domingo, agosto 16, 2009

Livrai-nos de todos os males…



O Correio Braziliense de hoje trouxe uma matéria sobre a gripe suína (H1N1) e um histórico interessante sobre as meiores pestes da História. Acredito que seja interessante para o nosso blog e trouxe para cá. Também deixo a sugestão do livro A História da Humanidade Contada pelos Vírus. Segue a matéria.

Peste de Atenas
Foi a primeira grande epidemia sobre a qual há registros. Em 430 a.C. uma doença misteriosa vitimou cerca de 30% da população de Atenas, justamente no início da batalha do Peloponeso, quando a cidade estava em confronto com Esparta. O historiador Tucidides descreveu, à época, em seu livro A Guerra do Peloponeso, aquela estranha enfermidade da qual também foi vítima: “O calor intenso era tão pronunciado que o contato da roupa se tornava intolerável. Os doentes ficavam despidos e somente desejavam atirar-se na água fria. (…) A maior parte morria ao cabo de 7 a 9 dias consumida pelo fogo interior. Nos que ultrapassavam aquele termo, o mal descia aos intestinos, provocando ulcerações acompanhadas de diarreia rebelde que os levava à morte por debilidade”.

O confronto entre as duas cidades contribuiu para agravar a epidemia. “Todos os moradores estavam aglutinados, dentro dos muros de Atenas”, explica o infectologista Stefan Ujvari. Segundo o expert, a causa de tantas mortes permaneceu desconhecida até o início desta década, quando pesquisadores encontraram corpos enterrados na região e, ao estudar a polpa dos dentes dos cadáveres, encontraram DNA da febre tifoide.

Peste de Antonina
Surgiu no século 2 d.C. e matou quase um terço da população de Roma. Depois, espalhou-se pela Itália e também pela região da Gália, onde hoje é a França. Foi assim batizada em alusão ao Imperador Marco Aurélio, que estava no poder na época e era da linhagem dos antoninos. Ele mesmo acabou morto pela peste, no ano 180. Como relatou o médico grego Claudio Galeno, a doença causava “ardor inflamatório nos olhos, aversão a alimentos, sede inextinguível, inflamação da mucosa, vômitos de matérias biliosas, gangrenas parciais e fetidez do hálito” nos contaminados.

Também conhecida como Peste dos Antonios, durou cerca de 15 anos. No auge dela, quase 2 mil pessoas morriam por dia em Roma, sufocadas pelos sintomas da doença. Conforme os relatos de Galeno, contemporâneo da epidemia, os pacientes também alternavam delírios tranquilos e furiosos. O desfecho era “funesto do sétimo ao nono dia”.

Peste Negra
Foi a mais trágica epidemia da história da humanidade, considerada por muitos como um castigo divino. Recebeu esse nome devido às manchas escuras que apareciam na pele dos acamados. As condições sanitárias precárias do século 14 contribuíram para o flagelo sem paralelos até hoje. “Cerca de 30% a 40% da população da Europa foi dizimada e teve repercussão em todos os setores da atividade humana — econômico, agrário. Famílias inteiras desapareceram”, descreve o professor da Univesidade Federal de Goiás Joffre Rezende.

Também conhecida como Peste Bubônica, surgiu na Ásia e causou a morte de 5 milhões na Mongólia e no norte da China apenas no ano de 1334. Foi parar na Europa levada por navios mercantes. Os homens da época não conheciam vírus e bactérias e, sem saber que a doença era causada pela pulga dos ratos, fantasiavam teorias. Doentes foram jogados na fogueira. Famílias se isolaram nos campos. E até os judeus foram perseguidos como possíveis responsáveis pela moléstia. “Nenhuma prevenção foi válida, nem valeu a pena qualquer providência dos homens (…) Na virilha ou nas axilas, algumas inchações. Algumas destas cresciam como maçãs, outras como um ovo”, descreveu Giovanni Bocaccio, no livro Decamerão.

Varíola, sarampo e gripe
Com o avanço das navegações e a descoberta da América, batizada na época de “Novo Mundo”, os europeus importaram epidemias para os pré-colombianos. O sarampo, a gripe e a varíola mataram juntos, ao longo de quatro séculos, mais da metade da população que habitava o continente. A varíola acometeu inicialmente os povos do México, contaminados pelos espanhóis. Mas chegou também ao Brasil pelo litoral da Bahia, se espalhou pelo interior até chegar ao Rio da Prata, atingindo também os índios do Paraguai.

