sábado, maio 23, 2009

Japonesas são as que mais vivem no Mundo, diz a OMS



Esta semana foram liberados os dados sobre expectativa de vida no mundo. As mulheres japonesas são as que apresentam maior longevidade com 86 anos, já os homens, vivem mais em San Marino, atingindo 81 anos, segundo o Japan Times.

Sierra Leoa tem a pior expectativa de vida para os homens, com 39 anos, enquanto o Afeganistão é ruim para ambos os sexos, com 41 anos para homens e 42 para mulheres. O normal no mundo hoje é que as mulheres tenham expectativa de vida maior, ainda que isso não aconteça em um punhado de países por aí. Não consegui abrir o relatório da OMS, pois bugou tudo aqui, daí, só achei dados até 2006. Eu tinha os do ano passado, mas perdi.

O relatório aponta para um aumento significativo da expectativa de vida no mundo desde 1990, seja por causa do fim de algumas guerras, seja por conta das iniciativas na área de saúde. Agora dados meio assustadores, na Eritréia, por exemplo, a expectativa de vida para os homens saltou de 33 anos para 61, e a das mulheres de 12 anos para 65. Está certo isso aqui? Na Libéria, pulou de 29 para 54 para os homens, e de 13 anos para 58 para as mulheres. Eu me espanto da expectativa de vida ser tão baixa para as mulheres. Angola, Bangladesh, Maldivas, Níger e Timor Leste também aumentaram a expectativa de vida em mais ou menos 10 anos, tanto para homens quanto para mulheres.

As piores expectativas de vida para as mulheres estão na Suazilândia (37 anos), depois das de Zâmbia e Serra Leoa (40). Já para os homens estão em Serra Leoa (37 anos), Suazilândia (38), Angola (39) e Zâmbia (40). Os destaques negativos ficam para o Zimbabwe, onde a expectativa de vida para as mulheres caiu em 19 anos desde 1990 e hoje está em 44 anos. Já os homens viviam 57 em 1990, a média hoje é 45. Em Lesoto, a expectative d evida caiu em 16 anos para ambos os sexos, com homens vivendo 43 anos e mulheres 47 anos em média. Em Botswana, Congo, Kenya, África do Sul e Zâmbia também houve queda na expectativa de vida.


Na Rússia, a expectativa de vida caiu desde o fim da URSS, os homens agora vivem em média 60 anos, enquanto antes viviam 64. Já as mulheres, viviam 74 anos em média, agora vivem 73. E está perdendo para o Brasil. As mulheres brasileiras hoje têm expectativa de vida de 75 anos, e os homens, de 68 anos. No mundo inteiro, segundo o relatório, as mulheres vivem, em média, quatro anos a mais que os homens. A expectativa de vida delas é de 68 anos, e a deles, de 64 anos.

sábado, maio 16, 2009

Morre mulher trocada por embaixador na ditadura


Guta (6ª da esq. para dir., de pé) e 12 homens do grupo de presos políticos trocados por ElbrickGuta (6ª da esq. para dir., de pé) e 12 homens do grupo de presos políticos trocados por Elbrick

Maria Augusta Ribeiro era a única mulher na foto histórica dos presos políticos trocados pelo embaixador americano seqüestrado, Charles Burke Elbrick, em 1969. Segue a matéria da Folha de São Paulo.


Morre mulher trocada por embaixador na ditadura

Maria Augusta Ribeiro havia sofrido um acidente de carro

DA SUCURSAL DO RIO

Única mulher, cercada por 12 homens, em uma foto célebre dos anos da ditadura militar (1964-85), a ouvidora-geral da Petrobras, Maria Augusta Carneiro Ribeiro, morreu ontem no Rio aos 62 anos.

Guta, como era conhecida, estava em estado grave de saúde desde 25 de abril, quando sofreu acidente de carro em Búzios (RJ). Ela morreu de falência múltipla dos órgãos. Deixa três filhos. Seu velório será hoje das 9h às 15h, no cemitério São João Batista.

Ela foi um dos 15 presos políticos banidos em troca da libertação do embaixador dos Estados Unidos Charles Burke Elbrick, sequestrado em setembro de 1969 por duas organizações guerrilheiras. Dois libertados não aparecem na fotografia feita no aeroporto do Galeão porque embarcaram depois no avião, rumo ao México.

Entre os participantes do sequestro estavam o hoje ministro Franklin Martins e o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ). Junto com Guta, saíram 14 homens. O ex-ministro José Dirceu integrava o grupo.

Estudante de direito, Guta militava na Dissidência Comunista da Guanabara, que depois virou Movimento Revolucionário 8 de Outubro. Participou de ações armadas. Foi presa em maio de 1969 e torturada. Na volta do exílio, foi pioneira do PT. Marcou a vida se dedicando a ações sociais. Na Petrobras, ela coordenou o voluntariado.

