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sábado, fevereiro 25, 2012

80 Anos de Voto Feminino no Brasil



Ontem, 24 de fevereiro, comemorou-se os 80 anos da concessão do direito de voto às mulheres no Brasil. Dentro do código eleitoral provisório ficou estabelecido que poderiam votar todas as mulheres alfabetizadas e maiores de 21 anos. As diferenças entre o voto feminino e masculino existiam. O voto das mulheres era facultativo, enquanto o dos homens era obrigatório. E a diferença mais gritante – e que foi retirada do texto definitivo – é que mulheres casada só poderiam votar com a autorização por escrito do marido, afinal, ele tinha autoridade sobre ela. No entanto, para que uma mulher fosse eleitora, ela precisava ser remunerada e, claro, provar. Percebem que, apesar do avanço, a maioria das mulheres continuavam ainda excluídas do direito ao voto?

Ainda assim, não pensem, no entanto, que o direito de voto foi um "presente" dos homens, assim, um mimo. Foi fruto de muitas lutas e demandas. Não vou abrir o leque para o mundo, mas só para ficarmos no Brasil, a discussão já existia na época da primeira constituição republicana em 1891. Aliás, oficialmente, as mulheres foram excluídas do direito ao voto nesse momento, já que a Constituição do Império não estabelecia restrições de sexo ou relativas à alfabetização. O critério era ser livre e ter a renda exigida para votar em 1ª instância. Agora, nunca li de mulher que tenha tentado votar, ou, se alguma votou, a informação não foi desenterrada ainda. Como historiadora a minha regra é "nunca diga nunca".

A demanda pelo direito ao voto foi crescendo com a articulação de diversas mulheres, feministas, ou não, mas que demandavam uma cidadania plena. Voto é sinônimo de cidadania, privar as mulheres dele é tira-lhes o direito de participar das decisões, de serem agentes políticos plenos. Como na República Velha havia grande autonomia dos Estados da Federação, em 1927, o Rio Grande do Norte concedeu o direito de voto às mulheres e houve a eleição de primeira prefeita do Brasil, Alzira Soriano de Souza. No entanto, apesar dos protestos das mulheres, que foram para as ruas, seus votos terminaram sendo anulados.

Com a Constituição de 1934 o voto feminino passou a ser obrigatório para todas as mulheres que exercessem profissão pública e remunerada, mas algumas restrições persistiram. Para se ter uma idéia, a exigência de que fossem remuneradas só foi abolida definitivamente em 1965. Imagino que a coisa não fosse cobrada, mas continuava na lei, assim como outras restrições à plena cidadania das mulheres persistem até hoje. Não pense que seus direitos caíram do céu. Não desdenhe da luta de tantas mulheres (e homens, também) de gerações passadas. Há quem reclame do voto obrigatório, e é legítimo discutir sobre esta questão, mas não pense que o direito de voto foi algo que sempre existiu, que as mulheres foram sempre convidadas ou intimadas a participar, muitos desejam até hoje nos privar desse direito. Para terminar, cito a minha orientadora (querida), a prof.ª Tânia Navarro-Swain:
Em tese, [o direito ao voto] representa a não discriminação do feminino no processo político, pois as mulheres podem não apenas votar, como serem votadas. Representa igualmente levar em conta as reivindicações das mulheres no quadro socioeconômico do País e sua intervenção na elaboração de políticas públicas específicas e globais.
Espero que o texto seja útil para algumas reflexões. Eu queria ter terminado ontem, mas a internet estava tão ruim que eu não conseguia navegar nas páginas.

quinta-feira, novembro 25, 2010

25 de novembro: Dia da Não-Violência contra as Mulheres



A violência de gênero é tão recorrente, tão recorrente, que nunca é demais repetir que ela existe, até porque tem gente que não lembra. Para se ter uma idéia, ontem uma menina de 15 anos foi morta à pancadas pelo pai em São Paulo. Motivo? Estava namorando escondido. Mas o delegado já mostrou para quem vai a simpatia: "Foi uma infelicidade. O pai não queria matar a filha, mas dar um corretivo". Alguém chuta a cabeça de uma pessoa (*mulheres são pessoas, eu acho*) por "infelicidade"? Acho que, não. E não concordo com uma discussão que explodiu no Twitter associando esse tipo de coisa a São Paulo, por conta das últimas explosões de racismo e homofobia. Não, amiguinhos! Pode acontecer e acontece em todo o lugar, não somente em São Paulo, não somente no Brasil.

domingo, agosto 01, 2010

Praça em Sergipe é o mais novo patrimônio mundial da humanidade



Minha família é originalmente de São Crtistóvão, em Sergipe. Quer dizer, pelo menos o lado paterno da família, já que o materno durante muito tempo foi bóia-fria e migrou por vários estados. De qualquer forma, é muito bom ver o conjunto arquitetônico de São Cristóvão incluído entre os patrimônios da humanidade. Espero que isos traga mais turismo, dinheiro para a cidade e conscientização por parte dos moradores. Quando estive lá em 1994 havia um grande rancor por aprte da população que via o tombamento como um engessamento da cidade, sem compreender que ali estaria a fonte de recursos da cidade. Não sei se o sentimento mudou, havia inclusive pixações na praça que agora foi tombada (*"Patrimônio histórico, morte da cidade!"*), espero que, sim. Segue a matéria do Correio Braziliense.