No início do século 20, a varíola foi o pano de fundo para resistência popular que ficou conhecida como “Revolta da Vacina”, ocorrida entre 10 e 16 de novembro de 1904, no Rio de Janeiro. Em meio aos problemas sanitários que a cidade tinha na época, o sanitarista Oswaldo Cruz convenceu os legisladores a aprovar uma lei que obrigava a vacinação contra a varíola. A população se rebelou e a cidade viveu um clima de guerra, com pelo menos 50 mortos e mais de cem feridos.

Gripe espanhola
Uma das mais importantes pandemias causadas por vírus até hoje, levou à morte entre 20 milhões e 40 milhões de pessoas — cerca de metade da população mundial — entre 1918 e 1919. Apesar do nome, especialistas ainda divergem sobre o local onde a gripe se originou. Os primeiros casos da doença foram identificados nos Estados Unidos em março de 1918. A doença chegou à Europa provavelmente em abril, levada por tropas francesas, britânicas e norte-americanas. No Brasil, a doença matou mais de 300 mil pessoas, entre elas o médium espírita Eurípedes Barsanulfo.

O vírus da gripe espanhola era o H1N1, que o homem transmitiu para porcos criados em fazendas na América do Norte, dando origem ao vírus da gripe suína. Os suínos são uma espécie de “tubos de ensaio para vírus”, capazes de misturar tipos que infectam outros animais e facilitar a mutação deles. A atual pandemia de gripe é causada pelo A H1N1, um novo tipo derivado do vírus que adoece os porcos. “Agora, o porco está devolvendo, totalmente misturado, o vírus da gripe espanhola que herdou do homem. Mas é um vírus completamente recombinado, que é transmitido apenas entre humanos”, explica o infectologista Stefan Ujvari.

sábado, junho 27, 2009

Michael Jackson: Vítima de uma sociedade racista



Não fiquei tocada com a morte da personagem Michael Jackson, não vou mentir para vocês. Fazia muito tempo que ele não produzia nada de fantástico em termos de música ou mesmo de positivo em termos sociais ou culturais. Jackson era no mínimo um doente – e é um dos casos raros em que considero a pedofilia um sintoma de doença – e não deveria ter vivido solto por aí e ainda com crianças sob sua tutela. Pois bem, mas em termos sociais ele era uma vítima da sociedade racista e obcecada pela imagem. Por conta disso, posto a matéria feita pelo Correio Braziliense. Queria muito que outros Jacksons – homens e mulheres negras – não tivessem que perseguir uma imagem ideal branca, da mesma forma que queria muito que as meninas e mulheres não tivessem que perseguir a magreza-anoréxica ou a juventude eterna. Segue a matéria:

A morte de um mito: Vítima de uma sociedade racista O filósofo Francisco Bosco vê no drama de Michael Jackson o preconceito enraizado dos EUA • Nahima Maciel

Michael Jackson morreu sem cor. Já não era negro. Vitiligo, tratamento para branquear ou cirurgia, pouco importa. A pele não era mais escura e isso passava muito longe do pó de arroz usado por Little Richard. Também não tinha mais o nariz grande e arredondado. Tampouco era branco, porque não nasceu assim. Sem saber (e provavelmente sem querer), o cantor fez do próprio corpo um panfleto que gritava as tensões raciais tão marcantes na cultura americana do século 20. O rosto deformado estampava o racismo profundamente enraizado numa sociedade incapaz de admitir problemas graves como oriundos de conflitos de raças. A constatação é do filósofo carioca Francisco Bosco, 32 anos, autor do ensaio O comedor de criancinhas, publicado em 2007 no livro Banalogias, conjunto de reflexões sobre a cultura contemporânea.

No texto, Bosco aponta Michael Jackson como o primeiro transracial da história, surgido de uma cultura em que o atenuamento das características negras no showbiz é instrumento de alívio de tensões sociais e caminho para o sucesso. Mariah Carey e Beyoncé alisam cabelos e pintam de louro. Diana Ross fez plástica no nariz. Heróis de desenhos animados japoneses têm grandes olhos redondos. São bonitos, mas somente se isto estiver intermediado por traços padronizados da beleza ocidental. Bosco defende que Michael Jackson foi além. Virou um mutante, ultrapassou a fronteira do confortável e aceitável, por isso acabou demonizado. Negou a própria raça e não aceitou completamente aquela que ditava o padrão ao transformar o corpo em algo disforme, desencaixado.


