terça-feira, setembro 11, 2007

4º BIMESTRE: BÁRBAROS

>>PERIODIZAÇÃO: Tradicionalmente, a Idade Média se inicia com a Queda do Império Romano do Ocidente, em 476 (Lembre-se: de agora em diante vai ser sempre D.C.) e termina com a Queda de Constantinopla, em 1453. Obviamente, não preciso mais explicar que essas balizas temporais são arbitrárias e não se deve acreditar que valem para o mundo inteiro ou que uma data específica pode determinar a mudança na mentalidade e hábitos de todas as pessoas. Mas vamos lá, ainda nessa periodização tradicional temos: Alta Idade Média (séc. V-X) e Baixa Idade Média (séc. XI-XV).

>>QUEM ERAM OS BÁRBAROS? Os bárbaros nós já sabemos que era o nome que os romanos davam a todos os povos que não tinham cultura greco-romana. Podemos dividir esses povos “bárbaros” em três grupos principais: Germano (alamanos, visigodos, ostrogodos, francos, saxões, etc.), Eslavos (russos, bósnios, crostas, poloneses, etc.) e Tártaro-Mongóis (hunos, alanos, avaros, magiares ou húngaros, turcos, etc.). Não tinham unidade política, nem território, eram nômades ou seminômades. Alguns (visigodos, burgúndios) entraram em contato com os romanos muito cedo e adquiriram muito da cultura dos seus vizinhos, outros (como os saxões) nem chegaram a encontrar os romanos e o que receberam de sua influência veio de outros povos ou da Igreja Romana. A entrada mais “violenta” dos povos bárbaros em território romano se deu principalmente a partir da chegada dos hunos. Este povo deixou aterrorizados tanto os povos bárbaros (germanos em sua maioria) quanto os romanos.

>>ORGANIZAÇÂO SOCIAL GENÉRICA DOS GERMANOS: Os germanos – os eslavos também – eram indo-europeus e sua estrutura social era baseada no clã (família extensa). Vários clãs formavam uma tribo; várias tribos formavam um povo. A base do clã eram as famílias, monogâmicas e patriarcais. As tribos geralmente estavam divididas em três grupos sociais: os chefes, líderes do clã e responsáveis pela tribo; os homens livres, maioria da população; e os escravos, geralmente prisioneiros de guerra. Como não tinham o conceito de Estado, a principal instituição era o Comitatus que era a união dos chefes de várias tribos e seus guerreiros sob juramento de fidelidade. Assim, a relação estabelecida entre eles era pessoal e a retribuição da fidelidade era receber parte do saque, escravos e terras. Todo homem livre armado poderia participar do exército e em algumas tribos havia mulheres guerreiras. As leis eram consuetudinárias e mantidas oralmente, quando conquistaram os romanos em alguns reinos eram aplicadas as leis germânicas para os conquistadores e as romanas para a população conquistada. Os germanos aplicavam o ordálio em seus julgamentos, costume que persistiu na Idade Média. O ordálio era o julgamento dos deuses, por exemplo, para provar a inocência o acusado deveria pegar um ferro incandescente, se não se queimasse, era inocente.

>>ECONOMIA: A base era a agricultura e o pastoreio. Algumas tribos praticavam o comércio. O saque era a forma comum de complementação da produção.

>>RELIGIÃO: a religião era politeísta e animista. Os deuses principais eram Odin –pai dos deuses e patrono da guerra e do comércio, Thor – deus dos camponeses e do trovão, Freya – deusa do amor, da fertilidade e da beleza. Havia outros deuses como Lock, filho de Odin, que pregava peças tanto nos deuses quanto nos homens.
[1] O nome dos deuses nórdicos marcou o nome dos dias da semana em algumas das línguas européias, como o inglês. Os germanos também tinham sua versão do paraíso-morada dos deuses, o Valhala. Para esse lugar iriam somente os guerreiros mortos em batalha que seriam levados para lá pelas Valquírias, as mensageiras de Odin. Quem morresse de velhice ou doença iria para o Hell. Também acreditavam que haveria uma batalha final, o Ragnarock, onde os deuses e outros seres lendários se enfrentariam.

>> A CONVERSÃO: Os povos germanos foram se convertendo aos poucos ao Cristianismo. Alguns quando entraram no Império Romano do Ocidente já eram cristãos só que hereges arianos (visigodos, suevos, vândalos), a maioria destes povos terminou por se converter depois ao Catolicismo Romano. Outros só se converteram com o tempo, alguns ao Catolicismo Ortodoxo, outros ao Romano. Os francos foram um dos primeiros povos a se converterem diretamente ao Catolicismo Romano, sem passar pelo arianismo, e ajudaram a converter (conquistar) outros povos. Na maioria das vezes, a conversão do chefe ou rei determinava a conversão do povo que acabava mantendo muito da sua antiga religião.

>> LEVAS DE INVASÃO: As primeiras levas de invasão chegaram no final do período romano (séc. IV-V), eram povos que tiveram grande convivência nas fronteiras romanas, a maior exceção eram os hunos. Nos séculos VI e VII, chegaram os jutas, anglos e saxões que conquistaram as Ilhas Britânicas, como a influência romana nestes territórios tinha sido mais curta, os territórios por si só já eram muito pouco romanizados. A última grande leva chegou no século IX e X e atacaram os normandos (vickings) que atacaram o Reino Franco, a Sicília, foram até a Rússia e o Império Bizantino, e terminaram conquistando a Inglaterra dos saxões; os magiares (húngaros), búlgaros e outros eslavos atacaram a Europa Central e o Império Bizantino.

[1] A máscara de Lock é retratada no filme “O Máscara”. Só por aí vocês tiram do que ele era capaz.

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