terça-feira, julho 31, 2007

ROMA 3: IMPÉRIO


Séculos I e II d.C.

** O Império Romano se inicia em 27 a.C. e chega ao seu fim em dois momentos diferentes. No Ocidente, em 476 d.C., com as invasões das tribos bárbaras germânicas. No Oriente, em 1453 d.C., quando os turcos conquistam Constantinopla, a capital do Império Bizantino do qual falaremos mais tarde. Dividimos a história do Império Romano (27 a.C.-476 d.C.) em duas fases: Alto Império (27 a.C. até o século II d.C.) e Baixo Império (século III ao V d.C.).

** O Primeiro Imperador: Otávio, sobrinho de César, após derrotar Marco Antônio, assume o governo de toda a Roma Antiga. Otávio coloca fim a República, diminuindo drasticamente os poderes do Senado e criando, para a sua segurança, a Guarda Pretoriana, formada por 9.000 soldados, com a grande função de proteger a pessoa do Imperador. A partir daquele momento, todos deveriam prestar lealdade ao Imperador. Além desse título, Otávio adotou os títulos de Augusto (divino) e Príncipe (primeiro dos cidadãos), além de assumir para si vários cargos: pontífice máximo, censor, cônsul, tribuno, etc.

** Reformas de Augusto:

>> Aumento da autonomia administrativa das cidades e províncias e sua divisão entre: senatorias e imperiais. As províncias imperiais eram as de fronteira e os governantes eram nomeados diretamente pelo imperador que também reforçou a presença do exército no limes do Império.

>> Classificação da população pela renda, assim, foram criadas três “ordens”: a Senatorial, a Eqüestre e a Inferior. Diluiu-se as tensões entre patrícios e plebeus, cujos membros mais ricos passaram a formar a nobilitas (nobreza) e a população passou a ser discriminada entre ricos e pobres. Somente os mais ricos poderiam chegar ao Senado.

>> Centralização dos gastos públicos como forma de reprimir a corrupção.

>> Designação de funcionários de confiança para cobrar os impostos nas províncias.

>> Reorganização dos correios: um Império tem que ter um sistema de comunicação rápido e confiável.

>> Agravamento de penas e repressão de práticas que atentassem contra a moral e os bons costumes. Otávio também vai reprimir os excessos de luxo da sua corte.

>> Revigoração das rotas comerciais e a criação da esquadra imperial, responsável por proteger os navios que traziam os grãos que abasteciam a Itália.

>> Construção de obras de infra-estrutura: aquedutos, pontes, termas, mercados, etc.

>> Apoio às artes, através do patrocínio de artistas, filósofos e escritores. Essa prática, comum até hoje, chama-se Mecenato e é feita pelo Estado, grandes empresas ou mesmo indivíduos ricos. Esse termo vem de Mecenas, nome de um amigo de Otávio.

** Século de Ouro: É assim que ficou conhecido o longo período que cobre o longo governo de Otávio Augusto e de seu sucessor, Tibério César. Foi nessa época que se consolidaram as bases do Império Romano e se iniciou a chamada Pax Romana.

** Pax Romana: Período que cobre o século I e II, marcado pela relativa estabilidade política, pela expansão máxima das fronteiras de Roma graças à ausência de inimigos poderosos, e a sensação de paz e tranqüilidade que reforçava a idéia de que os romanos eram os senhores do mundo. Essa estabilidade favoreceu e muito a expansão do Cristianismo que se valia da estabilidade romana e da cultura helenística para se espalhar pela malha urbana do Mediterrâneo, o mare nostrum romano.