Bosco fala ainda em “hipocrisia do multiculturalismo”, um cenário no qual as diferenças raciais convivem, mas não se misturam. No máximo, se toleram. O discurso multicultural é típico da realidade norte-americana e pode ser visto como bandeira democrática e símbolo de tolerância, mas para o filósofo carioca está carregado de hipocrisia. Os tempos atuais, no entanto, apontam mudanças. Bosco acredita que na era Obama a figura de Michael Jackson não existiria. “A maior novidade histórica de Obama é mais radical do que ser um presidente negro. Ele é um presidente negro com discurso pós-racialista. Não surgiu sustentando um discurso racialista. A entrada em cena do Obama é um grande passo no sentido da amenização das tensões raciais que produziram o corpo do Michael Jackson”, diz, em entrevista ao Correio. Nesse sentido, a morte do cantor é quase simbólica. Leia ao lado a entrevista com o filósofo.


Três perguntas para Francisco Bosco


Michael já estava morto há muito tempo?

Não sei se estava morto por causa das transformações, porque elas começaram desde o Thriller. (Naquela época) ele não era o neguinho que surgiu aos 10 anos. A partir do Bad essas transformações adquiriram o caráter estranho. Até Thriller ele não se diferenciava fisicamente do padrão normal de atenuamento da beleza negra que a gente continua vendo hoje em dia. Mas a partir de Bad começou a ficar estranho. Até Dangerous, é uma pessoa relativamente normal. Depois, vira transracial, você não identifica nem com branco, nem com negro, não tem idade, sexo e vira esse troço que ninguém conseguia entender. Na verdade, quando ele estava no auge, essa questão existia com muita força. Não dá para dizer que as mutações fizeram com que decaísse artisticamente. Em geral esses artistas que vão muito alto muito subitamente não têm uma duração artística muito grande.


Quem matou Michael Jackson foi a cultura pop?
Não diria isso com todas as letras. Mas certamente o que fez com que fosse para esse caminho de cirurgias, mutações e reclusões foi a cultura pop norte-americana.


Por que o ódio a Michael e não a artistas como Beyoncé ou Mariah Carey, que também se embranquecem?
Mariah Carey e Beyoncé são a boa consciência norte-americana. São pretas que se embranquecem, mas não apagam as marcas ostensivamente negras e se aproximam do branco como se apagassem as tensões raciais norte-americanas. O corpo do Michael Jackson faz com que essas tensões gritem. Só ele fez isso. E sem saber, sem querer.

Crise do Irã



Sei que a mídia já perdeu o interesse, ainda mais depois da morte de Michael Jackson, mas acho que um dos acontecimentos do ano, ano dos 30 anos da Revolução Islâmica, foi esta eleição fraudada e a importância da internet e, especialmente, do Twitter para informar e gerar solidariedade. E eu não estou dizendo com isso que a oposição ganhou, mas que a eleição não pode ter sido a "lavada' que foi. Ascharges vieram do site Gordo Nerd, mas a origem real delas, eu não sei.


quinta-feira, junho 04, 2009

Internet Móvel da Vivo: Não caia nessa armadilha



Eu já devia ter postado antes, mas estava aguardando para ver no que dava. No dia 11 de março, fiz a besteira de comprar um notebook Positivo, junto com ele veio uma propaganda promocional da VIVO de internet móvel. Como ia para o Rio e o Modem da Brasiltelecon não iria funcionar lá, achei que poderia ser boa idéia. Assinei o plano de 250 MB, afinal, era para quebrar o galho mesmo, por um preço promocional nos três primeiros meses de R$19,95. Não explicaram nada sobre o excedente, me disseram que não pagaria fatura no primeiro mês, e, claro, não me enviaram contrato.

Recebi a primeira fatura antes de um mês. Coisa como R$10. Reclamei. Responderam o e-mail depois de dias se desculpando. No mês seguinte veio uma fatura de R$154. Entrei em contato, a atendente não soube explicar direito como funcionava a taxa excedente, titubeou. Pedi cancelamento e ela disse que o “setor responsável” entraria em contato. Faz quase um mês. Anteontem, recebi uma fatura cobrando R$63, e dizendo que minha assinatura era de R$59,95.

Vou ao PROCON na segunda. Já deveria ter ido. Enfim, fiz duas burradas, mas não poderia deixar de avisar aos leitores e leitoras do blog. Se decidirem escolher internet móvel, pensem duas vezes antes de escolherem a VIVO. Se agiram de má fé comigo, certamente farão de novo. Então, é melhor se poupar da dor de cabeça, porque para mim tem sido grande. Lembro que quando trabalhei na Credicard nos diziam que um cliente mal atendido poderia fazer com que a empresa perdesse mais dez clientes. Desejo que ao colocar estas informações aqui no blog, possa fazer a VIVO perder muito mais que isso.