quinta-feira, março 14, 2019

1º TRIMESTRE: ROMA – IMPÉRIO – Parte 2


CRISE E REORGANIZAÇÃO
(Séculos III-V d.C.)


** CRISE DO SÉCULO III: O fim da Dinastia dos Antoninos foi marcado pela anarquia militar e o fim da Pax Romana. Os novos governantes, a Dinastia dos Severos (193-235 d.C.), oriundos de fora de Roma, das províncias, não conseguiu garantir a estabilidade do governo, e a guerra civil se tornou constante. Era comum o assassinato de Imperadores e outros governantes. A insegurança, gerou a crise no comércio e no abastecimento. Os camponeses, constantemente convocados para serviço militar, esvaziavam o campo e reforçavam a crise agrícola, a fome e a inflação. O fim da expansão diminuiu o número de escravos e agravou a crise de mão-de-obra. A concessão de cidadania para todos os habitantes livres do Império, em 212 d.C., ajudou a diminuir o prestígio do Exército que admitia cada vez mais bárbaros. Os funcionários públicos aterrorizavam a população, aumentavam os impostos e a corrupção era uma constante.

Heliogábalo, imperador adolescente,
queria ser adorado como um deus vivo.
** REFORMAS DE DIOCLECIANO: a crise do Império começou a ser revertida com as reformas de Diocleciano (284-305 d.C.) que reorganizou a estrutura do Império. Entre as reformas deste imperador podemos ressaltar:
>> A divisão do Império em quatro regiões administrativas (Tetrarquia): duas governadas por césares e duas por augustos.
>> Para conter a alta dos preços, instituiu a Lei do Máximo que limitava preços e salários. Tal medida terminou por gerar ágio e o desaparecimento de mercadorias.
>> Transformou alguns camponeses em colonos, o que os impedia de abandonar as suas terras.
>> Instituiu o culto a pessoa do Imperador que passou a ser chamado de Dominus (senhor). Como os cristãos se recusaram a cultuar o Imperador, acabaram sendo duramente perseguidos.
>> Além disso, instituiu a obrigatoriedade do latim para as províncias do oriente, reforçou o culto aos deuses e tradições romanas e tirou a autonomia das cidades.
Apesar dos esforços de Diocleciano, as fronteiras do Império continuaram vulneráveis, os ataques eram constantes. A desvalorização da moeda e a inflação fez com que em muitos lugares a economia retrocedesse a economia de trocas. O Imperador promoveu, também, a última grande perseguição aos cristãos, conhecida como "Grande Perseguição" (303-311 d.C.).  Diocleciano terminou renunciando em 305 d.C.
Mausoléu de Galla Placídia (388-450), irmã do Imperador Honório.
§ O IMPÉRIO SE TORNA CRISTÃO: No ano de 312, Constantino se tornou imperador. Entre as medidas mais importantes do seu governo podemos ressaltar: O Édito de Milão, de 313, que deu liberdade de culto aos cristãos; a aproximação entre o Estado Romano e a Igreja Cristã expressa no Concílio de Nicéia, de 325, quando se definiram as bases da Igreja com intervenção direta do imperador; a Lei do Colonato que obrigou definitivamente os camponeses a estarem presos à terra sob a proteção de um latifundiário; e a transferência da capital de Roma para Constantinopla (antiga Bizâncio), o que demonstrou o quanto o Oriente era mais importante do que o Ocidente dentro do quadro de interesses do Estado.

** A SEPARAÇÃO DE ORIENTE E OCIDENTE: Coube ao imperador Teodósio II (297-395) transformar o Cristianismo em religião oficial do Império (Édito de Tessalônica), abolindo todas as festas pagãs, entre elas as Olimpíadas (391 d.C.). Este imperador também dividiu o império entre seus dois filhos: o Império do Ocidente, com capital em Roma e governado por Honório; e o Império do Oriente, com capital em Constantinopla, e governado por Arcádio. A partir de então, o império do Ocidente estava com os dias contados e foi conquistado por Odroaco, rei dos hérulos, em 476, já o Império do Oriente ainda teria mais 1000 anos de história.

Império dividido.
** POR QUE ROMA CHEGOU AO FIM? Não existe uma causa para o fim do Império Romano do Ocidente, mas podemos apontar alguns fatores que juntos colaboraram para o seu fim:
>> As disputas de poder que enfraqueceram o Estado.
>> A crise do Exército que representava a base do poder do imperador e antes do século III era motivo de orgulho para os romanos. Com a entrada dos bárbaros, as crises de hierarquia, a anarquia e a falta de patriotismo se tornaram uma constante.
>> A decadência econômica, fruto entre outras coisas da insegurança, desvalorização da moeda, ruralização do Ocidente e crise de mão-de-obra. Roma dependia dos escravos e sua escassez, contribuiu para o decréscimo da agricultura. O colonato foi uma forma de tentar reverter o problema.
>> As invasões bárbaras que se tornaram um grande problema para o Império do Ocidente, fragilizado pelas lutas políticas.
>> As mudanças provocadas pelo cristianismo na sociedade romana, atingindo às crenças, o militarismo, a moral, etc.

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