** Governantes do Século I: Uma característica dos imperadores que sucederam Tibério César (Dinastia Júlio-Claudiana), foi o final trágico de seus governos. Um dos agentes das deposições e assassinatos que marcariam a história de Roma seria a Guarda Pretoriana, criada exatamente para proteger os imperadores. Calígula, conhecido entre outras coisas por transformar seu cavalo em senador, teve governo curto. Cláudio, seu tio e sucessor, foi um governante competente e em seu governo foram conquistadas a Bretanha, província que corresponde aproximadamente a atual Inglaterra, e a Mauritânia, No Norte da África. Seu governo terminou com sua morte envenenado por sua esposa Agripina, depois que essa garantiu a indicação de seu filho Nero para o trono Imperial. O jovem Nero ao assumir o governo mostrou-se competente e bem orientado por seu preceptor, o filósofo Sêneca. Estimulou as artes e as ciências. Com o tempo, entretanto, afastou-se de seu mentor e cometeu vários excessos entre eles o possível assassinato de seu meio-irmão Britânico, assassinato da esposa Otávia e da mãe Agripina. Além disso, foi no seu governo que aconteceu o grande incêndio de Roma. Até hoje, o imperador, que mandou remodelar a cidade e transformá-la na mais esplendorosa capital de então, é suspeito de ter ordenado o incêndio e depois culpado os cristãos. Essa foi a primeira grande perseguição aos adeptos dessa religião. Nero terminou seu governo Sendo condenado pelo senado e abandonado pela Guarda Pretoriana. Sabendo que seria preso, torturado e executado, optou pelo suicídio.

** Os “Bons Imperadores”: Depois das agitações que se seguiram à morte de Nero, a estabilidade veio através de novos imperadores que tinham obtido prestígio graças à seu desempenho militar. Primeiro a Dinastia dos Flávios (69-96 d.C.), com Vespasiano, que construiu o Coliseu e Tito que reprimiu a revolta dos judeus e promoveu a Diáspora e Domiciano. Após a morte de Domiciano, assumiu a Dinastia dos Antoninos (96-192 d.C.), conhecida como a dos “bons imperadores”. Esses imperadores, alguns deles nascidos fora da Itália em províncias da península Ibérica ou Norte da África, fizeram governos competentes e garantindo a segurança política, o desenvolvimento econômico e convivência entre os diversos grupos sociais. Foi durante o século II que o Império chegou ao máximo de sua expansão com a conquista, durante o governo de Trajano, da Dácia (Romênia) e da Mesopotâmia. Dentre os imperadores do período, um dos mais significativos foi Marco Aurélio, chamado de o imperador filósofo. Foi dele a decisão de permitir que os bárbaros pudessem se estabelecer nas fronteiras do Império e também, quando necessário, ingressar no exército. Tal medida não foi vista com bons olhos, e já no governo de Marco Aurélio começaram a aparecer os primeiros problemas que iriam marcar o século III. O filho de Marco Aurélio, Cômodo, foi o último dos Antoninos, mas o título de “bom imperador” não lhe caía bem e terminou sendo assassinado por um gladiador.

** OS Bárbaros: Eram considerados bárbaros pelos romanos todos aqueles que não tinham cultura greco-romana e não falavam latim. Assim, poderiam ser bárbaros tanto os judeus quanto os árabes ou as tribos da Europa. No entanto, sempre que utilizarmos este termo daqui para adiante estaremos nos referindo aos Germanos, tribos seminômades que estavam se deslocando rumo à Europa e foram barradas nas fronteiras de Roma. Algumas delas permaneceram ali por muito tempo e se romanizaram, outras recém-chegadas desconheciam os costumes romanos. A relação dos romanos com as tribos variava, mas muitos bárbaros passaram a participar do exército e da política do Império e os casamentos se tornaram cada vez mais freqüentes. A chegada dos hunos (lembram que séculos atrás eles estavam perturbando os chineses?) vai aterrorizar os germanos e provocar sua entrada violenta em territórios romano.

Séculos III a V d.C.


** CRISE DO SÉCULO III: O fim da Dinastia dos Antoninos foi marcado pela anarquia militar e o fim da Pax Romana. Os novos governantes, a Dinastia dos Severos (193-235 d.C.), não conseguiram garantir a estabilidade do governo, e a guerra civil se tornou constante. Era comum o assassinato de Imperadores e outros governantes. A insegurança, gerou a crise no comércio e no abastecimento. Os camponeses, constantemente convocados para serviço militar, esvaziavam o campo e reforçavam a crise agrícola, a fome e a inflação. O fim da expansão diminuiu o número de escravos e agravou a crise de mão-de-obra. A concessão de cidadania para todos os habitantes livres do Império, em 212 d.C., ajudou a diminuir o prestígio do Exército que admitia cada vez mais bárbaros. Os funcionários públicos aterrorizavam a população, aumentavam os impostos e a corrupção era uma constante.

