecidos pelas suas intermináveis discussões religiosas à respeito de detalhes teológicos. Estas discussões, não raro, acabavam como estopim das revoltas sociais. A expressão “Discutir o sexo dos anjos” explica bem o ímpeto religioso bizantino.
[3] Outro Império que vai sofrer os ataques dos árabes vai ser o persa que tinha sobrado do desmembramento do Império de Alexandre, o Grande, e nunca tinha se submetido aos romanos.
[4] As cidades onde o Cristianismo teria sido plantado pelos apóstolos teriam cada um o seu Patriarca (Jerusalém, Antioquia, Alexandria, Cartago e Roma), mas Constantinopla ganhou o seu quando se tornou capital. O Patriarca de Roma, adota somente o título de Bispo e depois passou a ser chamado de papa.

7 comentários:

Anônimo disse...

Bom gostei muito do que eu encontrei aqui

o que eu encontrei aqui nao foi nem a metade da metade que encontrei nos outros sites...
Continuem assim e se darão bem !!!.

Anônimo disse...

nao tive tanto tempo para ler este site mas o que ja li está de parabens!!!!!

Marina disse...

Esse site é ótimo. Encontrei tudo que precisava aqui. Estão de parabéns...

Antonio Francisco disse...

Essa vida de Historiador é fascinante. Não é á toa que nós somos da "tão badalada História"!
Legal, teu site. Muito proveitoso.
Parabéns.

Anônimo disse...

Ser historiador é simplesmente fascinante. Parabéns pelo site extremamente proveitoso.

Anônimo disse...

Jannir disse....
Como é facinante a vida de um Historiador. A cada dia que deparamos com site como este fico ainda mais apoixonada por esta matéria e realmente muito legal porque pude encontrar o que estava procurando .Parabéns esta site é de muito valor.

Áureo Ferreira disse...

Muito bom, só gostaria de fazer um adendo: os termos 'Império Bizantino' e 'Bizantino' (gentílico) só começaram a ser utilizados a partir do século XVI.

Os moradores da parte oriental do Império Romano eram chamados simplesmente de Romanos ou Gregos.