"Desde menina, ela tem uma enorme fé no gênero humano", escreveu o jornalista Elio Gaspari em 2003. "Embora com armas diferentes, continuo fazendo a mesma coisa, lutando por um Brasil melhor", disse Guta à "Isto É" em 2005.

segunda-feira, maio 04, 2009

Quando os desenhos vão à guerra


Durante a II Guerra a propaganda foi intensa e o uso da animação foi comum tanto aos Aliados, com destaque para o material da Disney e da Warner, quanto do lado do Eixo, com os japoneses fazendo o seu primeiro longa metragem de animação (“Momotarou Umi no Shinpei - 桃太郎 海の神兵 - Momotarou e os Guerreiros do Mar Divino). Como o Youtube tem todo esse material é fácil encontrá-los, nem que seja aos pedacinhos, como no caso de Momotarou. Quando eu era criança e adolescente, os desenhos de guerra de Popeye, Pernalonga e Pato Donald ainda eram exibidos nas TVs brasileiras. São documentos de época. Segue um pedaço de Momotarou Umi no Shinpei e The Faces of Füher:




sexta-feira, maio 01, 2009

Atlas genético da África mostra origem do homem



Matéria sobre evolução humana na Folha de São Paulo.

Atlas genético da África mostra origem do homem

Estudo de 121 populações africanas sugere que todas descendem de 14 grupos


Varredura também indica que humanos modernos surgiram entre Angola e Namíbia há 200 mil anos e depois colonizaram o globo


RICARDO BONALUME NETO
DA REPORTAGEM LOCAL



Levou uma década, mas uma equipe internacional de pesquisadores coletou amostras de material genético de 2.432 africanos de 113 populações (outras oito já haviam sido estudadas), muitas delas em locais de difícil acesso. O resultado é o mais completo atlas da diversidade genética no continente onde surgiu a humanidade.

O estudo confirma muito do que se sabe sobre migrações e distribuição de idiomas, embora traga algumas surpresas. Apesar de existirem mais de 2.000 grupos etnolingüísticos diferentes na África, representando um terço das línguas faladas na Terra, elas podem ser divididas em quatro grandes famílias. São a Níger-Cordofão (Sudão), Nilo-Saariana, Afro-asiática e Khoisan.

Mas, principalmente, a pesquisa é uma ferramenta com potencial de esclarecer os fatores de risco genéticos para várias doenças, além de servir para planejar ensaios clínicos mais representativos. Variação genética significa também diferenças na resistência a doenças como câncer, Aids ou malária.

Os cientistas compararam os padrões de variação de 1.327 trechos do código genético de 3.000 africanos. A pesquisa está publicada hoje no periódico científico "Science". Foram estudadas 121 populações africanas, 4 de afroamericanos e 60 de outras partes do mundo.

Apesar de hoje existirem grupos de caçadores-coletores espalhados pelo continente, a pesquisa mostrou que todos têm ancestrais comuns. De acordo com a coordenadora da pesquisa, Sarah Tishkoff, da Universidade da Pensilvânia, essa foi uma das maiores surpresas do estudo.

Estes grupos teriam uma população ancestral que começou a divergir 35 mil anos atrás.
Os dados indicam que os africanos de hoje têm origem em 14 grupos populacionais no passado. O ser humano moderno surgiu na África há 200 mil anos e migrou para o resto do globo nos últimos 100 mil anos.

Por estarem mais tempo em um continente, com populações de relativamente grandes tamanhos e adaptadas a diferentes nichos ecológicos, os africanos possuem uma maior variabilidade genética.

"Nosso objetivo era coletar DNA de uma gama significativa de populações etnicamente e geograficamente variadas na África para que pudéssemos estudar a variação genética para beneficiar os africanos, ao permitir que eles conheçam a história da suas populações e servir de base para pesquisa biomédica", afirmou Tishkoff em entrevista coletiva.

A dificuldade de acesso e de preservação do material era um dos motivos pelos quais a África era pouco representada nos estudos genéticos. "Muitas vezes pode ser um desafio conseguir amostras de DNA de pessoas vivendo em lugares geograficamente remotos e às vezes perigosos", disse Tishkoff.

A pesquisa envolveu muitas vezes viagens de vários dias em veículos com tração 4 X 4. "Tínhamos de trazer todo nosso equipamento, incluindo centrífugas portáteis que precisávamos ligar na bateria do carro, pois freqüentemente não havia eletricidade", disse ela.

Os dados da variação genética confirmam ainda que o "berço" da espécie humana está no sul do continente. A análise indicou também que a migração do homem moderno se originou no sudoeste africano, perto da fronteira na costa entre Namíbia e Angola.
Já o local de "saída" da África teria sido próximo do centro do mar Vermelho.

"A história de todo mundo é parte da história africana, porque todos vieram da África", disse outro autor do estudo, Muntaser Ibrahim, da Universidade de Cartum, Sudão.