** REFORMAS DE DIOCLECIANO: a crise do Império começou a ser revertida com as reformas de Diocleciano (284-305 d.C.) que reorganizou a estrutura do Império. Entre as reformas deste imperador podemos ressaltar:

>> A divisão do Império em quatro regiões administrativas (Tetrarquia): duas governadas por césares e duas por augustos.

>> Para conter a alta dos preços, instituiu a Lei do Máximo que limitava preços e salários. Tal medida terminou por gerar ágio e o desaparecimento de mercadorias.

>> Transformou alguns camponeses em colonos, o que os impedia de abandonar as suas terras.

>> Instituiu o culto a pessoa do Imperador que passou a ser chamado de Dominus (senhor). Como os cristãos se recusaram a cultuar o Imperador, acabaram sendo duramente perseguidos.

>> Além disso, instituiu a obrigatoriedade do latim para as províncias do oriente, reforçou o culto aos deuses e tradições romanas e tirou a autonomia das cidades.

Apesar dos esforços de Diocleciano, as fronteiras do Império continuaram vulneráveis, os ataques eram constantes. A desvalorização da moeda e a inflação fez com que em muitos lugares a economia retrocedesse a economia de trocas. Diocleciano terminou renunciando em 305 d.C.

§ O IMPÉRIO SE TORNA CRISTÃO: No ano de 312, Constantino se tornou imperador. Entre as medidas mais importantes do seu governo podemos ressaltar: O Édito de Milão, de 313, que deu liberdade de culto aos cristãos; a aproximação entre o Estado Romano e a Igreja Cristã expressa no Concílio de Nicéia, de 325, quando se definiram as bases da Igreja com intervenção direta do imperador; a Lei do Colonato que obrigou definitivamente os camponeses a estarem presos à terra sob a proteção de um latifundiário; e a transferência da capital de Roma para Constantinopla (antiga Bizâncio), o que demonstrou o quanto o Oriente era mais importante do que o Ocidente dentro do quadro de interesses do Estado.

** A SEPARAÇÃO DE ORIENTE E OCIDENTE: Coube ao imperador Teodósio II (297-395) transformar o Cristianismo em religião oficial do Império (Édito de Tessalônica), abolindo todas as festas pagãs, entre elas as Olimpíadas (391 d.C.). Este imperador também dividiu o império entre seus dois filhos: o Império do Ocidente, com capital em Roma e governado por Honório; e o Império do Oriente, com capital em Constantinopla, e governado por Arcádio. A partir de então, o império do Ocidente estava com os dias contados e foi conquistado por Odroaco, rei dos hérulos, em 476, já o Império do Oriente ainda teria mais 1000 anos de história.

** POR QUE ROMA CHEGOU AO FIM? Não existe uma causa para o fim do Império Romano do Ocidente, mas podemos apontar alguns fatores que juntos colaboraram para o seu fim:

>> As disputas de poder que enfraqueceram o Estado.

>> A crise do Exército que representava a base do poder do imperador e antes do século III era motivo de orgulho para os romanos. Com a entrada dos bárbaros, as crises de hierarquia, a anarquia e a falta de patriotismo se tornaram uma constante.

>> A decadência econômica, fruto entre outras coisas da insegurança, desvalorização da moeda, ruralização do Ocidente e crise de mão-de-obra. Roma dependia dos escravos e sua escassez, contribuiu para o decréscimo da agricultura. O colonato foi uma forma de tentar reverter o problema.

>> As invasões bárbaras que se tornaram um grande problema para o Império do Ocidente, fragilizado pelas lutas políticas.

>> As mudanças provocadas pelo cristianismo na sociedade romana, atingindo às crenças, o militarismo, a moral, etc.

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