Praça em Sergipe é o mais novo patrimônio mundial da humanidade

Agência Brasil

Brasília - A Praça de São Francisco, em São Cristóvão (SE), foi incluída hoje (1/8) na lista de patrimônios mundiais da humanidade. Esse é o 18º bem brasileiro a fazer parte da lista, elaborada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A decisão foi tomada durante reunião do Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco, em Brasília.

São Cristóvão é a antiga capital de Sergipe e a quarta cidade mais antiga do Brasil. A praça, construída entre os séculos 16 e 17, teve influência espanhola e portuguesa. É composta pela Igreja e pelo Convento de São Francisco, pela Capela da Ordem Terceira, hoje Museu de Arte Sacra, pela Santa Casa, pela Igreja de Misericórdia, pelo Palácio Provincial e pelo casario antigo. A cidade de São Cristóvão é tombada como patrimônio material pelo Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico e Nacional (Iphan).

O Comitê do Patrimônio Mundial, responsável pela escolha, reúne representantes de 21 países, eleitos pelos Estados partes por quatro anos. A cada ano, o comitê acrescenta novos sítios à lista. A praça foi o único local brasileiro a concorrer.

Durante o evento foram incluídos outros patrimônios mundiais na lista. Entre eles, o Atol de Bikini, nas Ilhas Marshall. O lugar, que fica no Oceano Pacífico e é conhecido por sua grande riqueza ambiental e geológica, foi alvo de 67 testes nucleares depois da Segunda Guerra Mundial, incluindo a explosão de uma bomba de hidrogênio em 1952.

Veja os bens brasileiros que fazem parte da lista de patrimônios mundiais.

Patrimônio Mundial Natural

1 - Parque Nacional do Iguaçu (PR)
2 - Costa do Descobrimento (BA e ES)
3 - Reservas da Mata Atlântica (SP e PR)
4 - Complexo de áreas protegidas do Pantanal Matogrossense (MT e MS)
5 - Áreas protegidas do Cerrado: Chapada dos Veadeiros e Parque Nacional das Emas (GO)
6 - Ilhas Atlânticas Brasileiras – Reservas de Fernando de Noronha e Atol das Rocas (PE/RN)
7 - Complexo de Áreas Protegidas da Amazônia Central

Patrimônio Mundial Cultural

1 - Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Ouro Preto (MG)
2 - Centro Histórico de Olinda (PE)
3 - As Missões Jesuíticas Guarani, ruínas de São Miguel das Missões (RS)
4 - Santuário do Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas do Campo (MG)
5 - Centro Histórico de Salvador (BA)
6 - Plano Piloto de Brasília (DF)
7 - Parque Nacional da Serra da Capivara (PI)
8 - Centro Histórico de São Luís (MA)
9 - Centro Histórico de Diamantina (MG)
10 - Centro Histórico da Cidade de Goiás (GO)

domingo, junho 20, 2010

Vista a Minha Pele: E se nosso mundo fosse invertido?



Eu gosto muito de A Negação do Brasil do Joel Zito. Tenho várias críticas, mas é um documentário fundamental apra refletir sobre o racismo na TV brasileira. Na mesma linha é Vista a Minha Pele (2003). Trata-se de um curta metragem invertendo a forma como brancos e negros (*assim mesmo, duas cores, pois infelizmente o autor não consegue ver mestiços*) vivem aqui no Brasil.

Teria várias críticas, também, por exemplo, em um Brasil "invertido" jogadores de futebol, funkeiros e pagodeiros teriam que ser, em sua maioria, brancos, mas o documentário não toca nisso. Ser professor é profissão "de pobre" ou "idealista", então, é meio absurdo que todos os professores e professoras sejam negros. Também conheço várias diretoras negras, exatamente porque ser diretor/a de escola de Ensino Fundamental e Médio é profissão de pouco prestígio social, daí, mulheres negras poderem ocupar esse posto com mais freqüência que as diretorias de grandes empresas ou a reitoria de uma universidade pública ou privada.

No entanto, as reações dos comentaristas do Youtube mostra bem que o objetivo foi atingido. É muito difícil para a maioria imginar um mundo no qual Xuxas e Angélicas fossem negras, ou que cabelo liso fosse um estigma, ou que os galãs mais desejados fossem homens negros. Para quem não sabe, um filme americano abordou a questão da mesma maneira, mas não de forma didática e com adolescentes, trata-se do filme A Cor da Fúria (White Man’s Burden), com John Travolta, de 1995.

sábado, abril 17, 2010

Abaixo Assinado - Abertura de Arquivos Ditadura



A OAB-RJ iniciou uma campanha pela abertura dos arquivos da Ditadura Militar. Infelizmente, acho que boa parte deles jpa deve ter sido destruída. São vídeos curtos, contundentes, usando atores e atrizes de sucesso que participam da campanha sem cobrar cachê. Encontrei seis vídeos ao todo. Coloquei três aqui e outros três no meu blog Uma Voz Feminista.

terça-feira, novembro 24, 2009

16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres



Trata-se de uma campanha anual, porque a violência contra as mulheres é algo tão corrente (*exemplo: Evangélico espanca filha adulta (e esposa) porque ela fazia chapinha no cabelo*), tão absurdo (*vide o caso UNIBAN*) e tão aceito socialmente, que é necessário repetir e repetir que nós não somos cidadas de segunda classe e que não podemos aceitar ou nos calar. Na página da Campanha é possível obter informações atualizadas. Ela começou oficialmente no dia 20 de novembro até o dia 10 de dezembro. O video aí em cima está ligado à campanha. É apra chocar mesmo, porque esse tipo de coisa não pode continuar acontecendo.